quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Feliz Ano Velho

Eu não sou boa em retrospectivas e nem em fazer avaliações de longos períodos de tempo, mas eu tenho que admitir que 2009 merecia. Eu comecei esse ano imaginando que seria o pior da minha vida e hoje eu o estou encerrando com a sensação de que viver esses 365 dias de novo seria absolutamente maravilhoso.
Eu costumo pensar que o que importa não é exatamente se eu aprendi alguma coisa ou não; o que interessa é se eu me tornei uma pessoa diferente. Porque mudar, ah, mudar é preciso sempre e se depois de um ano inteiro eu tiver alterado alguma coisa em mim, então sim, valeu a pena. E em 2009 eu mudei tanto, não só de dentro pra fora, mas de fora pra dentro; eu exagerei sem cautela, eu falei sem medo, eu vivi sem pressa e, pela primeira vez, eu passei mais tempo olhando para o meu exterior que para o meu interior. E no fim das contas, eu preenchi meus dias de conquistas, novidades, quebras de rotina... Enchi os meus dias de mim mesma. Descartei quem não prestava e conheci pessoas que me conquistaram de verdade. E não fiquei sozinha um minuto sequer. E não chorei sem motivo. E, principalmente, eu fui feliz simplesmente porque sorrir é um das melhores coisas que existe.
Definitivamente, não sou mais a mesma pessoa limitada que era em 31 de dezembro de 2008. Eu m-u-d-e-i e, de quebra, aprendi uma quantidade de coisas que, mesmo que eu não coloque em prática no ano que vem, ao menos serviram para me tirar dos olhos a venda que escondia tantas pessoas e lugares – e mal sabia eu o que estava perdendo com isso. Por isso e por outros milhares de motivos, eu concluo o meu ano com um saldo mais que POSITIVO. Esse foi o ano que eu tive menos problemas, o ano que eu conheci mais pessoas, o ano em que eu mais saí da rotina, o ano que eu mais amei de verdade. E sim, eu vou sentir saudade de cada um dos meus últimos e bem satisfatórios 365 dias. Mas 2010 chegou, ? Mas por tudo que 2009 foi para mim, um novo ano não é sinônimo de recomeço... É sinônimo de continuidade de todas as coisas pelas quais eu tenho passado. Então, o que eu peço é que esse ano que se inicia tenho ao menos o mesmo grau de surpresas e o mesmo número de momentos marcantes e especiais que tive em 2009.

Eu tô na fé. E que venham muitos abraços, muitas risadas, muitos amigos, muitas aquisições, muitas segundas surpreendentes, quartas alegres e sextas impecáveis. E que todos tenham um ano o mais perto possível da perfeição. O meu, com certeza, vai ser assim. Feliz 2010 :)

sábado, 26 de dezembro de 2009

Resoluções de Ano Novo e coisa e tal

01. Mudar o meu horário de dormir de 02:00 da manhã para 00:00 e o de acordar de 09:00 da manhã para 07:30;
02. Comprar uma cinta e recuperar a minha postura perfeita;
03. Começar a tomar sérios cuidados com o meu cabelo, pele e alimentação;
04. Parar com a mania de me arrumar às pressas e sempre chegar em cima do horário/atrasada nos lugares;
05. Jamais, nunca e de jeito nenhum deixar novamente para estudar para prova na véspera;
06. Organizar minhas verbas e começar a dar presentes pros meus pais/amigos no dia do aniversário de cada um;
07. Dosar coisinhas como ciúme e estresse vãos;
08. Voltar a escrever. E escrever. E escrever;
09. Explorar pontos como determinação e gentileza;
10. Controlar o meu jeito mandão e amargurado antes que ele me controle;
11. Parar de roer unhas;
12. Não reprovar nenhuma cadeira na faculdade;
13. Fazer algo de que eu me orgulhe ao menos uma vez por mês;
14. Por em prática uma regra de sobrevivência simples: passado nada mais é que passado;
15. Nunca deixar para dizer amanhã algo que eu posso dizer agora – nada melhor que manter as coisas claras, SEMPRE;
16. Aprender a falar frases mágicas como “eu te amo’’, “me perdoe’’, “obrigada’’ e “eu sinto sua falta”;
17. Parar de me lamentar tanto e começar a aceitar que tudo é conseqüência do que eu fiz ou deixei de fazer;
18. Ler todos os livros que estão na minha estante, mas que eu ainda não sei nem a história;
19. Deixar de ser tão imatura, que isso é sempre bom;

