Um blogue de variedades. {Arquivo} gregshop[at]gmail
The most essential gift for a good writer is a built-in, shock-proof, shit detector.
— Ernest Hemingway em Writers at Work: The Paris Review Interviews. Mas a ideia é precisamente descartá-la: uma advertência à partida redundante como o seria o sinal de “proibido nadar” escancarado à beira de esgotos a céu aberto.
«[…] until the November day in 1922 when he was admitted to Proust’s bedroom to see his corpse. In his account of that visit he included a now famous mention of the manuscript of À la Recherche du Temps Perdu, which he saw piled up on the mantelpiece beside the dead man: “That pile of paper on his left was still alive, like watches ticking on the wrists of dead soldiers”.»
⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ You have two kinds of secrets. The ones only you know. The ones only you don’t.
Don’t touch, don’t stare. But no one minds how hard you listen.
It is the empty seats that listen most raptly. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
— The Literary Review, Verão de 2010.
Joel Sternfeld: Família dentro de um carro num acampamento dos arredores de Houston. Janeiro de 1983.
OLD MEN
silver haired old men cigarettes between their yellowed teeth driving shimmering old green cars, oldsmobiles, mostly peering through bifocals with yesterday’s enchiladas still hot on their beath as old as they are a lot of them look frighteningly mean, too serious to be having fun they cough and spit out the window striking fear into every kid’s heart there’s millions of them in every city people are scared to leave their homes no one is really sure what the old men want.
when I’m at a stoplight and there’s an old man behind me I touch the knife in my pocket and look straight ahead. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
— Mark Terrill, Vagabond, nº 22, Dezembro de 1975.
Vladimir Mayakovsky e Lili Brik em Ialta, 1926. Fotógrafo desconhecido.
«Existe um bêbado que acumula coisas e mora na calçada em frente ao estacionamento da Rua Barão de Tatuí. O bêbado organiza seus pertences na calçada de forma a parecer uma sala de estar, porém uma sala de estar mutante: os objetos variam (talvez os venda), e às vezes desaparecem completamente. É difícil saber como se comportar, ao atravessar sua sala de estar em meio à calçada. O bêbado, porém, não tem esse problema. Sempre que alguém passa, ele diz: “pode entrar, fique à vontade.”»
Mesa de trabalho de José Cardoso Pires, na Costa da Caparica. Fotografia feita pelo seu editor, Nelson de Matos.
A la casa del día entran gentes y cosas, yerbas de mal olor, caballos desvelados, aires con música, maniquíes iguales a muchachas; entramos tú, Tarumba, y yo. Entra la danza. Entra el sol. Un agente de seguros de vida y un poeta. Un policía. Todos vamos a vendernos, Tarumba. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
— Jaime Sabines, Tarumba.
Y CADA VEZ HAY MENOS TIEMPO
Yo me voy contestando a mí misma poemas que contestan a otros poemas, versos que les ganan a otros y juana, fascinada, casi impresionada por ese juego, ella que es inhábil para sus manos, mira como una criatura los triunfos, las derrotas de ese ir y venir de palabras, su vida en realidad. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
— Juana Bignozzi, Mujer de Cierto Orden.
Alec Soth, Karaoke, Minneapolis, Minnesota. Da série Looking for Love.
Last night a very intoxicated older man decided to set up on our porch, calling into the house, through the screen door, “I love you! I’ve always loved you! I love you forever!” When we finally got him to move on (not easy), he wobbled his way down the stairs saying, “I never loved you. Not at all. I never did.
— Monica Drake (em Fairy Tale Review: The Mauve Issue, 2015).
«[…] uma certa emoção furtiva, quase envergonhada, que o perturbava quando via passar um comboio, um comboio nocturno principalmente, de cortinas descidas sobre o mistério dos viajantes.»
— Georges Simenon, O Homem Que Via Passar os Comboios; tradução de Mário Quintana.
Diane Arbus: senhora na sala de estar de uma pensão, Albion, Nova Iorque, anos sessenta.