Somos aquilo que repetidamente fazemos
29/05/2015
Fui comprar guaraná natural porque não queria beber refrigerante mas perdi a hora e peguei o Dalas (gosto de ser anacrónico) fechado por 1 minuto. Tentei entrar, não teve jeito, não era o camarada de sempre, não que isso venha ao caso. Saí, fui andar pra ver a rua, gosto de ver as coisas passando. Daí fui ao Guanabara, lotado… mano, LO-TA-DO. Aí peguei meu guaraná natural, andei um bocado pelo mercado, não tinha mais nada que eu quisesse comprar, as filas tinham no mínimo 4 ou 5 carrinhos… larguei meu guaraná. Fui ao posto, novamente dando uma volta, vendo as coisas de longe, sem participar… parei no posto de conveniência. Comprei um mate, entrei na fila onde dois moleques novos (uns 10?) e a mãe estavam comprando algo e um cara bem alinhado, já coroa, ficou fazendo uma brincadeira com um dos garotos ter dito que não queria tomar banho ao chegar em casa. O moleque – eram irmãos gêmeos, acho importante nesse ponto – olhou pro outro e perguntou com uma franqueza assustadora algo como “que porra esse velho tá falando?” Eu ri, estava entretido com a cena, os goles no mate e uma mulher bem atraente que estava ali pela frente, chamando aquela atenção quase involuntária, competindo com o ambiente divertido. Comprei as coisas, paguei, fui. No caminho fiquei pensando no quanto isso é um momento razoavelmente coditiano da minha vida e, principalmente, fiquei com a frase “você é o que repetidamente faz” ecoando sem parar. Ainda indo pro carro, ainda com a frase na cabeça, amassei os papéis que tinha nas mãos e, contendo o ímpreto de sujar o que já está sujo, joguei tudo amassadinho no lixo. Salvou-se uma alma, talvez, ou talvez ela sinta necessidade de chegar em casa e falar sobre buscando uma catarse para essa repetição tão enfadonha que, pela lógica citada, está virando ela própria, a vida.
Que o Bule encantado derrame chá de erva doce em sua vida.
O eterno retorno
28/05/2015
Pois bem, é fato que a vida segue seus ciclos. O todo segue ciclos. A terra com o sol, o sol com o centro da galáxia, a Via Láctea com o grupo local… Vamos todos circulando, querendo ou não, círculos tão enormes que transcendem completamente o pouco que se vislumbra por aqui. Sendo assim, não poderia ser diferente a vida de um indívíduo, preso nesse emaranhado de infinito circundante. Cá estou eu, muito mudado, temporizado, por assim dizer. Muito mais próximo de tantas dessas voltas e voltas locais, filosóficas e cósmicas que damos.
Sim, conteúdo real daqui é que, brevemente contando de um dos círculos que descvrevemos, voltei a tomar medicamentos, o que pode ser uma notícia – se assim se pode chamar – até nova para algum ou outro leitor desavisado que esbarre por aqui – aliás, não sei como ainda consigo que passe um ou dois por aqui diariamente vendo coisa ou outra. Manifesten-se, por obséquio, Me seria motivo de grande alegria… enfim, eu tomava remédios para regular meu humor e tentar manter um comportamento produtivo e tudo o mais. Eu melhorei tanto quanto, as coisas iam bem, resolvi interromper abruptamente com todos meus remédios. O que pareceu um ato de coragem de quem já enfrenta uma doença tanto quanto obscura de frente se mostrou uma grande insensatez. Mergulhei no mais profundo buraco solitário em que já estive ou já tive a capacidade de imaginar, como pessoa, como criatura. Compreendi algo que achei que jamais seria capaz de enteder que é a vontade real, a urgência, por falta de palavra melhor, de dar fim a própria e
xsitência. Abandonar estes ciclos menores, sol, rua, casa, vida, partir para o cosmos. Desfazer a limitação do tempo e simplesmente participar do todo, passivo, mas constante, praticamente onipresente. Bom, poética como possa parecer, a idéia de realmente querer romper com essa coisa abstrata que nos torna vivos me fez entender as coisas sob uma nova perspectiva. Medicamentos de volta, já não mais novidade, progresso algum, sim, e vontade de começar a agir porque, de certa forma, senti que o convite do cosmos aumenta diretamente proporcional a sua inércia. Os ciclos locais ficam mais e mais limitados e cada vez é mais atraente o todo, não ter nada e de nada precisar.