20. Viver bem e viver MUITO, porque 18 anos a gente só tem uma vez na vida :)

sábado, 12 de dezembro de 2009

Leitura do chão

Eu passei aproximadamente 17 anos e 9 meses da minha vida achando que tinha algo de errado comigo. Acho triste, mas acho inevitável o fato de você, as pessoas, se sentirem estranhas, excluídas e anormais quando o seu comportamento não condiz exatamente com aquilo que é esperado. Eu fui um bebê que não gostava da Xuxa, uma criança que preferia carros a bonecas, uma pré-adolescente que não passou anos planejando uma festa de 15 anos e, olhe lá, estou sendo uma adolescente que passa os sábados à noite em casa, que odeia lugares cheios, que não se importa com popularidade, que não vai às festas da faculdade.

Eu lembro que desde muito pequena eu já observava esse meu comportamento. Enquanto todos os meus amigos saiam para banhar de piscina na casa de alguém no domingo, eu ficava em casa, enrolada em um lençol, o ventilador no rosto e a televisão ligada no filme da tarde da Globo. Eu também não posso dizer que muito me incentivaram a não ser assim; acho que a maior felicidade da minha mãe foi quando eu decidi, aos 16 anos, ficar em casa em pleno carnaval. E, sinceramente, eu vivia muito bem assim. Não sentia necessidade de ir além do portão de casa, me confortava com minha pilha de livros que crescia cada dia mais e não tinha pressa de conhecer o que eu só ouvia todo mundo falar.
Então, daí que eu estou quase fazendo 18 anos e talvez, finalmente, eu tenha decidido que preciso sair do casulo. Eu estava pensando com os meus botões que eu já fiz tanta coisa ruim nessa vida que esqueci de ter as experiências boas – acho que as poucas vezes que dei uma espiada no mundo, ele me assustou. E eu ainda quero tanta coisa! Eu quero terminar meu curso de inglês e viajar em intercâmbio, passar frio na Inglaterra e conhecer algum britânico que parta meu coração quando eu tiver que voltar para o Brasil. Eu quero passar o reveillon na praia, pular sete ondas quando for meia-noite, beijar alguém que valha a pena e beber uma taça de champagne em um gole só. Quero viajar no carnaval com os meus amigos pra algum desses interiores perdidos por aqui, ficar em uma casa alugada e bagunçada, dividir um banheiro com 15 pessoas, beber a noite toda e sair andando de madrugada elas ruas desertas. E tudo isso e mais uma lista de coisas que eu desejo está aqui, na minha porta, pedindo para entrar; o esforço é pequeno, a conquista é grande. Quantas vezes isso realmente acontece na vida de alguém?
Mas daí eu lembro de quem eu era. Lembro da menina contida, da rotina simples, dos objetivos traçados desde que eu tinha 12 anos e saí da casa dos meus pais para estudar na capital. Eu lembro que eu acostumei mal a todos – qualquer, qualquer extravagância minha seria simplesmente o marco do início de uma guerra de gênios na minha casa, onde meus pais tentariam me mostrar quão boa eu era e eu tentaria mostrar quem eu sou de verdade. Eles mostrariam ética, moral, valores e posturas; eu mostraria liberdade e histórias para contar. E quando eu dou uma espiadinha nesse confronto e vejo que eu iria perder, eu me aquieto; só mais um pouco, mais um pouco e eu terei 18 anos, mais um pouco e estarei formada, mais um pouco eu terei um emprego e pagarei minhas contas. Quanto é ''mais um pouco''? Ainda falta muito para chegar lá?

