Dear world

A minha vida está a mudar.

Compreendo agora, com mais certezas, a importância de cada história – e eu que sempre gostei de as contar, apesar da pouca prática.

Compreendo melhor que contar a história não deve incluir desconstruí-la. Deixar quem a recebe, viver a história.

Eu já cria nesse aspecto para a poesia e sempre defendi assim: cada um com a sua versão do poema, do verso.

Meu querido mundo, estou a mudar, mas não te quero perder. Acompanha-me.

Sobreviver

Um dia. Outro dia.

Hoje. Amanhã. Depois de amanhã. Ontem.

Sobreviver. Desespero. Calma. Serenidade. Dor.

Escuridão. Luzernas. Sol. Nuvens. Brilho.

Intensidade. Sufoco. Ansiedade.

Suportar. Atingir. Falhar. Fugir.

Dia. Noite. Mês. Ano.

Uma vida.

prefiro sorrisos

As minhas cadelas olham o horizonte e aguardam sinais. Uma delas, já vos disse, procura no ar os pássaros e os aviões, a outra, procura apenas que esteja tudo sereno, para que não tenha que intervir e corrigir o suave correr do tempo.

Tenho a janela aberta e entra o ar fresco da Primavera, num dia que alterna aguaceiros e sol, como se fossem as saudades que o atormentam. Chora quando se lembra. Pára e é solar. Volta a chorar.

Eu não choro, por muito triste que esteja. Admiro, por isso, quem chora: seja pessoa ou dia. As lágrimas são materialmente carregadas de um poder que me apaixona: a dor espiritual enternece-me… prefiro sorrisos, claro, que é o que sucede ao choro.