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sábado, 17 de abril de 2010
Amor Distante
Eis a colheita feita
Destes percalços de vida
Amargor das longas dietas
Doces dos dias de festas
Cheiro único de mar
Jeito diferente de amar
Tristeza que é só da gente
Quando o longe não traz alcance...
Dê-me teu instante
E, tudo em nós semeado
Seja utópico
Meu atípico amante
Presente no fruto colhido
Ceifa seleta d’alma
Alimento do meu terno coração
Eterno na razão da minha lida.
TALVEZ
Talvez sejamos
aqueles antigos
poetas imortais
em novos
corpos e metas
procurando
os mesmos locais
- Louis Alien -
Talvez sejamos esboços
dos amanhãs
cruzando nossas linhas
no espaço tátil da poesia,
talvez...
de certeza essa coisa
de encontrar o que parece
que se perdeu!
- Ana Luiza –
Talvez sejamos
o não, o sim
o fim, o ideal,
a parte, o todo.
Talvez só sonho
a procura do local
Talvez a dúvida
do porque.
Talvez meu lugar
seja voce...
- Damáris Lopes -
Talvez sejamos
o passado de volta
a brincar com o presente
desenhando um novo futuro
um mundo que se pressente
sem ressentimento ou muro
sem ódio por toda volta
a brilhar infinito nos séculos.
JL- Semeador
quarta-feira, 7 de abril de 2010
Rascunho
- Damáris Lopes -
Juntos escrevemos um poema
Sílabas cadentes e tônicas se uniram
Criaram o tema.
Pontos eram inevitáveis
E, frágeis as interrogações
Aspiravam respostas...
Estrofes idiotas
Nem tudo era lindo
Versos ungidos, sem brado de voz
Falavam de lua, de mar
De mato, contas a pagar
E de nós, pequenos hai-kais
Nas mãos, o mundo
Até o fundo submerso.
Não te esqueço jamais...
Estonteante parceria
Noites e dias de amor
Precedidos de poesia
Sem estética.
Atropelados pela gramática
Ignoramos a prática
Rendemo-nos ao hiato
Separou-se a escrita
Sem lema
Meu monólogo, um teorema
Me cansa
Desprovida da matemática,
Diminuo-me nas lembranças
E minh’alma em prece balbucia
Sem poesia, o teu nome...
Volta, seja meu pretexto,
Meu sexto sentido
Reencontro do poema perdido.
domingo, 7 de março de 2010
Sozinha e sem Tempo
-Damáris Lopes -
Ouço o tic, vejo o tac
E meu pé finca no chão
No trem não vou
Longínqua, minha estação
É a pressa - que me resta
A dar conta deste dia,
Mais um tic, mais um tac
Do relógio em covardia!
Atrasa, não adianta
Há de ser falsificado
Anti-herói, anti-horário,
Não segue tempo esticado.
Não dou conta do recado
Aflijo o tic e o tac
Como não houvesse som
Do ponteiro em destaque.
- Perco o trem.
Talvez, no seguinte, eu parta
Sem o tic, sem o tac
Que me atrasam também.
Amanhã na estação,
Darei corda no relógio
E do meu pulso,
Por impulso impróprio
Dele, o curso será um não.
Então, partirei
Sem o tic, sem o tac
Com o toque do meu passo
Não "tic-tarei" o tempo
Partida de mim,
Despojada de outros bens,
certa, no trem que vem...
Trem que vem...trem que vem
Sem o tic, sem o tac,
Sem o tempo
Só eu, mais ninguém
** Imagem presente da amiga e irmã Lisete Silvio
domingo, 28 de fevereiro de 2010
Vingança
Arrisco escrever deste teu jeito
Quando te encostas, e me tiras a pressa
Controladora do meu corpo, feito
Leitura que só a mim interessa.
Não mente este calafrio
Percorre ácido minhas membranas
E como pão que como e fatio
És fermento sólido
Que ao estômago engana.
Oportuno, te devoro com gana
Ambição ingênua de quem maltrata e judia
Sem restrição, teus desvios me encantam
Assim, me vingo em paixão doentia.
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
Ao Meu Professor
- Damáris Lopes -
Seria eu, seria tantas em pedaços distintos
Talvez geminiana desenfreada
No abc da primeira cartilha
Sonho faminto.,
Da “Caminho Suave”, te lembras?
Acorde sem rítmo
Da despautada nota
Sem sol,
Ai de mim!
Anzol sem isca
Perdida na pista
Sem pista pra te encontrar.