Eu disse que soaria ao contrário do que era para ser. Quando eu deveria estar adquirindo todas as certezas da minha vida, eu caí em um conflito entre o que eu quero e o que eu posso que é tão juvenil que me dar vergonha. E não, eu não tenho calma, não tenho vontade de ficar parada vendo as coisas se arrumarem; alguém já entendeu que eu quero VIVER? Isso significa ser traída? BELEZA! Significa me arrepender? VAMOS LÁ. Significa sofrer? Foi pra isso que eu NASCI. Só não me prenda. Não me limite. Me deixe ser.

-

“O desejo pode ferrar com a sua vida. E por mais duro que seja querer muito uma coisa, as pessoas que mais sofrem são aquelas que sequer sabem o que querem”.

Meredith Grey.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Hoje não monto minha árvore de Natal

A história é o seguinte: fim de ano é uma merda. Ah, eu acho. Desde que a minha família começou a brigar sem parar que eu fiquei com essa ideia na cabeça: meus tios discutiam o ano todo, passavam meses sem se ver e, quando chegava o Natal, todo mundo se reunia e fingia ser a família mais feliz do mundo. Patético. Isso foi até minha avó falecer. Depois, todo mundo perdeu a compostura e hoje em dia, fim de ano significa cada um para um canto diferente no país. Isso soa mais legal – falsidade não é muito comigo, sabe como é.
Depois que a ceia de Natal que cheirava a homicídio acabou, eu achava que a minha implicância com o fim de ano também ia acabar. Que nada. Acho que meu problema não é exatamente a coisinha falsa que me soava a felicidade natalina. O que me revolta, mesmo, é o final do ano e todas as suas implicações. Talvez seja por isso que eu ando tão perdida, tão confusa e sem saber o que diabos eu faço com a minha vidinha de merda.
O que me consola é que eu sei que eu não sou a única que fica pensando sobre essas coisas. É algo tão evidente, tão no ar, que todo mundo consegue sentir o cheiro, consegue apanhar com as mãos e ver o quanto pesa, o quanto é áspero e desconfortável. Deve ser a minha natureza muito drástica, profunda e melodramática. Eu bem que gostaria de não ser 100% do tempo uma novela mexicana, mas já que eu sou, antes assumir isso e ver o que eu posso fazer para contornar.
Eu não gosto de mudar. Ah, não gosto não. Eu posso sair da rotina de escola na segunda e ir beber em um bar, posso passar a noite de sábado estudando, posso dormir o dia todo e ficar a noite em claro. Saída de rotina, acabando com o tédio. Mas mudanças, mudanças de verdade? Ah, isso eu dispenso, meu senhor. Sempre que acontece comigo, e olhe que aconteceu muito pouco, é uma coisa tão complexa, tão árdua de se adaptar. E, por isso, eu não gosto de fim de ano. Sim, para mim a história de 'ano novo, vida nova' é bem válida e, em especial esse ano, eu não tô gostando muito dessa história. Eu adorei o meu 2009, sabe? Não foi o melhor ano da minha vida, mas desde quando eu tenho um 'melhor ano da minha vida'? E, afinal, eu aprendi a ser gente esse ano. Eu me conheci e, por Deus, eu conheci pessoas maravilhosas, eu adquiri tanta história para contar! Isso tem mesmo que ser interrompido por um champanhe estourando e uma contagem regressiva?
Andei pensando, só. Daqui a menos de uns mês eu saiu de férias e vou deixar para trás, por um tempo, coisas que eu gostaria de levar comigo na mala. Nessa parte tão incerta da minha vida, que eu não sei quem eu amo, quem eu quero, o que eu desgosto... Eu só queria poder ter tudo comigo, ainda, porque o tempo foi curto demais para que eu soubesse escolher. O tempo foi curto demais para que eu pudesse gostar de todo mundo, ir para todos os lugares... O tempo foi curto demais para que eu pudesse viver, será que o próprio tempo não percebeu isso? E, se percebeu, seria pedir demais que o tal pudesse se prolongar?
É, seria. Eu não falo com um ser concreto de vontades e opiniões, que é sucetível aos meus apelos sem um pingo de lógica. Soa até um pouco rídiculo, eu acho. Pode ser que um ano maravilhoso esteja a minha espera. Pode ser que, como nos anos anteriores, eu abandone pessoas ótimas para conhecer outras melhores ainda. Mas e se, dessa vez, eu estiver, pela primeira vez na vida, satisfeita com o que eu tenho?
É tudo uma questão de medo. Medo por tudo que eu conquistei. E não me venha com a velha história de que se eu conquistei, é meu e pronto. Olha só o mundo que nós vivemos hoje - tudo vai e volta tão rápido. Eu vou e volto rápido. Só espero, sinceramente, que ao ir eu deixe emoções e, ao retornar, que eu colha... Ah, que eu tenha ao menos o que colher, vá!

