A década perdida

John Sherffius, «Boulder Camera»
Com o fim do ano acaba também uma década. A Der Spiegel chama-a de “Década Perdida”, uma década marcada por excessos e crises: militantes islamistas atacaram Nova Iorque, a o sistema financeiro desabou na que seria a maior crise desde 1930, o clima continua ameaçado e a democracia perdeu muita da sua representatividade. A Spiegel escreve que a Internet foi o único raio de esperança desta década que agora acaba.
Na New Yorker, Rebecca Mead escreve que esta década é uma à qual não conseguimos atribuir um nome:
[…] Given all that has emerged in the past ten years, the failure to invent a satisfactory name for the period seems overdetermined—a reflection of our sense that the so-called aughts were not all they ought to have been, and were so much less than they promised to be. With its intractable conflicts and its irresolvable crises, its astonishing accomplishments and its devastating failures, the decade just gone by remains unnamed and unclaimed, an orphaned era that no one quite wants to own, or own up to—or, truth be told, to have aught else to do with at all.

Jeff Parker, «Florida Today» & «Cagle Cartoons»
Já Paul Krugman, de um ponto de vista económico e embora ache que deveria ser esquecida, consegue atribuir-lhe um nome e sugere o “Grande Zero”:
Maybe we knew, at some unconscious, instinctive level, that it would be an era best forgotten. Whatever the reason, we got through the first decade of the new millennium without ever agreeing on what to call it. […]
But from an economic point of view, I’d suggest that we call the decade past the Big Zero. It was a decade in which nothing good happened, and none of the optimistic things we were supposed to believe turned out to be true. […]
David Ignatius, no Washington Post, escreve que o mundo se repete; as últimas notícias do ano são semelhantes ao início da década: ataques terroristas abordo de aviões, ataques a campos de treino da al-Qaida, problemas com o programa nuclear iraniano, apesar de quase uma década a tentar resolver esta questão.
O New York Times apresenta dez anos em fotografias enviadas pelos seus leitores de todo o mundo. Apresenta também uma fotobiografia do ano que termina; a primeira é destinada ao acontecimento político do ano: a nomeação de Barack Obama como Presidente dos EUA. A Foreign Policy apresenta o ano de 2009 através das gaffes de Silvio Berlusconi.

Steve Breen, «The San Diego Union-Tribune»
David Rothkopf nomeia os vencedores e perdedores da década: entre os muitos perdedores estão o povo do Iraque, Afeganistão e Paquistão, o dólar, o capitalismo americano, a democracia, a União Europeia, Tony Blair, Silvio Berlusconi, Robert Mugabe. Entre os vencedores os BRIC (Rússia, China, Índia e Brasil), Osama bin Laden, os Verdes, Hugo Chávez, Barack Obama, J.K. Rowling e o Google. Destaca ainda a superclasse — os executivos — e o próximo Marx, seja ele lá quem for.

Nate Beeler, «The Washington Examiner»
Reconstruir Gaza

Luojie, «China Daily»
Robert Naiman na Truthout e na Just Foreign Policy escreve sobre a Marcha pela Liberdade em Gaza, para assinalar a invasão israelita de Janeiro, e dos esforços do governo egípcio para impedir que activistas de todo o mundo possam aproximar-se da fronteira este país e Gaza. Ao mesmo tempo assinala que a imprensa internacional praticamente ignorou a realização desta marcha.
No The Guardian, Jimmy Carter assina um artigo de opinião sobre Gaza, “Gaza must be rebuilt now”:
[…] I have discussed ways to assist the citizens of Gaza with a number of Arab and European leaders and their common response is that the Israeli blockade makes any assistance impossible. Donors point out that they have provided enormous aid funds to build schools, hospitals and factories, only to see them destroyed in a few hours by precision bombs and missiles. Without international guarantees, why risk similar losses in the future?
It is time to face the fact that, for the past 30 years, no one nation has been able or willing to break the impasse and induce the disputing parties to comply with international law. We cannot wait any longer. Israel has long argued that it cannot negotiate with terrorists, yet has had an entire year without terrorism and still could not negotiate. President Obama has promised active involvement of the US government, but no formal peace talks have begun and no comprehensive framework for peace has been proposed. Individually and collectively, the world powers must act.
[…] Without ascribing blame to any of the disputing parties, the Quartet also should begin rebuilding Gaza by organising relief efforts under the supervision of an active special envoy, overseeing a ceasefire between Israel and Hamas, and mediating an opening of the crossings. The cries of homeless and freezing people demand immediate relief.
Um governo em colapso

Petar Pismestrovic, «Kleine Zeitung»
Segundo a The Economist, a recente onda de repressão no Irão é um sinal de que o governo e todo um sistema começa a temer pelo seu futuro e que as divisões no interior do clero são cada vez mais profundas; para a Economist a repressão apenas parece fortalecer a oposição. Por outro lado, o Irão vê-se cada vez mais isolado internacionalmente; mesmo os seus “pragmáticos aliados”, como a Rússia e a China, vêem com algum receio que os seus negócios com o regime iraniano podem ser comprometidos pela actual situação.
Ulrike Putz, na Der Spiegel, parece compartilhar a mesma opinião; as recentes manifestações em Teerão e outras cidades colocaram o governo na defensiva e ao quebrar o tradicional cessar-fogo em dias religiosos, o regime enfureceu muitos conservadores fornecendo aos opositores uma oportunidade para continuar a forçar o regime, através de mais manifestações, a adoptar reformas.

Pat Bagley, «Salt Lake Tribune»
No seu editorial de 29 de Dezembro, o Los Angeles Times, escrevia que a repressão, a morte do sobrinho do líder da oposição, Mir-Hossein Mousavi, a prisão de vários dirigentes, mostram um governo com medo de perder o controlo:
[…] Throughout the past six months, the Islamic government has used seemingly measured force and surgical arrests to try to put down the protests without fueling more opposition. But the protests are not dying out. […] The opposition appears to have grown into a politically and geographically diverse grass-roots uprising. Its challenge of the election results has expanded into a challenge to the very legitimacy of the Islamic government.
Against that backdrop, Habibi-Mousavi’s death, along with the killing of at least seven other protesters, seems a sign of increasing desperation on the part of government forces. Until now, the Ashura holiday was sacrosanct, a day for peace, not violence; as another former presidential candidate, Mehdi Karroubi, noted, even the deposed Shah Mohammed Reza Pahlavi had respected it. […] Those are the acts of a government tightening its grasp for fear of losing its grip altogether. President Obama condemned “the violent and unjust suppression” and called on Iran to abide by international human rights obligations. Indeed, by refusing to respect the rights of the opposition, the Iranian regime courts civil war.
O Ayatollah Mohsen Kadivar em entrevista à Der Spiegel, afirma que está convencido que o regime iraniano irá cair:
[T]he Shiite theocracy in its present form has failed — a fact that few have expressed as clearly as my teacher in the last few months. Incidentally, when Grand Ayatollah Montazeri had his falling out with Khomeini, three months before the supreme religious leader’s death in 1989, he said: This state is so different from the one we dreamed of and worked to create. Still, it is not Islam which has failed, but rather a particular interpretation of Islam. I also want to express that there hasn’t been a revolution in Iran yet. The opposition is becoming increasingly clear in the formulation of its objectives and more daring. Still, we need to remain patient. I do not know when, exactly, but I am convinced that the regime will collapse.