Sábia escola, esta vida de arte,
Não te vi tarde
Nos meus cinqüenta
Onde a interrogação ainda me tenta
E lendo em linhas tortas
Onde Ele escreve certo
Tropecei em versos no ar.
Caminho perto pra te achar.
Por dito e feito
Na tua linguagem sóbria
Me fiz própria
Pra provar das tuas sílabas
E delinear o jeito
Do meu re-desenho.
(Imagem, gentilmente cedida pelo poeta Naldo Velho)
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
PAQUETÁ, ILHA DA POESIA
Engraçado como o tempo, tuas marcas contradiz
se séculos ocultassem anos, serias menina aprendiz,
pois na antiga história, teu seio é juvenil.
Pele brilha adolescente, em vestimenta de senhora,
sob tecido faceiro, desfilas agora credora,
em tempo, bem feitora, dos poetas do Brasil.
Nas ruas areosas onde olhos vivificam
Batem ondas da Baía, que te margeiam, filha.
Sombra de coqueiros refresca este pequeno Rio,
que viveu tantos janeiros a enfeitar casarios.
Das tuas charretes, a rota, contrasta esta gente,
que ora te honra e cultua de maneira diferente.
As moreninhas de hoje, por mais, possuam graça
distantes estão daquela, de Macedo, tão recatada.
A beleza de tuas praias ainda embala inspiração,
E, no canto de cada pássaro, cada nota, soa canção.
Reluzente, o sol conduz a barca ao caminho,
o pórtico se abre em graça e caloroso decreta:
- bem vindo seja o carinho do povo e dos poetas.
Pela sombra das Paineiras, cheiro, sol e maresia,
pela brisa do teu jeito, Paquetá, aqui proponho:
De ora em diante aceites, sempre Ilha da Poesia,
Assim seja teu sobrenome, glória e vida deste sonho.
** Este poema nasceu da química que Antonio Poeta, projetou nos amigos, a partir de sua dedicação e trabalho com a finalidade de inserir ao nome Paquetá, a Ilha da Poesia, fazendo dela sua sede. Parabéns, amigo, pelo seu trabalho constante.
portalantoniopoeta.com.br
quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
Algemas
Disponível está minha sentença de liberdade
Quero pois, as garras da prisão
Do meu olhar em tuas mãos.
Atada, enroscar-me ao aço dos teus nervos ópticos.
Caóticos os passos que me deixam
Amassam frios nossa verdade.
Quero até a mentira do disfarce
Das noites mornas, sem o veneno das tardes.
E, nas grades desta cela me apetecer da saudade
Dos pelos, das tuas entranhas.
Não me estranhe.
Te reclamo – é o preço – o apelo
Pra ficar ao lado teu.
sexta-feira, 16 de outubro de 2009
Quando
está lá sorriso debruçado,
sem graça, por súplicas que planto.
No pranto de um canto empoeirado
está lá sonho guardado
sob insônias de luares tantos.
No santo amor em pecado,
está lá segredo declinado
por ansiar doce beijo teu.
No tempo perto, sem espanto,
haverei de te beijar, por certo,
no entanto, quando...quando?
segunda-feira, 12 de outubro de 2009
Nos teus braços
Meu fato é teu ato
do abraço que o corpo consome,
como suave ácido corroe
despertando meus sentidos.
Torção nas entranhas
Corro perigo... reviro...
Resta de mim
mera estranha.
Desregrada minh’alma
zera impaciente,
aparente calma.
Lançada ao ar,
não mais ficção,
razão é escalar última camada,
meta pra onde sou atirada.
Infinito pois é meu grito,
sem juízo a me entregar.
Nosso sonho declinado,
no espaço é concreto.
Desfeita em afetos, adormeço
e, nos teus braços, querido,
nem percebo...me esqueço.
terça-feira, 6 de outubro de 2009
Tua Rota
terça-feira, 15 de setembro de 2009
Metáfora
Escapa, vida fugidia.
Vãos ínfimos, esses dedos!
Como gotícula d’água
vai abaixo ralo da pia.
Pelo túnel torneado
escorrega imperceptível,
carga do que se espera
que não frutificou ainda.
Encanamento obscuro,
em que o furo quase trava conserto.
Assim, tem coisa que escoa,
tem coisa que entala,
sem jeito.
Oh! Vida turbinada
entubada pelo tempo.
Quem empoeira ou limpa
como contratada divina
é a faxina do vento.
De repente, ele não encana
mas o ar, velho sacana,
entra rasteiro no cano
e a vida com respiro
tira limbo feito pano
pra sono roncador
sonhar mais tranqüilo,
quem sabe com menos dor.
