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sábado, 28 de março de 2026

                                             

                                             

sábado, 5 de julho de 2014

morte da musa


era do traço a aberração
o amor intenso de ouro e prata
revertido em carvão
todos observando em comoção
enquanto o viúvo
acolhia a mortalha
da musa em devoção
e todos se recolhiam
e de alguma forma sentiam
a melancolia que a cena trazia
era domingo
de uma manhã qualquer
nem primavera
ou verão
e o fim refastelava
no corpo dela no chão

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Ave Larissa


teu ventre é fraco
de coração profundo
com defeitos
de fábrica
um cálice imundo

Ave Larissa,
teu ventre é fraco
de coração fecundo
nada disso te serve
porque que descrê de tudo

Ave Larissa,
tua alma é puída
não vale a peleja 
de santo nenhum
e nem Maria se comove
que a dor que tens
promove
e não cala-te nem por decreto

por certo, Ave Larissa 
se te calasse tudo se aquietasse
fosse uma morte lenta
a de teus filhos, pelo menos
dos que te amaram

mas não é

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

marinheiro

ainda que o mar contasse das ondas
ainda que as velhas fosse jovens
e as sereias malditas não trouxessem o corpo
ainda assim, te amaria marinheiro
sem saber quem é

sábado, 4 de janeiro de 2014

mãe, filha, e sagrada, amém


de todas sou todas
ao mesmo sou nenhuma
estou em tudo e 
consigo ser nada
e invisível aos olhos
luto
estando em cada 

morro mil vezes
e renasço
não mais forte
e sim, mais eu

minha vagina supérflua
pariu tudo que habita
e recebeu o esperma do mundo macho
tudo o que pode
mesmo sem querer

fui o lixo
fui a DEUSA
fui o êxtase e 
fui a dor

dualidade de uma só face
trindade de um só ser
mãe
filha
e sagrada,
AMÉM

extirpação


tenho pressa porque arrancaram
meus filhos
meu clitóris
meu prazer
me estupraram

estou morrendo
não sei se depressa 
ou aos poucos
estou morrendo

não tenho hora marcada no dentista
o meu celular quebrou faz tempo
de onde estou não posso falar
é inútil lutar

não me olham nos olhos
se o fizessem teriam piedade
não têm

criação


não quero nascer
quero continuar aqui
o silêncio é minha casa
o mundo lá fora já me feriu
eu tenho culpa
mas não quero mais 

cântico ou cântigo?


 dorme, meu filho
que morreu antes de nascer
dormem os que nunca serão filhos
de ninguém

acordados estão
apenas os filhos rejeitados
os não desejados
os ejetados e enjeitados
da criação

dorme, meu filho
que é amado
e dorme no ventre fecundo
protegido do mundo
que não quer nem a mim

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

arauto


alinhavo minhas dores 
sob a bainha das saias
e rodo como se não 
houvesse amanhã

a vida é uma roda gigante
como já cantaram
e eu riria se não soubesse 
o que me espera
e eu sei

nunca me enganei como a maioria
e olho as coisas com a crueza 
que sempre me foi ofertada
de graça
mesmo sem eu pedir

deve ser daí que sangra 
o fluído do meu olho esquerdo
que só inflama
só reclama

um coração partido


falso auto-retrato


id, ego, superego


beleza x tempo


sábado, 16 de outubro de 2010

terça-feira, 4 de maio de 2010