Sunday, October 27, 2013
Tuesday, October 15, 2013
imagina uma ponte que tem do outro lado a democracia
Imagina um paÃs em que os que juram defender a Constituição, são os
mordomos dos monopólios e dos interesses privados que a querem
desfigurar e rasgar. Imagina um paÃs em que o primeiro-ministro
responsável por duplicar a dÃvida pública, que salvou com o teu dinheiro
banqueiros corruptos, que entregou por uma terceira vez esse paÃs à s
mãos do FMI para tapar os buracos abertos pelo desmando da banca e dos
agiotas, é hoje reputado comentador polÃtico com direito a programa de
televisão regular.
Imagina um paÃs em que ministros fingem ter cursos superiores. Imagina
um paÃs em que ministros e secretários de estado omitem as suas relações
com a banca e com criminosos. Imagina um paÃs em que os ministros são
indicados pelos mesmos grupos económicos que vivem da tua pobreza. Um
paÃs em que os ministros pedem desculpa a empresários por serem
investigados em crimes. Imagina um paÃs em que os ministros mentem sobre
a sua responsabilidade em contratos ruinosos para o estado que gerem.
Imagina um paÃs em que o partido afirma antes das eleições não pretender
aumentar impostos, despedir funcionários públicos, cortar rendimentos,
pensões de reforma e subsÃdios para depois de as vencer aumentar os
impostos, despedir funcionários públicos, cortar rendimentos, pensões de
reforma e subsÃdios. Imagina um paÃs em que um partido com 14% dos
votos determina a polÃtica orçamental, económica e educativa e designa
um vice-primeiro-ministro.
Imagina um paÃs que realiza eleições apenas para fingir que é
democrático porque o verdadeiro programa de governo estava já assinado
com entidades estrangeiras. Imagina um paÃs em que três partidos são
poder há 38 anos consecutivos.
Imagina um paÃs que os teus amigos são obrigados a abandonar.
Imagina um paÃs onde só os ricos podem ter direito à saúde, à educação.
Imagina um paÃs em que as empresas públicas são entregues a grupos privados pelo dinheiro que podem produzir em poucos anos.
Imagina um paÃs onde podes ser despedido só porque o patrão tem quem faça o mesmo por menos.
Imagina um paÃs onde as crianças passam fome.
Imagina um paÃs onde mais de 60% da riqueza produzida num ano é
distribuÃda como rendimento de capital e menos de 40% é distribuÃda como
rendimento de trabalho. Imagina um paÃs em que a receita fiscal sobre
rendimentos incide em 73% sobre os rendimentos do trabalho e 27% sobre
os de capital.
Imagina um paÃs em que encerram milhares de escolas e metem as crianças a
fazer 3 horas diárias de autocarro para chegar à escola que já não têm
perto de casa. Imagina um paÃs onde não há orçamento de estado para a
cultura e para as artes.
Imagina um paÃs em que se entregam as estradas, os hospitais, as
escolas, os correios, a água, os aeroportos, as telecomunicações, os
aviões, e tudo o mais que te possas lembrar, a grupos não eleitos de
accionistas que gerem o que foi construÃdo com o esforço de todos apenas
para benefÃcio de alguns.
Imagina que vives num paÃs que rouba as poupanças dos seus idosos, de quem trabalhou uma vida inteira e merece descanso.
Imagina que vives num paÃs em que os próprios governantes escolhidos
pelo povo governam para desviar a riqueza para outros paÃses, para
contas bancárias privadas, beneficiando aqueles que destruÃram as tuas
empresas, a tua riqueza.
Agora, imagina que vives nesse paÃs.
E que dia 19 há manifestação contra a decadência, contra a exploração e o empobrecimento.
Imagina que no teu paÃs há uma ponte.
Miguel Tiago
(Publicado Terça-feira, 15 de Outubro de 2013, no blog kontra korrente)
Thursday, October 10, 2013
Nocturno
O desenho redondo do teu seio
Tornava-te mais cálida, mais nua
Quando eu pensava nele... Imaginei-o,
À beira-mar, de noite, havendo lua...
Talvez a espuma, vindo, conseguisse
Ornar-te o busto de uma renda leve
E a lua, ao ver-te nua, descobrisse,
Em ti, a branca irmã que nunca teve...
Pelo que no teu colo há de suspenso,
Te supunham as ondas uma delas...
Todo o teu corpo, iluminado, tenso,
Era um convite lúcido às estrelas....
Imaginei-te assim à beira-mar,
Só porque o nosso quarto era tão estreito...
- E, sonolento, deixo-me afogar
No desenho redondo do teu peito...
David Mourão-Ferreira
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