Sobre sentimentos...

terça-feira, agosto 15, 2017

Eu sinto muito. Eu sinto até demais. Eu sinto tanto que às vezes não aguento mais sentir então eu sufoco todos os meus sentimentos num lugarzinho apertado dentro do meu peito e deixo ali até eles não caberem mais.
Eu amo muito. Eu amo demais. Mas ninguém sabe disso, porque eu amo tanto que finjo não amar nada, só para não me machucar.

O meu coração dói de tanto sentir, literalmente (e sim, eu sei usar essa palavra). Ele dói quando eu vejo um sorriso muito bonito. Ele dói quando conheço alguém incrível. Ele dói de felicidade quando eu vejo um casal de mãos dadas. Ou um pai brincando com o filho. Ele dói quando quero abraçar alguém, mas não posso. Ele dói quando alguém está sofrendo e eu não posso fazer nada a respeito. Ele dói quando gosto muito de alguém, porque eu sei que não posso carregar todo mundo comigo pelo resto da vida. Ele dói quando penso que muitas das pessoas que eu tenho hoje irão embora da minha vida, assim como já aconteceu outras vezes.

Meu coração também dói nos momentos bem felizes, porque sei que eles vão acabar. E eu só quero parar no tempo e viver ali para sempre. Então eu tiro fotos mentais das pessoas e dos lugares; tento guardar cada piada, cada risada e cada cheirinho; cada olhar, cada movimento, cada som. E depois dói de novo quando mexo nas minhas muitas memórias e lembro com tantos detalhes das coisas incríveis que eu já vivi e não posso viver mais. É como se elas estivessem vivas dentro de mim e basta um cheiro, uma música ou um lugar para despertar tudo de novo. E seria bom, se isso não passasse de uma lembrança opaca e fraca daquilo que um dia foi vívido e real. Se não fosse só uma sombra daquilo que já passou, na qual eu não consigo tocar.

Às vezes me falta o ar e eu não sei o que fazer com tanto sentimento, a não ser enterrar, ignorar, esquecer, para tentar me proteger de alguma forma. Porque eu amo as pessoas mais do que elas me amam. Eu sofro com perdas mais do que qualquer um. Eu amo lugares e cheiros mais do que o normal. E ultimamente mais parece que de tanto sentir, já não sinto mais nada.

Your love is crashing over me

quarta-feira, março 04, 2015

Uma vez eu li que ostra feliz não faz pérola. Ontem reparei que nos últimos tempos, quanto mais feliz estou, menos textos eu escrevo. Então resolvi escrever aqui sobre a minha felicidade, mesmo que seja um tanto difícil. Isso porque a tristeza tem várias formas de ser apresentada, sabe? Quantas metáforas eu já usei, quantos rodeios eu fiz para simplesmente dizer: cara, tô numa tristeza tão profunda! Quantas vezes eu enchi de flores a minha dor, a minha solidão. Glamourização do sofrimento. Me envergonho de pensar que cheguei a esse ponto. Eu estava tão confortável com esse montão de sentimento ruim que cheguei a gostar de tê-los. A minha tristeza se tornou a minha identidade e sem ela eu já não sabia quem era. 

Até que tudo mudou. Assim óh, num piscar de olhos, eu experimentei do mais doce amor, da mais suave presença. Amor que cobre a multidão dos meus erros. Amor que traz cura, que traz paz. Amor que gera amor. Amor tão forte, tão grande, tão profundo, que eu mal pude suportar fisicamente a sua grandiosidade. E de uma hora para a outra, eu já não quis fugir de tudo e de todos. A solidão que eu sentia se dissipou. Tudo aquilo que tinha importância na minha vida perdeu o sentido perto de algo tão maravilhoso. O meu vazio foi preenchido e não sobrou nem uma fresta para contar história. 