Mike Luckovich, «The Atlanta Journal-Constitution»
O factor Farouk

Nick Anderson, «Houston Chronicle»
O Presidente Barack Obama descreveu ontem a falha dos sistemas de informação e segurança em impedir Umar Farouk Abdulmutallab de embarcar no voo 253 da Northwest Airlines, com destino Detroit, como “totalmente inaceitável”. Numa comunicado feito a partir do Havai, onde está de férias com a família, o Presidente descreveu o atentado terrorista como “uma falha sistémica”.
O Presidente Obama fez a sua declaração após membros do governo americano terem dito ao New York Times que os EUA sabiam que “um nigeriano” estava a planear um ataque, mas que os serviços de segurança e informação não cruzaram as informações obtidas, algo que poderia ter permitido impedir Abdulmutallab de embarcar. Como em 2001, a falha na partilha de informações entre as várias agências de espionagem e informação estão na base de mais esta falha de segurança.
Entretanto mais informações sobre Umar Farouk Abdulmutallab têm vindo a surgir. O Washington Post refere que Abdulmutallab se referia a si próprio, na Internet, como um solitário e deprimido. Steve Coll, na New Yorker, escreve que mesmo pelos padrões da blogosfera (seja lá o que isso for), não há muita informação sobre o Farouk Abdulmutallab e recorre a uma biografia deste no jornal nigeriano This Day para tentar perceber o que pode ter estado na origem do acto deste jovem nigeriano.

Ed Gamble, «Florida Times Union»
Andrew Rettman, no EUobserver, escreve sobre as medidas de segurança nos aeroportos após o atentado frustrado e, em especial, sobre os atrasos que provocaram a introdução dessas mesmas medidas. Rettman escreve também sobre a nova “polémica de segurança”: os “scanners” corporais nos voos para os EUA. Estes utilizam raios-X ou microondas para produzirem imagens que permitem ver qualquer objecto escondido mas ao mesmo tempo revelam as “curvas intimas” dos passageiros aos seguranças. O governo holandês já declarou que todos os procedimentos de segurança foram cumpridos no mais recente ataque da al-Qaida e que em breve vão utilizar “scanners” corporais em todos os voos para os EUA. Mas na Alemanha, como se escreve na Der Spiegel, o assunto está a gerar grande controvérsia, assim como nos EUA.

Joe Heller, «Green Bay Press-Gazette»
Juan Cole no Informed Comment, refuta as críticas feitas pelos Republicanos a Barack Obama. Robert Scheer, na Truthdig, escreve que não há nenhuma “guerra contra o terror”; todo o sistema de segurança construído após o 11 de Setembro falhou e que o complexo militar dos EUA estão é equipados para combater uma super potência que já não existe e não “roupa interior”. Eugene Robinson escreve que desta vez “tivemos sorte”.
Seis meses após o Cairo

Petar Pismestrovic, «Kleine Zeitung»
Seis meses após o discurso de Barack Obama no Cairo, os jovens no Médio Oriente começam a perder a confiança na administração americana o que não é uma boa notícia para o desejo do Presidente americano de iniciar uma nova era no relacionamento com as comunidades muçulmanas. De Marraquexe a Teerão, dois em cada três habitantes do Médio Oriente têm menos de 30 anos e, como escreve Andrew Albertson na Foreign Policy, o futuro das relações dos EUA com o mundo muçulmano está nas mãos destes jovens:
[…] Across the Middle East, Obama elicited surprisingly positive responses in public opinion surveys early in his administration, and Middle Eastern youth were particularly receptive. They saw in his identity as much as in his words the hope of change.
By now, however, disappointment is beginning to set in. The president’s inability to rein in Israeli settlements in the months since the Cairo speech is one chief complaint. But there’s more. In that message, pointedly directed at the region’s people and not just their governments, Obama also raised four key “human dignity” issues: democracy, religious freedom, women’s rights, and development. Since then, the administration has done almost nothing to back those words up with actions, a fact that has not gone unnoticed.
To be fair, the United States faces an uphill battle. Authoritarian leaders from Morocco to Tunisia to Jordan, each bent on staying in power indefinitely, have worked diligently to close down rallies, civic organizations, and any hint of political space in recent years. […]
Unfortunately, rather than standing up to such authoritarians to try to reverse the tides, Obama seems to be caving to pressure. Strongman leaders such as Egypt’s Hosni Mubarak and Iran’s Mahmoud Ahmadinejad bet that, because of their importance to U.S. diplomatic goals in the region, they could pressure the White House to reduce its support for civil society groups in their respective countries.
[…] My conversations with young activists in the region continue to give me hope that the Obama administration has a unique opportunity to shift perceptions of the United States among youth in the Middle East. But doing so will require effective new initiatives on the goals the president raised in his Cairo speech, including democracy, religious freedom, women’s rights, and development. And it will require sustained efforts to listen and respond to the region’s people — not just their governments.

