Piccolo, non venire


Piccolo, non venire. Non è più l’Italia del dopoguerra con la sua bellissima Costituzione e lo spirito di solidarietà e accoglienza che il mondo ha imparato a rispettare e amare. Le persone, per ragioni tutte italiane, sono diventate acide, rancorose, dure. Sono convinte che voi siete la ragione di tutti i loro problemi (non la mafia, la corruzione, la mancanza di un progetto nazionale, lo smantellamento del welfare, della sanità, della scuola). Poveri, hanno sempre chinato la testa, al padrone, al mafiosetto di quartiere, al vicino prepotente, hanno supportato, chinati, ogni sorta di umiliazione e ora, ancora chinati, lo sguardo verso il basso, devono prendersela con chi si trova ancora più giù. Voi, appunto. Tu.
Magari annegare con la speranza nel cuore è meglio che vederla spegnersi sotto gli sputi, le botte e pallottole loro, la civiltà che affermava di essere scesa per prima dall’albero.

Arrivederci Katia

Ci siamo conosciute mentre giravo un video a Urbino. Si è presentata in quel modo tutto suo, un misto di sfida e dolcezza dicendo di essere venuta apposta per conoscermi. Il movimento per l’acqua era il nostro ambiente comune ma  ho scoperto che tra di noi esisteva una affinità che andava molto oltre la lotta, ci univa un rapporto analogo con l’acqua che superava gli obbiettivi politici o le aspirazioni ideologiche. E lei questo aveva capito non so come.
L’acqua era il nostro vettore di linguaggio e siamo diventate amiche consapevoli che le nostre culture e percorsi diversi alla fine si riversano nello stesso e profondamente umano fiume .
Con lei nulla era scontato o semplice. Anzi, spesso era una faticaccia seguirla e in molti hanno rinunciato, ma nessuno potrà mai dubitare della sua radicale onestà.
I Grandi Compagni del movimento hanno sempre dimostrato un enorme disprezzo per quella tipa un po’ stramba che faceva discorsi senza senso. Si capiva, Narciso trova brutto ciò che non è specchio. Eppure lei ha lavorato instancabilmente e facendo grandi sacrifici economici cercando di mettere in connessione realtà tematiche diverse e conquistando spazi per il movimento dentro la rete. Insieme ad alcuni pochi di noi è stata capace di capire precocemente il profondo nesso tra problematiche ambientali e la mercificazione dell’acqua e l’importanza di investire tempo, risorse, azioni in quella direzione.

Katia Lumachi non è più tra di noi. Non sarà possibile fare quel viaggio tra i nativi statunitensi dal quale spesso mi invitava. Lei ora cammina in altri mondi.
Ripenso alle nostre ultime conversazioni telefoniche, alle risate mentre eravamo nuovamente nello stesso fiume sotterraneo  a parlare di vita e morte di maniera assolutamente naturale.
Ci siamo viste l’ultima volta insieme ad un piccolo gruppo di amici poche settimane fa. Era stata una giornata perfetta mangiando la sua amata grigliata di pesce, osservando la pioggia in spiaggia sul mare Adriatico, lanciando fiori ad Yemanjá e poi partecipando ad una festa celtica in onore al Fiume – trasferitasi poi in Chiesa dovuto alla pioggia. Questo sincretismo tanto brasiliano non potrebbe accadere se non in sua presenza.
Ricordo una sua frase mentre cercavo sassi sulla spiaggia e guardavamo pigramente il mare grigio. Lei ci ha detto che sentiva l’imenso sollievo di non aver più il peso del futuro sulle spalle.
Mi è mancato il respiro mentre realizzavo il significato profondo delle sue parole e per un momento ho potuto sfiorare il suo stesso sollievo.
In quella spiaggia satura di ombrelloni chiusi, in quell’atmosfera che avrebbe potuto evocare Visconti, Katia ci stava insegnando a morire.
Ci siamo salutate con un arrivederci.
Sono molto fortunata di averla conosciuta. E sì, ne è valsa la pena cara amica. E’ valsa la pena tutta la tua esistenza.

Fano - Marche

Assange e Snowden estariam desempregados na Republica das Bananas verde e amarela

