É o seguinte: começou a campanha universitária da ONG Um teto para meu País, e como eu
sempre faço, estou aqui para convencê-los a participar.
Fui voluntária duas vezes durante as construções universitárias de férias. Duas foram as vezes que eu consegui, mas já estive, em pensamento, em várias outras.
Quero deixar claro que não é fácil. Não tenho pretensão nenhuma de iludir ninguém. Viajar para São Paulo é demorado e caro – isso sempre me breca.
Para mim, estar com pessoas que eu não conheço é verdadeiramente penoso: eu julgo muito, não me sinto a vontade... E lá estou fora da minha zona de conforto, sem ter pra onde fugir.
Quando a caixa de água da escola onde ficamos alojados é pequena e insuficiente, não podemos tomar banho – ou banho ou água para beber e fazer comida. E quando se meche com terra, madeira, e fica em baixo do sol, isso é terrível.
Acordar cedo é um dos meus tormentos. Acordar cedo, tendo ido dormir tarde e cansada, com pessoas super animadas, me irrita.
Mas eu não fui ser voluntária pensando em mim.
Subir e descer morros, andar por vielas estreitas, carregar muita madeira, cavar buracos, martelar, enquanto o sol nasce até ele morrer... Todo aquele exercício físico que eu nunca fiz na vida. Cansa. Cansa muito.
Das famílias que conheci, uma onde a filha parou de falar depois de um tapa que levou da professora; outra que estava grávida do 11º filho; uma que teve que levar o filho pra longe porque ele não dormia de tanto pensar na casa que ia ganhar.
Realmente, nada daquele esforço eu estava fazendo para mim.
Mas estranhamente eu saio com a sensação de ter ganhado uma nova vida.
Não tenho coragem de reclamar de falta de dinheiro, dos meus pais que não me entendem, de ter que andar a pé, no sol, carregar peso. “Eu já ergui uma casa” – é o que eu sempre falo quando quero dizer que sou forte.
Mas sinto raiva de ver outras pessoas reclamando por tão pouco, por falta de dinheiro, por uma saúde mais instável, por não terem a casa dos sonhos, precisarem de tantas drogas para conseguir encarar a vida, e tantas outras coisas que a gente sempre reclama sem pensar... Sinto tanta raiva quando ouço essas reclamações, mas a única coisa que eu penso é: “Vá construir com o Teto”.
Minha vida não é perfeita, e eu sei que não vai ser. A sua também não será, e não é pessimismo. Precisamos dos momentos baixos para valorizar os altos, e dos altos para conseguirmos sair dos baixos.
Você pode dar um sentido para a sua vida ajudando alguém que está abaixo da linha da miséria e que está tão acostumado com a pobreza que não acredita mais em uma vida melhor.
Um novo teto é só um símbolo. Um impulso para o recomeço. É um chacoalhão, “olha, sua vida pode melhorar”. Nós, classe médias, subidos o morro e erguemos uma casa, tão inesperado quanto isso, sua vida pode melhorar.
E você pode tornar isso real. Basta perceber que você ganha muito mais do que doa, e que mesmo sendo pouco, muitas pessoas ganham com você.
Faça a diferença. Seja voluntário.
Campanha Universitária 2011