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Com prazo de validade

Se eu quisesse me enrolar mais sobre o assunto, talvez eu até conseguiria. Eu poderia imaginar na minha mente, sem nenhuma dificuldade, que isso que você está fazendo é o melhor para mim. Que você sabe que errou, errou profundamente e se sente tão envergonhado que não se atreve sequer a ultrapassar o seu sincero pedido de desculpas. Você está se punindo ao não me permitir lhe dar uma segunda chance. E eu lhe diria 'Lute! Lute, seu infeliz. Eu estou aqui, estou sentada ao seu lado, esperando que você peça, que você implore por um pedido de desculpas, que você diga que vai fazer de tudo para conquistar minha confiança novamente. Grite, se odeie, reclame o mais quanto puder... Mas por tudo que é mais sagrado, lute!'. Ah, eu imagino uma cena como essa na minha cabeça sem o menor esforço. Eu poderia tê-la realizado hoje, sob o luar que nós tanto discutimos nessas semanas que se passaram.

Mas eu sei. No fundo eu sei.

Quem sabe não é assim. Quem sabe você não espera exatamente que eu permaneça intacta, encubada em uma camada espessa de ódio e rancor, que você jamais conseguirá perfurar. Talvez você simplesmente espere e deseje isso; talvez tenha planejado e agido conforme fosse previsto para que acabássemos os dois aqui, sob o luar que foi discutido em apenas mais um momento em que você fingia. Talvez o tempo todo você quisesse que tudo terminasse nessa conversa sem lógica e sem conclusão, onde você parte meu coração mais uma vez. Talvez... Talvez...

Meu Deus, você era tão bom! Era tudo aquilo que eu achava que jamais ia encontrar e, incrivelmente, você parecia estar no meu caminho, no momento certo. Era você que eu tinha escolhido para me tirar dessa boemía sem fim, desses casos sem laços, desse amor livre no qual eu me meti durante todo o ano que está quase acabando. Mas o que você fez? Fugiu aos meus gritos de raiva, que no fundo eram apenas pedidos de socorro. Socorro de mim mesma e da figura cheia de desamor que eu tenho me tornado.

Eu não vou sofrer por você. Não para ninguém ver. Mas sim, eu decidi que você ainda vai me notar muito. Vai notar cada sorriso, cada frase brilhante, cada trabalho de destaque, cada chegada. Sim, você vai notar. E EU vou decidir você é o meu remédio ou se foi mais um mal. Mas, por enquanto, vamos permanecer assim, cada um em um canto vazio, sem os sorrisos que lotavam os mesmo lugares até pouco atrás. Dê tempo ao tempo...