Vem manso desobstruir
o que se pensa vazio.
Liquefeito tudo no giro,
vida, estrado em funil,
será premio semeado
engate forte, dourado,
que mais um degrau,
ao pódio subiu.
quinta-feira, 9 de julho de 2009
Arquivo
Damáris Lopes
Dito pelo não dito
fotografo tudo
o óbvio, o esquisito.
Dia versus noite versus dia.
Sol que anda,
se esconde da lua branca,
acena, some de cena
e, não descansa.
Eu não mudo, tenho raiz na Terra,
outro planeta me desintegra.
Então, em terra
enterro minhas lembranças,
marco que sou
da manha da criança,
do adolescente ingrato,
do adulto embasbacado
que oculto.
Vire minha página,
serei talvez, breve futuro,
best-seller da velhice,
consagrado premio andarilho.
Na gaveta, verbo andar desvencilho,
giro chave à fechadura.
Enfático, o presente assegura
sou elo conectivo
e por up-grade da vida
sou também um arquivo.
segunda-feira, 29 de junho de 2009
Das Inutilidades
Encontro

*foto da amiga Ana Catarina (Portugal)
- Damáris Lopes -
E nquanto caminhas no meio fio
N o lugar onde vivemos verão e frio
C oncede-me em bondade tua lembrança
O que houve por bem, na memória da infância.
N oites, dias, crenças juvenis, ideais
T omas pois, este acróstico novo encontro
R umas estes versos a uma foto, e pronto,
O nde o sonho fará lembrar de mim, e muito mais.
quarta-feira, 24 de junho de 2009
Quando outra te tocar
Damáris Lopes Vieira
Não te cales do amor ao segredo
Sem o gemido que trará a ti, o bem
Contrastes permitas sem falso medo
Sob as plumas do travesseiro que convém.
Talvez tilinte o colchão de uma cama
Ou te impulsione a força, pelo amor da hora
Faze então, do teu corpo, gozo que proclama:
Esse amor não enterra o de outrora.
Ao herdar as mãos de mulher outra
No solto corpo como amante quente,
Descubras carinhos, a lembrança consente.
Perdido pois, em sonhos de quem por ti foi louca
E, mesmo distante, reconheces sem fim
terça-feira, 23 de junho de 2009
Triste Pombo-correio
*para os amores que tanto precisam da simplicidade.
Por ela:
Encontrei um pombo-correio,
e ao pegá-lo, meio sem jeito,
testei seu bico como leigo,
era ágil e perfeito.
Haveria de carregar direito
todo impregnado em meu peito,
então, o despachei.
Fácil acreditá-lo, pois o voar tantos kms
seria bico pra um bico a serviço do amor.
Assim, amanheci meu dia,
despachando coisas
que só um coração apaixonado faz.
A mensagem simplesmente, dizia
- BOM DIA !!
Ao pombo, só disse:
- obrigada, pelo favor.
Por ele:
A Chegada...
O pombo aqui chegou meio cansado,
meio triste e eu perguntei a ele:
- O que te aflige, pombo, foi o peso da carta que conduziste?
E o pombo respondeu, ainda pousadinho em minha janela:
- Não, é que eu tanto desejava na volta te levar para ela!
domingo, 21 de junho de 2009
Volta

- Damáris Lopes -
Por Acaso
Caracteres, bits e gigas
ícones, mails,
meio mensageiro,
varam lua, varam sol,
ano inteiro.
Jeito do papo,
abraço sem pauta,
cibernético compasso,
faz de mim torre de estação,
sou mais um internauta.
(Entre tantos – já que não falta)
A mão tem LER,
mesmo assim, coração não quer
abolir o digitar.
É medo que no caminho,
sem mão de um carteiro,
abraço apressadinho,
vá pra outro endereço.
Inútil deletá-lo,
pois já foi passado
deste computador
para outro usuário,
(desnecessário).
No próximo contato, com prumo,
acerto do link, o rumo,
atento à tecnologia,
e, em alta prioridade
envio meu abraço
só pra você,
por acaso.
(será?)
domingo, 14 de junho de 2009
Sinaleiro da Comunidade
segunda-feira, 8 de junho de 2009
Manhã
A minha outra parte
ainda dorme,
sem alarde,
sem sede,
sem nenhuma vontade.
Manhã de arte.
Fração é teu meio
um pé no meio,
outro meio, sem jeito.
