Desde que aqui escrevi a última linha, já muita coisa aconteceu. Em menos de seis meses, fiquei órfão de pai e de mãe, e, dos cinco tios que ainda tinha, fiquei sem nenhum. Ainda não me curei de tais moléstias, e, por isso, embora receando que o que possa aqui escrever seja toldado por essas influências, vou tentar (até porque, pelo que estou a ver, os jogos do Sporting não vão ser muito interessantes).
CAUSA
sábado, 26 de maio de 2018
domingo, 23 de junho de 2013
sexta-feira, 24 de maio de 2013
"Caldo bem encouvado”
Naquela manhã de Maio de 1961, o meu irmão, que tinha dez anos de
idade, estava a demorar mais do que era costume a comer o café migado com broa
(nesse tempo, o trigo era só para os dias de festa, ou então para os mais ricos),
antes de ir para a escola. Pelo menos era isso que parecia à minha mãe, a ponto
de ela lhe dizer: “se soubesses como eu estou…”.
Ele não fez caso do lamento, e lá foi para a escola. A meio da manhã
alguém veio dizer-lhe que a mãe mandara recado para ele não ir a casa almoçar,
e duas fatias de broa para o almoço. Chegada a hora do almoço, comeu as duas
fatias de broa e depois ocupou o resto do tempo a brincar no recreio.
Quando saiu da escola e chegou a casa, quem lhe abriu a porta foi a
Comadre Fonseca, uma estimada e prestável Senhora que assistia a mulheres nos
partos e nas mais lidas de casa, enquanto elas convalesciam. “Anda cá que já
aqui tens um irmãozinho”, disse-lhe ela, enquanto o encaminhava até ao berço
onde eu dormia as primeiras horas de vida. Porque nessa altura o povo acreditava
que quando uma mulher dava à luz tinha a cova aberta durante oito dias, as
mulheres que tinham pessoas amigas como a Comadre Fonseca, corriam menos esse risco.
Matava-se uma galinha, e, comida a canja que se fazia com a carne e depois essa
mesma carne, acreditava-se que tudo correria bem nesses oito dias, tempo em que
a Comadre Fonseca ficou a governar com esmero a nossa casa. Que conste, teve apenas
um pedido muito especial do meu irmão: “Comadre, faça o caldo bem encouvado,
que é assim que eu gosto dele”.
quinta-feira, 23 de maio de 2013
Georges Moustaki
Desde que começaram a perceber de
música que, em jeito de reclamação, me diziam: mas tu só nos falas de músicas
de músicos que já morreram! Eu retorquia que nem todos tinham morrido, e que,
ainda há pouco tempo (realmente, já tinha sido há uns 8 anos!), tinha visto uma
actuação ao vivo de um deles, no "Teatro Aveirense". Referia-me a uma
actuação do músico que agora faleceu, Georges Moustaki. Paz à sua alma, e um
profundo agradecimento pelo legado que nos deixou.
domingo, 19 de maio de 2013
E lá vamos nós mudar de governo (outra vez!)
Poiares Maduro, Ministro-adjunto do primeiro-ministro e do
Desenvolvimento Regional, na entrevista publicada na edição do “Expresso” de
18/05/2013, refere que encomendou “um
estudo ao professor Ricardo Reis, da Universidade de Columbia, sobre como
desenvolver uma política de informação com os cidadãos em matérias tão
complexas como as que hoje” alegadamente “nos mobilizam”. Agora sim, estamos entregues! Então até um estudo
desses é encomendado a um professor de uma universidade estrangeira!? Não
chegava já o Ministro das Finanças, o Ministro da Economia e o próprio Poiares
Maduro virem de instituições externas directamente para o Governo, para agora
até ser encomendado a um professor de uma universidade estrangeira um “estudo sobre como desenvolver uma política
de informação com os cidadãos”!?