Dessas coisas tão difíceis de serem ditas que geralmente ficam caladas...

domingo, 19 de julho de 2009

Tudo acaba em playgroud

Eu ainda sou criança. Sabia disso desde o momento em que tinha decidido não ser mais. Sabia que aqueles pensamentos de mente adulta, as opiniões decididas, o impulso de tomar para si a vida... Nada me pertencia – era apenas mais uma criança querendo brincar usando salto alto. As lembranças ainda se conservam ali, límpidas, impedindo que eu me esqueça da mente pura e idiotamente ingênua que ainda habita minha cabeça. São as lantejoulas penduradas em cada canto livre do meu quarto, os adesivos que brilham no escuro colados no teto, os enfeites para cabelo guardados com cuidado no fundo da gaveta do guarda-roupa; pode ser que eu perceba quando me pegar comendo chocolate e usando a Internet escondido em uma madrugada fria de julho – cadê a adulta que estava ali? Cadê a mente madura por trás de projetos de pesquisas, de ensaios monográficos, de seminários exaustivos? Está oculta, por trás dos olhos que ainda faiscam quando vêem as luzes do parque brilharem ou, quem sabe, a razão está ali, gritando aos meus ouvidos, que naquele instante estão ocupados demais só escutando a música do desenho animado na televisão. E quando você acha que não pode amadurecer mais, que está pronta para o futuro planejado meticulosamente, você descobre que plano nenhum era realmente um plano; nada passava de um capricho. Capricho de criança que foi proibida e, por isso, foi lá e fez.
Eu fiz. Eu agi, briguei, refiz, escolhi, voltei, menti, trai e surtei, não necessariamente nessa ordem. E agora, bom, agora eu estou deitada na cama, em mais uma madrugada fria de julho e a única coisa que eu ouço – nem a razão nem o desenho animado – é só, ao fundo, uma música de Michael Jackson – tão distante que parece um som mudo, como tem sido toda a minha vida: uma voz tão longínqua que chega a se calar. E, no fim, tudo é questão de escolha. O vestido, o anel, a comida, o curso, o emprego, o noivo, a hora, o dia, o prédio, o lugar.
Eu não estou pronta. Eu sei que não estou. Mas o mundo não vai esperar até que eu esteja e, do fundo do meu coração, eu sei que ainda vou errar muito. E, sem querer banalizar nada que eu possa fazer, eu só espero que não sejam erros tão graves assim. Crianças já não sabem lidar muito bem com escolhas, o que dirá com problemas.

domingo, 5 de julho de 2009

Projeto de fuga - fugir para o mesmo lugar?

- Quer saber? Deixa rolar. Põe em baixo do tapete, balança as mãos e dá as costas. Para mim, chega. – eu disse e saí, sem medo algum de voltar atrás. Saí, sem medo de errar ao tentar consertar um erro que nem existia ainda. E saí, sem medo de me arrepender. Porque eu sabia, dessa vez eu sabia, que não teria volta – não naquele momento surreal em que eu despontei de mim e fui só mente.

(''No entanto, para dizer a verdade, hoje em dia a razão e o amor quase não andam mais juntos'').

E eu sabia, acima de tudo, que eu não me deixaria voltar, porque apesar de atingir com crueldade cada célula do meu corpo, era o que eu precisava fazer. Eu sabia que era o correto; às vezes, você só entende que está fazendo certo porque ser sensato trás a dor instantânea que os erros só nos causam com o passar do tempo.

(Mas eu sabia, de forma indiscutível, que eu estava perdendo o medo das coisas erradas).