Ah, como é complicado falar da nossa felicidade! Eu não sinto vontade de sair dançando pela casa. Não é euforia. Não estou satisfeita com tudo aquilo que eu sou ou tenho. Isso é conformismo. Eu me sinto feliz. Completa. Curada. Cheia de gratidão. Sem jugo. O fardo que me foi dado é leve. E o meu desejo para quem ler isso daqui, não é que entenda tudo isso que escrevi, mas que algum dia, em algum momento da vida, sinta isso também.

Drama Queen

quinta-feira, dezembro 11, 2014


Minha mãe diz que eu sou muito exagerada e odeio admitir que ela está certa. Eu sempre coloquei intensidade demais em tudo. Não é fácil ser assim, sabe? Você se machuca mais, qualquer cortezinho dói. Me lembro que aos 10 anos tempestade em copo d'água era a minha especialidade. Quem eu quero enganar? Essa é a minha especialidade até hoje! Talvez eu tive muita inveja daquelas novelas mexicanas bem bregas e quis transformar a minha vida em uma. Qualquer coisinha é motivo de reflexão, de encher a cabeça procurando sentido. Uma conversa já é desculpa para questionar a vida, as amizades, as minhas escolhas. Às vezes esqueço que a vida não foi feita para ser superestimada nem explicada. A vida é só a vida, sabe? Tem erros, tem mais erros, tem dúvida, tem mistério, tem coisa jogada ao ar. Tem aquele frio na barriga de não conseguir decifrar o que as pessoas sentem quando te vêem ou quando conversam com você. Por que que graça teria se todo mundo já viesse com seus sentimentos escritos na testa?

Na maioria do tempo é difícil para mim ser assim, leve. Como boa dramática, minha cabeça sempre dá um jeito de aumentar o lado ruim das coisas. No meio daquele monte de palavras boas, no meio daquele amor todo, ela consegue achar o erro, ela acha aquela palavrinha que estava ali seca, sem graça, sem vida, sem sentimento. E isso fode todo o resto. Porque na minha vida suspeita é sinônimo de tristeza. Eu preciso de um lugarzinho seguro para morar. Viver esperando o momento em que as pessoas que você mais ama vão te dar as costas e te deixar ali, em pé, com uma mala de coisas para falar e um monte de sentimento condensado no coração não é justo. Deviam inventar uma lei que proibisse isso de ir embora sem dar tchau, deixar de amar sem ensinar o outro a fazer o mesmo. É que tem gente que assim como eu, dramatiza. Faz aquela partida ser o fim do mundo, ser a dor mais forte que já sentiu. Faz a perda ser um buraco no peito que impede o ar de entrar nos pulmões. Viu só? Sou feita de drama.

Eu queria que pelo menos a maior parte da minha vida fosse assim do jeitinho que me sinto hoje. Suspirando pelos cantos, dançando sozinha no meio da sala, rindo para o espelho e sentindo o coração apertadinho dentro do peito, de tanta felicidade. Tudo isso porque a minha mente deu descanso e não quer mais desvendar cada fato do meu cotidiano. Ela decidiu aceitar tudo aquilo que não posso controlar. Decidiu amar quem eu tenho do meu lado e parar de tentar ganhar de volta aqueles que bateram a porta sem olhar para trás. Me sinto desarmada, pela primeira vez em três anos. É assustador. Parece que a qualquer momento alguém vai chegar pedindo as contas dessa alegria toda. Ou alguém vai sumir, levando tudo o que eu sou. De qualquer jeito, me recuso a colocar todas as defesas no lugar, porque posso sentir de novo meu coração batendo. Mesmo que bem fraquinho, ele está voltando a ser como era antes de toda aquela dor. E assim a vida até começa a valer a pena.