Chan Lowe, «Sun-Sentinel»
Gaza um ano depois

Paresh Nath, «The Khaleej Times»
O cessar-fogo pode ter sido conseguido e mantido, mas um ano depois do confronto militar em Gaza a vida no território não melhorou. O bloqueio de Israel tem impedido a reconstrução deste território e os esforços por parte do governo do Egipto em impedir o contrabando por túneis a partir do seu país só têm ajudado a piorar as condições de vida dos palestinianos de Gaza, como escreve Tim McGirk na Time:
One year after Israel launched its three-week offensive in Gaza that killed more than 1,300 Palestinians and damaged or destroyed more than 50,000 homes in a campaign aimed at stopping Hamas rocket fire, the survivors are still living in rubble. And it is not for want of money that thousands of residents of the coastal enclave remain homeless this winter. Moved by the plight of Gaza’s 1.5 million Palestinians who were already reeling from a 2½-year economic siege imposed by Israel with help from Egypt and the U.S. even before Israel’s air-and-ground assault had begun, international donors earlier this year pledged more than $4.5 billion to repair war damages. But that aid has failed to reach Gaza, according to Palestinians and relief agencies who accuse Israel of imposing Kafkaesque rules that bar from entry vital reconstruction materials and items as innocuous as glass, most schoolbooks, honey and family-size tubs of margarine. […]

Emad Hajjaj, «Al-Ghad Newspaper»
E numa época em que muitos celebram o nascimento de um palestiniano – no Think Progress, Zaid Jilani escreve que Belém é uma cidade “sitiada” –, na Newsweek Christopher Dickey pergunta o que faria Jesus em Gaza?
[G]iven that it’s Barack Obama who’s president of the United States, the Jesus question has a relevance today it wouldn’t have had even a year ago. No, Obama is not the messiah. I’m not saying that. But Obama actually uses the word love in a way that Jesus would have understood. So while the question of what Christ might do in today’s Holy Land is hypothetical, the question of what Obama will do is not. And some of his most cherished ideas about peace, love, and understanding could be put to the test Dec. 31 when activists are hoping to stage a massive Gaza Freedom March.
[…] No, I don’t know what Jesus would do, but I know what Obama should do. He can embrace the most important finding of the Goldstone report, which is essentially a call for Israel and Hamas to embrace a process of truth and reconciliation similar to the process that helped to heal the wounds of apartheid. (Thus far, the State Department has been claiming the report is actually an obstacle to peace.) And Obama should use his moral authority, while there’s some left, to open the way for peaceful protest in Gaza, instead of allowing Israel and Egypt to shut it down. When the president visited a Boys and Girls Club in snowy Washington the other day, he told the kids that what the birth of baby Jesus “symbolizes for people all around the world is the possibility of peace and people treating each other with respect.” It’s time Obama worked harder to apply that principle in the part of the world where Baby Jesus was born.

Cardow, «The Ottawa Citizen»
O universo conhecido
“The Known Universe” leva-nos desde os Himalaias, através de nossa atmosfera, para o espaço até à “luz” do Big Bang. Tudo o que é visto neste filme e com este grau de detalhe, é possível graças ao mais completo mapa a quatro dimensões do universo, o “Digital Universe Atlas”, que é mantido e actualizado pelos astrofísicos do Museu Americano de História Natural. Este filme, criado pelo museu, é parte de uma exposição, “Visions of the Cosmos: From the Milky Ocean to an Evolving Universe”, no Rubin Museum of Art.
Controlar os bancos

Olle Johansson
Londres lidera a batalha contra os exagerados bónus atribuídos pelos bancos aos seus gestores e líderes de todo o mundo discutem, agora, formas de acabar com as práticas dos bancos que provocaram a actual crise financeira. Como escreve a Der Spiegel, consideram ao mesmo tempo formas dos bancos compensarem os danos que provocaram:
[…] In the CBS interview, Obama angrily addressed the bankers, saying: “You guys are drawing down $10 (million), $20 million bonuses after America went through the worst economic year that it’s gone through in decades, and you guys caused the problem.”
It is the high salaries, in particular, that draw the rage of politicians and citizens alike. And they have precipitated a global debate about how a stop can be put to the way bankers operate. How can they be forced to assume fewer risks? And how the people that caused the crisis be forced to bear more of its costs?
Still, all of the efforts that politicians have made to regulate the financial markets at the international level haven’t borne much fruit. Now, Great Britain, of all places, is surging ahead with a special tax of 50 percent. And there’s no doubt that it has something to do with the fact that Prime Minister Gordon Brown might be ushered out of office by elections scheduled for early next year. Soon after Brown’s announcement, French President Nicolas Sarkozy got on the bandwagon and annnounced that his country would follow the British example.
This push for reform is just as contested as all the other proposals. These include a tax on transactions (which Merkel favors) and a kind of obligatory insurance on risky deals. If they ever really got past the drawing board, these kinds of instruments could transform the entire financial industry. […]

Rob Rogers, «Pittsburgh Post-Gazette»
Liu Xiaobo

Signe Wilkinson, «Philadelphia Daily News»
Há cerca de um ano, o intelectual chinês Liu Xiaobo ajudou a organizar uma petição conhecida por “Carta 08”, que pedia mais abertura e liberdade de expressão na China. A “Carta 08” conseguiu atrair a atenção do mundo.
A 25 Dezembro de 2009, Liu Xiaobo foi condenado a onze anos de prisão por “subversão”. A sentença foi proferida dois dias depois do julgamento de Liu, que durou três horas. Liu passou o ultimo ano detido e o seu advogado, apesar de planear recorrer da decisão, tem pouca esperança que a sentença seja revogada. Liu Xiaobo teve muita atenção internacional — em Março de 2008 recebeu o prémio Homo Homini de 2007– e o julgamento deste bastante criticado por todos, principalmente por organizações que defendem os direitos Humanos, como a Human Rights Watch.
De uma forma geral, activistas e críticos do regime chinês têm recebido penas bastante mais leves e menos visíveis do que a de Liu Xiaobo. A maior parte destas forma detenções por alguns dias ou apenas ficarem sem passaporte, como foi o caso do ambientalista Yu Xiaogang que recebeu o Goldman Environmental Prize em 2008.

Manny Francisco, «The Manila Times»
John Kamm, fundador da Fundação Dui Hua que defende os direitos Humanos e a libertação dos prisioneiros políticos chineses, disse ao New York Times que o julgamento de Liu Xiaobo é um sinal que o governo chinês quer dar um exemplo e está mais confiante na sua capacidade em desafiar as pressões internacionais e vencer:
[…] “Many people see this trial as a tipping point,” said John Kamm, the founder of the Dui Hua Foundation, a group that advocates for human rights and works behind the scenes to free Chinese political prisoners. “The government seems to be getting tougher and more unyielding.”
During the past year, the government has tightened restrictions on access to the Internet, suppressed the country’s small band of public advocacy lawyers and jailed activists who blamed poor school construction for the deaths of thousands of children during the 2008 Sichuan earthquake.
Legal scholars say they worry that top party leaders seem less amenable to building an impartial legal system and allowing people to exercise the political rights in China’s Constitution, which could mean that intellectuals and civic groups have less room to operate.
Nas ruas de Teerão
Depois da morte de Hoseyn Ali Montazeri os conflitos entre a oposição e o regime do Irão intensificaram-se e alguns membros de relevo da oposição já foram detidos, entre os quais o principal líder da oposição e antigo candidato presidencial, Mir Hossein Mousavi. Cerca de oito pessoas terão morrido, entre os quais o sobrinho de Mousavi, nos mais violentos confrontos desde há meses. A comunidade internacional já condenou a violência das forças policiais iranianas e Angela Merkel classificou-a de “inaceitável” e exige que o Irão cumpra com os seus deveres internacionais de respeito pelos direitos cívicos e políticos, em especial a liberdade de expressão.

