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Mulher de Fases


























Botões amanhecem nos jardins.
Desabrocham sua meiguice
E crescem encantando
O que já era encantado.

Crescem, abrem suas pétalas,
Seu perfume nos adolesce
Conduzindo-nos por sua juventude.
Uma pétala cai
E de seu vermelho intenso
Torna-se sangue
Escorrendo pelo caule.

Tornou-se rosa
Com perfume, beleza e espinhos.
Está madura sabendo do seu frutificar.
Solitária ou rodeada é dona de si.
Balzaquiana dona do jardim.

Mas!
O tempo como a atmosfera
Vilão de todos. Vilão de rosas
Pétalas perderam as cores
O sangue parou!
Até o teu rosto
Perdeu a vivacidade
De teus dias de sonhos.


Henrique Rodrigues Soares

Os Corvos

















Gritos de socorro silenciados
Nos suaves cortes na carne
Buscando carinho
Buscando caminhos
Querendo aceitação
Querendo interpretação.

Não pertenço ao mundo
Ao mundo que me deram
Nasci no tempo errado
O tempo é impaciente
E não gosta de improvisos
Já fiz rabiscos nos muros
E em páginas rasgadas
Que só entendem os letrados
Na escuridão.

Um luto bem vivo
Com minhas roupas escuras
Que são meu casulo.
Um luto mais vivo
Do que o eu aprisionado
Alimentados por músicas
E literatura mórbida
O que são corvos?
São apenas pássaros.

Vivo em duas casas diferentes
Mas me perco em todo esse labirinto
Não quero escolhas nem permuta
Quando nasci nunca queria ser borboleta
Só quero voar com minhas penas negras de corvo.

Gosto do alimento com parasitas e insetos
Gosto mais do errado do que do certo
Que para todos são uma mesma coisa.
Só quero voar como um corvo
Na vastidão do céu negro da noite.
Não quero acordar dos meus versos.



Henrique Rodrigues Soares

O Rouxinol

























Como tu cantas pequeno rouxinol
Te soltas pela liberdade que procuras
Na paz solitária das matas
Como nas notas que levam as alturas

Como tu cantas, doce rouxinol
O teu dom, a tua ternura
Não ser prende, nem se mata
São tua pele, tua alma e textura

Que saudade terei de ti, rouxinol.
Mas quem voa, os ninhos são passageiros.
A vida uma floresta com diferentes roteiros
E o teu canto levo no ouvido suave e sereno

Vai-te querido rouxinol
Enche teu peito solta o teu canto
Para que um dia encantado
Por sua melodia possa novamente te encontrar.

Henrique Rodrigues Soares
Para Querida Amiga Arlete Maia.

Adultos


















Cai a chuva
Torrencialmente
E quero seguir...

Há tanta coisa
Que me submeto,
Tanta coisa
Que me prende.

Correr na chuva!
É coisa de criança...

Cai a chuva
Libertando a terra
E não posso prosseguir...

Há tanta coisa
Que me suja
Tanta coisa
Que não me escusa.

Brincar na chuva!
É coisa de criança...


Henrique Rodrigues Soares – Pra Fora/ Por Dentro

Central do Brasil

















Desde o primeiro que chega
Desde o primeiro que parte
Vontades em pernas e braços
Passam pela gare.

Algumas ainda dormindo caladas
Mas seguem seus caminhos
Carregando o peso dos sonhos.

Produzem uma melodia
Ensurdecedora
Nas lanchonetes de cafezinhos
Nos mais apressados
No balé dos corredores
Da estação de ferro D, Pedro II

Que entre trens que chegam
E trens que partem.
Entre o Império que parte
E a República que chega
Tornou-se Central do Brasil.

Com bailarinos ensaiados
Pelos ponteiros
De um relógio pessoal.
Da valsa ao samba
Cada um no seu ritmo
Matutino ou noturnal

Sonhos descem
Ao submerso
Seguem trilhos de novo
Sonhos atravessam
As avenidas
Buscando as calçadas
Calçadas tomadas
De sonhos
E também dos que não podem dormir.

