Desta vez que ia preparada "para mandar vir com elas" caso achasse que me estavam a tratar com indiferença...mentira; trataram-nos muito bem.
Talvez porque estava com uma cesariana em cima do pêlo.
Talvez porque estava mesmo mal.
Talvez porque eram preciso duas pessoas para me porem de pé e me levarem até à casa de banho.
Talvez porque nem pegar nela para tratar dela, ou para um simples carinho eu conseguia.
Nunca me vi numa daquelas. Senti-me invalida, dependente, triste, e VELHA jà que nem dar passos normais conseguia. E para sair da cama?? Que filme de terror! Cada acrobacia para sair e tentar sozinha...
E evidente que nao era a primeira pessoa a ter uma cesariana. Nao era a unica cesariana do hospital. Nao foi nenhum drama e sobrevivi, pois claro!
Mas...nao foi facil gerir essas emoçoes todas. Nao foi facil sentir-me cortada, tocar naquele ponto fragil. Nunca havia de ter tirado selfie à barriga...aaaaarghhhh que nao sou em condiçoes de ver nada.Nao foi facil sentir-me tao impotente e tentar amamentar ao mesmo tempo.
Nao estava minimamente preparada para me sentir tao desesperada. Nao numa 3a viagem!!
Ou seja na quarta-feirà foi ca um babyblues...irra com uma força que me enviaram logo a psicologa e a sofrologa ao quarto.
Cadê a nuvem cor de rosa que vinha acompanhar a chegada da minha Raquel?
Pois...foi preciso tempo para aceitar ver-me naquele estado e falar disso.
O cantinho andou abandonado nao so pela falta de tempo que um recém nascido tras, mas muito por causa do meu estado emocional. Nao conseguia ultrapassar a dor. Nao falar nisto era mentir e omitir aqui muita coisa.
4 meses depois ainda sinto a cicatriz. Sobretudo interior quando tento fazer desporto. hahaha qual desporto se de toda a maneira estava proibida do fazer?
Foram precisas 6 semanas para eu largar de vez o pijama.
Foram precisas 10 para eu ter coragem de sair à rua, acompanhada!
So quando comecei com as sessoes de fisioterapia em que me dei um valente kick e jà conseguia ir e vir com ela, tratar de toda a logistica, da casa e dos meus dois outros filhos.
Esses que tiveram que crescer nessas semanas todas. Acordavam, vestiam-se, preparavam-se para a escola, voltavam sozinhos. O que ela cresceu nessas semanas! O que ela me ajudou moralmente. Foi um alivio saber que ela estava nao so a tratar dessas coisas, mas que também dormia com o mano. O mano que so tinha 6 anos ainda, que felizmente nao sentiu muito no pêlo a falta da mae.
A minha felicidade começou quando consegui sentir paz de espirito.
Quando compreendi que nao estava sozinha. Que o namorado e os meus filhos estavam ali para me amparar, apoiar e ajudar. Que nao precisava de ser super mulher, que mesmo estando "assim" continuava aos olhos deles a ser uma pessoa inteira, nao diminuida. Conseguiram gerir por mim a casa. Nunca deixou de haver comida nos armarios, nem roupa lavada, nem gatos tratados (nem me baixar para dar comida conseguia, quanto mais aspirar ou lavar roupa!)
Agradeço também à minha mae, que vinha dia sim e dia nao tratar da casa. Foi mesmo um grande apoio e pode dormir e descansar ao maximo para ter leite para a Raquel.
Mas o leite jà é outra historia.