Rainer Hachfeld, «Neues Deutschland»
O Tehran Bureau afirma que a imprensa iraniana é um espelho da retórica radical do regime e que os manifestantes nas rua respondem com tudo que têm à mão. Comentadores dizem que o governo também mostra sinais que tudo fará tudo para impedir qualquer tipo de manifestação, mesmo matar pessoas no feriado religioso xiita da Ashura, algo que nenhum Xá tinha ousado fazer. O antigo Presidente Mohamed Khatami foi atacado no interior de uma mesquita frequentada pelo Ayatollah Khomeini e há dezenas de imagens e vídeos na Internet que mostram a violência policial contra os manifestantes, inclusive mulheres. Neste contexto não serão de admirar os rumores que circulam de elementos das forças policiais que se recusem a cooperar com o regime, como escreve o New York Times:
[…] There were scattered reports of police officers surrendering, or refusing to fight. Several videos posted on the Internet show officers holding up their helmets and walking away from the melee, as protesters pat them on the back in appreciation. In one photograph, a police officer can be seen holding his arms up and wearing a bright green headband, the signature color of the opposition movement.
The Tehran police denied firing on protesters and in an official statement late Sunday said five people had been killed “in suspicious ways.”

Yaakov Kirschen, «The Jerusalem Post» & «Dry Bones»
O “Holandês Voador”

John Darkow, «Columbia Daily Tribune»
Umar Farouk Abdulmutallab, é o nigeriano de 23 anos que tentou derrubar o voo 253 da Northwest Airlines, que partiu de Amesterdão com destino a Detroit, com tetranitrato de pentaeritritol (PETN) — segundo especialistas um explosivo que pode provocar grandes danos — que transportava na sua roupa interior. Embora tenha colocado mais uma vez os aeroportos em “estado de sítio”, colocado em causa todos os sistemas de segurança e obrigando a novas medidas de segurança não é ele, actualmente, de quem se fala nos media dos EUA sobre o voo 253. Este papel pertence a Jasper Schuringa, um cineasta holandês de 32 anos, a quem já chamam “Flying Dutchman” (“Holandês Voador”) e que foi o responsável por impedir Umar Farouk Abdulmutallab de cumprir o seu destino. Como seria de esperar, os tablóides estão “apaixonados” por Schuringa.
Enquanto o Presidente Barack Obama promete encontrar os responsáveis pelo atentado frustrado, Bruce Schneier, um especialista em segurança, resume bem o que se passou no voo 253:
Only two things have made flying safer [since 9/11]: the reinforcement of cockpit doors, and the fact that passengers know now to resist hijackers.

Mike Keefe, «USA Today»
Na Índia é o assunto…

Narain Dutt Tiwari (à esquerda na foto), de 86 anos, governador de um estado do sul da Índia e membro do Congresso Nacional Indiano, demitiu-se das suas funções após um canal de televisão ter divulgado um vídeo onde alegadamente o Sr. Tiwari aparece na cama com três mulheres.
Embora aqui na Europa possa parecer um caso de pouca importância e que passe despercebido, o assunto teve repercussões graves na Índia, um país onde o equilíbrio político é sempre complicado. Após a sua demissão o Sr. Tiwari acusou a existência de um “conspiração” contra ele e afirmou que as acusações são falsas. Entretanto grupos de activistas dos direitos das mulheres queimaram a sua imagem em público e foram um dos grupos que mais exigiu a demissão de Narain Dutt Tiwari.
E-books pelo Natal

Cristobal Reinoso (Argentina)
Livros são sempre uma boa escolha para um presente de Natal, ou em qualquer altura. Mas como sinal desta nova era digital, pela primeira vez este ano, a Amazon vendeu mais e-books para o Kindle do que livros em papel. O comunicado da Amazon refere que o Kindle foi o presente de natal mais oferecido através desta empresa online, e não os e-books, mas como escreve Charlie Sorrel na Wired, quem recebe um Kindle naturalmente comprará (ou faz parte do presente) livros; ou seja, os e-books neste Natal estiveram na moda, pelo menos nos EUA, e definitivamente são um produto que veio para ficar.
As mulheres e a guerra

Mohsen Nouri Najafi
A fotografa Marissa Roth, no Los Angeles Times, escreve sobre a vida de mulheres que sobreviveram a conflitos armados, desde a Segunda Guerra Mundial ao Afeganistão e aos Balcãs. O resultado do seu trabalho em dez países será reunido no livro “One Person Crying: Women and War”:
[…] My experiences in Pakistan inspired me to continue photographing other women affected by other wars, a photo essay that has turned into a 20-year personal project dedicated to documenting the lives of women who have been directly affected by armed conflicts.
Men traditionally fight the wars. But it is the women who are left behind to pick up the pieces.
Ciberguerra

Frederick Deligne
Activistas de todos os quadrantes políticos encaram cada vez mais, e usam de uma forma mais agressiva, as potencialidades oferecidas pela Internet e, em especial, as redes sociais. O segundo ataque que o Twitter sofreu esta terça-feira por um grupo que se auto-intitula Iranian Cyber Army mostra bem este facto. Este grupo conseguiu com sucesso redireccionar o tráfico deste site para um um outro que continha propaganda anti-americana. O grupo também reivindicou os ataques que ocorreram em vários sites de grupos de oposição iraniana.
Especialistas em segurança militar afirmam que os ciber-ataques no Twitter e outras redes sociais representam um novo tipo de guerra na qual instituições financeiras, companhias eléctricas e redes de computadores podem ser um alvo, como escreve Michael B. Farrell no The Christian Science Monitor:
[…] “By selecting Twitter as a target and taking out high-profile anti-government sites at the same time, the Iranian government is being as clear as it possibly can that this war will also be fought on the web,” Cubrilovic wrote. “In a web war, Iran has demonstrated that almost nobody is immune, the battlefield is level and it is not afraid to fire the first big shots in full view of the entire world.” […]
Um novo símbolo no Irão

Robert Ariail, «The State»
O Ayatollah Hossein Ali Montazeri era um acólito – um líder da revolução de 1979 que uma vez foi designado sucessor do Ayatollah Ruhollah Khomeini — e ajudou a elaborar constituição islâmica do Irão. Mas era ao mesmo um dos maiores críticos do regime pela sua forma de consolidação de poder e da supressão das liberdades civis e dos direitos das mulheres. Nos meses seguintes às eleições naquele país, o Ayatollah Montazeriar afirmava que o actual governo tinha perdido a legitimidade e acusou a milícia Basij de seguir o “caminho de Satanás”. Considerado o mais sábio estudioso do Islão entre todos os clérigos do Irão, Montazeri foi sempre protegido de represálias por parte do regime.
O seu funeral foi mais um pretexto para a oposição manifestar-se contra o regime do Presidente de Mahmud Ahmadinejad e violentos confrontos com a polícia verificaram-se na cidade sagrada de Qum e em Najafabad, cidade natal de Hossein Ali Montazeri. Como escreve Juan Cole, no Informed Comment, o clima de contestação ao regime iraniano continuou durante esta semana tendo ocorrido vários confrontos com a polícia.