Nos veremos novamente em breve.
Beijos e abraços
Sobre desenhos, magias e brisas
08/02/2013
Acordei e, pouco depois de ter acordado, ainda na cama, pensando nas coisas que preciso fazer hoje, lembrei de um sorriso. Fiquei ali, parado, olhando para o teto e pensando no sorriso. Decidi levantar da cama e começar meus afazeres mas, antes, eu precisava exaltar o tal sorriso, de alguma forma. Foi por uma mensagem que comuniquei sua belíssima portadora de que seu sorriso me maravilhava e, por este texto é que eu faço minha homenagem ao sorriso em si.
As formas demasiadas belas têm um quê de divino e, como divindade, de alguma forma exigem uma devoção, um respeito temeroso, um ode à sua magnificência. Eu não poderia descrever o efeito real do sorriso pois, infelizmente, nos dias de hoje, estas coisas divinas manifestam-se de forma muito sutil. Talvez, pela literalidade, tudo o que eu poderia falar sobre o luminescente sorriso seria sobre a contração ou retração dos músculos faciais que o compõe. Sobre impulsos elétricos partidos de um brilhante cérebro – pois jamais, à criatura de pouco intelecto, seria delegado tamanho poder – que comandam o processo de contração e, enfim, nada de subjetivo sairia daí, e este sorriso é composto por dois elementos. Seu desenho, importante, porém apenas auxiliar, e sua subjetividade.
Do desenho:
Eu tentaria pintá-lo, mas estragaria a obra, portanto, imagine bem. São belos lábios, grossos e bem desenhados, de um vermelho róseo, encaixados em um rosto branco de pele delicada, aveludada. Quando aberto, ao sorriso, o rodeiam fartas bochechas que, com o esticar dos lábios, espremem os belos e grandes olhos de olhar doce, os fazendo ficar pequenos, dois pequenos arcos emoldurados por longos cílios. Fico por aqui, para não me alongar demais no físico do sorriso, vamos ao mágico.
Da magia:
Percebo o mundo, tudo o que existe, através de mim mesmo, sabemos disso. É meu cérebro que processa informação, são meus córtex que montam o audio-visual, hormônios, sinapses, neuroreceptores. Eu não sei como acontece no mundo de qualquer outra pessoa, mas aqui, o sorriso gera um algo de magnético. Algo de encantado. Enquanto eu pensava fixamente no sorriso e olhos apertados – em seu conjunto, afinal – olhei pela janela e vi o sol iluminando o dia.
Da forma que vemos as coisas, associamos a escuridão, a noite, às coisas rastejantes e sombrias e, o dia, a luz, à segurança, beleza, bem estar. Sai deste sorriso uma luz mágica que não ilumina, literalmente, nada, mas faz sentir iluminado. Se fosse comparar a sensação que esta luminosidade traz eu pensaria em uma brisa, talvez. Uma leve brisa que te toca por inteiro, algo como que fazendo com que seu corpo inteiro sinta vivo, levemente acariciado por tudo que o cerca.
Peço desculpas a você que lê, se pareço muito extremo ou muito exagerado, mas é com honestidade que lhe digo o que disse. Eu mesmo me surpreenderia com um texto que consideraria uma enorme hipérbole ou algo semi absurdo, se não estivesse rodeado de mais pela tal brisa, que, agora, não me deixa pensar em mais nada.
Histeria coletiva / Possessão Carnavalesca
02/02/2013
Não sou, conhecidamente, fã de carnaval. Não bastasse as músicas não serem de meu agrado, a coisa caotiza a cidade de uma forma cataclísmica, e todo mundo parece adorar esta amostra grátis do inferno.
