23/07/2012

Olhe minhas mãos de trabalhador

Eu sei que eu acabei de postar e nem deu tempo de ninguém ler o último post, mas preciso, mesmo assim, postar de novo, antes que eu esqueça de uma coisa que aconteceu - daquelas coisas que a gente não pode esquecer!

Queria deixar claro que tudo o que eu vou falar não é com a intenção de vocês ficaram pensando "nossa, como ela é uma pessoa de bom coração", porque eu não quero me autopromover como essas coisas - como eu sei que muita gente faz. Como eu disse, estou escrevendo porque eu não quero esquecer disso, porque eu sei o quanto eu reclamo da vida, e porque isso mexeu muito comigo.

No último dia do festival, como eu disse no post anterior, a turma de Danças Portuguesas e do Mundo fez uma aula em uma praça, e a turma de Músicas do Mundo e de Violão Popular participaram tocando as músicas pra gente dançar. Foi lindo, foi contagiante! Todo mundo saiu de lá sorrindo e feliz!

Quando já tinha acabado, me juntei com os meus amigos pra gente ir almoçar juntos. Enquanto nos organizávamos para isso, um homem veio pedir dinheiro. Estudantes que somos, não tínhamos dinheiro, e eu também não estava com a minha bolsa, então eu só dei uma garrafa de água que eu tinha, e ninguém deu mais nada. Mas ele não foi embora.

Ele tirou do bolso sua carteira de trabalho, e disse: "eu sou trabalhador, mas eu fiz as escolhas erradas". Meus amigos não deram bola, e eu não os julgo por isso, sempre ouvimos nossas mães dizerem para não falar com estranhos. Mas o homem tinha um par de olhos verdes tão tristes, e um sotaque do sul tão sofrido, que eu fiquei escutando tudo o que ele falava.


Encurtando a história, porque ficamos lá uma amiga e eu, conversando com ele por 15 minutos, enquanto os outros já tinham ido almoçar, ele dizia que ia se matar. O argumento para isso: ele queria voltar para a cidade dele, em Itaúna, onde estaria a sua filha, de 12 anos, mas ele não conseguia o dinheiro para a passagem, e por isso já havia andado muito pela estrada, chegando até Ourinhos. Ele dizia estar cansado, sujo, humilhado, e que ouvia o Diabo rir dele, dizendo: "se joga na frente de um caminhão, ninguém vai sentir sua falta". E o homem, convencido, dizia: "eu devia ter feito isso".
Como eu sou espírita, fiquei transtornada em ouvir alguém planejar a própria morte dizendo que já sabia onde comprar um veneno que era tiro e queda. Para os espíritas, interromper a vida não é sinônimo de "vida melhor", muito pelo contrário, o sofrimento continua e por vezes, é até pior (explicando toscamente). Então, o meu eu espírita, queria convencê-lo de não fazer isso, mas o meu eu pagão (porque nem um lado meu é ateu) não via futuro melhor, e nem mesmo esperança.

O homem dizia: "se eu morrer, minha filha fica com a minha casa, e ela vai poder se orgulhar de ter um pai que preferiu se matar a sofrer humilhações". Na minha cabeça, isso não fazia sentido, mas eu não queria dizer isso pra ele, porque eu não sabia também as condições de vida dessa filha, e tudo mais. Mas eu fiquei desesperada: eu tinha na minha frente uma pessoa decidida a se matar, me contando os porquê e os como. Não sei como eu consegui segurar o choro.

Diante de tudo o que o homem me disse, eu não consegui dizer: "acredite, Deus está do seu lado, uma hora tudo vai ficar bem", porque eu não sabia se no fundo eu acreditava nisso também, mas eu consegui dizer: "o Diabo tá rindo de você e você ainda vai fazer o que ele quer? Foge dele!". Eu ri, minha amiga riu, mas o homem não.

Como ele havia dito que a Fernanda (não sei se mulher dele, ou se só mãe da filha dele) frequentava uma igreja, eu sugeri que ele fosse em uma, antes de chegar a comprar o veneno e tal, nem que fosse pra ficar lá parado. Falei isso muitas vezes durante a conversa, e ele dizia sempre que não ia adiantar, que ele já estava decidido. Por fim, olhei para frente e vi a torre de uma igreja, então minha amiga e eu ficamos insistindo, já que seria só atravessar a rua, não ia custar nada. Ele relutou, mas nós insistimos tanto, que por fim ele cedeu.