Assange e Snowden estariam desempregados na Republica das Bananas verde e amarela. O carnaval constitucional desce o sambródomo e dá espetáculo para o mundo
A acusa que espia o advogado de defesa, o juiz que libera escuta telefonica envolvendo a presidência da Republica (!) – ou seja, o maior cargo institucional de um país – que, entre outras coisas, não estava cometendo atos ilegais enquanto é sua prerrogativa indicar os ministros do próprio governo, indicando nesse caso uma pessoa que não é condenada e não é réu. Que espetáculo Brasil! É a caça às bruxas sem processo. É matar dois coelhos de uma só vez: direitos individuais e poderes do Estado. É a loucura oportunista e golpista verde e amarelo chegando a extremos perigosos.
Jogar no lixo a tutela dos direitos individuais e a independencia da Presidencia da Republica com a justificativa de que “se sabe, eles são ladrões!” sem que essa afirmação seja ancorada a um processo formal, que tenha passado por todos os graus de juizo, é simplesmente fofoca, é bate-papo de vizinho, é conversa de bêbado na mesa do bar, é campanha politica, pode até ser verdade enfim, É TUDO ISSO MAS NÃO É LEGAL, não foi o fruto de um regular processo, onde existe a acusa, a defesa, as testemunhas, as provas e contra-provas, os recursos, etc, etc, etc.
Deixem de lado o Fulano e o Sicrano e concentrem-se nos cargos institucionais, nas regras do jogo. Atacar as regras por conveniência cria um vulnus perigoso para o Brasil.
Vamos lembrar:
Lula não é réu (ainda). Dilma é Presidente (ainda). Ambos têm direito à um processo e só no final poderão ser considerados, formalmente, culpados ou inocentes. Além disso se um dos protagonistas é o Presidente da Republica, muitas tutelas precisam ser garantidas, porque envolve a soberania de um pais, segredos de Estado, segurança nacional, etc, etc, etc. Essas coisinhas de nada que, no mundo, exilaram tipos como o Assange e o Snowden.
Maravilhoso.
Imaginem quanto são preciosas as conversas telefonicas do Presidente da Republica de uma das principais potências econômicas do mundo, imaginem que espiar essas conversas foi autorizado por um juíz (sem passar por nenhum colegio de magistrados, comissão de garantia constitucional, comissão parlamentar, etc), imaginem essas conversas sendo vazadas para o publico. Imaginem se isso já aconteceu outras vezes…
Espetacular.
Assange e Snowden estariam desempregados no Brasil.
Qualquer um, na linha de execução da escuta judicial, é potencialmente um traidor da patria. Ou potencialmente pode estar em perigo por deter informações consideradas em qualquer outro pais do planeta, “sensíveis à segurança nacional”.
Demais mermão, me passa um aí?
Na Republica das Bananas varonil o Estado de Direito está sendo pisoteado no melhor estilo golpista da America Latina.
É um espetáculo vergonhoso o que estamos dando ao mundo, é a República das Bananas que dança embriagada, a mão no beicinho fazendo biquinho enquanto se abaixa rebolando em cima de uma garrafa de cachaça vazia.
Eu não sou petista, nunca votarei na Dilma, combato a sua politica desenvolvimentista insana e o populismo fácil do Lula. Mas a democracia pressupõe regras. Jogar elas no lixo porque o adversário não é do nosso agrado, condenar sem um processo, para destituir de poder um Chefe de Estado eleito diretamente é golpismo.
Ou é revolução. Mas quem está do outro lado? A oposição?
Ah. Maravilhoso! Vamos dar uma cheirada aí meu irmão, a casa da mãe Joana re-abriu.

Brânquias

Ontem dei um passeio em Anzio. Se o nome soar familiar é por ser uma das cidades da costa atlântica italiana que, junto com Nettuno, foi palco do desembarque dos Aliados na Segunda Guerra Mundial . Anzio é também a cidade de Calígula e Nero e, no tempo presente, é territorio de clãs mafiosos como aquele da ‘Ndrina Gallace (mas essa é uma outra história).

O meu interesse em Anzio dessa vez não era turístico ou jornalístico, era vontade de estar perto do mar e aproveitar para comprar o peixe recém-pescado. No porto da cidade, depois do leilão oficial, é comum que os pescadores vendam à ótimos preços o que resta dos produtos marinhos. Então uma caixa de quatro quilos de pequenos peixes pode custa apenas 5 euros. E aqui é muito pouco.

Passei a tarde do meu aniversário limpando os 70  pequenos e médios  peixes que a caixa continha. Duas horas tentando descobrir que espécies eram, o melhor modo para limpá-los e cuidando para que o fel não os estragassem. A memória era a mil, repassando antigas lições, relembrando outros mil peixes tratados. Cheguei à algumas conclusões:  primeiro, a tesoura é um instrumento indispensável na cozinha; segundo, lá pelo quinquagésimo peixe eu admiti que nunca aprenderia a tirar as guelras usando a técnica que a minha mãe tentou, em vão, de ensinar-me. E parecia tão simples, a faca ancorada num ponto específico das brânquias, um pequeno e único movimento e zac!  trabalho concluído.

Cheguei a ver minha mãe explicando como se tratava o peixe, o que deveria evitar, a maneira melhor para cortar, lembrei dela no jirau de casa preparando os jaraquis, pacús, tucunarés e o que mais meu pai trazia da pescaria. Naquela pequena comunidade quase exclusivamente familiar às margens do Solimões minha mãe era conhecida por ser “da cidade”,  ou seja, pelos gritos de pavor à cada serpente e perigo novos, por nunca nadar no rio e, por medo das águas, preferir canoas grandes quanto barcos no lugar daquelas ribeirinhas de poucos centímetros de profundidade.

Minha mãe era um desastre na maioria das coisas que concernia a vida num interior sem luz elétrica, com pouca comunicação com a cidade. O peixe, porém, a dona Maria Alice sabia tratar. E aquele gesto simples, rápido, limpo, de liberar o peixe das brânquias, era perfeito.

Perguntaram-me por que, exatamente no meu aniversário, decidi  passar  horas com as mãos sujas, com qualquer corte, na água fria, lidando com  peixes de estruturas desconhecidas e barbatanas invisíveis à vista (mas dolorosas ao tato). Eu pensei que era só vontade de uma fritura crocante, uma salsa de pimenta, uma boa cerveja. Pensei que era bom ter um peixe genuino, recém-saido do barco do pescador e que satisfação maior mesmo só se eu os tivesse pescado diretamente. Pensei que nada daquilo me cansava, aliás, era divertido.

