domingo, 30 de dezembro de 2012
sábado, 15 de dezembro de 2012
"Estado segurador"
Gostaríamos de saber quanto é que Luís Mira Amaral e outros que exerceram funções políticas descontaram para as pensões de reforma que auferem, já depois de corrigidos esses montantes através do “valor financeiro” que ele refere, e quanto é que já auferiram a título de pensões, para que pudéssemos tirar as devidas conclusões. Isto é, para que pudéssemos saber se os descontos que eles fizeram constituíram um prémio de seguro obrigatório adequado ao valor das pensões de que vieram (e virão) a auferir, para que, se assim não acontecer, sejam feitos os devidos e necessários ajustamentos. Todavia, quanto a essa matéria de que eles têm conhecimento privilegiado, não os ouvimos dizer nada. Por isso, antes de Luís Mira Amaral concluir “que o Estado segurador não se porta bem”, deveriam ser feitas aquelas contas, para sabermos se o “Estado segurador” se portou ou não bem quando estabeleceu os tempos de descontos que deram direito às reformas, o momento a partir da qual essas reformas eram devidas, bem como os valores dessas mesmas reformas. Que Estado é que pode fazer leis que permitam que um cidadão, sem atingir a idade legal de reforma (ou seja, a reforma com fundamento em limite de idade) e sem ter qualquer problema de saúde que o impossibilite de trabalhar, se vá “reformando” das várias profissões/cargos/funções que foi exercendo, de forma alternada ou cumulativa com outras, a ponto de poder vir a cumular várias (2, 3, 4 e 5) reformas? Só um Estado que cobrasse efectivamente (e não apenas que fosse credor), a título de TSU, mais de 80% do valor das remunerações pagas a esses privilegiados! Por isso, temos de saber se o “Estado segurador” se portou ou não bem quando estabeleceu o regime de reformas que estabeleceu, e não apenas, como alguns privilegiados pretendem, quando se trata de as pagar.
domingo, 2 de dezembro de 2012
domingo, 25 de novembro de 2012
domingo, 18 de novembro de 2012
segunda-feira, 12 de novembro de 2012
O melhor trecho que li na imprensa do fds
Miguel Sousa Tavares, no final da crónica publicada na edição do jornal "Expresso" de 10/11/2012 (Primeiro Caderno, pág. 07), refere o seguinte:
domingo, 11 de novembro de 2012
sexta-feira, 17 de agosto de 2012
Ainda a propósito das distinções honoríficas
quarta-feira, 18 de julho de 2012
Disciplinas equiparadas a licenciaturas
sábado, 7 de julho de 2012
FCE – Época de 1981/1982 (a descida de divisão)
quarta-feira, 6 de junho de 2012
Sugestão para a criação de um novo imposto: o IPCAS
quinta-feira, 24 de maio de 2012
No tempo em que não há tempo para fazer anos
P.S. Ah! Este ano tive direito a um bolo só para mim, e não apenas a um braço da Cinderela, a uma perna da Barbie, à cabeça da Pocahontas ou a uma parte da juba do Rei Leão.
sábado, 21 de abril de 2012
“Onde não há, nem o Rei tira!”
sexta-feira, 2 de março de 2012
Quem exercerá melhor um cargo político? Um rico, ou alguém que alegue dificuldades económicas?
Um queixou-se do valor das reformas. O outro disse que morava onde morava, pois era o que as suas economias lhe permitiam. Alguns partidos da esquerda sempre pautaram o seu discurso pelo registo das dificuldades económicas. Mas, agora, até alguns políticos de partidos de direita invocam dificuldades económicas, e mesmo com algum regozijo!