Camarada, que é carioca sabe que a capacidade de organização dos nossos órgãos de trânsito é zero. Tem
os exemplo do evento de evangélicos na praia de botafogo que juntou tanta gente que não se transitava, de maneira alguma, para lugar algum. O carnaval é mais ou menos isso, mas espalhado pelo Rio de Janeiro inteiro. Os guardas ou “agentes de trânsito” que ficam responsáveis por sinalizar os locais fechados e indicar a rota a ser seguida não fazem a menos ideia de onde esta rota vai dar. Eles apenas te indicam para um outro lugar onde vai encontrar uma outra rua fechada onde outro “agente” vai te mandar para outro lugar e assim você vai brincando de rato de laboratório para testar até onde vai a paciência de um ser humano, antes de resolver passar por cima de uma destas malditas grades ou cones e sair levando a porra toda.
Pra quem curte o clima de carnaval e tudo o mais, talvez isso seja uma coisa relevável, mas pra quem não está naquela pilha de histeria coletiva absoluta, a limitação que essas festas impões é desrespeitosa. Você é tratado como nada. Assim como há, agora, circulando a polêmica do incrivelmente estúpido Datena sobre como os ateus são responsáveis por guerras e crimes bárbaros, você, no carnaval, se não entrou no espírito, não é um deles. O Rio não liga pra quem não gosta do seu tradicional carnaval, esta é a realidade, que é triste.
Poderíamos, sim, sem problemas, organizar esquemas de fechamento de ruas com rotas de escoamento para os carros de forma que ninguém saísse prejudicado (foliões e quem quer apenas transitar) mas só a folia é importante por aqui. Carnaval, aqui no Rio de Janeiro, é como um codinome para calamidade pública ou estado de sítio. O governo não é incapaz, mas não tem interesse algum em curar estes males, afinal, menos gente reclama do que fica bêbada e mija pelas ruas.
Eu sinto vergonha de nosso povo “caloroso” não ter senso crítico suficiente que felicidade e entusiasmo não se empurra goela abaixo. Curta seu carnaval, mas respeite. O lugar de folia – já desorganizado o suficiente por si só – é determinado, portanto, parta pra lá e grite lá. Não frite no metrô, não grite na frente de hospitais ou cemitérios durante sepultamentos (pois, acredite, já vi as duas situações), e pense um pouquinho mais no próximo. Você não gosta quando, no dia a dia, entra um cracudo no ônibus cantando raps proibidos às 07:00 de sábado, certo? Não obrigue quem trabalha no carnaval, portanto, a passar por isso.
Essa baderna descontrolada é uma metáfora da vida para o tão famoso “pão e circo”.
Paralisia Dançarina
30/01/2013
Pensei hoje neste texto que, lembrando do assunto de ontem, sobre inspiração e musas, cabe muito bem como um exemplo. É assim que se sente um homem inspirado. Este texto é de algum tempo e não me recordo se cheguei ou não a entregá-lo mas, enfim, cá está, em homenagem à musa que o inspirou:
Geralmente eu me escondo atrás de subterfúgios quaisquer para poder expressar coisas muito profundas que se passam comigo, de uma certa forma, sem ter que me ver tão exposto, entretanto, hoje é um dia atípico. Não vou escrever para uma terceira pessoa me escondendo atrás de um de meus textos “instrutivos”, mas sim, vou experimentar a exposição direta.
Cheguei em casa, depois da noite mais estressante até então (estresse que começou depois que falei com você), muito cansado, mas muito mais do que ambos, curioso. Precisava ler a tal resposta, que eu esperava ser um e mail com algumas linhas, mas que descobri ser muito mais.
Logo quando entrei para ir ao computador, o Carlos, amigo de anos que estava dormindo aqui, levantou-se e me disse que o computador estava ruim. A ira teria me dominado, não fosse a clara necessidade que eu tinha de abrir esta tal resposta. Sentei-me ao computador, constatei o problema, comecei a trabalhar por uma solução. Deparei-me com novo problema. Estava completamente decidido a colocar esta maldita geringonça eletrônica para funcionar, quando o bondoso acaso, conspirando a meu favor como tem feito nos últimos tempos, estalou seus dedos e pôs esta coisa de volta à ativa.
