
Andei a folhear uns recortes de imprensa antigos e vejam só a pérola que vos trago...
É um texto
compridote mas vale a gargalhada!
Foi públicado no Diário de Aveiro a 21 de Abril de 2004.
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Eles estão aí: são três e andam aos parespor Miguel Lemos (
gestor)
Não sei se já alguma vez experimentaram essa situação estupidamente medieval e primitiva de estarem sitiados num castelo rodeado por um fosso com crocodilos famintos e quererem vir cá fora comer uma bifana e não poderem.
Pois bem, foi essa a sensação que eu tive quando há dias a Somague resolveu atravancar o acesso ao Estádio com máquinas do seu subempreiteiro Vítor Frias. Não que a Somague não tivesse, ela própria, equipamentos com o seu logotipo para bloquear o acesso: mas, por um lado, esse tipo de comportamentos ficam sempre mal na fotografia e, por outro, é provavel que ela própria - Somague - demorasse algum tempo a mobilizar os seus meios porque, como é sabido, hoje em dia, os grandes empreiteiros de construção civil são cada vez mais empresas virtuais em que quem morde o pó são tarefeiros subcontratados e o resto são três gestores, dez engenheiros e quarenta advogados(isto, claro, sem contar com o pessoal da limpeza).
É evidente que à Somague assiste o direito de, não sendo paga pelo dono da obra, a Câmara de Aveiro, fazer valer os seus direitos, interrompendo, por exemplo, a conclusão dos trabalhos (aliás, a poucos dias da sua recepção provisória). Mas a atitude carroceira de bloquear, sem aviso prévio, o acesso a um equipamento licenciado e já em utilização regular há vários meses, parece-me de todo inaceitável, para além de pouco elegante. É certo que Aveiro não é Lisboa e o Beira-Mar não é o Benfica, mas mesmo assim (e até talvez por isso) há algumas coisas que não se fazem.
Algumas pessoas comentaram logo que os espanhóis, donos da Somague, são pessoas que se estão nas tintas para o Euro (aliás prefeririam que ele corresse mal), que têm a sensibilidade e a educação de um elefante numa loja de porcelana, etc. Sinceramente, não partilho dessa atitude chauvinista, nem sequer pensei, quando estavamos sitiados, em entornar umas panelas de azeite a ferver sobre os zelosos funcionários do empreiteiro: apenas me lembrei de telefonar a pedir uma grua para arrancar os jerseys que a Somague resolveu colocar para impedir o acesso ao Estádio.
Por razões que não é agorao momento de discutir, essa solução radical e do tipo "espera aí que já levas o troco", não foi aplicada. Assim, fiquei sem poder comer a bifana durante algumas horas, tendo que me contentar com um saboroso pastel de nata servido no novo bar do Estádio, aberto todos os dias das 15 às 22 horas, com um esmerado serviço de atendimento, cigarrilhas e charutos cubanos, caipirinhas e um ambiente super-agradável que se pode usufruir, saboreando ainda um wiskey pela módica quantia de 5-, excepto se optar por um puro malte de 30 anos que já é im pouco mais pró carote.
Bom, voltando ao sequestro: os crocodilo não desapareceram do fosso, mesmo depois de eu acabar de comer o pastel de nata: apenas puseram os óculos escuros e esconderam-se nas suas tocas. O que, não sendo mau, não é nada tranquilizador. Até porque os crocodilos são, como vem nos manuais de zoologia, aquelas animais que apenas aparentam lamentar o ter de devorar as suas vítimas (donde a conhecida expressão "lágrimas de crocodilo"); no fundo, porém, estão-se nas tintas.
Depois há outros elementos na escala animal - da galinha para baixo - que até gostam que estas coisas aconteçam: desestabilizar, "levantar ondas" ou ver a casa do vizinho a abrir fissuras é o ar de que necessitam para respirar e mostrar que existem. A única maneira de escamotear as suas próprias limitações é apontar o dedo às dificuldades porque os outros possam passar.
Ora, o que também é certo, não nos podemos por inconpetência, laxismo, distração ou cansaço dar o flanco a esta fauna. Temos que procurar ser rigorosos nas nossas análises, proactivos (antecipar o que pode acontecer), perceber realisticamente que forças temos pela frente e que recursos podemos - ou não - mobilizar. Só assim se poderá minimizar o risco deste tipo de sobressaltos.
Por melhor que saibam as natas do bar do Estádio, teria preferido mil vezes ir comer a casa..."
Eu aposto que sei em que local e com que "companhia" escreveu o Administrador(?) da EMA, o gestor Miguel Lemos, este texto...