Tenho plena consciência que nós africanos somos bastante agarrados a espiritualidade e ao misticismo, mas tal como também venho enfatizando, misticismo e espiritualidade não são e nunca foram exclusividade dos povos africanos «não é à-toa, que os grandes centros de pesquisas possuam uma area para fenómenos paranormais».
Vale realçar que os filmes sobre vampiros estão ligados as crenças de certos povos não africanos. “A história de vampiros tem origem em várias culturas e países, desde a Babilónia até a China, mas o folclore que conhecemos hoje surgiu no Sudeste da Europa no século XVIII”. IA Gemini
O que venho observando é um enorme sincretismo religioso que mescla as nossas superstições ao ensino da Bíblia Sagrada; é verdade que a Bíblia, contem religião, e “costume ou tradição”. A religião aponta para aquilo que vem de Deus, para o homem e cultura está relacionado com o “Modus vivendi” deste cidadão que se originou antes desta relação com o Deus criador. Por exemplo, a questão do “véu”, “jóias” e “outras vestimentas”, etc. são anteriores a relação Abraão e o criador, pelo que são mais culturais do que necessariamente religiosas.
Hoje, nos círculos neopentecostais, carismáticos e mesmo Pentecostais clássicos como na Assembleia de Deus Pentecostal, fala-se muito de Batalha e libertação espiritual, havendo até cursos de teologia que possuem uma disciplina chamada Batalha Espiritual ou Teologia da Libertação Espiritual (Não confundir com a Teologia da Libertação católica surgida na década de 1960), de tal maneira que surgem algumas pessoas que se fazem passar por especialistas de libertação, dando a entender ou transmitindo a ideia de possuírem maior espiritualidade que os demais cristãos.
Embora já não me lembro tão bem, mas, creio que foi Nicky Cruz que observou possivelmente no livro “Satã Anda Solto” que muito do que se diz sobre o satanismo é, na verdade, invenção de cristãos e que alguns praticantes do satanismo frequentam igrejas para aprender termos e coisas sobre o tal mundo satânico.
Portanto, tristemente há entre nós obreiros que apresentam como realidade no cristianismo o assunto sobre maldição geracional ou hereditária que são quebrados apenas com a realização de algumas práticas ministradas por eles.
Todavia, este ensino não encontra suporte nas escrituras, pelo contrário vai contra a própria Bíblia Sagrada, o qual é a base e fundamento do ensino e da crença cristã, que determina o rompimento de qualquer relação espiritual do passado ao aceitarmos a Jesus Cristo como Senhor e salvador. “Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é: as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo.” (2 Coríntios 5:17)
Esse ensino, na verdade, anula a eficácia do sacrifício redentor de Jesus Cristo. “Eu glorifiquei-te na terra, tendo consumado a obra que me deste a fazer.” (João 17:4).
A simplicidade desta verdade, em Jesus Cristo, contrasta com a realidade das nossas tradições e superstições que exigem a prática de rituais, pagamentos e oferendas a entidades espirituais para libertação, exorcizar espíritos malignos e afastamentos de maus presságios.
Como na óptica do ensino bíblico, os holofotes, ou seja, o foco, a glória, a fama pelo milagre ficam todas para o Senhor e salvador que liberta; o orgulho humano leva as vezes a pessoas a agirem como Simão o encantador. Esse sentimento pode surgir sorrateiramente dissimulado.
Vejamos o que diz a história Bíblica sobre o comportamento de Simão, o usurpador de glória.