Pega a solidão e dança

quinta-feira, dezembro 04, 2014

"And you tried to change, didn’t you? Closed your mouth more. Tried to be softer, prettier, less volatile, less awake… You can’t make homes out of human beings. Someone should have already told you that. And if he wants to leave, then let him leave. You are terrifying, and strange, and beautiful. Something not everyone knows how to love." Warsan Shire
Não teve aviso. Não teve placa de néon piscando na minha frente. Nem a minha intuição me alertou para o que estava por vir. Depois daquela tempestade toda, veio uma calmaria cheia de paz. E eu cheguei a acreditar que dessa vez tudo ía dar certo, que o universo estava alinhando as coisas, cortando as pontas soltas, apagando as palavras não ditas, resolvendo os problemas, diminuindo os dramas, tapando o buracão vazio dentro do meu peito. Até a minha mente ficou mais silenciosa, organizada e eu já não escutava aquela bagunça de pensamentos a mil por hora.

Como se me cobrasse por tudo de ruim que eu já fiz, a vida resolveu chover. Choveu forte dentro de mim, o ano todo e bem no finalzinho, quando eu achei que ía dar sol, choveu de novo. Tempestade daquelas com bastante vento, que sai por aí arrastando tudo o que vê pela frente. Arrastou um tanto de gente para longe, arrastou a leveza que eu comecei a sentir depois de tanto tempo. Aconteceu de novo, sabe? Exatamente a mesma coisa. É sempre o mesmo ciclo. É sempre um minutinho de paz no meio de 23 horas e 59 minutos de agonia. Dói e quem me dera fosse metáfora.

Parece que algum pedaço meu se perdeu pelo caminho e prejudicou o funcionamento de todo o resto. Até o meu coração está desistindo de bater no meio dessa escuridão. Porque foi todo mundo embora, sabe? Cada um arrumou o seu par nessa dança e lá pelo fim da noite voltaram para casa, apagando as luzes do salão. E eu fiquei para trás.

Colocando abaixo alguns muros

terça-feira, setembro 30, 2014

Tenho tido tanta dificuldade para escrever ultimamente. Há um tempo atrás eu era capaz de despejar todos os meus sentimentos em palavras num piscar de olhos, agora algo simplesmente me trava. Uma constante sensação de que tudo o que eu disser vai ser clichê demais, brega demais, romântico demais. Medo de que todos comecem a enxergar a fraqueza dentro de mim. A garotinha iludida, idealista, que acredita num amor que dure para sempre, até mesmo com aquele que eu nunca poderei ter, aquele que simplesmente não me quer. 

Desde que eu me conheço por gente as coisas sempre foram assim, entende? Quero aquilo que me faz mal, aquilo que me machuca, o inalcançável, o mais difícil, o mais misterioso, o que me faz pensar e repensar todos os meus passos em busca de sentido. Gosto do que revira tudo em mim, me deixa de ponta cabeça perguntando onde eu errei e me faz querer ser o melhor que eu posso ser. E o pior que eu posso ser: idiota, perdidamente encantada, daqueles tipinhos que mal conseguem disfarçar. Totalmente viciada, fixada na ideia de que eu quero é ele e mais ninguém. Cega, incapaz de perceber todos os sinais de perigo que praticamente gritam enquanto eu avanço, me avisando que estou prestes a pisar em falso no maior precipício de todos.

Viu? Totalmente clichê. Ridícula. Mentindo para mim mesma. Quem eu quero enganar? Meu coração grita tão alto quando você passa pela porta! Eu desmaio por um segundo quando você me abraça forte e logo volto à realidade, sem ar. E quando vejo seu sorriso, o meu se abre acanhado, como se dissesse que não é páreo para competir com o seu. Não quero beijar mais ninguém. Acho que isso é amor. E eu quero você. Mil vezes você. Um milhão de vezes você. Em todas as vidas que eu tiver.
E ah, só pra deixar claro, o texto não tem quase nenhuma relação com a realidade hahaha /piscando /envergonhado