Pensei na minha mãe, no meu pai, no meu irmão e nos primos, tios, tias, naquele mundo isolado de verde e de água e de seres dos rios e da terra. Pensei nas aventuras no lago hostil e selvagem, nos mergulhos nas cheias, nas pescarias de canoa, nos sons misteriosos nas longas e escuras noites, nas estrelas que caiam riscando o céu. Então entendi: ontem passei duas horas visitando intensamente a minha infância.

Eu estive lá, visitando a velha casa de madeira comida pelo rio, entre parentes que não existem mais e histórias quase canceladas pelo tempo.
Não poderia querer um presente melhor.

 

La strada impervia dei Paria

Appena rientrata dall’incontro di comitati territoriali per l’acqua in Umbria.
Due giorni intensi dove abbiamo interagito con il professore di Diritto Amministrativo di Perugia, Enrico Carloni, l’avvocato dei comitati, Sandro Ponziani, il presidente di ABC Napoli – l’unica azienda idrica ridiventata pubblica in Italia-  Maurizio Montalto, Thierry Uso, di AQUATTAC e Anne Le Strat, ex- presidente di Eau de Paris e tra i protagonisti del processo di ripubblicizzazione della gestione idrica nella capitale francese.
E’ stato disegnato un panorama del momento nel quale si trova la lotta per l’acqua in questo paese e delle dinamiche europee e internazionali.
Devo dire che in tutti questi anni di incontri dei comitati territoriali è la prima volta che non ne usciamo totalmente stanchi e demotivati.
Abbiamo vissuto fino in fondo la  paralisi che si è abbattuta nell’intero movimento  senza mai negarla in una pratica tanto falsa quanto inutile. E’ stata affrontata a viso aperto cercando di capire le ragioni, le alternative e le strade possibili da prendere.
Ed è durissimo ripartire dalle ceneri di oltre 10 anni di movimento dove sono stati consumati i ponti con la popolazione e si è perso la legittimità di milioni di voti.
Questo è stato il quarto incontro di territori. Siamo riusciti ad arrivare fin qui e non è poco! Um concreto senso di comunità si sta sviluppando non più in funzione dell’asfissia del vecchio organismo che ha rappresentato il movimento – e del quale tutti noi abbiamo contribuito a costruire – ma che ormai aveva perso fertilità.
I sentimenti che ci univano inizialmente erano quelli del tradimento subito, di non trovare più uno spazio di espressione, schiacciati dall’arroganza e della necessità di controlo, politico ed economico, di chi ormai dettava le regole. Ci univa la consapevolezza che rimanere lì significava abbracciare l’illusione di aver vinto, proseguendo come se i pezzi di anni di elaborazione collettiva che si perdevano non fossero altro che piccole foglie al vento.
Rimanere significava perdersi in un labirinto di specchi, allontanarsi ancor di più di una ricerca genuina di partecipazione e inclusione, di crescita di organizzazione sociale.
Abbiamo rotto l’incantesimo, ognuno con i suoi tempi, le proprie modalità e storie. Per nessuno di noi è stato facile o privo di dolore ma lo abbiamo fatto. E, perdonatemi la presunzione, abbiamo dimostrato coraggio in abbandonare una struttura che confortava,  proteggeva e definiva  in cambio della strada impervia dei Paria.
Ora mi è chiaro che dovevamo attraversare questo processo, senza mistificazioni, senza negazioni. Quanto più veloci lo facciamo più ampie sono le possibilità di trovarci in quelle finestre temporali di opportunità che si creano, di scorgere le porte quasi sempre invisibili della storia.
Ci siamo aperti alla realtà e, riconoscendola, possiamo avvertirla.
ESISTIAMO.
No, non è poco.

Anne Le Strat a Perugia per l’incontro dei comitati territoriali contro la privatizzazione dell’acqua

A Perugia il 9 e 10 maggio si realizzerà il IV Incontro dei Comitati territoriali contro la privatizzazione dell’acqua.

Saranno presenti, tra altri, Anne Le Strat, Ex Presidente di “Eau de Paris” e Maurizio Montalto, Presidente dell’azienda speciale Acqua Bene Comune Napoli.
Lo scopo è creare uno spazio non ostile tra comitati e esperienze che condividono letture diverse,  scambiando pratiche e problematiche, riflettendo oggettivamente sul contesto del movimento per l’acqua, valutando nuovi percorsi che abbiano come criterio fondamentale la massima e autonoma partecipazione popolare.
E’ stato perso tempo prezioso nel dopo-referendum nell’illusione che quella meravigliosa vittoria sarebbe stata sufficiente a far retrocedere i processi di privatizzazione. Così non fu. La politica e le multinazionali dell’acqua hanno avuto tutto il tempo per metabolizzare la sconfitta e creare alternative che sistematicamente stanno riuscendo a cancellare il risultato referendario.
E’ sperimentando e moltiplicando pratiche, rispettando le specificità locali, rinunciando alle forme centralizzate – che diventano sempre autoritarie – e ai vecchi metodi di controlli, permettendo che esista una vera partecipazione cittadina, orizzontale, plurale, solo così è possibile avere la forza per contrastare le privatizzazioni.
Si avverte in tanti punti del pianeta una sempre maggiore necessità di un profilo organizativo radicalmente diverso.
E’ ancora schiacciato tra le forme tradizionali di lotta  e un capitalismo spietato ma appena l’inutile rumore si smorza è possibile
sentire le voci, il battito, il desiderio di essere aprendo porte, alzando gli occhi, camminando per le strade.

