ATENÇÃO. Esse post contém spoiler!!!
Mas não tem problema, pode ler :)
Mas não tem problema, pode ler :)
Quando eu era criança, uma das
coisas que eu mais gostava de fazer era ler. Herdei esse hábito da minha mãe,
que lê muito e tem alimentado uma pequena biblioteca com o passar dos anos. Ela sempre brinca que a
herança que ela vai deixar pra mim quando morrer vai ser seus livros – e que eu
só posso me desfazer deles depois de lê-los (sob a ameaça de ela voltar como um
fantasma para me assombrar caso eu não cumpra, rs).
Um costume que ela tinha (que eu
acredito que já tenha abandonado) era ler o livro de trás pra frente (primeiro
o último capítulo, depois o penúltimo e assim por diante até o primeiro), e
depois relê-lo na ordem certa. Apesar de achar isso uma heresia, e nunca ter
feito o mesmo (a não ser por um livro que se eu não me engano podia ser lido dos dois lados), adotei um costume parecido: ler a última frase do livro antes do resto.
Por anos, sempre que eu pegava um
livro para ler meus dedos coçavam para ir até a última página. As vezes eu
tentava resistir: começava a ler, mas páginas depois eu corria pro final e lia
a última frase, pra só então continuar.
Até que eu peguei para ler O menino do dedo verde. Com ele foi assim, comecei a leitura, normalmente, até
que não me aguentei e pulei para o final e li: Tistu era um anjo.
:O
Naquele momento todo o encanto do
livro se desfez. Eu que estava achando o Tistu um cara legal, de repente soube,
antes de saber dos seus feitos, que ele era um anjo – e isso acabou com toda a
graça do livro. Nunca me arrependi tanto de ter feito alguma coisa na vida como
eu me arrependi de ter lido a última frase desse livro.
Tempos depois, já mais consolada,
terminei de ler o livro e o achei encantador mesmo já sabendo o final : )
Mesmo assim, abandonei esse
costume. Fiquei traumatizada mesmo.
No ano retrasado, anos após esse ocorrido, quando eu estava me dedicando a ler todos os livros do Gabriel Garcia Marques (você pode gostar também desse post) que tinham
na biblioteca da UFSCar, acabei por pegar para ler “Ninguém escreve ao coronel”.
Não sei por que cargas d’água me bateu uma vontade louca de ler a última frase.
Lutei comigo mesma, e no fim, li. A última frase era: “Merda”.
:O
Aquilo me deixou transtornada!
Merda? Como merda? Que tipo de livro acaba com essa palavra? Mas quem disse
isso? Por quê?! AAAAH!
Diferentemente do outro livro, esse final me deixou muito curiosa para saber do que se tratava. Durante a leitura eu sempre ficava pensando: "quando é que a merda vai fazer sentido?" rs, e conforme ia avançando uma possibilidade ia aparecendo na minha imaginação e eu dizia "não, isso não é possível ><" e ia caminhando, caminhando e eu ficava torcendo para que não fosse realmente aquilo!... me sentia tensa, angustiada, preocupada, esperando um final feliz... que não veio. Veio o soco no estômago e a merda. Um dos melhores finais de livros que eu já vi.
Não vou contar né porque isso sim perde a graça; mas é ótimo! Super recomendo :)
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E esse post inaugura o novo marcador do blog: "me veio na cabeça". Nele, vou falar coisas bobinhas que vieram na minha cabeça e que deu vontade de compartilhar - afinal, ninguém aguenta só falar coisas sérias o tempo todo né? :D