Adormecida vontade,
acorda, é disfarce.
(Damáris Lopes)
sexta-feira, 29 de maio de 2009
Amantes
Sádica, a tarde esconde
dois entre escombros,
sem eira sem beira,
onde beiram quatro ombros.
Nu descaso - puro acaso,
amor maduro.
Terra molhada, telhado seguro,
resquício de chuva,
é corpo suado,
promessa, travessura.
Roçadas as pernas
invadem as portas
das tortas paredes
que segredam tortura.
Ouvem, restrito,
fonético gemido
em cio animal.
Rosto surpreso
ao outro que é preso
pelo prazer,
feroz encontro carnal.
Sádica, a tarde esconde
dois corpos num desejo
e, mordem alucinados,
lábios que antes
seriam só beijos.
quinta-feira, 28 de maio de 2009
Teu Beijo
-Damáris Lopes - 
Infinita Vontade

(Damáris Lopes)
quarta-feira, 6 de maio de 2009
Sem Título
Vinga, meu poema calado,
Cresça, meu poema descontente,
Morda, meu poema comilão
Tempere-me agora,
Faça de mim, açoitado,
segunda-feira, 20 de abril de 2009
Pecador Pedágio
Rua abaixo, acho o alimento,
terça-feira, 14 de abril de 2009
Canteiro da Regina
No canteiro, senhora,
tem verbo, nome, prosa.
Versos brotam, tem hora.
Sem hora correm palavras,
protestos, vozes chorosas,
sorrisos, quadras melodiosas.
No canteiro, tem hora do rango,
laranja ou abobrinha,
vírgulas, entrelinhas.
No canteiro, senhora,
vista a luva, pegue a pá,
abra a terra, semente vingará.
Há, por certo, a colheita,
reflexão, refeição feita
como verdura fresca
fortalece coração bravio.
Este, senhora, será seu plantio,
canteiro de verso e prosa,
onde, sem espinho, prolifera
rara e generosa rosa.
Não é senhora?
quarta-feira, 11 de março de 2009
A Magia do Palhaço
terça-feira, 10 de março de 2009
Decepção


Rastreie meu jeito de crescer...
no café da manhã, prestes a acontecer
meu olhar há de cruzar o seu, disperso,
entre torradas e caminho inverso.
Serei ser trêmulo a desfalecer,
não mais poesia que acalenta.
Longe, ego quebrado e descrente,
pela palavra inclemente,
em amor que assusta ao peito que o sustenta.
Serei eu, no seu dia
sombra trôpega, sem harmonia,
desfeita em olheiras, decerto fadiga,
a descobrir-me largada e ferida,
pela vergonha de tê-lo ao lado.
Dura, mais que dor de morte
distorcida está minha sorte.
Choro e desespero.
Reconsidero...
Perdoar seria ignorar
que sem você, sou feliz também.
Posso me levantar da mesa,
sem o café da manhã,
deixar intacta a torta de maçã,
para não sujá-la no seu rosto.
Assim, nem café, nem torta,
nem mais desgosto...
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009
Pensando em Ti

(Damaris Lopes)
pisar daqui ou ali,
creias sempre, meu amor:
tão somente, seguir
Porque me olhas assim?

Tocas as cordas do violão em mim calado
Perco-me na escuta, se bolero ou fado.
Talvez aplausos, tantos quantos há de gente
Sem saber que existem, só teu olhar me sente.
Cantas a canção santa pela boca,
Contudo, mesmo que seja outra louca,
Decerto, não compreendo palavras mais.
Madrugada de sensata, pouco me faz.
Entrego-me em plena submissão,
Como seta lançada em tua mão.
Então, a noite, jogo certo será sem fim
A defender-me deste olhar que fere.
Antes, olhas mais neste olho que te inquere,
- Porque olhas e me olhas assim?
domingo, 22 de fevereiro de 2009
Bonsai
(Damáris Lopes)
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009
Somos Quatro
Contos, cantigas, histórias
Vão-se casos e retratos
Quadros tantos nas memórias
Memórias ditas a quatro.
Bravo cântico solene
Depõe tropeços em doses
União soa perene
No canto de nossas vozes!
Reviver da infância a magia
Suave momento de claustro
Como fosse a vida, apenas profecia
De sermos sempre quatro.
Somos um número enorme
Recriação da unidade
Dá volta ao mundo, percorre
Dos nossos pais a saudade,
Nossa vida que não morre.
Somos quatro
Ainda que chovam fatos
Nesta vida, somos quatro.