Na altura em que cheguei a Coimbra (poucos anos depois do PREC) para estudar, o critério fundamental para se entrar em algumas repúblicas era o de se ter dificuldades económicas. Como quase todos tínhamos, a entrada era difícil. Lembro-me de que, quando fui seleccionado para o “Spreit-ó-Furo”, os candidatos eram 4, e todos com dificuldades económicas. Como o recurso a esse critério (das dificuldades económicas) dava empate, acabei por ser escolhido por ser o único caloiro. Perante a minha selecção, o candidato mais velho, que já era finalista e, para sobreviver, tinha de trabalhar (nas cantinas), disse aos repúblicos responsáveis pela escolha: “Vocês são uns insensíveis. Não sabem o que custa, com a minha idade, ter de me sujeitar a isto”. Naquela altura, mesmo entre os estudantes, o que não faltava era quem tivesse dificuldades económicas. Um estudante ter um carro era um caso anómalo. Mesmo os professores, só depois de alguns anos de serviço é que conseguiam comprar carro (e quantas vezes com recurso ao crédito). Recordo-me que, nas provas de doutoramento de um assistente que dava aulas há mais de 15 anos, o seu orientador ter referido o seguinte: “Este, que perante nós presta provas, chegou a esta casa sem nada, mas agora até já tem carro!”.
Posto isto, e passando para o discurso das alegadas dificuldades económicas de alguns políticos, dou comigo a concluir que, em condições de igualdade, preferia ser governado por pessoas ricas, ou, de preferência, muito ricas, desde que esse enriquecimento tivesse sido conseguido honestamente, do que por pessoas com dificuldades económicas. Por outras palavras, preferia que os nossos governantes já fossem ricos antes de irem para o governo, e não apenas depois de estarem no governo ou de terem dele saído.
Em alguns sistemas políticos liberais vigentes nos Séculos XVIII e XIX, reservava-se o direito de votar e o de ser eleito a uma classe de possidentes. Procurava-se, dessa forma, evitar que chegassem à governação dos estados pessoas que, por não serem abastadas, vissem a realidade distorcida pelos seus interesses mesquinhos e egoísticos. Por outras palavras, procurava-se evitar que os governantes, em vez de governarem, se governassem.
Contra esta teoria, um professor (aquele que nos ensinava os sistemas económicos da URSS – sovkhozes e kolkhozes – e de outros países em que considerava vigorarem “democracias populares”) dizia que a grande propriedade não se detinha perante a pequena, e que a sua tendência era para a abocanhar. Ou seja, por mais ricos que fossem, os ricos quereriam sempre ser mais ricos.
No entanto, não posso deixar de sentir que, se quem me governa for um rico, existe alguma possibilidade de, com a sua governação, também me tornar rico. Já se for governado por alguém com dificuldades económicas, não posso deixar de pensar que se nem a sua economia doméstica conseguiu governar, como é que vai conseguir governar o país?!
Por tudo isso, passando do abstracto para o concreto, é com todo o gosto que vejo chegar ao governo ministros e secretários de estado que, antes de assumirem funções governativas, já eram ricos. Dão-me algum conforto, embora não descure os ditames da referida teoria anti-liberal.
Assim, fico preocupado quando quem exerce cargos políticos se lamenta de alegadas dificuldades económicas. Preferia antes que, no exercício desse cargo, actuasse como se tivesse dificuldades económicas. Por exemplo, que não se fizesse transportar em carros com um valor de custo superior a €50.000,00, que não gastasse mais de €15,00 num almoço, que não tivesse motoristas cujo vencimento fosse superior a €1.000,00, que só utilizasse os bens do Estado que lhe fossem confiados para o exercício do cargo (fosse ele um simples computador ou um telemóvel) quando efectivamente estivesse ao serviço do Estado (e não, v.g., em férias e fins-de-semana), que não gastasse dinheiro em obras que nunca faria se estivesse a gastar o dinheiro que tivesse ganho como contrapartida do seu trabalho, que não gastasse dinheiro com viagens turísticas, enfim, que, em matéria de gastos, pautasse a sua actuação pela de um gestor criterioso e ordenado, ou, não sabendo o que isso é, pelo critério de um bom pai ou uma boa mãe de família. Se assim fosse, creio que nenhum organismo externo teria necessidade de vir dizer aos nossos governantes que estão a gastar de mais, nem alguns gastos, por tão absurdos que são, seriam, inclusive, alvo da zombaria por parte do Povo, que, com grande desespero, vê o dinheiro proveniente das receitas coactivas que paga (impostos e demais tributos, coimas, multas, etc.) mal administrado e mal gasto.
Concluo, pois, que me sentiria muito mais confortável governado por um rico que, no exercício das suas funções governativas, agisse como se tivesse dificuldades económicas, do que por quem, alegando dificuldades económicas, actuasse como se fosse rico.



