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citação do dia

“No nosso dia a dia, contamos cada vez menos histórias uns aos outros (…) a comunidade narrativa é uma comunidade de ouvintes atentos. Contudo, estamos claramente a perder a paciência para escutar e, por consequência, a paciência para narrar.”

Byung-Chul Han. A crise da narração. Relógio D´Água. P. 14-15.

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“Transparência na vida pública”, Susana Coroado

Analisada a transparência enquanto princípio (parte I) e enquanto prática (parte II).

A transparência diz respeito a tornar decisões, processos e dados visíveis ao público. Garante o escrutínio democrático, mas de todo um governo ético. A integridade remete para a substância do exercício do poder, para valores éticos, normas partilhadas e mecanismos institucionais que orientam os comportamentos públicos para o interesse comum. Este ensaio desconstrói o uso político abusivo da palavra “transparência”, explora o que promete e onde falha, e mostra por que razão este conceito, sem integridade e responsabilização, pode ser apenas um ritual de aparência. Aponta e analisa exemplos, e convida à reflexão crítica sobre desafios e paradoxos democráticos.

https://ffms.pt/pt-pt/ffms-play/praca-da-fundacao/video-transparencia-na-governacao-existe-uma-dose-ideal

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Filósofo desta semana | 28. Thomas de Koninck

Thomas De Koninck (26 de março 1934 – 16 fevereiro de 2026), nasceu em Lovaina, Bélgica, estudou em Oxford, na Université Laval (Ph.D.) e na Freie Universität Berlin. Foi professor na University of Notre Dame (1960–1964) e, a partir de 1964, na Université Laval, no Quebeque, onde também foi decano da Faculdade de Filosofia.

Autor aclamado, destacou-se com obras como De la dignité humaine e La nouvelle ignorance et le problème de la culture. Focou-se na dignidade humana, na importância da educação e na filosofia clássica. Membro da Ordem do Canadá, era um defensor do potencial libertador do conhecimento e da filosofia pública. O seu trabalho continua a ser uma referência no estudo da ética e da filosofia contemporânea.

Curiosidade: Reza a lenda que, na infância, inspirou a personagem de O Principezinho de Antoine de Saint-Exupéry, quando este viveu com o pai de Thomas, Charles De Koninck, em 1942.

Obituário:

Montréal, February 20, 2025 – The Living with Dignity citizen network wishes to extend its condolences to the family and loved ones of a great Québec professor and philosopher, Mr. Thomas De Koninck, who passed away on February 16th in Québec City. Since the announcement of his passing, tributes and praise have poured in across the media and social networks. His son Marc, Université Laval, and MNA Sol Zanetti have already highlighted the exceptional contribution of this man of intellect and generous heart. Did he inspire the character of The Little Prince by Antoine de Saint-Exupéry, as author Christine Michaud reminds us? His contribution to intellectual life, in Québec and internationally, is beyond dispute.

As many have noted, his contribution to the question of human dignity was often at the heart of his civic engagement. This was recognized on numerous occasions, notably with the awarding of the La Bruyère Prize by the Académie française for his book De la dignité humaine in 1996.

His deep commitment to this issue made him an important voice in the debates surrounding end-of-life care in Québec and a formidable ally of our cause. Over the years, his only two appearances before the National Assembly of Québec addressed this subject (2010: written brief and video testimony; 2021: written brief and video testimony). We reproduce here the conclusion of his brief submitted to the Select Committee on Dying with Dignity in 2010:

For my part, I am deeply convinced, with arguments to support this view, that every human being, whoever they may be and whatever their condition, is unique in the world and possesses equal dignity — that of being an end in themselves. One can therefore never say or think: “he does not matter,” or “her life is no longer worth living.” With human dignity understood in this rigorous sense, which stands in contrast to the Roman concept of dignitas of old, no compromise is possible.
Every human being matters.

This conviction led him on many occasions to speak in favour of the “treasure of palliative care” and to oppose all forms of euthanasia and assisted suicide — the expression “medical assistance in dying” (MAiD) remained, in his view, an oxymoron. As French lawmakers debate this week the possibility of establishing a “right to assistance in dying,” and as the expansion in Canada of eligibility for MAiD in cases of mental illness remains scheduled for March 2027, the work of Thomas De Koninck calls for reflection.

