Se admiram de eu estar vivo,
Esclareço: estou sobrevivo.
Viver, propriamente, não vivi
Senão em projeto. Adiamento.
Calendário do ano próximo.
Jamais percebi estar vivendo
Quando em volta viviam quantos! quanto.
Alguma vez os invejei. Outras, sentia
Pena de tanta vida que se exauria no viver
Enquanto o não viver, o sobreviver
Duravam, perdurando.
E me punha a um canto, à espera,
Contraditória e simplesmente,
De chegar a hora de também
Viver.
Não chegou. Digo que não. Tudo foram ensaios,
Testes, ilustrações. A verdadeira vida
Sorria longe, indecifrável.
Desisti. recolhi-me
Cada vez mais, concha à concha. Agora
sou sobrevivente.
“Se um homem soubesse o poder que seu abraço tem ao acolher uma mulher, a segurança que ela sente, todas as melhores coisas que passam em sua mente, o quanto ela se entrega. Se ele desconfiasse que naquele momento ele a tem inteira, completa, repleta de uma felicidade extrema. Será que ele se manteria ali por mais alguns segundos? Será que a pressa de um abraço seco se tornaria próximo do que uma mulher sente? Será que ele entenderia que essa coisa tão simples, tão gratuita, dentre muitas coisas no mundo é o que gente mais precisa, é o que nos abriga, é o que dá paz ao nosso sono?”
"Se um homem soubesse o poder que seu abraço tem ao acolher uma mulher, a segurança que ela sente, todas as melhores coisas que passam em sua mente, o quanto ela se entrega. Se ele desconfiasse que naquele momento ele a tem inteira, completa, repleta de uma felicidade extrema. Será que ele se manteria ali por mais alguns segundos? Será que a pressa de um abraço seco se tornaria próximo do que uma mulher sente? Será que ele entenderia que essa coisa tão simples, tão gratuita, dentre muitas coisas no mundo é o que gente mais precisa, é o que nos abriga, é o que dá paz ao nosso sono?"
"[…] Não soube mais viver depois de nós. Ninguém consegue substituir teu nome, teu rosto, teu toque, tuas palavras prontas para meus delírios na madrugada. Falávamos a sós – juntos. Não tínhamos mais segredos para confessarmos, então criamos os nossos (esqueci para não entregar). Não vivo mais, vagueio pelas nossas lembranças. Ainda não sei se morri de amor ou de saudades. No final é quase a mesma coisa. Não te supero mais – e não me importo."
“ não sei se aguento tanto tempo te olhar e não poder fazer nada, não tenho dúvidas do que você me causa te olho, instantaneamente te quero – me desespero. não sei o que fazer com você… já que não posso, não devo e também não nego.”
"[..] Uso a razão para não mais me ferir. Endureci não por falta de amar, mas por excesso. Nunca medi o tamanho do beijo, antes da paixão eu já cedia na entrega. Não mais, por agora. Uma serenidade me convidou ao descanso. Somente espero sem subornar a expectativa. Nem sempre a espera tem recompensa. Ela apenas favorece o tempo. E o tempo, traz cura."
"Sempre sei quando estou prestes a fazer algo do qual vou me arrepender, e continuo. Depois irei me torturar, fazer mil questionamentos, levantar todos os “por quês?”, me culpar e falar para mim mesma: “como você foi boba!”. Me conheço, a ação feita ocupará o pensamento presente. Me roubará a palavra da boca, me inundará de escritas. Não desejo para ninguém e nem articulo uma mudança para o meu jeito. Descobri que o arrependimento é justamente para estes casos: viver demais, pensar de menos."
"Aprendi com muita pancada da vida, que amor a gente nunca deve pedir. Mesmo que a gente precise muito, mesmo que a falta dele nos tire os últimos respiros de ar. Amor mendigado não é amor, pode ser qualquer coisa perto da ilusão ou do desprezo, mais do que isso não. Amor deve nos chegar gratuitamente. Sutilmente se penetra na solidão dos dias, recolhe as lágrimas, abre as janelas das noites mais frias, apaga as palavras que cortaram, lava nosso rosto, redescobre nosso riso. Não nos pede nada, nem aceita pedidos. Amor é acontecer."
Tenho mais silêncios do que segredos. Sou apenas uma resposta atrasada de alguém, a canção inapropriada da madrugada, o livro mais demorado de alguma estante. Sobre mim apenas o distante, o toque que não alcança, a muralha que divide. Ontem eu fui uma menina que fui roubada de sonhos, uma mulher…