Mesmo que as religiões tenham seus milhares de defeitos (porque são conduzidas pelos homens), eu acredito sim, que existem muitos bons espíritos dentro das igrejas, templos, centros, o que for, tentando elevar a vibração daquele lugar, emitindo luz para as pessoas que frequentam, e foi nisso que eu pensei quando eu sugeri que ele fosse para a igreja. Não que Deus fosse aparecer prometendo dias melhores, mas que essa luz acalmasse o seu coração, para ele, minimamente, repensar sobre o suicídio.

Esse homem falou tantas coisas que ficaram marcadas em mim... Fez um panorama tão real da situação econômica e social do Brasil.... Que eu sinceramente não tinha reação. E de fato, eu pouco falei, pouco me mexi. Ele falou muito, e eu o olhava nos olhos e rezava, vez ou outra eu falava alguma coisa. Eu ia falar o que? Eu que estava naquela cidade fazendo um curso, com o dinheiro do meu pai, e até aquele dia estava reclamando do frio e da situação do banheiro no alojamento onde nós estávamos? Qualquer coisa que eu falasse soaria hipócrita, porque, não, eu não sabia o que ele tava passando! Por isso parte de mim entendia a necessidade de acabar com a própria vida, porque eu nem imagino o que é passar por tudo isso!

Fiquei me lembrando das vezes que eu trabalhei com o TETO, das famílias que eu conheci, das histórias que eu ouvi e das coisas que eu vi. São pessoas vivendo suas sub-vidas tentando, do jeito que podem, sobreviver mais um dia. Com poucos recursos, pouca esperança... É triste, é desumano, é inacreditável!

Quando meus amigos já haviam voltado onde nós estávamos várias vezes nos apressando para o almoço, e eu já de saco cheio os dispensei, mas, mais tarde, um pouco receosa com eles, decidi ir almoçar e precisei então me despedir do homem, eu não sabia o que falar. Disse algo como "precisamos ir, me desculpa?", porque realmente me senti culpada em deixá-lo lá.

Mas o legal é que o homem já estava tão feliz (hipérbole) que ele não se incomodou. Fez até piada, dizendo que a sua filha era do tamanho da minha amiga que estava comigo (baixinha), e minha amiga disse que ele tinha olhos lindos, e ele respondeu: "mas não vai me ligar não, porque a Fernanda não vai gostar", e todos nós rimos. Quando reafirmamos que tínhamos que ir embora ele me abraçou, e depois abraçou a minha amiga.

Por um segundo achei estranho e senti medo, mas depois retribui o abraço, desejando passar para ele muita paz de espírito, calma e paciência. Era tudo o que, naquele momento, eu poderia dar, e que ninguém que ele abordasse na rua iria se dispor. Afinal, é tão mais fácil dar algumas moedas, não é?


Quando estávamos indo embora, ele disse que ia para a igreja, e eu senti um ar de quem não ia mais se matar (a menos não naquele dia), ele saiu sorrindo e isso me deixou muito feliz!

Saímos andando e do nada o mundo despencou em cima de mim. Comecei a chorar incontrolavelmente. Senti uma tristeza, uma amargura sem tamanho! - como se naquele abraço nós tivéssemos trocado as nossas energias. Pude sentir toda a sua dor, e me senti extremamente mal. Foi muito estranho, mas pelo menos consegui entender o que tinha dentro dele...

Estou escrevendo tudo isso para não esquecer. Não quero esquecer desse homem, José Carlos, a quem eu prometi rezas, e que me deu uma lição de vida fenomenal. Eu poderia contar tudo o que ele falou, e eu de fato queria, mas quero guardar algumas coisas só pra mim, porque eu ainda não digeri muito bem.

Quero também que todos pensem um pouco em suas vidas. Já perguntei muitas vezes aqui no blog: "o que você faz para mudar a realidade que te incomoda?", mas eu sei que não é tão simples assim. Estar incomodado não é condição para fazer a mudança. Deveria ser. Digo isso para mim também. E é por isso que eu não quero esquecer.