E’ lì che vogliamo trovarci.

 

Ecco il programma:
Il Comitato Umbro Acqua Pubblica insieme ai comitati per l’acqua pubblica di  Amaseno, Aprilia, Arezzo, Padova, Pistoia, Prato, Umbria, Velletri, Valdarno invitano la cittadinanza alla conferenza internazionale

ACQUA PUBBLICA: REFERENDUM TRADITO
La vittoria dei referendum sull’acqua nel sistema del libero mercato dell’AEEG
La ripubblicizzazione del servizio idrico a Parigi e a Napoli guardando al futuro

PERUGIA, 9 e 10 MAGGIO 2015 – PALAZZO DELLA PENNA

 Sabato 9 Maggio 10.00/13.00-15.00/19.00

-Referendum la vittoria e il raggiro. Con l’AEEG il profitto è diventato costo con il Prof. Enrico Carloni, docente di Diritto Amministrativo all’Università di Perugia.

– Politica dell’UE in materia di acqua: Direttive, ICE right2water, trattati di libero scambio, con Thierry Uso AQUATTAC.

-Le pratiche di autoriduzione e le altre contestazioni giuridiche nei confronti dei meccanismi di privatizzazione con l’Avv. Sandro Ponziani.

Esperienze di gestione pubblica e partecipata del servizio idrico:

Anne Le Strat – Ex Presidente di “Eau de Paris”
– Avv. Maurizio Montalto Presidente dell’azienda speciale Acqua Bene Comune Napoli

Domenica 10 maggio 9.30/13.00

Quali strategie per l’acqua pubblica? Assemblea conclusiva, proposte e iniziative future in Italia e in Europa.

Comitato Umbro Acqua Pubblica
http://acquapubblica-umbria.noblogs.org/
e_mail: acquapubblicapg@gmail.com
338.1912990 – 333.7826433.

 

referendum-tradito

Artigianando

Borse Insieme aprile

Immaginare, progettare, realizzare. Senza interventi di terzi, senza la dipendenza di finanziamenti, strutture, padrini, corruzioni varie.
Perché possono toglierci tutto, ma non la necessità di creare.
E ​quando ​è potente non si ferma alle dighe: trova le fissure, minuscole, inedite, quasi invisibili, ​forzando percorsi.
Non si sa dove nè come ma alla fine, irrompe.
​Ed è nostro.​
“Qui è così, quello che noi inventiamo noi abbiamo”

Anima

All’improvviso ti raccontano di una lettera vecchia di oltre mezzo secolo di tuo nonno alla tua nonna trovata all’interno di un mattone nella loro antica casa.
La loro quotidianità mi travolge. La mancanza di lui, soprattuto di lui, è potente.
Ieri ho raccontato di loro, dell’invisibile presente, imponente nella mia vita.
Le pagine gialle, la sua bellissima caligrafia, i racconti dal battello che andava su e giù sul fiume delle Amazzone. Lui comandante comandato dall’impeto dell’acqua e della foresta.
Lui mi ha insegnato a leggere. Ricordo ancora la prima parola che lessi in vita mia: alma. Anima.
Mio nonno mi manca ancora oggi.
Quell’Amazzonia, idem.

Charlie Hebdo. Pensando diferente, como Luttazzi.

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Um dos melhores humoristas contemporâneos italianos é Daniele Luttazzi. A sátira ganhou quando ele desistiu de formar-se em medicina. E pela sua radicalidade foi uma das vítimas da censura berlusconiana, sendo afastado por anos da TV e perseguido pelo seu humorismo dissacrante, caustico. A sua comicidade dá comichão, incomoda, envergonha. Por isso gosto de “enfrentá-la”: toda vez me lança num degrau mais alto.

Com esse texto ele redimensiona o conceito de pensamento religioso. E faz do seu modo.
Muita gente que “é Charlie” aqui na Itália parece ter esquecido que não era quando faziam parte do coro para jogar no ostracismo humoristas como Lutazzi, Sabina Guzzanti, jornalistas como Michele Santoro e Enzo Biagi. Um periodo vergonhoso da historia recente italiana, com “Édito búlgaro” como ficou conhecido o pronunciamento de Berlusconi que desencadeou a censura.

Criticar a fé não é nem provocar nem insultar; é apelar para a racionalidade

de Daniele Luttazzi

Un  problema muito debatido na filosofia di século XIII tinha como aspecto a definição do conceito de liberdade aplicado à vontade e ao livre – arbítrio; e o relacionamento entra a vontade e o intelecto. Para os mais sexy como Dante Alighieri, o conceito de liberdade postulava aquela de racionalidade e portanto não era concebível  um contraste entre a razão e a vontade. De acordo com essa posição, que sentimos como contemporânea, o silêncio do intelecto priva o indivíduo da sua liberdade, submetendo a vontade à luxúria, ou seja ao irracional. Durante séculos, por óbvios motivos, o papado teve outra opinião, com consequências conhecidas e trágicas: da inquisição ao lobbismo contra a pesquisa científica.