Petar Pismestrovic, «Kleine Zeitung»
Robin Wright, na Time, escreve que a oposição do Irão perdeu um mentor, mas ganhou um “mártir”:
[…] With his passing, the Green movement loses a spiritual mentor. “His death is certainly a blow to the opposition, but it shouldn’t dramatically affect their fortunes,” said Sadjadpour. “It could also prove a catalyst for more protests, especially given the fact that he died during Muharram [a Shi’ite holy month that celebrates martyrdom].” Montazeri is to be buried Monday, and mourned a week later in a ritual that coincides with Ashura — the holiest Shi’ite day of mourning marking the martyrdom of Hossein, grandson of the prophet Mohammed’s grandson, in the fight against injustice. Montazeri’s passing will also be commemorated on eleventh and fortieth days after his death, each day of mourning marking an emotional opportunity for his opposition supporters to rally.
“What made Montazeri unique was his integrity,” said Sadjadpour. “Despite the power and wealth that many of Iran’s political clerics have amassed, very few of them will die like Montazeri, revered by the public and with their integrity intact.”
Na The New Republic, Abbas Milani escreve sobre a vida e o percurso de Hossein Ali Montazeri.
Em busca do tempo perdido

Aislin, «The Montreal Gazette»
Bryan Walsh na Time escreve que apesar de Copenhaga sido um desastre foi também um hino à discórdia. Fora da cimeira foram os motins onde a polícia dinamarquesa teve de entrar em choque com milhares de manifestantes que exigem uma acção imediata por parte dos governos do mundo. No interior, os governos do mundo dividiam-se entre ricos e pobres enquanto as duas grandes economias, os EUA e a China trocavam “diferendos”. No fim, tudo o que era produzido era um acordo provisório que mal vale esse nome e o próprio arquitecto do mesmo, o Presidente Barack Obama, foi obrigado a admitir que não era suficiente e que ainda há um longo caminho a percorrer. Nas cinco conclusões que Walsh escreve, refere que a China é factor decisivo em qualquer futuro acordo, que o mundo, ao menos, consegue acordos para salvar as florestas e que, mesmo falhando, Copenhaga será um marco na política internacional e que a era da diplomacia entra na sua “idade adulta”.

Paresh Nath, «The Khaleej Times»
Era da diplomacia ou não, o facto é que quando 192 países se reúnem e nada (ou quase) acontece, alguém terá que ter a culpa — algué tem que responder pelo “clube de perdedores”, como escreve Christoph Seidler. Gordon Brown e o governo britânico já têm um, a China, e o ministro da Energia, Ed Miliband, escreve-o no The Guardian, onde também acusa o Sudão, a Bolívia, Cuba, Nicarágua e a Venezuela de terem bloqueado um acordo. Das acusações britânicas, os EUA saem ilibados.
Markus Becker, na Der Spiegel, chama “desastre” à cimeira e aponta a politica negocial da China e dos EUA como principais responsáveis deste “desastre”. Também na Spiegel, Christian Schwägerl, escreve que os EUA, a China, a UE, o G8 são todos igualmente responsáveis por Copenhaga ter falhado e, acima de tudo, de terem destruído um recurso vital do mundo: a confiança.

Petar Pismestrovic, «Kleine Zeitung»
Em jeito de resumo de uma “cimeira perdida”, escreve George Monbiot no The Guardian:
First they put the planet in square brackets, now they have deleted it from the text. At the end it was no longer about saving the biosphere: it was just a matter of saving face. As the talks melted down, everything that might have made a new treaty worthwhile was scratched out. Any deal would do, as long as the negotiators could pretend they have achieved something. A clearer and less destructive treaty than the text that emerged would be a sheaf of blank paper, which every negotiating party solemnly sits down to sign.
[I]mmediate self-interest has trumped the long-term welfare of humankind. Corporate profits and political expediency have proved more urgent considerations than either the natural world or human civilisation. Our political systems are incapable of discharging the main function of government: to protect us from each other.
Goodbye Africa, goodbye south Asia; goodbye glaciers and sea ice, coral reefs and rainforest. It was nice knowing you. Not that we really cared. The governments which moved so swiftly to save the banks have bickered and filibustered while the biosphere burns.

Chappatte, «The International Herald Tribune»
“Doutrina” Obama

Paresh Nath, «The Khaleej Times»
Barack Obama admitiu ao receber o prémio Nobel da Paz em suas realizações ainda eram “poucas”. Mas ao mesmo tempo o Presidente americano tem grandes planos, que incluem a assinatura de um novo tratado de redução de armas nucleares com a Rússia e, finalmente, livrar o mundo por completo de todas as armas atómicas. Senhor de uma capacidade de retórica admirável, em Oslo Barack Obama proferiu um discurso profundo e, ao mesmo tempo, provocante; um discurso de guerra e paz. O historiador Simon Schama, no Financial Times, escreveu que o Presidente esteve ao nível de Cícero; para outros. Tom Heneghan no FaithWorld, escreveu que o discurso de Oslo foi um eco de Reinhold Niebuhr, um teólogo com uma visão sombria da natureza humana. David Brooks no New York Times já teria escrito algo semelhante.