Claro que me animei, claro que me ajeitei na cadeira e esperei que o processo de inicialização terminasse. Abri meu e mail, vi a resposta. Abri a resposta, li seu breve texto, e pausei perplexo diante de um arquivo de texto, com um título que soava familiar, por parecer-se muito com o tipo de enunciado que eu mesmo usava quando queria lhe dizer algo que não sabia como expressar.
Abri o arquivo de texto, e não consigo descrever direito o que se passou. Senti meus olhos embaçados, acho que por lágrimas. Não eram de tristeza e, apesar de serem muito alegres, não eram de alegria. Eram de surpresa. Uma profunda surpresa a qual não posso descrever. A carta era linda, digna da mulher que a escreve. Sua leitura deliciosa, seus detalhes apaixonantes… Eu sei que pensando logicamente eu poderia, talvez até devesse, estar um pouco “desapontado”, por não ter visto o final, mas duas coisas me confortam. A primeira, é o enorme e indescritível bem que esta breve leitura me fez, e a segunda, é saber que de acordo com ela própria, o melhor ainda está por vir.
Eu apenas queria lhe dizer que me senti paralisado. Lembrei do texto que escrevi tempos atrás, usando o Ivan como personagem daquele trágico conto romântico, quando ele diz que “nenhuma lágrima, nenhuma primeira lágrima poderia dar vasão a tanta tristeza” – vai entender se me fizer a gentileza de ler Um amor em duas partes – e não pude deixar de pensar em quanto esta situação me parecia o exato oposto.
Fiquei aqui, paralisado, atônito, boquiaberto por diversos motivos mas, o que mais me chamou a atenção, é que eu estava paralisado, mas sentia-me dançando, rodando, cantando, pulando, correndo… É muito confuso de se explicar, mas confio no seu entendimento para fazer da única forma que me ocorre. A densidade deste momento de paralisia, me faz ver muito mais lógica na teoria do big bang. Se por um pequeno texto, em um espaço de tempo tão curto, em uma despretenciosidade tão casual, eu pude ser tanta coisa ao mesmo tempo, porque não haveria um dia todo o universo ter cabido em uma pequena bolinha de matéria de densidade infinita? Mais algumas linhas de texto e penso que talvez fosse eu mesmo capaz de explodir e colorir este espaço vazio entre todos os planetas.

Aqui o texto encerrava com um recado direto ao objeto de inspiração e emendava em:
Beijo, muito beijado. Muito!
Salva-vidas
30/01/2013
Estava ouvindo aqui, Wonderwall, do Oasis, e fiquei pensativo sobre uma frase da música. Faz tempo que me sinto muito sozinho e, exceto por alguns poucos momentos curtos, esta é minha condição mais permanente. Pois bem, vivo me perguntando o que é que eu procuro em alguém? Por que é tão difícil eu parar em um relacionamento? Eu escolho as pessoas erradas? Eu acho que quero coisas diferentes do que eu realmente quero? O que há?
Quando falta algo e eu penso no que falta, sempre há uma conexão com inspiração na ideia da ausência do algo. Ser inspiradora é uma característica incrível, pois lhe eleva. Você fica maravilhado, ali, diante daquela magnificência e, irradiado pela sua aura de beleza, quer ser alguém melhor. Quer abandonar maus hábitos, quer parar de fumar, porque ela não gosta do cheiro.
Na música há o trecho em que o cara diz “cause maybe, you’re gonna be the one who saves me” e foi no que travou o pensamento. A ideia de ser salvo pelo amor é comum a todos ou só a quem tem comportamentos auto-destrutivos e problemas de auto-controle ou afins? Porque eu me dei conta de que a minha ideia da musa, do que falta na mulher pra me fazer querer de verdade estar por perto, é uma salvação que ela me traz, mesmo que passivamente.