Que o irracional seja a principal mercadoria da religião é confirmado pelo próprio Bergóglio. Ieri, refletindo sobre os fatos trágicos de Paris, o papa pronunciou alguns disparates interessados aos quais, talvez, seja o caso de esclarecer antes que certas fraturas ideológicas se calcifiquem de maneira errada, criando uma claudicação funcional ao imaginário coletivo.

O papa disse. “matar em nome de Deus é uma aberração. Não se pode provocar, não se pode insultar a fé dos outros, não se pode rir da religião”.

Vamos aplicar, com a devida cautela, o nosso guardião satírico: “Matar em nome de Deus é a desculpa de todo poder na História da humanidade, foi utilizado para justificar suas atrocidades, desde antes de Giordano Bruno à depois dos nazistas.

Criticar a fé não é nem provocar nem insultar: é apelar para a racionalidade, tão necessária nestes tempos de irracionalismo integralista. Se alguém acredita que existam seres invisíveis, não pode pretender de se ofender quando esses seres invisíveis (e quem acredita neles) viram objetos de ironia da sátira. A sensibilidade dos credentes é superestimada, como seria a sensibilidade dos fãs de Star Trek, se pretendessem que o culto de Star Trek fosse algo sagrado. Por essa causa, e não outra coisa, a religião é um álibi absurdo para qualquer tipo de ato feito em seu nome. A religião é mercadoria para charlatões. Quem se ofende pela sátira religiosa tem um problema, e a sua pretensão de ser respeitado porque crê em um ser invisível e nos seus profetas e anacrônica e ridícula.

As religiões não têm mais sentido, no século 21. Vão acolhidas no discurso pelo que são: algo estrambótico, um legado de épocas onde a religião supria a ciência na interpretação dos fenômenos naturais. Um chefe religioso, se fosse honesto, deveria dizer aos seus fiéis: Quem saber de uma coisa? Ninguém sabe nada sobre a vida após a morte. Vocês são livres para pensar o que quiserem”. E depois, fechar a loja religiosa.

O papa disse: “A liberdade de expressão tem o limite de não ofender ninguém”.

Guardião satírico: “A liberdade de expressão tem os limites estabelecidos pela lei: não se pode difamar, caluniar, fazer apologia de crimes, etc. A ofensa, por outro lado, não é um limite, porque existirá sempre alguém disposto a ofender-se para poder te censurar. Uma pessoa que crê, até que não demonstre que o ser invisível no qual acredita, exista, não tem nenhum direito de ofender-se quando alguém o goza. Não existe nada de “sagrado” na religião. A ofensa é criada pelo credente. É uma outra das suas invenções, como o ser invisível. Se não demonstre que o ser invisível no qual crede, existe, não pode existir “respeito” pelo teu “sentimento religioso”. Porque uma absurdidade deveria ser respeitada? Uma absurdidade não é sagrada: é ridícula.Ou trágica.

As leis não devem tutelar o absurdo. Devem defender a democracia contra as idéias violentas. A idéia violenta não pode ser admitida no discurso democrático; e erra quem dá espaço à idéia violenta em nome da liberdade de expressão, porque a idéia violenta, quando vai ao poder, cancela a democracia. A única idéia que mesmo numa democracia não pode ser admitida, é aquela violenta (cfr Mentana a Elm Street)

O irreverente, satírico, por outro lado, não é ódio: é somente irreverência; mas educa ao pensamento crítico, não dogmático.

O terrorismo cancela a democracia impendido o salutar embate entre idéias diferentes, que são o sal da democracia. Quem se ofende pela sátira religiosa faz o jogo dos terroristas.

Fonte: Blog de Daniele Luttazzi

Tradução: minha 🙂

As mulheres e um exército sedento de domínio

Esse é um editorial da jornalista italiana Lucia Annunziata que considero uma introdução importante. Nem sempre estou de acordo com as posições dessa jornalista e não porque é “de direita”, porque não é. Ela pertence à esfera que cresceu em torno da cultura de esquerda, do que hoje chama-se PD (Partito Democratico). Formou-se em filosofia e, como jornalista, cobriu a revolução da Nicarágua, a invasão de Granada e foi correspondente do Oriente Médio, entre outros. Já trabalhou também para il manifesto, o histórico jornal que nasceu à esquerda do PCI (mas isso não conta porque praticamente quase todos os jornalistas italianos passaram por aquela redação).

O editorial refere-se à liberação de duas jovens italianas que haviam sido sequestradas em Siria em agosto de 2014.

Não sei se no Brasil já existe uma reflexão sobre a situação das mulheres no meio dessa guerra religiosa pós moderna. No caso contrário talvez seja a hora de começar e, quem sabe, sem o maniqueísmo desse estado de campanha eleitoral permanente que vive o pais. Essa atmosfera tira o bom senso, esmaga a lucidez, trucida o pensamento critico. E nada se constrói, nada é elaborado, porque nessa atmosfera eleitoral não interessa elaborar teses, avançar com as análises. Como toda boa campanha eleitoral, o importante é vencer.