Ed Stein
A The Economist escreve que a actual “obsessão” de todos os comentadores é descobrir se o discurso de Oslo reflecte a “doutrina Obama” em política internacional e, nesse caso, qual é essa “doutrina”?
[…] Mr Obama has never claimed to be a pacifist. Yet his critics on the right seemed surprised, pleasantly, when he said in Oslo that “there will be times when nations—acting individually or in concert—will find the use of force not only necessary but morally justified.” […]
A presidential “doctrine”, however, needs to say more than that America will sometimes have to fight, and sometimes alone. The question is: when? If Mr Bush had a doctrine it was his belief in pre-emptive war, enunciated in the National Security Strategy of 2002 and enacted in Iraq the next year. Does Mr Obama, who opposed that war, accept the idea of pre-emption in any circumstances? Here the Oslo speech was vague. […]
Sometimes Mr Obama is accused of soft-headed idealism (eg, for extending a tentative hand to Iran and North Korea’s Kim Jong Il, to whom he passed a letter last week), and sometimes of a hard-hearted realism that pays too little heed to human rights. When Iran cracked down on pro-democracy protesters in June, he muted his criticism for fear of disrupting the nuclear talks. His administration has made less fuss than some about human rights in China. […]
So is this a distinctive Obama doctrine? Mr Bush’s officials also talked to North Korea and Iran, and got along well enough with China and Russia. What makes Mr Obama most different so far, argues Peter Beinart of the New America Foundation, a think-tank, is his conviction that an economically stricken America needs to pare down its foreign commitments.
When Mr Obama said at West Point at the beginning of December that he was sending 30,000 more troops to Afghanistan, he also said that he refused to set goals “that go beyond our responsibility, our means, or our interests”. By definition, a superpower has to sally forth into the world. Arguably, Mr Obama’s main new idea, much easier to say than to achieve, is that it should also live within its means.

RJ Matson, «Roll Call»
A pretensão da verdade

Clay Bennett, «Chattanooga Times Free Press»
“Tendo estudado a sabedoria em livros traduzidos do grego, do chinês ou do sânscrito, tenho uma certa desvantagem em relação aos ignorantes que só aprenderam em jornais desportivos ou revistas de moda. Quando enfrento um assunto difícil cuja elucidação requer anos de reflexão, sinto-me intimidado com a consciência da minha insuficiência, que me trava os impulsos no momento em que eles, impelidos pelo propulsor da sua ignorância, estão seguros de ter encontrado, ainda antes de ter procurado. Como posso fazê-los compreender que tenho razão em não proclamar que a tenho, antes de dedicar tempo a demonstrar-lhes que estão errados? Não, eles não desistem. De resto, as minhas hesitações atraiçoam-me. A verdade é uma flecha que vai direita ao alvo. Os escrúpulos intelectuais são tremuras do espírito. Se visar mal, como posso atingir o alvo?
Apercebemo-nos de que a ignorância não exclui a firmeza de opinião. Existe até uma cumplicidade objectiva entre elas. Quanto menos sabem, mais ostentam, diz o profeta. A indigência intelectual tira partido do seu pretenso parentesco com a Verdade. Contudo, é preciso ser ingénuo para pensar que o saber liberta o espírito dessa lei de gravitação que faz com que todo o pensamento orbite em torno da Verdade. Quanto mais sabem, mais ostentam, diz também o profeta, desta vez nos dias ímpares. Ter razão é a pretensão mais universal e, provavelmente, a mais antiga.”
Georges Picard, in «Pequeno Tratado para Uso Daqueles que Querem Ter Sempre Razão»
Chase Whiteside e Erick Stoll, do New Left Media, numa entrevista de rua durante uma apresentação pública do livro de Sarah Palin, a actual rock star do movimento conservador americano, segundo um dos entrevistados.
Polémicas vazias
Pelo facto do Presidente da República não ter comentado o diploma que vai permitir o casamento entre pessoas do mesmo sexo e ter dito que o está realmente a preocupar é a situação económica do país e, em especial, o desemprego, está a ser acusado de contribuir para a dramatização da vida nacional e de pôr em causa as condições de estabilidade política. Não sei em quê, ninguém precisa do Sr. Presidente para perceber que a situação é dramática. O problema do casamento entre pessoas do mesmo sexo, e muito bem, foi (quase) resolvido; a situação económica, a falta de emprego e a constante diminuição do mesmo é que ninguém parece saber como vão ser resolvidos.

“Controversy”
Michael Kountouris, «Politicalcartoons.com»
O “acordo” de Copenhaga

Hajo de Reijger
Era uma das intervenções mais aguardadas de ontem em Copenhaga, e o hábil orador Barack Obama mostrou os seus créditos:
[…] The question is whether we will move forward together, or split apart. This is not a perfect agreement, and no country would get everything that it wants. There are those developing countries that want aid with no strings attached, and who think that the most advanced nations should pay a higher price. And there are those advanced nations who think that developing countries cannot absorb this assistance, or that the world’s fastest-growing emitters should bear a greater share of the burden.
We know the fault lines because we’ve been imprisoned by them for years. But here is the bottom line: we can embrace this accord, take a substantial step forward, and continue to refine it and build upon its foundation. We can do that, and everyone who is in this room will be a part of an historic endeavor – one that makes life better for our children and grandchildren.
[…] There is no time to waste. America has made our choice. We have charted our course, we have made our commitments, and we will do what we say. Now, I believe that it’s time for the nations and people of the world to come together behind a common purpose.
Mas foi um frustrado Barack Obama que se dirigiu aos delegados presentes na cimeira de Copenhaga e que apelou a que se chegasse a um acordo, mesmo que fosse “imperfeito”, embora não tenha feito novas promessas sobre cortes de emissões; “Nenhum país vai conseguir tudo que quer”, afirmaria o Presidente americano.

Paresh Nath, «The Khaleej Times»
A frase do dia pertencerá ao Presidente Lula da Silva: “…não sei se algum anjo ou algum sábio descerá neste plenário e irá colocar na nossa cabeça a inteligência que nos faltou até a hora de agora. Não sei”. E como o Presidente brasileiro é um homem que acredita em milagres, Copenhaga deu-lhe um, embora pequeno. Depois de alguns encontros, principalmente o do Presidente Obama com o primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, foi anunciado pelo Presidente Obama que um acordo entre os EUA, Brasil, China, Índia e a África do Sul tinha sido conseguido.
Depois de muitos acordos provisórios que foram discutido, o acordo entre os “cinco” fixa em 2ºC o limite de aumento da temperatura até 2050, o que implicará fortes reduções nas emissões; mas não estabelece qualquer prazo para a adopção de um novo tratado climático legalmente vinculativo e deixa em aberto o esforço de redução do mundo desenvolvido para o médio prazo. Os EUA comprometem-se com 3,6 mil milhões de dólares (2,4 mil milhões de euros) em ajudas aos países mais vulneráveis até 2012. O “acordo possível” não agrada a ninguém, ou pelo menos, à maior parte dos países e, como escreve Richard Black, o Presidente Obama pode ter um acordo com o Brasil, China, Índia e a África do Sul, mas isso não implica que terá com o resto do mundo.
Os países em desenvolvimento não tiveram os cortes nas emissões ou a ajuda que estavam à espera. Nem se comprometeram a um acordo vinculativo ou a verificação externa que os países desenvolvidos queriam; este ponto inclui a China, que é de uma forma absurda, colocada na mesma categoria de países da Polinésia, no acordo final. E, talvez o ponto mais desfavorável, não há grande esperança para um acordo vinculativo em 2010.