Sonhos pegam ônibus
Táxis ou urbes
Sonhos vão de VLT
Sonhos andam a pé
Para economizar
E poder ter tempo de sonhar.
E o retorno do dia
A mesma pressa
Em uma melodia mais cansada
Do compromisso firmado
De continuar a música

O dia todo sonhos chegam
E sonhos partem
Até que o silêncio ecoa
Nas suas entranhas
E podemos dormir
Para sonhar de verdade.


Henrique Rodrigues Soares – Pra Fora/ Por Dentro




O canto de um bardo


















Sem sabor
Mastigo o meu intimo
Nestes dias escuros

Sem escolhas
Como um pobre arrimo
Para fora dos muros

Dias de mau humor
Transpiram nos passos apressados
Pelas calçadas
Dias de temor
Nos faróis cansados
Pela insegurança.

A noite chega
Em cápsulas receitadas
Por mãos descrentes
A alma cega alimenta-se
Em prateleiras abandonadas
Com livros doentes.

A criatividade
Segue o manual
De instrução
A objetividade
É animal
E sem noção

Solitários,
Altistas
E urbanos
Obituários
De artistas
Fazem-te humano

Por lágrimas
Exprimidas como espinhos
Num rosto triste
E amargo
Por páginas
Como moinhos
Que resistem
Como um bardo.


Henrique Rodrigues Soares – Pra Fora/Por Dentro

Horizontes
















Pai não adianta as botas
Se tiraste minhas pernas
Num mundo de cotas
Transformo-me em percentual

Meus sonhos estão em compotas
Guardados no fundo do universo
Minhas palavras amostras
De meu cérebro convencional

Garantias em mãos agiotas
Que tiram seu futuro lucro
Perdendo ou ganhando nas apostas
Que fingem está fazendo

E nessa vida caçando propostas
Para construir um futuro
Sem perguntas e respostas
Como uma idosa cosendo

Velhas cobranças nas portas
Para o novo que vai nascendo
O novo trigo barato se exporta
Enquanto nossos campos tristes morrendo.


Henrique Rodrigues Soares – Pra Fora/Por Dentro

Cavaleiros da Ordem dos Templários















Juraste sem medo
Servir tuas ordens
Honrar tua farda e teus dogmas
Libertar a terra sagrada
De deus.
Que deus? Que deus?

Carrega todo peso
Todo fardo
De tua missão
Carregado de bravura
E toda coragem
E toda montagem
De sua armadura.
Carregado de medo
Impondo o medo
Com pisadas firmes
Para o encontrão da peleja.

Das cruzes de morte
Nas bandeiras da legião
De uma idade média.
Caveiras veste preto
De morte
Para manter a média
E tornar-se solução.

Os inimigos com seus deuses
Maltrapilhos em seus ombros
Atravessados que cospem morte
E derramam sangue
De meninos que virarão estatísticas.
Nos pescoços cordões
Em forma de correntes
Que parecem medalhas
Ostentando poder.

Tiros e tiros
Assassinam o silêncio das ruas
Vazias de sonhos
E de céus estrelados.
Sarracenos
Defendem de pé
A fé
Dos seus patrões
E a farinha de ovos de ouro
Que paga as contas
Dos deuses do morro.

Os nobres de seus castelos
Multimídia e ao vivo
Com seus olhos observam
Caveiras que sobem
E corpos que caem.



Henrique Rodrigues Soares – Pra Fora/Por Dentro

Cruzadas


















A cidade sagrada
De cada um
É violada...
Acuada...
Atacada!

Homens com suas armaduras
Empunhando símbolos e brasões
Sobem e descem ladeiras,
Ruas e escadarias,
Que são caminhos por onde
Passa todo tipo de esperança.

Metal vil metal.
O que está em disputa?
Qual verdade será válida?
Quem é o alvo?
Escudos motorizados para o mal
Entram e sai bufando atrás do
Que foi perdido muito antes.
O luto dirigível dos Caveirões
Não é mais novidade.

Nós matamos e colocamos cruzes
Ainda somos cristãos!
Via dolorosa
Vida dolorosa.
Quantos Cristos ainda mataremos?
São apenas judeus
Que resistem todos os dias.

A Palestina é aqui.
Gaza é aqui.
E ainda queremos paz
A paz que se faz
Com suas ordens e seus canhões,
Com canetas e ocupações.

