13/10/2011

Hoje tu ta presa

Não sei se todos sabem, mas eu faço faculdade de Música com habilitação em Educação Musical, e tenho trabalhado em alguns projetos, incluindo o estágio, em escolas estaduais tanto em bairro de classe média, central e periférico.

Um dos gêneros musicais mais ouvidos em todos eles é o funk. Para nós que estudamos Música, estamos acostumados a entender funk como aquele gênero musical criado na década de 60, que mistura jazz, soul e R&B, que tem como seu principal nome o James Brown; e nós costumamos dizer que funk é um gênero musical muito bom.

Mas o funk que os alunos escutam na escola não é esse, e esse funk, nós que estudamos Música, temos o costume de dizer que não é música, que é ruim, que é um lixo.

Eu particularmente não ouço funk em casa. Não tenho CDs, ou baixo na internet e coloco no celular para ficar escutando. Isso de forma bem genérica: quando eu descobri Gaiola das Popozudas eu achei o máximo algumas letras super feministas que diziam coisas do tipo: “eu dou pra quem quiser porque a porra da buceta é minha”. Qual o problema disso? Só porque a mulher quer estar no controle? Também passei bons tempos ouvindo Bonde do Rolê. Funk de classe média, me identifiquei, e adorei. Entre outros que não caberia citar.

Uma coisa que eu acredito que seja difícil discordar é que o ritmo do funk é muito contagiante. Por exemplo, ouçam essa batida. Ele te envolve e pede para que você se movimente junto. Não é o máximo?

A grande chave do problema, na minha opinião, e das pessoas com que eu costumo conversar sobre isso, é a letra.

05/10/2011

Terra e Marte


A armadura é para defender dos incômodos, ela sempre diz, e, ainda que sorrindo um sorriso meigo, quer convencê-lo de que é durona. Sou de Áries, completa. Nunca ninguém deu bola, e ela continuava na defensiva, mas ele diz: nossos signos combinam. Quando eu morrer vou virar uma estrela, diz ela tentando se fazer de louca para espantar. Deixa de besteira, ele ri. Sentados de frente para o outro, ele gasta todos os seus elogios, enquanto ela olha em seus olhos e tenta descobrir a cor. Você é tão especial, por que não deixa ninguém se aproximar? A armadura é para defender dos incômodos, replica e então levanta, dá um beijo em seu rosto e sai. Ele fica, inconformado. Ela volta e diz que os chifres do carneiro que a defende também machuca os outros sem querer.  Ele aceita, dobra uma folha de papel e entrega. Ela abre e vê um coração desenhado, acha infantil, mas entende. Dobra a folha novamente, joga no chão, pisa, depois pega e devolve para ele. Se o coração for forte, ele agüenta, diz. Ele pega uma caneta e desenha um coração na camiseta dela. Se o coração for de verdade, ele bate. Encostou o ouvido em seu peito. Tum. Todos ouvem. Se olham. Você é forte, ela diz. Você é humana, ele diz. Ela deixa a armadura de lado e segura sua mão. Me protege? Ele faz que sim, e ela se apaixona.