Chappatte, «The International Herald Tribune»
O editorial do The Guardian resume bem o que foi Copenhaga:
Like businessmen who insist a deal is legit, politicians protesting they have done something “meaningful” arouse suspicions that the opposite is in fact true. And “meaningful” was about the best word the spin doctors could muster in respect of the agreement of sorts that was brokered in Copenhagen late last night.
The climate change summit had three big tickets on its agenda: emissions, financial assistance and the process going ahead. And on each of these counts the accord – which was effectively hammered out not by the whole conference, but rather by the US, India, China and South Africa – fell woefully short. There was no serious cementing of the positive noises on aid that had emerged earlier on in the week. On emissions, a clear-eyed vision for the distant future was rendered a pipe dream by outright fuzziness about the near term. And most alarmingly of all, there was no clear procedural roadmap to deliver the world from the impasse that this summit has landed it in. Outright failure to agree anything at all would have been very much worse, but that is about the best thing that can be said. […]

David Horsey, «Seattle Post-Intelligencer»
Último dia…

Bado, «Le Droit»
Copenhaga é como Genebra e Pittsburgh. Nestas três cidades existiu e existe uma tentativa de responder aos desafios do mundo. Em Copenhaga, são as alterações climáticas. Em Genebra, foi o comércio global. Em Pittsburgh, há pouco mais de dois meses atrás, foi a economia global.
Esta série de negociações internacionais não deve nada ao acaso. Cada vez mais, o mundo é uma “aldeia”. O que acontece numa parte do mundo pode influenciar directamente os acontecimentos que ocorrem numa outra. A técnica transformou o mundo, dando ao homem um poder sobre a natureza cujos efeitos começam a ser vistos em todo o mundo, tornando incrivelmente fácil circulação de pessoas, mercadorias, informação e capital. Mas esta aldeia não tem um “Executivo”, apenas “comités de bairro”, fazendo com que as negociações a longo prazo sejam difíceis de atingir.

Petar Pismestrovic, «Kleine Zeitung»
Copenhaga, Genebra e Pittsburgh mostraram a profunda divisão entre ricos e pobres desta “aldeia global”, uma verdadeira “luta de classes” a nível global; os primeiros não querem perder o estatuto, os segundos querem-no. Os primeiros querem ajudar os segundos, mas ninguém se entende na forma, como escreve Naomi Klein na The Nation. E pelo meio é quase impossível decidirem a atingirem objectivos comuns. No penúltimo dia, e com o receio de a cimeira ser um total fracasso – não será total porque se pode atingir um acordo sobre a preservação das florestas -, os esforços diplomáticos aumentaram, como o do Presidente Sarkozy a pedir um acordo, mesmo que seja a manutenção do Protocolo de Kyoto, e Hillary Clinton a propor que os países mais ricos, incluindo os EUA, ajudem os mais pobres com 100 mil milhões de dólares por ano na próxima década, o que é uma alteração da estratégia da administração Obama.
Se vários países, muitos deles africanos, receberam com agrado a proposta apresentada pela Sra. Clinton, os responsáveis chineses parecem pouco entusiasmados com a proposta, dizendo que a proposta americana é pouco clara. Como escreve Christian Schwägerl na Der Spiegel, a falta de acordo entre a China e os EUA foi um dos principais entraves às negociações em Copenhaga. No entanto, a proposta americana e o facto da China ter aceite reformar o sistema de controle de emissões do país e em ajudar financeiramente os países mais pobres, segundo a BBC, faz com que um acordo, “pouco ambicioso”, ainda possa ser conseguido na reunião de líderes em Copenhaga.

Riber Hansson, «Svenska Dagbladet»
“Go Slowly”
Pelas ruas de Vancouver ao som de “Go Slowly” dos Radiohead…
Vodpod videos no longer available.
Vancouver – Testing the Canon 7D, um filme de brandon moza no Vimeo.
Redefinir a Humanidade

Ares, «Cagle Cartoons»
George Monbiot, no The Guardian, escreve que o Homem é uma espécie habituada a expandir as suas fronteiras e a viver sem limites, mas que tem que aprender que a sua sobrevivência depende de aceitar que temos que viver com limites. Para Monbiot a cimeira de Copenhaga é mais do que a discussão sobre o clima; é uma batalha para redefinir a Humanidade na qual temos decidir o que somos e o que queremos ser:
This is the moment at which we turn and face ourselves. Here, in the plastic corridors and crowded stalls, among impenetrable texts and withering procedures, humankind decides what it is and what it will become. It chooses whether to continue living as it has done, until it must make a wasteland of its home, or to stop and redefine itself. This is about much more than climate change. This is about us.
The meeting at Copenhagen confronts us with our primal tragedy. We are the universal ape, equipped with the ingenuity and aggression to bring down prey much larger than itself, break into new lands, roar its defiance of natural constraints. Now we find ourselves hedged in by the consequences of our nature, living meekly on this crowded planet for fear of provoking or damaging others. We have the hearts of lions and live the lives of clerks.
[…] Humanity is no longer split between conservatives and liberals, reactionaries and progressives, though both sides are informed by the older politics. Today the battle lines are drawn between expanders and restrainers; those who believe that there should be no impediments and those who believe that we must live within limits. The vicious battles we have seen so far between greens and climate change deniers, road safety campaigners and speed freaks, real grassroots groups and corporate-sponsored astroturfers are just the beginning. This war will become much uglier as people kick against the limits that decency demands.
[…] But somehow this first great global battle between expanders and restrainers must be won and then the battles that lie beyond it – rising consumption, corporate power, economic growth – must begin. If governments don’t show some resolve on climate change, the expanders will seize on the restrainers’ weakness. They will attack – using the same tactics of denial, obfuscation and appeals to self-interest – the other measures that protect people from each other, or which prevent the world’s ecosystems from being destroyed. There is no end to this fight, no line these people will not cross. They too are aware that this a battle to redefine humanity, and they wish to redefine it as a species even more rapacious than it is today.
Na recta final…
Segundo o New York Times, em Copenhaga pode-se chegar a um acordo que compensará os países que preservem as suas florestas e outras paisagens naturais, como as zonas pantanosas, que desempenham um papel importante na regulação ambiental. Um dos alvos principais é a preservação das florestas tropicais e este acordo pode muito bem ser o que de mais significativo irá resultar de Copenhaga.