O problema da salvação, da salvação passiva, principalmente, é que você vai sendo contagiado por aquela magia e, se por algum motivo a magia acaba, fica um vazio tremendo que você precisa preencher pois acostumou-se a deixar que aquilo norteie sua vida. Talvez isso seja ser uma pessoa realmente racional. Jamais deixar que a ausência desta inspiração salvadora tome conta dos seus objetivos. Não sei se eu já ceguei lá mas, suspeito que nem perto.
Fica aí a pergunta pra você. O que você quer de um “amor”? Salvação? Quer salvar alguém (neste caso me procure, por favor)? Em que terreno nasce o seu?
Sobre nadar
12/12/2012
Comparemos um homem e suas vontades, bem como dificuldades, a uma oceano e pequenas ilhas. Há dias em que a correnteza está boa, bom tempo, boa visibilidade, você e seus braços e pernas (não imaginei um barquinho na metáfora) não encontram grande dificuldade em movê-lo para a próxima ilhota, praia ou o que seja, entretanto, há dias em que você nada muito, você vê a sua ilha se aproximando, apesar
O predador lhe circula e carrega seu próprio nome, caro náufrago, tatuado em sua pele.
A surpresa é que o predador não está por perto apenas agora, Ele esteve ali o tempo todo, como um gêmeo siamês, mas você não prestava muita atenção porque estava ali, seguro, pelos seus arquipélagos ideológicos, sem medo dos dentes afiados e garras peçonhentas.
Nestes momentos, passo horas observando meu instinto auto-predatório. Eu sei que ele não ataca, exceto que eu comece o movimento. Daí, fico no jogo de estudar seus hábitos, que é o que consigo fazer agora, e confabulo com o dia em que farei meu movimento derradeiro, para mim, ou para ele. Chegando este dia de coragem, não haverei mais de temer pois, mesmo no meio do oceano, longe de tudo, vou poder apenas deitar de barriga para cima e observar as estrelas ou nuvens, sol ou gaivotas, esperando a morte chegar, sabendo que, chegando, ela virá sorrateira, quase que como uma amiga. Lhe convida, ela, para compartilhar o drink da solidão que, não é dos melhores, mas é melhor do que beber sozinho.
Por hora, fico aqui na dúvida de se é melhor ter meu próprio predador siamês, assumido, me circulando nesse meio do nada, ou se deveria acabar logo com sua miséria (mentira, com sua soberania, na miséria estou eu que ainda não decidi se sou predador ou presa) e ver no que dá a sensação de apenas esperar.
Desesperadoramente desesperado
13/11/2012
Então, diriam alguns que eu sou maníaco-depressivo, ou bipolar (não sei qual dos dois é o termo atual e qual caiu em desuso) mas fato é que tenho períodos muito depressivos e períodos de mania e extrema agitação.
Estou, agora, em um período de agitação. De alguma forma eu enxerguei determinadas obviedades que eu mascarava havia anos e anos e estou tratando de lidar com elas de forma séria e severa. Estou em uma dieta tanto quanto radical, tenho tentado lidar com o tabagismo da melhor forma possível (pelo que quero dizer algo como tentar fumar apenas um maço por dia, não que esta seja a meta, mas é o que ando conseguindo), revendo minha postura profissional e procurando cursos e aprimoramentos que me levem à melhorias de médio prazo – e tenho sérios problemas com médios e longos prazos – além de estar tentando retomar de forma lenta a minha rotina de exercícios, que já tive, outrora.
O fato de estar atualmente agitado e fazendo as coisas faz com que eu me anime com a forma como estou conseguindo impor controle à depressão e isso me anima mais, e obviamente ingressamos aí num círculo (ciclo?) vicioso. Não bastasse esta crescente animação, resolvi começar a tomar anti depressivos, finalmente, o que é quase dogmático para mim desde a primeira vez em que os tentei, quando andava tendo crises de pânico e um dado desânimo, que eu não fazia ideia do quão maior poderia ficar.
Comecei a usar ontem os anti-depressivos e, apesar de ser conhecido que seus efeitos acontecem à médio prazo, talvez algo psicológico esteja me deixando neste estado de euforia tão desesperadora. Lembra um pouco o que era o pânico, mas de uma forma não letal (pois a crise de pânico remete diretamente à morte. É a certeza de que você está morrendo, ali, naquela hora) o que alivia, e muito, as coisas.
