Monday, January 07, 2008

Revejo-me em cada letra...


*
- quero ser igual a todos outros porque sou igual a todos os outros,
*
- mas sou diferente de cada um de todos os outros
*
- ... porque quero ser igual a todos os outros.

*
-ser sempre solidário,
*
- por isso, tantas vezes solitário.

(Sérgio Ribeiro, http://docordel.blogspot.com)

Sunday, January 06, 2008

Ausento-me


Ausento-me de mim para ir ao teu encontro...
...metade de mim...

Ao Luiz Pacheco




Para onde quer que tenhas voado, marcamos encontro, um dia, Maníssimo....

Saturday, January 05, 2008

Sufoco


Gaivota leva contigo o sal dos meus olhos
e traz-me o amor de volta, muito depressa
Tenho todo o tempo para te amar e quero amar-te
só que sufoco, da tua presença em silêncio...

Friday, January 04, 2008

Para ti, com um beijo...


Há silêncios que são gritos de ti
da dor que teima em ficar em mim
Há silêncios de gaivotas no céu
dos gritos que vêem no mar ao sul
Há silêncios que são nossos e que
num abraço se gritam em lágrimas
Há silêncios que são gritos de dentro de ti

Thursday, January 03, 2008

Quero voar contigo


Quero voar contigo nas asas do sonho a que temos direito
quero ficar contigo todos os dias e ter-te sempre junto de mim
mas tu escapas-me e eu não sei como te dizer
que a minha vida sem ti não faz sentido
e que sinto que só vivo assim por ti e para ti
fecho os olhos e tenho-te nos braços e beijo-te
e até faço, se eu quiser, amor contigo
esta forma de sentir e que eu sei ser a forma como tu me sentes
é tão inteira que um dia tudo o que sonhamos e queremos
vai ser verdade...

Wednesday, January 02, 2008

Para uma Amiga...

Viver não dói

Definitivo, como tudo o que é simples.
Nossa dor não advém das coisas vividas,
mas das coisas que foram sonhadas
e não se cumpriram.

Por que sofremos tanto por amor?

O certo seria a gente não sofrer,
apenas agradecer por termos conhecido
uma pessoa tão bacana,
que gerou em nós um sentimento intenso
e que nos fez companhia por um tempo razoável,
um tempo feliz.

Sofremos por quê?

Porque automaticamente esquecemos
o que foi desfrutado e passamos a sofrer
pelas nossas projeções irrealizadas,
por todas as cidades que gostaríamos
de ter conhecido ao lado do nosso amor
e não conhecemos,
por todos os filhos que
gostaríamos de ter tido junto e não tivemos,
por todos os shows e livros e silêncios
que gostaríamos de ter compartilhado,
e não compartilhamos.
Por todos os beijos cancelados,
pela eternidade.

Sofremos não porque
nosso trabalho é desgastante e paga pouco,
mas por todas as horas livres
que deixamos de ter para ir ao cinema,
para conversar com um amigo,
para nadar, para namorar.

Sofremos não porque nossa mãe
é impaciente conosco,
mas por todos os momentos em que
poderíamos estar confidenciando a ela
nossas mais profundas angústias
se ela estivesse interessada
em nos compreender.

Sofremos não porque nosso time perdeu,
mas pela euforia sufocada.

Sofremos não porque envelhecemos,
mas porque o futuro está sendo
confiscado de nós,
impedindo assim que mil aventuras
nos aconteçam,
todas aquelas com as quais sonhamos e
nunca chegamos a experimentar.

Como aliviar a dor do que não foi vivido?

A resposta é simples como um verso:
Se iludindo menos e vivendo mais!!!

A cada dia que vivo,
mais me convenço de que o
desperdício da vida
está no amor que não damos,
nas forças que não usamos,
na prudência egoísta que nada arrisca,
e que, esquivando-se do sofrimento,
perdemos também a felicidade.

A dor é inevitável.

O sofrimento é opcional.

(Carlos Drummond de Andrade)

Tuesday, January 01, 2008

Cantata da Paz


Vemos, ouvimos e lemos
Não podemos ignorar
Vemos, ouvimos e lemos
Não podemos ignorar

Vemos, ouvimos e lemos
Relatórios da fome
O caminho da injustiça
A linguagem do terror

A bomba de Hiroshima
Vergonha de nós todos
Reduziu a cinzas
A carne das crianças

D’África e Vietname
Sobe a lamentação
Dos povos destruídos
Dos povos destroçados

Nada pode apagar
O concerto dos gritos
O nosso tempo é
Pecado organizado

(Sophia de Mello Breyner Andresen)

Monday, December 31, 2007

Para os meus Amigos do lado de lá do Atlântico....


Com beijos meus.....