“E estava ali um certo homem chamado Simão, que anteriormente exercera naquela cidade a arte-mágica e tinha iludido a gente de Samaria, dizendo que era uma grande personagem; ao qual todos atendiam, desde o mais pequeno até ao maior, dizendo: Este é a grande virtude de Deus. Mas, como cressem em Filipe, que lhes pregava acerca do Reino de Deus e do nome de Jesus Cristo, se batizavam, tanto homens como mulheres. E creu até o próprio Simão; e, sendo batizado, ficou, de contínuo, com Filipe e, vendo os sinais e as grandes maravilhas que se faziam, estava atônito. Os apóstolos, pois, que estavam em Jerusalém, ouvindo que Samaria recebera a palavra de Deus, enviaram para lá Pedro e João, os quais, tendo descido, oraram por eles para que recebessem o Espírito Santo. (Porque sobre nenhum deles tinha ainda descido, mas somente eram batizados em nome do Senhor Jesus.) Então, lhes impuseram as mãos, e receberam o Espírito Santo. E Simão, vendo que pela imposição das mãos dos apóstolos era dado o Espírito Santo, lhes ofereceu dinheiro, dizendo: Dai-me também a mim esse poder, para que aquele sobre quem eu puser as mãos receba o Espírito Santo. Mas disse-lhe Pedro: O teu dinheiro seja contigo para perdição, pois cuidaste que o dom de Deus se alcança por dinheiro. Tu não tens parte nem sorte nesta palavra, porque o teu coração não é reto diante de Deus. Arrepende-te, pois, dessa tua iniquidade e ora a Deus, para que, porventura, te seja perdoado o pensamento do teu coração; pois vejo que estás em fel de amargura e em laço de iniquidade. Respondendo, porém, Simão disse: Orai vós por mim ao Senhor, para que nada do que dissestes venha sobre mim.” (Actos 8:9-10,12-24)
O mesmo espírito que motivou o sentimento de Simão continua activo em nossos dias, e lamentavelmente poderá levar algumas pessoas ao inferno.
Assim como a conversão de Simão mostrou-se falsa, parece que hoje igualmente vemos o mesmo. Curiosamente é também sobre este grupo «de supostos especialistas das libertações» onde há, actualmente, denúncias de casos de adultério e abusos sexuais que volta e meia fazem manchetes nos “medias”.
COMO UM SIMPLES TEXTO BÍBLICO DESMONTA TAL ENSINO
O que diz então a Bíblia sobre os pactos e actividades espirituais dos nossos entes?
A alma que pecar, essa morrerá; o filho não levará a maldade do pai, nem o pai levará a maldade do filho; a justiça do justo ficará sobre ele, e a impiedade do ímpio cairá sobre ele. Mas, se o ímpio se converter de todos os seus pecados que cometeu, e guardar todos os meus estatutos, e fizer juízo e justiça, certamente viverá; não morrerá. Desejaria eu, de qualquer maneira, a morte do ímpio? Diz o Senhor Jeová; não desejo, antes, que se converta dos seus caminhos e viva? De todas as suas transgressões que cometeu não haverá lembrança contra ele; pela sua justiça que praticou, viverá. Mas, desviando-se o justo da sua justiça, e cometendo a iniquidade, e fazendo conforme todas as abominações que faz o ímpio, porventura viverá? De todas as suas justiças que tiver feito não se fará memória; na sua transgressão com que transgrediu, e no seu pecado com que pecou, neles morrerá. Desviando-se o justo da sua justiça e cometendo iniquidade, morrerá por ela; na sua iniquidade que cometeu, morrerá. (Ezequiel 18:20-24,26)
Diante do que lemos fica claro que a responsabilidade é individual, que ninguém leva no gene a maldição ou pecado de ninguém. Como disse anteriormente, os vínculos espirituais que tínhamos com o passado se quebram ao aceitarmos Jesus, o Cristo de Deus e passamos a viver em novidade de vida.
Com isso estou dizendo que devemos deixar de ter cultos de oração e intercessão pelas famílias? Não! Estou apenas a dizer que o Ensino da Bíblia deve estar presente sempre nos cultos de oração e intercessão, que precisamos trabalhar mais no discipulado dos fiéis.
Também não estou negando a existência de feitiço e outras práticas espirituais da maldade, apenas estamos realçando que Cristo Jesus a todas se sobrepõe e as venceu, devendo nós servos de Deus ensinar a verdade bíblica e nada mais do que a verdade bíblica.
Como sempre digo, se há uma contradição entre a minha “verdade” e a verdade bíblica, não é a bíblia que deve ser modificada para se adequar à minha verdade, mas sim eu que devo mudar para me adequar à verdade bíblica.
Um abraço,
Ev. Filipe Campos Jr «Kapitololo»
NOTA: Nicky Cruz, não se apresenta como uma autoridade em satanismo, é conhecido como o filho de uma ex-feiticeira que se tornou bandido altamente perigoso, lider da gange os Maus Muas, que posteriormente foi liberto ao aceitar Jesus Cristo como senhor e salvador. Recomendo que leiam a sua história de conversão nos livros A Cruz e o Punhal, Foge Nicky foge, Satã Anda Solto, Os três Magníficos, Os corruptores, David Wilkerson a Última Advertência.