Quando, no primeiro ano de vigência do programa ERASMUS em Portugal, requeri à
universidade portuguesa onde me tinha licenciado a equivalência (que, de resto, era de
lei) às disciplinas a que obtivesse aprovação na universidade que iria
frequentar ao abrigo do programa ERASMUS, um professor pronunciou-se
favoravelmente ao requerido, mas numa condição: obter também na universidade de
origem (a portuguesa) aprovação às disciplinas a que obtivesse na universidade
de destino (a estrangeira). Nessa época, em que os portugueses mandavam em
Portugal mais do que os estrangeiros, muitas universidades portuguesas nem
sequer reconheciam os graus académicos obtidos no estrangeiro, ainda que as
universidades que os tivessem conferido tivessem sido classificadas no primeiro
lugar de todo e qualquer ranking! Por vezes de forma injusta, os titulares de graus académicos
conferidos por universidades portuguesas
olhavam de soslaio para aqueles que, sendo portugueses, tinham obtido um
qualquer grau académico no estrangeiro. Achavam que eles só tinham ido para o
estrangeiro por o ensino aí ser mais facilitado, ou então por não terem conseguido
(ou querido) competir com os que por cá ficavam. Desde essa altura, como as
coisas mudaram! Agora, mesmo havendo centenas de professores nas universidades
portuguesas capazes de fazerem o aludido estudo (e, por certo, com muito melhor
conhecimento directo da vivência dos portugueses), entrega-se a sua feitura a
um professor de uma universidade estrangeira!
Infelizmente, este governo está a ter cada vez mais semelhanças com os
últimos tempos de um governo a que se sucedeu uma maioria absoluta do PS. Não
sendo Seguro pior que Sócrates, o CDS já percebeu que, se romper já com a
coligação (e, de preferência, alegando como causa dessa ruptura algo que renda
votos), ainda poderá impedir uma nova maioria absoluta do PS, e, dessa forma,
continuar no governo (seja ele qual for). Se, como diz o Victor Oliveira
(treinador do F.C. de Arouca), “a gestão
de Excel não funciona no futebol”, está visto que também não funciona na
gestão política do país. Sem jeito para gerir, nada feito. E, por isso, creio
que nem os santos vão evitar uma mudança de governo, muito em breve.
quarta-feira, 15 de maio de 2013
sábado, 27 de abril de 2013
Diferentes vivências
Numa entrevista publicada
na Revista do Expresso (29/12/2012), Nuno Morais Sarmento (que já foi ministro,
e que Marcelo Rebelo de Sousa chegou a apontar como alguém que poderia
substituir o ex-ministro Miguel Relvas), à pergunta sobre o “porquê” de ter aceitado
“ser advogado do espião Jorge Silva Carvalho”, respondeu o que passo a
transcrever:
“Conheci
o dr. Jorge Silva Carvalho por acaso. Na véspera da saída de uma manchete no
Expresso, sobre Bernardo Bairrão Na TVI e a formação do governo, a Rita Marques
Guedes, de quem sou amigo, que trabalhou comigo e que estava na direcção da
Ongoing, pediu-me se podia ajudar, porque os decisores da Ongoing não estavam e
sabiam da manchete. Estava tudo numa confusão. Nesta reunião estava o dr. Silva
Carvalho, que me pergunta se, se aquilo se complicasse ele precisasse de
representação como advogado, eu aceitaria. Ainda não existiam manchetes sobre
secretas e maçonaria e eu desconhecia essas dimensões. Respondi que tinha que
tinha de ver os conflitos de interesses no escritório antes de garantir o apoio
jurídico. Três meses depois, com a procissão na estrada, disse-lhe que não era
da Maçonaria e não tinha simpatia pela Maçonaria, disse-lhe que não era dos serviços
secretos, com os quais mantinha saudável distância, e não era da Ongoing nem
conhecido por me identificar muito com a Ongoing e os responsáveis. Porque é
que ele me queria como advogado? Respondeu-me que era precisamente porque não
encontraria cinco pessoas em Portugal que pudessem dizer o mesmo que eu”.
Por conseguinte, nos
precisos termos que constam nesse trecho, Nuno Morais Sarmento alega ter sido
escolhido por Jorge Silva Carvalho como seu advogado porque, tendo comunicado a
este
a) que “não era da Maçonaria”,
b) que “não tinha simpatia pela Maçonaria”,
c) que “não era dos serviços secretos, com os quais mantinha saudável
distância”, e
d) que “não era da Ongoing nem conhecido por” se “identificar muito com
a Ongoing e os responsáveis”,
Jorge Silva Carvalho lhe
respondeu “que era precisamente porque não encontraria cinco pessoas em
Portugal que pudessem dizer o mesmo que” ele (Nuno Morais Sarmento).
Ora, conhecendo eu centenas
de advogados, não conheço pessoalmente nenhum que seja da maçonaria, que tenha
simpatia pela maçonaria, que seja dos serviços secretos, e que seja conhecido
por se identificar com a “Ongoing” ou com os seus responsáveis. Para além
disso, verdade se diga, também não conheço pessoalmente nenhum advogado que,
numa entrevista a um órgão de comunicação social, fosse capaz de dizer as
razões pelas quais algum cliente o quis como advogado.
Que vivências tão
diferentes!
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