21/07/2012

Festival de Música de Ourinhos

Quanta gente bonita comentando aqui no blog! Acabei de voltar de viagem e fiquei super feliz em ver tantos comentários! Obrigada, pessoal. Vou retribuindo todos os comentários durante essa semana! :*


Acabei de voltar do Festival de Música de Ourinhos. Foi a primeira vez que eu participei de um evento só de Música, porque todos os outros que eu vou são sempre de Educação Musical. No começo eu me senti  um pouco deslocada, afinal, já faz uns bons anos que eu não me dedico a estudar música, mas com o decorrer da semana eu me relembrei que antes de tudo eu sou musicista e que não posso deixar de estudar música!

Me inscrevi para dois cursos: um de Danças Portuguesas e Danças do Mundo com a Lia Marchi, e o outro foi de Folclore Brasileiro com a Neide Rodrigues Gomes. Foram dois cursos bastante práticos, e que, sem dúvida, me deram muita bagagem para trabalhar na escola.

O Festival durou uma semana, e durante essa semana ficamos (eu e o pessoal da UFSCar que foi também), alojados numa escola. As condições eram bem simples, mas o colchão que o Festival forneceu era muito bom, e a água do chuveiro era bem quente - o que era condição indispensável para todos nós criarmos coragem para tomar banho (pra dar uma ideia, teve uma madrugada que fez 4º :O).

Tirando o frio, os problemas com o banheiro, e a saudade de casa, foi tudo muito bom. Os cursos foram ótimos, as apresentações foram ótimas, comprei dois livros que eu já estava querendo há um bom tempo, esqueci da vida e das preocupações acadêmicas... Enfim, renovei as minhas energias!

Para encerrar o Festival, na sexta feira, os cursos faziam uma apresentação mostrando alguma coisa do que foi feito durante a semana. A Dança fez uma aula aberta na praça, juntou muita gente que estava fazendo outros cursos, e da cidade. Tinha uma energia inexplicável! O Sol apareceu depois de muito frio e chuva! Foi muito gostoso! De tarde, apresentamos com o Folclore algumas músicas tradicionais brasileiras e também foi muito legal. Foi o toque que eu precisava pra querer voltar no festival no ano que vem! :D 

Durante a semana eu vou colocar os vídeos das apresentações no meu canal no YouTube, então quem ficou curioso, se inscreve nele pra ficar sabendo quando eu postar! :) Por enquanto deixo algumas fotos pra deixar guardadas aqui no blog. Té mais!

10/07/2012

No estilo

Ando meio de saco cheio desses blogs de moda e beleza, sabe? Eu nunca liguei pras tendências e sempre tive pavor quando percebia que minhas roupas não cabiam mais em mim e que eu precisaria ir ao shopping comprar outras (ainda bem que eu parei de crescer XD).

Nos últimos anos eu me tornei mais menininha e decidi cuidar mais da minha embalagem. Ainda não uso saia, nem vestido, nem salto, nem batom, nem penteio o cabelo quando eu acordo, nem outros clássicos do ser menininha, mas venho sofrendo vagaroso "progresso". Progresso entre aspas porque eu não acho que isso muda, de fato, o que eu sou, e quem quiser me julgar vai me julgar independente do que eu estiver vestindo... Mas enfim, a auto-estima pediu, e eu concordei em ceder um pouco da minha atenção para mim mesma, hê :)

Mas daí que eu não encontro nada nesses blogs que me agradam. Nada em negrito talvez fosse um radicalismo da minha parte, mas acredito que eu posso generalizar, já que o blog é meu e mimimi :) E aí eu comecei a pensar no que eu gostaria de comprar, dessas coisas de vestir e/ou acessórios, que me fizessem me sentir mais feliz e mais bonita, e descobri: alargadores!

Antes de alargar as minhas orelhas, eu tinha muitos brincos, grandes, médios e pequenos, de todos os materiais e de todas as cores. Foi o que eu mais senti falta: de trocar de alargador conforme a roupa, conforme a ocasião, ou conforme o meu estado de espírito. Para o meu bolso, alargadores são muito caros (ainda mais porque eu tenho que comprar um pra cada orelha), então eu me contento com os dois pares que eu tenho. Sem graça.