Paresh Nath, «The Khaleej Times»
Copenhaga parece ser uma cimeira destinada a falhar, ou pelo menos ficar muito aquém dos seus objectivos iniciais, como escreve a The Economist. Markus Becker e Christoph Seidler, da Der Spiegel, escrevem que a dois dias do fim da cimeira o medo de que esta irá acabar sem nada ter sido conseguido aumenta; os EUA e a China continuam a nada decidir e o fosso que separa os “ricos” dos “pobres” aumenta e pode provocar um impasse total nas negociações
[…] On Wednesday afternoon, according to delegates at the conference, the Danish conference chair is to present the first official draft of the closing statement. But on Tuesday, it was more unclear than ever just how binding the statement might be. The US delegation dashed the hopes of any remaining optimists with its announcement that President Barack Obama would not be improving the American pledge to cut greenhouse gas emissions by 17 percent by 2020 relative to 2005. “I am not anticipating any change in the mitigation commitment,” said chief US delegate Todd Stern on Tuesday afternoon.
The Chinese too are likewise digging in. Referring to his country’s stated emissions reduction targets, China’s climate ambassador Yu Qingtai said “we announced those targets, we don’t intend to put them up for discussion.”
The positions of the US and China could end up being a major problem for the negotiations. Developing and newly developed countries are demanding ever more vehemently that nations in the industrialized world increase the emissions cut targets they have thus far announced. China accused the US and other rich countries of having offered less at the conference this week rather than more. Some representatives, particularly those from island nations threatened directly by climate change, said they would not sign a “suicide pact.” […]

Rob Rogers, «Pittsburgh Post-Gazette»
E com as negociações paradas ou num impasse, nas ruas de Copenhaga outros “participantes” decidiram dar a sua opinião. Mais de 200 pessoas foram detidas ontem, durante uma manifestação às portas do Bella Center, em Copenhaga, onde decorre a cimeira. A polícia dispersou os activistas com gás pimenta e bastões. Outras dezenas foram detidas em vários pontos do centro da cidade.

“The Right to Self-Defense”
Peray, «The Nation»
O teste iraniano

Fares Garabet (Síria)
Com as tensões entre Washington e Teerão a aumentarem, segundo a Reuters, os EUA irão realizar exercícios militares que irão analisar a capacidade de resposta do seu sistema de defesa contra um ataque de mísseis iranianos de longo alcance, como antes tinha acontecido com a Coreia do Norte.
O actual míssil de longo alcance iraniano é o Shahab-3, que pode alcançar 1280 km — pode atingir Israel, mas não os EUA. Mas Teerão parece querer resolver esse problema e testou com sucesso um novo tipo de míssil de longo alcance, o Sajjil-2, que é mais versátil que o Shahab-3 e pode atingir alvos na Europa e bases americanas no Golfo. Como seria de esperar, os líderes ocidentais protestaram e querem endurecer as sanções contra o Irão.
O Congresso dos EUA aprovou, e antes dos testes iranianos, uma nova sanção contra Irão para forçar este país a cumprir com os acordos nucleares internacionais. A nova sanção é dirigida às importações de combustível por parte do Irão; companhias que forneçam combustíveis ao Irão, como gasolina, podem sofrer sanções por parte dos EUA e, possivelmente, os seus aliados, algo que não parece ter incomodado o regime de Teerão que afirma ter múltiplos fornecedores de gasolina.

Steve Greenberg, «Ventura County Star»
As sanções às importações de combustíveisl ao Irão originaram um “duelo” na Foreign Policy. Alireza Nader escreve que só uma solução diplomática pode resolver o diferendo ente os EUA e o Irão; cabe ao Presidente Obama e a todo o seu potencial diplomático encontrar formas de persuadir Teerão a abandonar o seu programa nuclear sem punir o povo iraniano ou reforçar o poder daqueles que o governam, principalmente o Corpo de Guarda Revolucionária Islâmica. Para Nader, este plano e outros semelhantes são os principais responsáveis que dão o impulso às ambições nucleares do Irão e ajudam a oprimir ainda mais o povo iraniano.
Mark Dubowitz e Reuel Marc Gerecht por seu lado, embora reconheçam que o povo iraniano será prejudicado pelas mesmas, nem estas sejam a cura para todos os problemas, escrevem que as sanções são a única resposta possível e que há precedentes anteriores que mostram que até podem ser eficazes; e citam o exemplo da África do Sul, durante o regime do apartheid.
Deixar o “ninho”

Em média, os jovens do norte e do oeste da Europa são os que deixam a casa paternal mais cedo. Muitos factores podem contribuir para este fenómeno. Sociedades mais conservadoras e onde o factor religioso é forte, a média para deixar o lar por parte dos jovens é mais alta. Mas um dos factores que mais contribui para o poder deixar a casa dos pais é o mercado imobiliário: países onde o número de habitação para aluguer é elevado, como é o caso da Alemanha e dos países nórdicos, têm uma média mais baixa para o deixar a casa paternal — algo que explicaria em muito o caso português.

[Fonte: The Economist]
Tragédia grega

Angel Boligan, «El Universal»
Em Bruxelas aumentam as dúvidas sobre a capacidade da Grécia conseguir resolver os seus problemas financeiros em ajuda externa. Wolfgang Reuter na Der Spiegel escreve que se nada for feito, o país arrisca-se a cair numa bancarrota, com consequências imprevisíveis para o euro:
[…] Europe might perhaps be able to afford to let a country go bankrupt, just as the US was able to cope when California went broke. But what if this happens to a number of EU countries? That would trigger what euro skeptics have warned about right from the start: The European common currency would collapse.
But the trouble wouldn’t stop there. When government bonds that have been regarded as a safe investment suddenly become worthless, then the banks start to wobble again, except in this case there would be no more governments strong enough to support them.
Nonetheless, even an isolated Greek bankruptcy would be bad enough, both economically and politically. Greece is already shaken by violent demonstrations, and political unrest could not be ruled out if the country descended into financial chaos.
What should be done to head off this Greek tragedy? The members of the board of the Bundesbank have a clear opinion on this subject. They say that if the country went bankrupt, Europe should under no circumstances come to its aid. Otherwise the Stability and Growth Pact would become nothing more than a historic document, with no relevance for the present or even the future. If help is required from other countries or international institutions, then the IMF should step in, say the bankers. After all, one of the key missions of the fund is to provide this type of aid. […]

“Bankrupt”
Michael Kountouris, «Politicalcartoons.cpm»




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