Ao despertar dos dias
Preciosas pois as manhãs
Enxertos de sol e poesia,
São vocês, queridas irmãs.
Somos quatro
Ainda que chovam fatos
Repetidos todos os atos
Nas memórias, nos retratos
Para sempre, seremos quatro.
*Para Zilda, Celeste, Dalva...com muito amor.
sexta-feira, 30 de janeiro de 2009
Violencia
Vai, que na lida da estrada
no chão cuspido do verso cruel
um sangue caído, fecunda o ordinário
amargor do lamentável fel.
Vai, com ar exaurido
trajeto perdido, sem consolo à nação,
o silencio do choro obtido
da ignorante lei da suja absolvição.
Vai, a tristeza da gente
da força impotente
ao fundo do poço.
Vai, o falido consciente
do sistema rendido
aos valores do lodo.
Vai, a disposição barata
inerente aos réis, onde foi feito o nada,
devido pois, são os frutos da árvore plantada.
Vai, o medo do povo
que só quer da cidade, o direito de andar,
Vai, a desculpa sem graça
do colarinho que passa
sem dignidade pra governar.
Poesia
(Damáris Lopes)
Poesia , desafeto seria,
ou verso recalque?
Promessa feita
desfeita em saudade.
-Seria um gesto tolo?
Alguém debruça na janela
distraído vela olhar morto,
desengonçado,
coitado, anda à toa.
-Seria isto poesia tola?
Amor que dói fundo
desses: - se dane o mundo,
mas vou até o fim.
-Seria isto verso estopim?
Poesia é coisa alegre,
destas que consegue
desfolhar rosa e mulher,
margarida do bem-me-quer.
-Seria poesia, orgia?
Puro pranto, ou rebelia.
Não! Poesia, tem idade
é coisa antiga, serenidade.
Gerou-se no primeiro talento
Nasceu bem antes do tempo.
Com o sol, vingou a primogênita
-Bom dia! Fez-se o primeiro verso.
-Seria poesia um cumprimento?
Ou inverso, introspecção.
Sei não – dia destes
provoco encontro
tolices da poesia
e sua inútil definição.
quinta-feira, 29 de janeiro de 2009
Sussurros
(Damáris Lopes)Tocas meu corpo e,
no concreto do substantivo,
me digno a aceitar tua pena,
sei que em teus braços morro e vivo,
não me transubstancio, apenas.
Sou mais, muito mais quando me ultrapassas,
e usas como instrumento, meus ouvidos.
Perco instantes que passam, porque me calas,
quando teus sussurros desalojam meus sentidos.
segunda-feira, 26 de janeiro de 2009
Quando Primavera
(Damáris Lopes)Quando a primavera entrar,
o riso cativeiro,
feliz, desmedido,
da alegria, muambeiro,
virá comemorar,
a volta do amado,
atrelado bem-querer,
cheiro impregnado,
resquício do passado,
do meigo jeito teu, de ser.
Recatada insensatez.,
dos teus, meus olhos serão alvos,
da verde timidez....
Garantida rota da inversão,
tempo outonado, precário inverno,
verão feito coitado,
morte fiel fará a estação!
Ineficaz termômetro,
tudo florido
será considerado.
Quando a primavera virar
irreverente,
sorridente,
coquetel de jasmim com aguardente,
me embriagará de ti.
Terei de volta, se bem me lembro,
nos doze de cada ano,
anos cheios de setembro.
Teu retorno será motivo
da primavera, primeiro,
do riso cativeiro,
da falta de juízo.
Luar de Mim

também me alavanca
ao direito de transgredir.
Luz que às vezes me encanta,
porque me deu esperança,
porque me fez criar,
porque me fez parir,
porque me fez amar,
porque me fez doar,
que deu entendimento,
para aceitar as marcas
nascidas em algum momento
que me pus a duvidar.
Luz que me deu forças
para suportar as coisas
que queriam me declinar.
Luz que brota de um soprar divino
de quem embala meu destino
e, me põe a sonhar.
Luz, inerente ao meu querer,
ao saber de cada dia,
me faz agradecer
e me dá sabedoria
de não viver a chorar.
Luz que me faz dona
de um luar calado,
que por um amor foi amparado,
e, só por causa disto,
começou a brilhar...
(Damáris Lopes)
domingo, 25 de janeiro de 2009
Do Eclipse
Como ferida que arde
Ardi por te encontrar.
Senhora, valeu a pena,
Sem igual, estavas morena,
Mesmo assim,
Ficaste a brilhar...