“Jerusalém! Jerusalém!”
Com seu Cristo de braços abertos
Que de sempre bem perto
Está dos que vão ao seu encontro.

 Rio! Rio de lágrimas!
De futuro sombrio e incerto
Entre templários e sarracenos
Que perderam sua fé
Na luta sem vencedores
E de perdas sagradas.




Henrique Rodrigues Soares – Pra Fora/ Por Dentro.

Nossa Pátria














Soldados e estudantes marcham 
numa demonstração de ardor patriota.
O toque da Independência negociada
arrepia nossa pele.
Nossas fronteiras abertas para 
novas entradas e novas missões.
A nossa Educação tombada
pelos jesuítas e tradições.

Com data de validade vencida 
Nossa identidade descaracterizada e perdida
por anos de violação.
Da terra amada e querida
somos uma nacionalidade construída
em latifúndios de cartas de doação.

Que terra consome seus filhos?
Índios, indígenas, nativos e indigentes
nômades, caçadores e coletores
selvagens e maltrapilhos,
somos gente sem ser gente.

O nosso sol de justiça tem brilho diferente
tem olhos que mais do que cor
enxerga nos cobres e pobres
toda sua esfera de ação.
Açoita a pele do negro, pardo e mulato
nos morros partidos por facções
com a força de uma cega demonstração
como o agir de um nobre
que a espada vale mais que a multidão.

Somos cabanos, favelados e urbanos.
Que nossa bandeira nos cubra 
 e esconda nossas vergonhas.
Que cubras nossos filhos nas ruas.
Que cubra nossa falta de tudo.
Que cubra nossas estranhas
formas de ser brasileiro.

Pátria de desempregados
Filas e filas que marcham 
sem destino ou esperança.
Negreiros atravessam
os Atlânticos todos os dias.
Seus ofícios, almas, mais que valia
vendidos nos transportes coletivos
e buscam motivos
para acordar outra manhã.

Direitos caçados
como nossos animais em extinção.
Nossos bosques estão sem vida
ocupados por mineradoras e tratores.
Elegemos as indicações
dos nossos Senhores
como bons cidadãos.

Moramos no que sobramos
no abandono do campo ou dos morros,
nas periferias ou nos entornos,
nas palafitas ou nas ruas
iluminados pela lua, 
os pombais suburbanos.

Marchemos, marchemos!
Nem que nossas pernas Temerm!
Pois gostamos de ser brasileiros
e "não desistimos nunca"
das nossas senzalas e nossas mazelas
das nossas danças e nossa camisa amarela.


Henrique Rodrigues Soares - Pra Fora/ Por Dentro - 07 de setembro de 2017.

Está com Deus


















Na nevoa desta manhã
Só pude ver teu último sorriso.
Do canteiro que partiu a rosa
para um grande jardim.

Guardarei o teu perfume com saudades
Saudades de perfume na janela
Em que lágrimas suavizam.
A partida para um até logo.

Não vou reclamar.
Pois não me é permitido.
Vou declamar.
A tua vida, o teu exemplo, o teu riso
Pois isso que faz sentido.

Rosa com suas pétalas brancas
Com sua intensidade bravura materna
Em que sobre joelhos e pernas
Orações cotidianas por teus filhos
De sangue e compromisso.

Num dia de sol de inverno
Deus com seu carinho superno
Te levou sim, para próximo dele
Para esperança dos que nunca terão fim.


Henrique Rodrigues Soares - Pra Fora/ Por Dentro
Em homenagem póstuma de Marlene Rodrigues Risso.

Fósseis



















Desenterramos verdades e complicações
Escavamos identidades e sentimentos
Que com suas histórias nos afetam
Que com suas memórias nos arremetam
O tempo que ficaram para trás

Quantos anos foram dados a estes versos
Quantos escombros sobre os remorsos
Que ficam nítidos com as pás, espátulas,
Picaretas e pinceis trabalhando.

E os achados ganham vida
Quanto mais estavam submersos
O seu valor, a sua descoberta
Nos transmitem um regresso

De algo necessário descobrir
Para nos descobrirmos
Diante do tudo que nos vestimos
Entre o tanto de chegar e de partir.