E quem sai perdendo é o Brasil.

Fiz uma tradução capenga, mas dá uma idéia.

Greta e Vanessa*, sombras de todas as mulheres escravas de um exército islâmico sedento de domínio

de Lucia Annunziata

Dez anos a mais. Os rostos de quem não viu o sol e não viu a esperança durante meses. Olhos que viram coisas que não teriam nunca imaginado de poder ver. Façam silêncio por favor, pelo menos hoje, pelo menos por algumas horas, vocês que estão ansiosos de abrir uma polêmica política.

Estas duas moças que acolhemos esta manhã são sobreviventes do inferno. Elas erraram por terem ido, alguém por te-las mandado, nós que pagamos (o resgate nt) – francamente não me interessa. Diante de nós estão duas jovens mulheres cujas vidas foram dramaticamente quebradas e que tornam como sombras delas mesmas, e também de todas as mulheres, as milhares e milhares que no Oriente Médio e na África e no Extremo Oriente cada dia, cada hora, neste exato momento, estão sendo  escravizadas, utilizadas para satisfazer a imensa fome atávica de domínio de um exército cada vez maior de homens violentos.

Aqui não se  trata de Islã contra nós ocidentais – aqui se trata de um exército de islâmicos radicais  que combate pelo domínio de todos – do Islã antes de tudo e de nós ocidentais como preço lateral. As mulheres que os islâmicos violentam, matam e escravizam não são as mulheres cristãs do Iraque e da Siria, as mulheres curdas que conseguem agarrar nos campos de batalha, as yazidis; são, sobretudo, as próprias mulheres islâmicas que pertencem à uma diferente versão e, portanto, “inimigas” da religião deles.

As milícias sunitas do Estado Islamico assassinam as mulheres xiitas no Iraque e na Siria – e sabemos disso através  dos milhares de testemunhos das organizações pelos direitos humanos que atuam naquelas áreas – dando-lhes, como muçulmanas, o privilégio de serem mortas sem a precedente violência carnal.

As milícias de Boko Haram sequestraram as moças cristãs, as convertiram e nos mostraram elas alegres, reunidas com o véu, as cabeças abaixadas, como  um rebanho. Mas Boko Haram mata e sequestra  milhares de mulheres muçulmanas, aquelas por exemplo que foram vítimas do ataque do dia 15 de janeiro em Baga, onde 3.700 homens, mulheres e crianças foram massacrados como parte da campanha “eleitoral” de Boko Haram em vista das próximas eleições presidenciais. Não quero insistir mas o que vocês pensam das três meninas usadas como kamikaze pela mesma feliz equipe terrorista?

É hora de fazer algo. Não sei o quê. Não tenho receitas. mas sei que é hora de abrir uma verdadeira reflexão nacional sobre este conflito, deixando de lado cada pequena polemica, toda e qualquer instrumentalização nacional.

Lucia Annunziata – Diretora do Huffington Post Italia

Fonte: Greta e Vanessa, ombre di tutte le donne schiave di un esercito di islamisti assetato di dominio

*Greta e Vanessa duas jovens italianas que acabaram de ser liberadas, haviam sido sequestradas em Siria em agosto de 2014 http://www.ansa.it/sito/notizie/mondo/mediooriente/2015/01/15/italiane-rapite-vanessa-greta-siria-liberate_f6d440a9-f073-4feb-9046-ce5ad2a9d8ec.html

Pequenas notas, mortes, deuses e lições

Lição n° 1: não devemos lutar pelo divórcio porque desrespeita a igreja católica;

Lição n° 2 : Não podemos reivindicar a legalização do aborto porque é uma heresia;

Lição n° 3 – Não podemos criticar o crucifixo na parede de órgãos públicos, escolas, instituições em geral porque o Estado é um Estado católico;

Lição n° 4 – Não devemos fazer sexo antes do casamento, não devemos usar preservativos ou qualquer forma de anticoncepcional, porque a Igreja Católica Apostólica Romana assim prega;

Lição n° 5 – O homossexualismo é considerado pecado no catolicismo e o sexo anal não é permitido no islamismo, então nada, nulla, neca de pitibiriba. Defender direitos das comunidades GLT é uma ofensa;

Lição n° 6 – São proibidas transfusões de sangue (deve existir algum pais onde as testemunhas de Jeová são maioria, não?), o uso de instrumentos tecnológicos (mas não me toquem os Amish!) e de consumo de vacas;

Lição n° 7- o Kāma Sūtra é uma obra ofensiva

Lição n° 8 – A sátira é uma expressão artistica que deve ser regulamentada por lei, possivelmente limitada ou suprimida para não ofender os deuses atualmente aceitados no planeta.

Lição n° 9 – o papa jesuíta acabou de autorizar o espancamento em quem ofende a mãe dos outros.

Lição n°10 – Charlie e outros como ele (incluindo comediantes, escritores, dramaturgos) são, em geral, debochados e “fóbicos” por isso qualquer punição, perseguição e/ou eliminação fisica é “bem feito filo da puta!”

Conclusão: fui dormir em 2014 e acordei na Idade Média.

