17/06/03

Cerveja, Relva & Rock and Roll

Posso já ser curto e grosso? Eu esperava (eu e as 20 mil pessoas que estavam la) muuuuito mais do que o Senhor Manson apresentou naquela noite.Istoé, năo que o show foi um desastre, năo foi. Muito pelo contrário. Mas ELE deixou muito a desejar.
Pra quem năo sabe do que eu to falando ou tá lendo isso do Brasil, é sobre o 1ş SUPER ROCK IN LISBON que aconteceu dia 29/05/03 no estadio de Alvalade aqui em Lisboa e que segundo os organizadores (que esperavam 60 mil pessoas) era uma prévia para o ROCK IN RIO que vai ter sua versăo lisboeta ano que vem.E era também a "despedida" ao famoso estádio,que vai ser demolido dentro de alguns dias.
Mas enfim, o cartaz também năo era lá estas coisas: O Primitive Reason, uma banda portuguesa que tem varios integrantes de outras nacionalidades em sua formaçăo[mas em entrevistas diz que năo se considera uma banda nacional] e que faz um som meio Asian Dub Foundation meio Naçăo Zumbi [e isso năo é elogio!]abriu o circo de horrores as 17:00 conforme o combinado e em menos de 40 minutos apresentou o disco novo e desfilou alguns hits.Fim do espetaculo e a impressăo que deu é a de que havia uma meia duzia de pessoas para ve-los.
Segue-se um enoooooorme intervalo para preparar o palco para a próxima banda [leia-se:vender mais cerveja].Lá fora a fila ainda estava kilométrica e o Disturbed é a segunda banda a se apresentar.Confesso que o único motivo da minha presença neste festival era o Marilyn Manson e que das outras bandas năo conhecia nada ou quase nada.No caso do Disturbed eu nunca tinha ouvido sequer falar mas nunca me diverti tanto enquanto eles tocavam.Entenda-se, eu nao estou falando do som da banda mas sim da postura Ricky Martin do vocalista: ele se requebrava,rebolava, jogava as pernas,fazia beicinho [só vendo!] e virava o traseiro para o publico fazendo a linha "I´m too sexy!".Depois pediu-nos que gritasse "We are... Disturbed!". Alguem do publico atira para o palco um grande pedaço de relva e quase acerta no vocalista.Pronto,todo mundo começa a arrancar a relva do estadio e atirar para cima e para o palco aí segue-se a maior nuvem de relva [e terra] que se tem noticia. Insanidade total e uma apresentaçao historica [le-se:hilariante] para quem nunca tinha ouvido falar na banda,como eu.
Mais um intervalinho para os patrocinadores venderem cerveja e sem muita pretensăo o Audioslave entram em palco.Na verdade havia muita gente ali para ve-los tamanha era a concentraçao de făs perto das grades e confesso humildemente nao conhecer quase nada da banda e nem do passado do vocalista no Soundgarden. Do resto da banda gostava muito do Rage Against the Machine mas nao me sinto capaz de fazer comparaçoes e passo para a próxima: o Deftones foi a banda que mais me surpreendeu nesse festival.Nunca pensei que eles fossem tăo bons ao vivo.Tudo que eu conhecia deles era uma unica audiçao do White Pony que năo achei lá grande coisa.Mas tenho de dar o braço a torcer:os caras săo fodissimos em palco. O show começou com Chico Moreno berrando Feiticeira e povo todo cantando junto como se fosse um hino e o vocalista uma espécie de Morrissey da música pop.E ele parecia eufórico, gritava, sussurrava, passava a măo pelo corpo como se tivesse a um ponto do orgasmo e o publico respondia aos urros.Chico se pendura nas grades (perecia que ia fazer um mosh a qualquer momento) e fica la a maior parte do show em completo catarse coletivo.Após um pequeno discurso contra a industria ele volta ao palco e traz um fă para cantar a próxima música e o garoto até que năo se sai mal. Ultima musica e começa o coro "Chico! Chico! " mas o pedido é em văo e a melhor [e a mais barulhenta] banda do Super Rock in Lisbon deixa o palco do festival deixando saudades aos făs e a satisfaçao de quem pagou 25 euros para ver um punhado de apresentaçőes medianas.
Mais um intervalo looooongo-penso- e a constataçao:pelas camisetas pretas dos presentes [cujas idades năo passavam dos 17] notava-se que 90% das pessoas queriam era mesmo ver Marilyn Manson.E foi aqui que começou o stress: esperamos,esperamos e esperamos. Quase 23:00 hs e sob trilha sonora de filme de supense o Anticristo Superstar dá as caras e ja começa com a porrada Disposable Teens, a prima pobre de Beautiful People. [continua...]


Alguém aí ja viu o Donnie Darko?