São 02:30, agora, e eu deveria estar dormindo. Tenho sério problema com horários. Sou uma pessoa com um relógio biológico trocado ou que anda ao contrário… A noite exerce uma atração quase irresistível sobre mim. A paz de tudo, a quietude, ruas vazias, escuro, temperatura amena (não que seja o caso, hoje, em particular, apesar de estar bem mais fresco do que estava durante o dia) me fazem sentir quase em casa. O tumulto e os aglomerados exagerados de gente me incomodam. Não que sejam algo insuportável – salvo em ambientes fechados, com música alta e realmente lotados – mas me incomodam. Eu adoro o clima, por exemplo, de entre feriados enforcados. As coisas que obrigatoriamente abrem funcionam de forma muito mais tranquila, tudo está muito mais calmo e o contato humano consegue manter-se num nível civilizado.
Resumindo, minha agitação me obrigava a falar alguma coisa. Não consegui falar com ninguém com quem realmente quisesse conversar – problema do horário alternativo – e precisava desesperadamente colocar algo, que fosse isso aí, que foi colocado, para fora. Quando mencionei o desespero no início do texto não estava sendo hiperbólico, como acontece muito de eu ser, estava sendo literal. Experimento, agora, desesperado, a necessidade de falar sobre estar desesperado. Ao fim, não é tão ruim. É uma situação meio curiosa pra gente como eu que gosta de se ver como um animal de estudos mas, seja como for, há um desconforto que não consigo combater. Dormir, em breve, é meu caminho, já que há, na relação das drogas ressocializantes-antideprimentes um sonífero, bom para gente que gosta muito da madrugada. O comprimidinho é pequeno, mas vai te jogando para a cama, pouco a pouco.
Desesperadamente espero que esteja – você que lê – esteja tendo um dia – ou noite – maravilhoso e, por mais que pareça estranho, é exatamente como eu me sinto.
Mudança
31/10/2012
Mudança é uma constante na vida, fato com o qual temos que lidar, quer queiramos e aceitemos, quer fujamos desesperadamente da realidade. As coisas mudam. Você vai ter os seus vários pontos de vista sob os quais pode visualizar a mudança, mas, de um qualquer, pois isso vai ser igual em todos, umas coisas vão mudar pra melhor, umas coisas vão mudar pra pior… umas outras poucas parecerão iguais mas estão mudadas. Mudaram abdicando da ordem da mudança. Digo ordem pois aos meus olhos o mudar não é algo que a natureza encare como opcional ou de segunda importância. Se há alguma inteligência mantenedora nisso tudo ela é clara e autoritária no tocante à mudança e, inevitavelmente, o tempo.
Eu me vejo, sob um dos pontos de vista que você pode pegar pra usar, como um cara resistente à mudança. Não a mudança externa, eu me adapto bem aos meios novos, mas nas coisas que estão em mim, nos hábitos que eu cultivei e me acostumei a manter – fugindo completamente do meu perfil de lidar com as coisas – disciplinadamente. São vícios tão arraigados que é difícil dizer onde começa o que é ou deve ser você e o que é ou deve ser o tal alvo de mudança.
Bom, eu tenho uma vontade incrível de escrever, gravar vídeos, criar um blog ou coisa ue o valha, além de qualquer outra forma de expressar o que eu sinto, a forma como percebo as coisas, mas nunca o faço e, parte do problema, é que, nos meus vícios, me acostumei a aceitar que eu não quisesse lidar com aquilo naquela hora específica, que aquilo era coisa que deveria ser feita com inspiração e vontade livre. Forçar sempre dá um resultado que me desagrada.
Eu estou num período de mudanças drásticas na minha vida. Muitas coisas que acontecem e, às vezes, não acontecem, e, acontecendo ou não, estão me fazendo ter que rever alguns problemas básicos, no sentido estrutural da palavra, para conseguir ser quem eu pretendo.