Pequenas notas mortes e deuses

Traduzindo o editorial de Gérard Biard e escutando essa obra-prima que é Faroeste Caboclo. O Brasil me (nos) deu de presente o sincretismo. Nos dá profundidade, complexidade. E eu não o negocio com sectarismos, horrores, opressões, oportunismos, equívocos e outras barbáries, pequenas ou grandes.
É difícil, quase impossível, livrar-se deles. Somos tão frágeis e o senso da morte pulsa sem interrupção, sem trégua, tão forte, mesmo quando parece estar em silêncio. Somos tão pequenos e assustados então os procuramos, acreditamos, criamos complexos sistemas, são as nossas única defesa contra o Nada.

Assusta, dói (quem não gostaria de outra chance para abraçar quem não está mais aqui?) mas não tenho deuses, humanos ou sobre-humanos que sejam.

Un journal irresponsable: Tout est pardonné

 Tout est pardonne

Lendo o primeiro editorial de Charlie Hebdo depois da chacina de Paris. Quanto amor pela laicidade:
Não a laicidade positiva, não a laicidade inclusiva, não a laicidade “não-sei-o-quê” mas a laicidade ponto e basta. Somente ela, sustentando o universalismo dos direitos, permite o exercício da legalidade, da liberdade, da irmandade. Somente ela permite a plena liberdade de consciência, negada -mais ou menos abertamente a segundo da posicão do marketing deles – por todas as religiões a partir do momento que saem da esfera mais estreita da intimidade para descer ao terreno da politica. É uma ironia mas essa laicidade ponto e basta é a única que consente aos credentes e aos outros de viverem paz”.

pequenas notas avulsas – ordens

Existe uma razão, depois daquela indubitável de classe, para ter me feito aproximar do partido comunista brasileiro: a incapacidade de suportar ordens. Vão comentar que não fui proprio para o lugar mais indicado com todo o centralismo democrático, a URSS como pátria-mãe-guia-infalivel, e todo o dogmatismo que na época era justificado pela ausência de democracia, pela asfixia de liberdade de expressão.
Menina, fui uma católica aterrorizada (comem o corpo e o sangue de Cristo??!!), aquela parte da missa era trágica para mim. Fui uma militante intensa do PCB (para esquecer o Jesus comido por mim), fui, depois, muitas coisas. Descobri muitas coisas.
Ainda não suporto receber ordens.

Vent’anni fa sarei morta

Sono rimasta una settimana virtualmente in Brasile, domandando, ascoltando. Ora lo so: se fossi rimasta sarei morta. Le torture nei commissariati, il ruolo degli organi di sicurezza, il coinvolgimento dello Stato nel traffico di droga (sfido chiunque a negare che lo Stato brasiliano non sia contaminato, drogato), le esecuzioni, la corruzione della magistratura, la crudeltà patologica delle polizie e la violenza primitiva dei trafficanti. E’ tutto una stessa, imensa,spaventosa “cosa”.

E sono lì, in un dualismo politico retrogrado, mediocre, in un dibattito bugiardo, criando uno spettacolo politico che lascia la nostra cultura imbarazzata (perché la cultura brasiliana è molto, mille volte migliore della nostra politica).

Dopo la consapevolezza era impossibile osservare il sangue tiepido, la carne rigida, la normalizzazione dell’orrore, senza agire.

Vent’anni fa, se non fosse scappata dal Brasile, sarei morta.

(Frammenti di una storia da raccontare)

rio Negro

Passei uma semana virtualmente no Brasil, perguntando, ouvindo. Agora eu sei: se tivesse ficado teria morrido. As torturas, o papel dos órgãos de segurança, o envolvimento do Estado com o tráfico de drogas (porque desafio qualquer um a defender que o Estado brasileiro não está contaminado, drogado), as execuções, a corrupção do judiciário, a crueldade patologica das policias e a violência primitiva dos traficantes. É tudo uma mesma, enorme, assustadora, “coisa”.
E estão aí, num dualismo politico atrasado, mediocre, num debate mentiroso, criando um espetáculo politico que deixa a nossa cultura com vergonha (porque a nossa cultura é muito melhor, é mil vezes superior à nossa politica).
Depois de ter descoberto era impossível observar o sangue morno, a carne rigida, a normalização do horror, sem agir.
Vinte anos atrás, se não tivesse escapado do Brasil, eu teria morrido.

Futebol da várzea sim senhor

Eu quero saber por que todo mundo quando deve criticar o futebol brasileira joga lá o adjetivo “várzea”. O que é essa estória?
Digam futebol da “lama”, da “baixa do bosta”, “sapolândia”. Sei lá, inventem, derivem.
Eu entendo que somos um continente e é difícil conhecer tudo mas o centro-sul antes de tirar a tampa da caneta deveria pensar na diversidade nacional.
Várzea equivale a fertilidade, renovação, moto contínuo.
É coisa boa, linda. É fonte de mito, hoje.
Quem dera o futebol brasileiro fosse mesmo da várzea. A Copa seria nossa, prá começar.

Ad un amico tedesco

Mondiali, Germania e Brasile, 7×1.