Daí que juntando o saco cheio dessa moda-feita-pra-sei-lá-quem e meu desejo por alargadores fashions, fiz uma seleção de alargadores muito amor que eu estou aceitando como presente fora de época. Querendo meu endereço pra enviá-los para mim, é só pedir ;D

as fotos foram achadas no google, we♥it e tumblr. se alguma delas for sua, me avisa que eu credito. beijo :*

Os clássicos alargadores de acrílico estão cada vez mais elegantes:



Me diz se não é muito amor esse de madeira em forma de coração? Fiquei pensando se ele ficaria bem na orelha, e achei uma foto de uma menina usando (dá uma olhada!). Achei o dela grande demais, mas mesmo assim é a coisa mais meiga do universo! *-*


Esse é para as que, como eu, sentem falta de usar brincos. Reparem que é um alargador, mas que quando você coloca, fica parecendo um brinco normal! Genial!



Descobri que os alargadores de madeira são muito lindos. Provavelmente eles devem exigir maior disciplina na higienização... Mas o mais legal é que se você conhecer alguém que sabe fazer esses trampos em madeira, você pode ter vários personalizados! Que luxo! :D




*
Bom gente, é isso. Post bem diferente de tudo o que vocês já viram aqui no blog, mas assim é que é. Férias, mãe me mimando, namorado distante, amigas e primas ocupadas, preguiça de estudar e cabeça vazia dá nisso! :) Comentem o que vocês acharam dos alargadores! - e qual vocês vão me dar, hehehehhe xD

PS: Mudei a cara do blog também, atualizei o perfil e tudo mais. Vocês conseguem ler o que tá escrito no cabeçário? O meu monitor deixa tudo muito claro, e eu não sei mudar isso, daí fiquei com medo de ter ficado escuro demais... Se tiver muito invisível vocês me avisam??

04/07/2012

Mestrando não tem férias

A vida tá bem diferente.

Eu passei o semestre todo com a sensação enorme de estar sozinha no mundo. Mesmo que meu trabalho me mantivesse perto de pessoas conhecidas, no mestrado eu me sentia sozinha (mesmo que o mestrado esteja relacionado com o trabalho). Como eu já disse outras vezes aqui no blog, eu não imaginei que seria tão diferente. E a solidão é imensa!

Porque sou eu comigo mesma observando, lendo, estudando, escrevendo, fazendo anotações nas aulas. Uma interação aqui, uma conversa durante o intervalo, e sou eu de novo fazendo a relação do que está sendo dito na aula com a minha pesquisa. É solitário.

Nas últimas semanas me aproximei mais de umas meninas da minha linha de pesquisa. Acho que o universo nos aproximou pelos sentimentos em comum. Por mais que as duas últimas semanas de aula tenham sido punk rock (com todo o respeito ao punk rock), o simples fato de saber que não estou sozinha e que tem alguém que sabe como é esse mix de solidão, desespero, e prazos encerrando, já faz tudo ficar um pouco mais ameno.

Ameno, porque resolver, nem férias resolvem!

Vou deixar umas fotinhas para alegar o post. As primeiras são da última aula da linha, que foi numa chácara, gostoso pra caramba, e a última é das educadoras guerreiras que têm me ajudado a me sentir menos peixe fora d'água.

Boas férias para quem tem férias, porque, por aqui, como eu já percebi e bem avisaram os meus professores, mestrando não tem férias!


óculos novo 8)

03/07/2012

Escuta de novo: Beyonce

Oi pessoal! :) Estou um pouco perdida no tempo, então eu acabei nem percebendo que ontem foi a primeira segunda do mês. Vou postar hoje porque eu acho que ninguém morre por uma coisas dessas, né! :)

Hoje a música que eu vou indicar para vocês não é nem tanto pela música em si, é mais pelo vídeo. Essa é uma apresentação que a Beyonce fez no BillBoard Awards em 2011, com a música "Run the Word (Girls), e é impressionante. Fico aqui só pensando quanto o coreógrafo deve ter ganhado pra treinar a Beyonce para conseguir essa sincronia monstruosa. É muito dinheiro!

Mas é espetacular!
Quem não assistiu, assista, e quem já, assista de novo!