sábado, 28 de fevereiro de 2015

Acabou, boa sorte


Hoje é sábado e eu estou na cozinha do apartamento no meu namorado, pensando no tanto que as coisas mudaram desde a última vez que eu publiquei nesse blog e em como continuam mudando a cada segundo que passa. Vivi e revivi muitos momentos desde que postei aqui pela primeira vez, em 2008; lancei um livro com os textos daqui e existe forma mais concreta de eternizar algo? Despejei minha alma nesse blog e ele me ajudou a colar os cacos do meu coração mil vezes partido.

Depois de 6 anos e 7 meses extraindo desse blog tudo que ele podia me fornecer, chegamos a esse momento inevitável em que eu não me encontrei mais aqui. Talvez eu nem esteja assim tão diferente, mas prefiro acreditar que estou, sim. Eu preciso estar.

Seria moleza falar por linhas e linhas sobre todas as razões que me trouxeram até aqui, esse dia absolutamente comum, para finalmente dizer que o Verdade mal contada está encerrado. Mas, vocês sabem, eu nunca fui a maior fã de despedidas e pretendo continuar as evitando enquanto eu puder.

De qualquer forma, eu estou só de mudança. Vocês ainda poderão me encontrar em um lugar onde, eu espero, vou conseguir ser um pouquinho mais leve, boba e feliz do que eu fui aqui. Pra ser sincera, eu ainda não sei o que eu vou fazer por lá. Só espero que seja algo minimamente bom.

Não me entendam mal; o Verdadinha me trouxe muitas coisas boas e algumas maravilhosas, impagáveis e inesquecíveis. Mas eu mexo, sim, em time que está ganhando. Porque eu não quero só ganhar o jogo. Eu quero ganhar e, de quebra, ser aplaudida de pé.

ESSE é meu novo lugar nesse mundo louco chamado internet.

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Neofobia e outras desculpas

Mais de um mês desde a última vez que eu vim aqui. Não consigo mesmo ser estável. Droga.
Não é exatamente como se os outros sentissem a minha falta, mas ocorre que eu sinto falta da pessoa que eu sou depois que entro aqui, digo uma ou duas baboseiras e saio leve, para mim e para o mundo. Mas nem para dizer coisas sem sentido eu tive tempo durante Agosto, que foi um mês que passou por mim como um susto. É, definitivamente não haveria definição melhor. Agosto foi o meu soco no estômago, o meu sonho com face de realidade. Preciso dizer, Agosto por mim valeu por um ano inteiro, me trouxe (e, porque não?, me tirou) mais coisas que os últimos cinco verões. Agosto surgiu com tanta importância que para mim se tornou Agosto, o substantivo próprio. Agosto veio e passou e só deixou em mim esse não entendimento das coisas.
Em Agosto eu me formei, com direito a capelo, beca, uma semana de festas e baile de formatura. É, eu sei, já está todo mundo cansado dessa ladainha do "como será daqui para frente?". Eu estou cansada, vale dizer. Também sei que todo mundo já passou por isso, só que não adianta as pessoas ficarem me repetindo que tudo vai ficar bem, porque por mais que isso seja gentil, em verdade não diminui em nada o meu desespero. O fato é que eu me formei e, insira aqui um palavrão muito intenso, E AGORA? Me entendam, por favor, porque eu preciso escrever sobre isso, preciso estar ciente disso, preciso falar sobre esse assunto praticamente o tempo todo até que finalmente eu vou entender o sentido real de tudo e sobre como as coisas serão daqui pra frente - porque, surpreendentemente, eu tenho um plano.
Sim, eu tenho um plano bonito e a longo prazo e, se tudo der certo, vocês não somarão a minha pessoa à estatística de desemprego. Não, o meu "e agora?" não se refere ao que eu vou fazer da vida, mas sim como e quando eu vou fazer algo a respeito. Porque por enquanto, e não me orgulho do que vou dizer, eu não tive coragem sequer de ir à faculdade requerer um certificado de conclusão de curso, muito menos de ir à OAB fazer a minha inscrição. Não porque eu não sei o que fazer da vida - isso já está escrito desde o primeiro dia no curso de Direito, afinal. O problema é que eu não sei como.
Se eu tivesse me formado em medicina, diria que estou morrendo de medo de começar a trabalhar em um hospital e acabar matando cada paciente que passar pelas minhas mãos. Perder um prazo ou elaborar uma tese ruim pode não ser tão drástico, mas ainda assim é aterrorizante. Estar em uma audiência, fazer defesa oral, impetrar um recurso... Tudo isso me tira o sono. Até parece que eu não estudei 5 anos para tudo isso, que nunca fui ao Fórum, que não passei na OAB. A sensação que eu tenho é que não aprendi nada na faculdade. Mesmo que lá no fundo eu saiba que vou me sair bem e que é absolutamente normal, no início, duvidar de mim mesma... Ainda assim essa neofobia adquirida não me deixa dar um passo sequer à frente. O novo é assustador e congelante. Eu poderia facilmente pular essa parte inicial e ir direto àquela em que sou alguém experiente no que eu faço, porque, por enquanto, ser novata nessa coisa de ser gente grande não tem me atraído nem um pouco.
Agosto foi tão definitivo que se foi há cinco dias, mas aparentemente ainda está aqui, pairando pelo ar, me empurrando para o meu próximo grande passo. A verdade é que não escrevi nada durante Agosto porque estava muito ocupada tentando viver o turbilhão de coisas que estavam reservadas a mim nos seus 31 dias. Não sei se estou pronta para setembro, que deverá ser simples, porém mais breve que qualquer outro mês que eu já vivi. Setembro é o janeiro do momento, é o recomeço de tudo, o "era um vez" da minha nova história - história essa que, Deus me proteja, não faço ideia de como começar a escrever.


