30 de out. de 2012

afinal
somos todos pedras
sonhando asas

27 de out. de 2012

22 de out. de 2012

a dor molda o poeta feito um oleiro
e o barro se contorce
entre silêncios, palavras e espantos
vaso de terra
que ao sopro mínimo de vento
canta:- nervos expostos
flor da pele

20 de out. de 2012

ah... que falta me fazes pai
com teus olhos de cinzas
verdes um dia (eu vi?)
lembro-me de deles assim
fumaça na ventania
mãos calejadas
com ponteiras de aço
herança do fogo
do fole, da forja
lascas de pedra que voavam
poeira branca
que corroeu teus dias
translúcidas membranas
e o ar tão farto - te faltou
no fim
[lembra das flores
de dente-de-leão no vento?
da roda d’água que cantava
eternidades?
dos sapos
na imensa cratera
com seus olhos de terra
e presságios de nunca mais?

19 de out. de 2012

fica evidente
que as esperas são frutos
das árvores das quimeras
[se amadurecem
são puro mel
quase sempre são flores
que o primeiro vento forte
carrega
ah... toda beleza vale
a labuta da terra
a mão ferida das enxadas
o cansaço do fim
dos dias

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