Riflettevo in questi giorni proprio sulla nostra reazione alla Germania (e con “nostra” intendo noi latini). Non credo abbia a che vedere (solo) con la guerra. E’ piuttosto il vostro attaccamento al percorso scelto, la pianificazione portata agli estremi, la riflessione profonda. Ci ricorda quello che non siamo e, diciamola tutta, non vogliamo esserlo.
Dunque non è un vostro problema, piuttosto è nostro. Non possiamo proprio sopportare, noi, i casinari, i folli, instabili latini, la certezza, l’inizio, il mezzo e la fine. Soprattuto la fine.
Abbiamo troppa paura della morte – e molto amore per la vita – per reggere la ragione tedesca. Che poi è uno dei motivi per i quali siete tanto attrati da noi.

Freud spiega?

O Maracanaço e o inconsciente nacional. Uma tragédia.

Poucos dias atrás eu descobri que o Brasil tem um trauma coletivo, o “Maracanaço” em 1950, quando perdeu a Copa do Mundo contra o Uruguai por 2 a 1.
Meio que pulei da cadeira: cresci na felicidade da ignorância, inconsciente desse trauma. Precisava remediar.
Agora que sei, comecei a me perguntar sobre os estragos que ele  produziu na minha psique. Estou ainda procurando, com o holofote virado para dentro, tentando iluminar os cantos mais remotos e obscuros da minha mente.
Vi o impacto do êxodo de massa para as capitais que, rapidamente e sem estrutura, transformaram-se em lugares desumanos. Vi presidentes populistas e corruptos desenharem lentamente o Brasil presente, um deles “pai” do Distrito Federal, vi a politica da cortina de ferro que desembocou numa ditadura drástica, vi a crise econômica que existiu por décadas, a hiper-inflação onde os preços aumentavam enquanto estávamos dentro do supermercado, vi o exército de meninos de rua desaparecendo com uma cheirada de cola, vi a explosão do tráfico de droga e do núcleo familiar. Vi a agressão ao ambiente e uma multidão de sem terras e sem tetos.
Vi um pais sem educação, sem saúde, sem família, sem a mínima condição de garantir a sobrevivência da história individual, criando esses lagos imensos de amnésia nacional.
Vi o efeito de um milhão de mortes violentas em trinta anos.
Vi tudo isso e muito mais. Todos fenômenos coletivos que plasmaram o meu inconsciente, que determinaram escolhas políticas, estéticas.
Mas nada, nadinha, sobre o Maracanã, sobre uma partidinha perdida quase 70 anos atrás.
Uma tragédia.
Que inconsciente eu sou.

​Se a fratura vertebral de Neymar é um fake

Em um portal de medicina italiana o cirugião ortopédico Antonio Valassina questiona o diagnóstico apresentado pelo médico da Seleção brasileira sobre a “fratura na terceira vértebra lombar” de Neymar, afirmando que, se as imagens apresentadas como sendo suas forem verdadeiras, existe uma lesão sim mas na quinta vertebra (espondilólise de L5). E mais antiga e  séria .
A minha tradução é sofrivel mas quem quiser verificar no final é possivel aceder ao link original.

 

​Se a fratura vertebral de Neymar é um fake

É um episódio muito estranho aquele do incidente que ocorreu ontem ​(08/07) a Neymar, ​nas semifinais contra a Colômbia em Fortaleza,  junto à uma gestão do acidente ainda mais estranha. Obviamente observa​n​do externamente não é possível interpretar com certeza o que ocorreu porque dispomos somente de alguns, poucos, vídeos e pouquíssimas fotos. Porém é possível recolher alguns dados de um certo interesse partindo de quanto foi publicado pela mídia sobre o acidente do atacante brasileiro.

Em primeiro lugar o modo como ocorreu o confronto entre o Neymar e o adversário colombiano ​não ​parece absolutamente diferente, por dimensão e tipologia do trauma, dos milhares de traumas semelhantes que ocorreram e ocorrerão em todos os campos de futebol do mundo. Trata-se de um contato entre o joelho do defensor que pula atrás do​ ​atacante que está correndo. Resumindo, o confronto entre os dois corpos acontece na mesma direção da corrida e, portanto, as duas velocidades dos atletas devem ser subtraídas e não somadas, reduzindo, desse modo, notevolmente a dimensão do stress recíproco.

O segundo aspecto que emerge como evidente a partir das imagens é o fato do contato entre o joelho de Juan Camilo Zuniga e as costas do brasileiro imp​ôr ​​​​​à coluna de Neymar um movimento em hiperlordose com acentuação da fisiologia curva côncava do rachide lombare. Mas aqui também vai evidenciado que tais movimentos forçados, resultado de confrontos ou gestos atléticos ou lúdicos (basta pensar no salto para trás para comemorar um gol), são freqüentes nos esportes​,​ senza que por isso tenham consequências dramáticas.

Além disso se é verdadeira a tomografia axial computadorizada (TC) publicada em alguns jornais (ou seja, ​s​e a imagem publicada ​é​​​ realmente atribuível à coluna de Neymar) o primeiro aspecto que salta aos olhos é que a notícia dada pelos jornalistas fala de “fratura na terceira vértebra lombar” baseando-se nas declarações do médico esportivo na seleção brasileira, Rodrigo Lasmar, enquanto a ​imagem publicada, inclusive com a seta (!) mostra uma espondilose (Spondylolysis ndt) da quinta vértebra: uma interrupção do arco posterior da vértebra L5 provavelmente de origem não – traumática. Continua a leggere