Para atravessar agosto é preciso antes de mais nada paciência e fé. Paciência para cruzar os dias sem se deixar esmagar por eles, mesmo que nada aconteça de mau; fé para estar seguro, o tempo todo, que chegará setembro - e também certa não-fé, para não ligar a mínima às negras lendas deste mês de cachorro louco. É preciso quem sabe ficar-se distraído, inconsciente de que é agosto, e só lembrar disso no momento de, por exemplo, assinar um cheque e precisar da data. Então dizer mentalmente ah!, escrever tanto de tanto de mil novecentos e tanto e ir em frente. Este é um ponto importante: ir, sobretudo, em frente. - Caio F. Abreu.

segunda-feira, 28 de julho de 2014

I go to seek a Great Perhaps

Há alguns dias, eu fiz um compromisso de honestidade. Com quem, eu não sei exatamente, e com que intuito, muito menos. A verdade é que eu passei a vida inteira escondendo as piores coisas que se passam dentro de mim, não só pelo que as pessoas achariam se soubessem, mas por causa do que eu própria já achava de mim. Acreditem, não tenho exatamente um caso de amor comigo mesma. Não são raros os dias em que não me suporto. Por outro lado, estar aqui, hoje, me dando uma última chance, é a maior prova de amor que eu poderia me oferecer.
Um dia me disseram que desabafar faz bem, que conversar alivia a alma. Nunca experimentei a sensação, mas sei bem como é engolir a seco as próprias mágoas e garanto: não tem um gosto bom. Então ok, vamos tentar uma outra abordagem: vamos ser sinceros, de uma maneira que eu nunca fui na vida. Só Deus sabe por quanto tempo e até onde isso vai me levar.
Se é para ser honesta, aqui vamos nós: meu nome (que por sinal, eu odeio) é Deyse, tenho 22 anos e, muito embora me autodenomine advogada, a verdade é eu mesma não poderia pensar em uma titulação mais irônica - se tem alguém no mundo que hoje é incapaz de defender outra pessoa ou alguma causa, esse alguém sou eu. Atualmente, estou gravitando naquele período pós-aulas e que antecipa a colação de grau, então podemos dizer que, verdadeiramente, sou uma desocupada - e qual é mesmo aquele ditado sobre mente vazia...? Esse meu atual estado por si só é uma problemática bastante extensa, mas vamos por enquanto resumir a coisa da seguinte maneira: eu não faço ideia do que eu vou fazer com a minha vida daqui pra frente.
Tenho passado os meus dias lendo livros, vendo filmes, comprando coisas que não vou usar e escrevendo textos banais e inúteis tais como esse, que ninguém vai ler porque ninguém se importa. Talvez nem eu me importe, mas foi o que eu disse anteriormente: me sobra tempo livre e o diabo anda fazendo a festa com a minha imaginação fértil. Além disso, tenho pouca vontade de sair de casa, mas não consigo parar de odiar o fato de passar o dia de pijamas, dormindo o sono que nem mais tenho. 
Queria muito ligar para alguém, mas não saberia o que dizer e tão pouco tenho para quem ligar - e aqui vai um fato muito importante sobre mim mesma: eu tenho vivido só. Na maioria dos dias, não converso com ninguém que não seja a empregada de casa ou meu irmão - só o básico, aliás, o suficiente para o alerta vermelho deles não disparar na minha direção. Não estou me esforçando para mudar esse quadro, o que é particularmente triste, mas não o suficiente para me obrigar a fazer algo a respeito. Por isso, passo o dia conversando comigo mesma e ouvindo meus próprios conselhos o que, desconfio, é um dos principais motivos pelos quais eu tenho tido tão pouca vontade de viver.
Estou aqui para falar dos meus problemas, na esperança de que, ao tirá-los da minha mente e torná-los algo minimamente real, eu consiga encará-los e mandar todos para o quinto dos infernos. Espero que ninguém esteja aguardando qualquer texto feliz e cheio de superação, porque, pelo que pretendo, as alegrias que eu por ventura venha a ter não vão ter relação alguma com o que eu faço aqui - vão ser vividas lá fora, bem longe de toda essa carga negativa que vez ou outra eu deposito nesse espaço. É por isso que eu decidi separar bem as coisas: sou feliz do outro lado desse muro; aqui, eu sou só mais uma garota fodida pela vida, pelas pessoas e por si mesma.

Nunca pensei que fosse tão fácil ser sincera. E tão absurdamente vergonhoso.