Uma das coisas que muda é que começo a postar periodicamente. Sei que tem gente que entra por aqui e vê coisa ou outra. Adoraria saber quem são e adoraria comentários pois, prometo, se querem o que ler, vou dar. Ruim, péssimo, bom ou muito bom, vai estar aqui.
Este pequeno texto encerra o de hoje e, apesar de não terminar com uma conclusão sobre algo ou dissecar algum assunto de forma lúdica, meio ácida e engraçada ou no padrão de, no mínimo, a maioria dos outros textos, é um texto real e sincero. Vamos nos falar mais, prometo contar mais do que passa por aqui e, talvez na força da criação do hábito se crie também um vício na inspiração e as coisas não sejam mais tão difíceis, não? Talvez não, posso virar mendigo e morrer de varíola. Seja como for, a mudança continua sendo a regra da vida e, decidi, aderi a ela.
Abraços.
A gata e a morte
30/12/2011
Eu até gosto dos animais, mas de uma forma comedida. Acho legal a possibilidade de tê-los por perto mas a obrigação agregada me incomoda. Enfim, tento explicar que sou simpático aos animais – simpáticos – e era simpático a esta gata, pois havia uma gata.
Esta gata ficava sempre ao portão. Em algum momento ela passou a parar ali pois alguém, se não me engano, colocava comida em um pote. A gata era simpática, miava na medida certa, cativava na medida certa, sendo meiga. Eu esqueci de especificar que, apesar da minha simpatia aos animais, sou tanto quanto antipático aos gatos. Acho bichos interesseiros de mais, chegam perto apenas para vantagem e estarão sempre olhando para você desconfiado, como se fosse um inimigo, uma ameaça. De qualquer maneira, esta gata era diferente. Sabia me cativar mesmo que, ainda assim, fosse mais um animal interesseiro.
A gata, como eu disse, ficava ao portão. Eu trabalho de madrugada e, era muito comum que, ao sair e ao chegar, ela estivesse por ali. Cativante como era, eu passei a comprar comida para ela e a alimentar com especiarias delicadas. Ela me fazia sentir bem de alguma forma, com sua dependência e servidão interesseira, eu a mimava com guloseimas. Desenvolvemos uma relação ao longo de alguns dias – e noites – e nos cumprimentávamos, sentíamos – gosto de fantasiar – falta um do outro.
Certo dia eu comprei uma moto. A moto é do tipo bastante barulhenta e isso afugentava a gata. Ela se assustava de mais quando eu chegava e, por mais que depois de parar a moto e desligá-la, ela viesse se aproximar com mais segurança, ainda era possível ver a ressalva. Ela estava assustada e eu não parecia mais tão aconchegante ou atraente. Poucos dias se passaram, esqueci de colocar comida para a gata – já que saía mais de moto e ela acabava não aparecendo por isso, mesmo que eu não notasse – e ela, por isso ou por vontade aleatória, ficou em frente ao meu portão.
Neste dia em que esqueci a comida e a gata, parada, descansava ou esperava por algo, aconteceu de um carro que estava estacionado passar por cima de sua cabeça. Desculpe se fui direto de mais mas sou do tipo que não sabe muito bem como florear para uma notícia direta e objetiva como é a morte. A gata morreu, com sua cabeça esmagada.
Eu não soube disso. Curiosamente, cheguei em casa hoje e chamei pela gata, após parar a moto e desligá-la, mas ela não apareceu. – Bem, pensei, está por aí, descansando ou algo que o valha. Fui deitar.
Ao acordar, saindo, vi que havia sangue do lado de fora do muro. Fui perguntar sobre o que houve e descobri o destino da gata. Eu, perdão se é tema por demais funesto, sou obcecado pela morte – e pelo fato de que vou morrer – e qualquer coisa que a envolva, me envolve. A gata não está mais lá. Não mia mais, não a vejo gracejar, e talvez eu tenha tido culpa nisso. Pela negligência, pela omissão, pela frieza… Enfim, não pretendo me julgar e nem me culpo pelo fato. Apenas senti a clara necessidade de observar que, apesar de ela ter ido embora de forma brutal, para não mais voltar, sua cambuca de água e tigela de comida, continuam lá.