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João Fernando Fevereiro de Oliveira Mendes (1936-2026)

A notícia da morte do Mendes chegou-me pelo meu irmão. Fiquei chocado, embora pudesse esperá-la a qualquer momento. Há muito que estava gravemente doente.
Falava com ele com alguma frequência, pelo telefone. A última vez fora há dias, nem sequer uma quinzena. Há meses que não nos encontrávamos pessoalmente, desde os tradicionais almoços do Amicitia, no restaurante Pote, em Lisboa. Cada vez mais reduzidos no tempo, no espaço, nos participantes…

O João Fevereiro Mendes foi um dos meus mais fiéis e próximos amigos e companheiros de infância/juventude, em Portalegre. Vindo de Santarém, onde nascera em 1936, viera para a nossa cidade e era aluno do Liceu de José Régio, João Tavares e Honório de Freitas. Frequentávamos as casas, um do outro, e muitas vezes com ele passei bons momentos no andar em que morava com a família, na Fonte do Penedo. Os pais dele eram muito simpáticos e acolhedores e tratavam-me, quase, como mais um filho.
O senhor Fernando Mendes, que codirigia a Agência local do Banco de Portugal, era um apaixonado leitor e colocou à minha disposição a sua fabulosa biblioteca. A minha iniciação aos grandes nomes da literatura mundial, incluindo a ficção científica, e sobretudo o policial, foi então feita. E nunca mais esqueci essa generosa oportunidade.

Militei com o Mendes no inesquecível grupo juvenil Amicitia. A sua intervenção na vida colectiva desta “malta” foi influente. Já então frequentava Direito, pertenceu ao curso jurídico 1954-1959, e o seu bom senso fazia-se sentir no seio do grupo.
Foi magistrado no Ministério Público e correu parte do país, incluindo a Horta, nos Açores. Depois, já em Cascais, onde se fixou, dedicou-se à advocacia, onde atingiu grande relevo pela sua dedicação e competência.
A sua já antiga e profunda amizade com o Florindo Madeira teve aí quotidianas oportunidades de reforço.

A minha relação com o Fevereiro Mendes intensificou-se ao longo dos anos. Algumas vezes, em Portalegre e em Lisboa, encontrámo-nos em eventos relacionados com José Régio. Partilhando interesses, proporcionou-me algumas oportunidades, por vezes patentes do meu “blog” Largo dos Correios. Como exemplos, cito o Clube Amadores de Fotografia de Portalegre, criado em 1955, cujos (ignorados) Estatutos me ofereceu, ou o conto de Teresa Veiga –Confidência Barreirense– contendo uma personagem “familiar”, que eu desconhecia…
Mais. Como “repórter” amador, o Mendes fez-me chegar duas saborosas crónicas que intitulei O 8 de Dezembro dele e O 25 de Abril dele, que publiquei no “blog”, onde podem ser lidas.
Era assim o amigo que perdi. Mais um, a juntar tão depressa ao Dinis Pacheco, tendo os três militado na amizade, no Amicitia… Paga-se assim o preço de teimar em ainda por aqui andar.

Nascido em 28 de Fevereiro de 1936, o Mendes sujeitou-se a ouvir-nos dizer que era um sortudo, por fazer anos apenas uma vez por quadriénio… Enfim, não tendo chegado a 2028, já não poderemos cantar-lhe os 92 anos! Ou 23?
Deixei espalhadas pelo texto, emocionado, algumas fotografias de arquivo. Podia ter colocado dezenas! Nelas figuram mais amigos perdidos, que nos foram deixando mais solitários, mais pobres, mais vazios…
Fica a terminar um videograma, contendo uma entrevista ao Dr. João Fevereiro Mendes, datada de Abril de 2021, na Delegação de Cascais da Ordem dos Advogados