Encontros e despedidas

Mande notícias do mundo de lá
Diz quem fica
Me dê um abraço
Venha me apertar
Tô chegando

Coisa que gosto é poder partir
Sem ter planos
Melhor ainda é poder voltar
Quando quero

Todos os dias é um vai e vem
A vida se repete na estação
Tem gente que chega pra ficar
Tem gente que vai pra nunca mais
Tem gente que vem e quer voltar
Tem gente que vai e quer ficar
Tem gente que veio só olhar
Tem gente a sorrir e a chorar

E assim, chegar e partir
São só dois lados
Da mesma viagem
O trem que chega
É o mesmo trem da partida
A hora do encontro
É também despedida
A plataforma dessa estação
É a vida desse meu lugar
É a vida desse meu lugar
É a vida ....
Lara lala lele e auê
Lara lala lele e auê

Todos os dias é um vai e vem
A vida se repete na estação
Tem gente que chega pra ficar
Tem gente que vai pra nunca mais
Tem gente que vem e quer voltar
Tem gente que vai e quer ficar
Tem gente que veio só olhar
Tem gente a sorrir e a chorar

E assim, chegar e partir
São só dois lados
Da mesma viagem
O trem que chega
É o mesmo trem da partida
A hora do encontro
É também despedida
A plataforma dessa estação
É a vida desse meu lugar
É a vida desse meu lugar
É a vida ....
É a vida desse meu lugar
É a vida ....

(Milton Nascimento e Fernando Brant)

A TODOS que passarem por aqui desejo um Bom Ano de 2008

Sunday, December 30, 2007

Amo-te!


Amo-te!
Desde o momento em que te vi
Amo-te!
Como na primeira vez que me sorriste
Amo-te!
Como quando me seguraste a mão
Amo-te!
Como quando me tocaste a pele
Amo-te!
Como quando me pediste um beijo
Amo-te!
Porque estás aqui mesmo se não estás
Amo-te!
Porque sabes entrar dentro de mim
Amo-te!
Porque és tu, e só tu, quem eu desejo
Amo-te!
Porque o mar nos envolve e a lua nos sorri
Amo-te!
...e a tua estrela mandou-me um beijo
Amo-te, porque sim...

Saturday, December 29, 2007

Porque esta música tem exactamente a minha idade, dou-me este presente....


João e Maria

Agora eu era o herói
E o meu cavalo só falava inglês
A noiva do cowboy era você além das outras três
Eu enfrentava os batalhões, os alemães e seus canhões
Guardava o meu bodoque e ensaiava o rock para as matinês
Agora eu era o rei
Era o bedel e era também juiz
E pela minha lei a gente era obrigado a ser feliz
E você era a princesa que eu fiz coroar
E era tão linda de se admirar
Que andava nua pelo meu país
Não, não fuja não
Finja que agora eu era o seu brinquedo
Eu era o seu pião, o seu bicho preferido
Sim, me dê a mão, a gente agora já não tinha medo
No tempo da maldade acho que a gente nem era nascido
Agora era fatal que o faz-de-conta terminasse assim
Pra lá deste quintal era uma noite que não tem mais fim
Pois você sumiu no mundo sem me avisar
E agora eu era um louco a perguntar
O que é que a vida vai fazer de mim?

Chico Buarque
Composição: Chico Buarque/ Sivuca

Em tempo: Não, não faço anos hoje...

Thursday, December 27, 2007

Mar...


Preciso de ti, mar…
das tuas marés vazias de mim e cheias de ti
da espuma das ondas a salpicar-me
dos pés enterrados nas tuas areias hoje que te vi tanto
que te amei tanto que te beijei tanto, mar
sinto a tua voz ainda
em forte rugido ou em delicada rebentação
tantos mares te vi hoje tanta maresia ainda nos meus cabelos
que não estou sequer escutando o meu pensamento

Wednesday, December 26, 2007

Procuro-te


Procuro-te sempre em todas as palavras mas escapas-me
como a areia entre os dedos nem sei se é apenas a memória
ou se és tu agora que te vejo vou ao fundo de ti e mergulho
para te(me) sorver em cada maré até ao fim dos meus dias...

Tuesday, December 25, 2007

Charles Chaplin "voou" faz hoje 30 anos...


Já perdoei erros quase imperdoáveis,
tentei substituir pessoas insubstituíveis
e esquecer pessoas inesquecíveis.

Já fiz coisas por impulso,
já me decepcionei com pessoas quando nunca pensei me decepcionar,
mas também decepcionei alguém.

Já abracei pra proteger,
já dei risada quando não podia,
fiz amigos eternos,
amei e fui amado,
mas também já fui rejeitado,
fui amado e não amei.

Já gritei e pulei de tanta felicidade,
já vivi de amor e fiz juras eternas,
“quebrei a cara muitas vezes”!

Já chorei ouvindo música e vendo fotos,
já liguei só para escutar uma voz,
me apaixonei por um sorriso,
já pensei que fosse morrer de tanta saudade
e tive medo de perder alguém especial (e acabei perdendo).

Mas vivi, e ainda vivo!
Não passo pela vida…
E você também não deveria passar!
Viva!
Bom mesmo é ir à luta com determinação,
abraçar a vida com paixão,
perder com classe
e vencer com ousadia,
porque o mundo pertence a quem se atreve
e a vida é “muito” pra ser insignificante.