Năo? e está esperando o quę? Bem, trata-se de um dos filmes mais geniais dos ultimos anos-e por que năo exagerar-o primeiro filme de culto da década.Se vocę o perdeu ao cinema sua chance é agora que ele acabou de sair em video e DVD.(er...pelo menos em portugal) e apesar de a versăo para videoclubes ser capenga-só o filme e nada de extras-mesmo assim vale assisti-lo. A história, meio complicada de se explicar é mais ou menos assim:Donald 'Donnie' Darko é um adolescente que sofre de sonâmbulismo e faz análise, devido ao que parecem ser problemas psicológicos graves. Estas perturbaçőes incluem um “amigo imaginário”, um coelho gigante chamado Frank, que, certa noite, lhe diz para sair de casa e o informa que o mundo acabará dentro de 28 dias, seis horas, 42 minutos e 12 segundos, ou seja, na noite de Halloween, a 31 de Outubro de 1988. Donnie começa a tomar conscięncia de certas realidades metafísicas e a interessar-se por viagens no tempo, já que Frank,muito sereno e seguro afirma vir do futuro, ao mesmo tempo que demonstra dificuldade em comportar-se civilizadamente na escola ou em atividades sociais na pequena cidade onde mora. Frank, entretanto, convence Donnie a cometer alguns atos censuráveis, sem que este perceba com que fundamento e as consequencias que o seguirăo.E para além do final genial o filme tem varios outros momentos brilhantes e citaçoes cinematograficas inesqueciveis, como as referencias a E.T.,Evil Dead que está a passar num cinema da cidade junto com A Ultima tentaçao de Cristo. Um filme que nao pode passar batido.

»» E eu já li textos muito bacanas na Internet sobre o filme e suas muitas interpretaçoes e referencias.se vocę ja viu, gostaria de saber o que achou.me escreve aí vai:well0009@yahoo.com.br



Os 50 maiores filmes de culto

E por falar em filme de culto a Enterteinement Weekly última (5,95 em portugal) fez uma matéria muito bacana sobre os tais 50 maiores filmes de culto e no meio de muitos curiosos e divertidos titulos fiquei muito feliz em ver na lista um filme que achava que só eu tinha o visto e o qual nunca li uma linha sequer sobre «Dazed & Confused»

26/04/03

Beth Gibbons e Eu

Era suposto começar as 21:30 mas acho que devido a casa ainda năo estar cheia e a fila lá fora kilométrica,deram mais um tempo pro pessoal ir se chegando(e para acabarem de vender os bilhetes restantes,claro).Com 15 minutos de atraso, uma portuguesinha com saia de cigana abre o show, cantando, em ingles.Tipo, banquinho,voz e violăo. Algumas vezes sua voz tinha uns ecos de Fiona Apple, outras vezes de PJ Harvey.Pensei: "Ela tem talento" mas mudei de opiniăo alguns minutos depois. A cada intervalo de uma música a outra dava umas explicaçoes pretensiosas para as músicas: "Essa música é uma visao pseudo-sarcástica da morte" ou " Essa música fala da tristeza...(riso forçado) mas năo da tristeza óbvia,da tristeza positiva" e seguiu com um repertório que năo acabava mais.Afinal, penso eu, 98% das pessoas que ali estavam,pagaram para ver a Beth. Enfim, anunciou a ultima música (todo mundo disfarçadamente aliviado) agradeceu,em portugues,e foi-se embora.
Quase 22.30 e entram várias pessoas no palco, uns sete músicos.Dava para ver que ela estava lá ao meio perdida mas a escuridăo do palco nao dava para ver nada.Todos a postos, as luzes acendem e o Coliseu dos Recreios vai abaixo.Beth, de calça jeans justa e blusa preta de manga comprida, toda linda abre o concerto com a música que abre o seu disco solo e manda ver na soturna "Mistery". O jogo de luzes nao ajudava muito a identificar os músicos e Beth Gibbons.Só na segunda música, "Romance" (a melhor do disco,diga-se) que vemos quem é quem no palco.E é impressionante como sua voz nessa música parece mesmo com a de Billie Holiday. Em "Tom the model" o hit, todo mundo grita, faz barulho e mandam sinais para ela como se quisessem dizer "Agora sim!" e ela canta,sempre segurando o microfone com as duas măos levemente curvada,e faz cara de quem carrega uma cruz nas costas...agora vejo que é a verdadeira Beth Gibbons, a torturada, aquela mesma que nos emocionou com os discos maravilhosos do Portishead quem está ali, logo ali, há 3 metros de mim a cantar. No meio do espetaculo, apos várias músicas e Beth Gibbons tocar violăo e teclados, reparo que ela está em muito boa forma, "que corpăo!"-penso "ela ja deve ser uma quarentona".Eu sei, eu sei, mas é impossível năo reparar nestas coisas, afinal trata-se uma ESTRELA ali na minha frente.OK,agora uma pausa para os músicos e todo mundo pensa que o show acabou.começa o coro do berra-berra,bate-pé e tudo o mais que faça barulho para que eles voltem. Dois minutos depois a trupe volta, Beth toma uma aguinha e enquanto a banda se prepara vai lá atrás pega um cigarro, volta e pede fogo para alguém da platéia (poderia ser eu-pensei) agradece com um sorriso e se poe a postos para começar a cantar de novo.Uma garota duas cadeiras atrás de mim grita: "You are beautiful !!" e ela, surpresa, dá um sorrisăo e começa a cantar "Drake". Ainda com a voz da garota ecoando meio que se desconcentra da música, ri de novo e volta a ficar séria, agora concentrada e sofre mais uma vez.Segue-se uma cover do Velvet Underground (que eu nao conhecia) e "Rustin Man" fecha o concerto.Fim de espetaculo, é aplaudida de pé durante uns 5 minutos e diz qualquer coisa confusa, gesticula com as măos. Depois pede desculpa pelo que disse e é mais clara : "Desculpe, estava a tentar dizer "thank you" em portuguęs mas esqueci-me" e desce para a platéia e fica a dar autógrafos durante uns 15 minutos...Inesquecível.