Submersa

quinta-feira, julho 10, 2014

Meu coração estava submerso. Congelado. Parado. Eu podia senti-lo batendo fraquinho no peito, mal conseguindo fazer o seu trabalho. Até o dia em que eu te olhei e não foi como das outras vezes. Eu já tinha te notado há meses, mas não conseguia sentir nada que fizesse minhas pernas tremerem. Até que o universo me deu um soco no estômago e apontou pro seu sorriso dizendo, olha ali, é aquele sorriso que você quer do seu lado. Nessa hora você me fez rir até perder o ar, como sempre fazia. Os meus pés não saíram do chão e nenhuma borboleta revirou no meu estômago. Eu só pude sentir um aperto no coração e um único pensamento tomou conta da minha mente, crescendo até se tornar um grito insistente, uma vontade que me invadia por inteira: eu queria você, de todos os jeitos, em todo lugar, com qualquer humor, em toda e qualquer circunstância, para sempre.

De repente me vi sem controle. E tudo o que eu escrevo agora é sobre você. Não dá para evitar. Você está em cada palavra, em cada canção, em cada pôr-do-sol, em cada tarde chuvosa. E logo eu, que não sentia nada por ninguém, me peguei esquecendo o olhar no seu. Com a mãozinha no rosto, os olhos brilhando e tudo o mais.

Não, eu não te amo. Farei de tudo para não te amar. A gente sabe o momento quando está correndo em direção a maior burrada da vida e eu sinto isso agora. O grito fica mais alto na minha mente a cada passo que eu dou na direção contrária. Cada célula do meu ser implora por você, pelo seu gosto, pelo seu cheiro enquanto a razão tenta me tirar dessa confusão. Tudo me diz que se eu te ter e depois perder, é dor que nenhum remédio consegue aliviar, nem cirurgia vai te tirar de mim.

É como se eu estivesse com as mãos cheias de caixas, conseguindo equilibrar tudo por pouco tempo, esperando o momento delas caírem no chão. Estou colocando um monte de coisas por cima desse sentimento, me mantendo no controle, iludindo a mim mesma. Como se a gente pudesse controlar o que sente! Grande piada. A verdade é que só estou esperando o momento em que vou soltar tudo e deixar se espalhar no chão até te alcançar. Esperando o momento em que você me puxa de volta para perto e não me solta nunca mais.

E a vida é injusta

terça-feira, junho 24, 2014

Eu gastei todas as minhas lágrimas aquela noite. Na noite em que vi o quanto as coisas estavam perdidas. E como eu estava no lugar errado. Sabe quando você consegue finalmente entender que aquele não é o lugar que você pertence? Você está ali, mas ao mesmo tempo não está. Foi como um clique na minha cabeça. De repente tive vontade de sair correndo pela rua, em plena madrugada, até chegar na cidade que eu devia estar, com as pessoas que realmente importavam, para viver a vida que era minha até eu jogar no lixo por pura covardia.

Revirei a minha pasta de fotos do ano passado. Todos os sorrisos, todas as pessoas. Meus dedos passaram pelo monitor do computador quase que involuntariamente. Eu tinha medo de que quando começasse a chorar, não conseguiria parar. Eu estava certa. Eram duas horas da manhã e eu não fui dormir. Sentei na varanda, coloquei as minhas músicas favoritas e drenei toda a água do meu corpo relembrando um monte de coisa boa que nunca vou ter de volta.

Por muitos meses não derramei uma lágrima. Acho que eu estava totalmente vazia por dentro, paralisada numa tristeza tão profunda que me impedia de sentir qualquer coisa que não fosse um gigante nada. Eu sou muito boa em enganar as pessoas e incrivelmente habilidosa na arte de me enganar. Estava tudo supostamente bem. Eu tinha um plano, as coisas iam se ajeitar. Até aquela noite. Até eu perceber que não, nada ia ficar bem. A vida é injusta com quem faz as decisões erradas.

Não tem volta. Não tem conserto. Não funciona assim. Você não tem o direito de voltar atrás pelo caminho só porque percebeu ali no meio que ele era completamente errado. Você é obrigado a continuar. Engolir o choro, as consequências, engolir aquilo que te machuca e torcer para encontrar uma bifurcação, qualquer coisa que te dê a chance de sair desse labirinto.