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Citação – sobre a consciência

“A consciência – tal como normalmente a entendemos – exige de mim que reconheça as minhas ações como normativamente vinculadas e, portanto, como minha responsabilidade, em vez de como meramente determinadas por uma fonte alheia. Mas note-se que, se o apelo da consciência é invocado para realizar um trabalho constitutivo e servir uma função transcendental, então ela não pode ser bem-sucedida na sua tarefa apenas em virtude da legitimidade das suas exigências específicas, nem pode funcionar.”

Kulla, R. (2002). The ontology and temporality of conscience. Continental Philosophy Review, 35: 1–34 (cit. p. 6)

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“Crianças e Bem-Estar Digital”, Ioli Campos

“Todos fazemos parte da sociedade digital, quer queiramos quer não. Mesmo que não se tenha perfis em redes sociais, é-se indiretamente afetado pelo que se passa nas redes. Numa sociedade em que se acede cada vez mais cedo à Internet e se passa cada vez mais tempo ligado, importa refletir sobre como podemos desenvolver uma experiência eminentemente positiva na esfera digital e que propicie maior bem-estar.” (início do ensaio)

A tecnologia, por si só, não é prejudicial, nem benéfica; mas a forma como a criamos e usamos pode fazer-nos mal ou bem. Sem alarmismos, nem condescendências, este livro apresenta exemplos práticos e uma reflexão inspirada por dados científicos, dando espaço para cada leitor perceber o que faz mais sentido para a sua família na busca pelo bem-estar digital. Deixamos-lhe uma pista: a chave pode estar no equilíbrio e no desenvolvimento da autodeterminação.

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Filósofa da semana | 27. Elizabeth Anscombe

Elizabeth Anscombe (de seu nome completo, Gertrude Elizabeth Margaret Anscombe) nasceu na Irlanda, em Limerick, dia 19 de março de 1919 e morreu em Cambridge, a 5 de janeiro de 2001. Regeu a cátedra de Filosofia da Universidade de Cambridge entre 1970 e 1986. O seu trabalho filosófico, muito do qual “contra a corrente” como se diz, abrange a ética, a filosofia da mente, a filosofia da religião. É reconhecida pelo pendor analítico, uma posição anti-utilitarista e cristã. Foi pioneira na teoria da ação contemporânea, como se pode ler em «Intention»(1957) e divulgou Wittgenstein ao conhecimento público (aliás, Wittgenstein  morreu em 1951, tendo-a nomeado como uma dos seus três executores literários).

Como a própria defende,“A filosofia analítica é mais caracterizada por estilos de argumentação e investigação do que por conteúdo doutrinal” –  e Elizabeth Anscombe é um dos expoentes da filosofia analítica no século passado. Tendo traduzido a obra de Wittgenstein para inglês, segue o trilho do mestre em alguns aspectos mas a força argumentativa e o rigor do seu trabalho e a pertinência das suas ideias evidenciaram-se mais.

Anscombe foi uma polemista, em artigos de opinião e intervenções radiofónicas e conferências. Em “Twenty Opinions Common among Modern Anglo-American Philosophers”(1986) afirmou que, uma vez que o nome ‘filosofia analítica’ corresponde a um estilo e não a uma doutrina, não deve ser surpreendente que os praticantes deste tipo de actividade tenham as mais diversas crenças a respeito de todo o tipo de assuntos.