Henrique Rodrigues Soares – Pra Fora. Pra Dentro

Luar


















Quero ver-te banhada pela lua
Quero ver-te como lua
Simplesmente lua
Com as saliências e a beleza crua
Que a luz clareou na tua pele.

Não fique longe dos meus olhos
Não fuja minha prateada lua
De acariciar silenciosamente
A minha rua
E a minha solidão.

Quero ver o teu lado obscuro
E cair nos teus braços
Na ponta dos pés sobre os muros
Como um equilibrista no espaço.

Quero te ter cheia
Cobrir meu copo e meu corpo
Como uma farta ceia
Para meus sonhos.

Quero tua presença e teu mistério
Do folclore a realidade
Do encanto ao carinho clandestino
Da métrica claridade.

Henrique Rodrigues Soares – Pra Fora. Por Dentro

Fluminense














Nasceste desde menino como gigante.
Formaste teu caráter nas disputas
dos campos do mundo.
Nos olhos meninos teu brilho constante
do teu estandarte de lutas
que transmuta o profundo.

O futebol está na tua essência.
Nomes e nomes fizeram parte da história
construindo a trajetória
com legalidade e opulência
de tempo presente, futuro e memórias
para um olimpo de glória.

Nos gramados com suas luvas e chuteiras
nas piscinas, nas quadras com sua fidalguia
Nas arquibancadas infantes com bandeiras
as tuas cores como uma magia
nos encanta,
os cantos da torcida
nos guia
como uma energia divina.

Teu verde firme de esperança.
Teu branco livre da paz.
Teu grená em nossas veias
São cores de nossa paixão,
de nossas famílias,
de nossa nação.

Teu escudo cobrindo crianças
Tua flâmula nas mãos do rapaz
Nos anciãos,
teus embates
tornam-se enredos de épicas histórias.
Nossos cronistas,
nos debates
como gladiadores de um coliseu.

Meu Fluminense
tão imenso
e tão intenso.
Nosso Fluminense
Sempre e sempre
O Tricolor de toda gente
que o ama sem limites.


Henrique Rodrigues Soares - Pra Fora/ Pra Dentro.

Melodia desentoada











De mim o que prefiro
É o que perco pouco a pouco
No que sobre a que refiro
São estes versos roucos.

Com uma melodia desentoada
Sem métricas ou bom gosto
Na batida inconstante da toada
Que cobre do que vem ao rosto.

Nada levo do que adquiro
Do volúvel sem razão e tosco
O que sinto e respiro
São os instantes marotos e loucos.


Henrique Rodrigues Soares – Pra Fora. Por Dentro

Ato de Sonhar

















Quando te perdi... não sei?
No vôo límpido
Livre da borboleta?
Na escrita grafite
Apagada docemente pela borracha?

Só sei... que me dói!
Como horas arenosas
Que escaparam na ampulheta
Como um palpite
Rancoroso sobre lágrimas.


Henrique Rodrigues Soares – Pra Fora. Por Dentro

O Novo

















Do estático como se movo
Do elástico ao que se alcança
As flores sempre com seus renovos
Brotam uma nova esperança

Contraio os pensamentos e me revolvo
Para enquadrar-me nos consentimentos
Distraio-me e no que envolvo
Por necessidade ou entendimento

Esse cheiro bom que vem do novo
Sobrevoa como combustível as emoções
Se sobra algo nada devolvo
Do que arrebata corações

Com tantas tentáculos de polvo
No arredio olhar das atrações
Como grávida assim é o povo
Que sorrir nas dores e contrações.

Henrique Rodrigues Soares – Pra Fora. Por Dentro.

Baú aberto

















Eu gosto das coisas inúteis
Eu guardo tantas coisas fúteis
E esqueço o que é importante
De minhas mãos caiu o instante


Que valia, e agora em pedaços
Ocupam valioso espaço
Das coisas que seriam úteis
Em nos deixar ocupados


Nada pode ser constante
O coração pesado e preocupado
Com os ocultos pecados
Que rebelados vieram emergir


Ao jogar fora o antigo e guardado
Doeram meus ossos e artérias
Conversa fiada é coisa séria
Não há perfume no passado.



Henrique Rodrigues Soares – Canibais Urbanos
Março – 2017.

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