(Charles Chaplin)

Monday, December 24, 2007

Poema de Natal

Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados,
Para chorar e fazer chorar,
Para enterrar os nossos mortos -
Por isso temos braços longos para os adeuses,
Mãos para colher o que foi dado,
Dedos para cavar a terra.
Assim será a nossa vida;
Uma tarde sempre a esquecer,
Uma estrêla a se apagar na treva,
Um caminho entre dois túmulos -
Por isso precisamos velar,
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.
Não há muito que dizer:
Uma canção sôbre um berço,
Um verso, talvez, de amor,
Uma prece por quem se vai -
Mas que essa hora não esqueça
E que por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.
Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre,
Para a participação da poesia,
Para ver a face da morte -
De repente, nunca mais esperaremos...
Hoje a noite é jovem; da morte apenas
Nascemos, imensamente.

(Vinicius de Moraes)

Saturday, December 22, 2007

Dizem que é Natal...


Enquanto houver uma criança com fome
Enquanto houver uma família sem tecto


Enquanto houver guerras ou ocupações de territórios, que fazem das crianças e dos velhos as principais vítimas
Enquanto o Vaticano continuar a condenar o uso do preservativo, provocando assim a disseminação da SIDA
Enquanto o Homem não respeitar o outro Homem mesmo ao seu lado
Enquanto uns têm as mesas fartas e disso fazem gala e outros não têm sequer água para beber...
... não posso ter Natal...


Vou ali ao lado. Volto logo, logo...
(fotos tiradas da net)

Friday, December 21, 2007

Aconchego...


Abraço-te-me, aqui, como tantas vezes
nos abraçámos, assim.
Era o tempo do frio e das chuvas, lembras-te?
E ficávamos à lareira, comendo frutos secos
e ouvindo o mar ao fundo...
Até o mar hoje está diferente, hoje está tudo diferente
só o nosso amor continua igual...

Thursday, December 20, 2007

Amigos!


Hoje não tenho palavras
hoje sinto-me seca por dentro
Mas seria injusta se não dissesse que
quem me faz mesmo falta, hoje,
quem eu amo mesmo
são os meus AMIGOS
É com eles que eu conto
São eles que me alegram
Eles, os virtuais, eles, os reais....
... os meus amigos!


Em tempo: Vale a pena dar um "pulinho" até aqui:
http://samuel-cantigueiro.blogspot.com/2007/12/get-this-widget-track-details-esnips.html

Wednesday, December 19, 2007

Dois poemas para José Dias Coelho


Assassinado pela PIDE em 19 de Dezembro de 1961

A José Dias Coelho

Seja minha a tua força, irmão
seja meu o teu braço, camarada
Sejam estes muros não um paredão
sejam uma ponte ou mesmo uma estrada.

Seja nela meu o teu anseio, irmão
seja minha a luta que na tua terra travas
seja ela o fruto das coisas que amavas.

Sejam essas coisas, as mesmas, irmão
sejam as que amo aqui nesta cela
seja para sempre a minha na tua mão
seja para todos uma vida bela
seja nela o trigo com a sua cor dourada
sejam as papoilas vermelhas de querer
seja sempre o dia que sucede à madrugada
seja outro o sentido da palavra morrer.

Sejam os mortos aqui ao nosso lado
sejam os seus também os nossos passos
seja em luta o ódio acumulado
sejam retesados nossos membros lassos.

Sejam as colinas de vontade erguidas
seja a sua força a que do amado vem
sejam nossas as tuas palavras queridas
seja minha a tua vontade também.

E não há muros, bombas ou insultos
que detenham as árvores ao nascer da terra
nem façam brotar flores de pensamentos estultos
nem parar o sol. E não será a guerra
com que os lobos sonham em noites de orgia
que impedirão que nasçam.

Das auroras por nascer
das estruturas por erguer
dos caminhos por andar
das flores por brotar
estendem-se as mãos do futuro
que envolvem teu corpo de bandeira.

(Alda Nogueira, Prisão de Caxias, 1963)
(poema inédito retirado do blog http://www.ascausasdajulia.blogspot.com, cedido à Júlia Coutinho por Alexandre Castanheira)

A Morte saiu à rua

A morte saiu à rua num dia assim
Naquele lugar sem nome pra qualquer fim
Uma gota rubra sobre a calçada cai
E um rio de sangue dum peito aberto sai

O vento que dá nas canas do canavial
E a foice duma ceifeira de Portugal
E o som da bigorna como um clarim do céu
Vão dizendo em toda a parte o pintor morreu

Teu sangue, Pintor, reclama outra morte igual

Só olho por olho e dente por dente vale

À lei assassina à morte que te matou

Teu corpo pertence à terra que te abraçou

Aqui te afirmamos dente por dente assim

Que um dia rirá melhor quem rirá por fim
Na curva da estrada há covas feitas no chão

E em todas florirão rosas duma nação

(José Afonso)

Aconselho uma visita a:
http://docordel.blogspot.com/2007/12/de-um-livro-em-estaleiro-o-assassinato.html
http://docordel.blogspot.com/2007/12/de-um-livro-em-estaleiro-quando-o.html