Em “Does Oxford Moral Philosophy Corrupt the Youth?”(1957), um artigo publicado no The Listener, defendeu que a filosofia moral de Oxford está em perfeita harmonia com as ideias mais comuns na sociedade sobre moral, e é, de resto, uma versão académica dessas mesmas ideias –e portanto, não corrompe ninguém, quando muito, sofistica. À provocação em forma de pergunta, Anscombe responde com um rotundo “não”. Não, a Filosofia Moral de Oxford não corrompe os jovens mas não porque seja especialmente meritória – apenas porque é tão má como a mentalidade da sociedade em que os jovens já estão inseridos. Começou por mostrar que esta “escola” de filosofia teria as características necessárias para serum agente de corrupção através da propagação directa de ideias –(1) um certo ar de “seriedade moral”, (2) manter-se afastado dos factos, considera-los irrelevantes e (3) concentrar-se em exemplos ou completamente banais ou totalmente fantásticos. De seguida, as ideias centrais da dita “filosofia moral de Oxford” são comparadas com as ideias e os valores mais característicos da sociedade a visão da justiça, a noção de responsabilidade, a importância dada à sensibilidade e ao sofrimento, a noção de fim último e/ou forma de vida escolhidas e a sua natureza subjectiva, e a relação entre a educação das crianças e autoridade parental. A respeito de cada um destes assuntos, Anscombe mostra como não há diferenças significativas entre as ideias dos professores de Oxford e do resto do mundo – e deixa patente como isso é um problema tanto para a filosofia como para o mundo, porque essas ideias são, do seu ponto de vista, completamente erradas. Note-se, contudo, que as naturezas destes problemas são diferentes –se, para a filosofia, o problema com o erro é, em primeira análise,de carácter intelectual, para o mundo, o erro assume uma configuração ética. O facto de as pessoas andarem enganadas a respeito do que é uma boa acção, ou uma boa vida, pode impedi-las de a concretizarem ou viverem.

G. E. M. Anscombe (1919—2001) – by Duncan Richter for the Internet Encyclopedia of Philosophy

Gertrude Elizabeth Margaret Anscombe – by Julia Driver for The Stanford Encyclopedia of Philosophy

Elizabeth Anscombe – A BBC Programme Woman’s Hour episode in which Sarah Woolman speaks to Dr Rosalinde Hursthouse and Professor Philippa Foot

The Golden Age of Female Philosophy – A recent episode of Philosopher’s Zone which discusses Anscombe’s work along with the work of other great contemporary women philosophers

Anscombe Bioethics Centre – ‘a Roman Catholic academic institute that engages with the moral questions arising in clinical practice and biomedical research’

G.E.M. Anscombe Bibliography – by José M. Torralba for Universidad de Navarra

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Habermas, RIP

Morreu o filósofo alemão Jurgen Habermas

O filósofo alemão Jurgen Habermas morreu aos 96 anos em Starnberg, sul da Alemanha, avançou a sua editora à AFP.

Imagem de arquivo de 2010. Foto: Odd Andersen – Reuters

Jurgen Habermas morreu em Starnberg, no sul da Alemanha, segundo informações da família. Considerado o intelectual alemão mais influente da sua geração, participou em todos os principais debates do pós-guerra e considerando a Europa como o único remédio para a ascensão do nacionalismo. Nos últimos anos, dedicou-se à promoção de um projeto federal europeu para evitar que o Velho Continente recaísse nas rivalidades nacionalistas do século XX.

O filósofo e sociológo marcou a cultura alemã no pós-guerra, foi assistente de Theodor Adorno e fez parte da Escola de Frankfurt. Habermas ligou a filosofia e a política, o pensamento e a ação. A sua autoridade moral valeu-lhe inúmeras distinções em todo o mundo. Depois de ter sido a voz dos protestos estudantis alemães na década de 1960, tornou-se alvo dos mesmos trinta anos depois, ao denunciar os riscos do “fascismo de esquerda” para o Estado de Direito. Em 1989, criticou os métodos de reunificação alemã, que considerava impulsionados sobretudo pelas forças de mercado e que tinham “o marco alemão como a sua bandeira”. E alertou para o regresso dos nacionalismos, defendendo que a melhor forma de o evitar era abraçar o projeto federal europeu.

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The human good, Chrstine Korsgaard

A sétima edição das Lisbon Lectures in the Humanities (LLH) decorreu no dia 2 de Outubro de 2024, no Anfiteatro I da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, tendo contado com a presença da Professora Christine Korsgaard, que proferiu uma conferência sobre o tema “The Human Good”.