- Certo, desista. Mas, veja bem: você pode desistir do que quiser, mas não pode pedir o mesmo dos outros. Tá no seu olhar, na forma com que você segurou as minhas mãos... Está na sua postura, no seu tom de voz... Você não nasceu para perder. Não porque você não tente, mas porque você não consegue. Mas se quiser arriscar, vá em frente; sofrer e viver são sempre escolhas nossas. - E me mandaram criar vergonha na cara, exatamente com essas palavras. Quem eu acho que eu sou para desistir de sonhos que não pertencem exclusivamente a mim? Eu posso desistir de tomar o café da manhã, de ver um filme na tevê aberta, de dormir a tarde toda... Mas eu não posso desistir da minha faculdade, dos meus projetos e, principalmente, eu não posso desistir das pessoas. Porque está todo mundo, todo mundo, acreditando em mim. E eu não posso decepcionar ninguém, não só porque isso machucaria os outros... Mas porque aí não seria eu.

(Posso. Sei. Desisto. Insisto. Prossigo. Invisto. Cansei. Acredito. Duvido).

Às vezes você engana. Mente, desmente, omite, corrompe, interpreta, reescreve, teima, acha. Mas você sente. Você sempre sente.

(''Culpa, a pobre mulher sente, e mais: sente medo. Nem sabe de quê, mas sente. Medo de não merecê-lo, medo de perdê-lo, medo do dia seguinte, medo das estatísticas, medo dos exemplos das outras mulheres (...) essa criatura feliz e apaixonada, é ao mesmo tempo infeliz e temerosa porque teve a sorte de ser premiada com aquilo que tanta gente busca e pouco encontra: o tal amor como se sonha'').

Eu sinto que eu escolho viver, com todas as implicações e complicações que isso pode me trazer.

(Você não vive para fazer sentido hoje. Você vive para poder ter um amanhã).

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Conviver: do verbo aguentar ao (não) desistir

Talvez essa seja uma das poucas coisas que a gente tem que fazer desde pequeno e uma das únicas que a gente nunca aprende por completo: conviver. Estar lado a lado, mas sem atravessar a linha tênue que existe entre intimidade e falta de respeito. Estar distante, mas sabendo diferenciar a liberdade e a ausência.
Já me disseram muitas vezes que eu sou altamente complexa de se conviver. E, sinceramente, sou mesmo. Sou do tipo que adora ser bajulada, mas que não costuma fazer isso por ninguém. Eu faço umas besteiras e, mesmo sabendo que eu estou certa e que faria tudo exatamente igual, eu me arrependo e acaba me dando uma raiva tremenda de mim mesma – raiva essa que, acredite, eu acabo descontando em alguém que às vezes nada tem a ver com meu infortúnio, meu despeito e minha falta de coerência. Como se não bastasse, eu tenho a terrível mania de tratar mal quem eu amo. Trato mal mesmo e não consigo me controlar – como se eu já tivesse tentado. E, ainda por cima, eu sou a maior 'dona da razão' que eu conheço; escuto todo mundo, mas eles estão sempre errados.
Então acontece o óbvio: eu, como belo ser egoísta que sou, acabo seguindo minhas convicções e deixando as dos outros para depois – eu já disse como me aborrece a quantidade de 'depois' que existe na minha vida? Só que o problema é que desistir dos ideais de alguém também pode significar desistir dessa pessoa e aí vem o dilema: é pior desistir de si mesmo ou de alguém que você ama? Ou seria muito radicalismo viver só do que você acha ou ser uma esponja de idéias alheias?
Eu não sei. Às vezes me esquivo, às vezes me empolgo, mas estar no perfeito equilíbrio é mais difícil do que se imagina, principalmente pra alguém que costuma viver de excessos e de faltas. Simplesmente não dá para se frear ou se instigar a fazer algo por alguém – nem por você mesmo. Mesmo que eu saiba que aquilo é preciso, que é para o bem da tal convivência, em algum momento o meu instinto, minha teimosia ou meu orgulho vai falar mais alto e eu vou acabar fazendo o que todo mundo faz, porque, em questão de saber lidar com os outros, todos nós estamos seguindo em uma mesma linha de frustrações e tentativas vãs.
Isso torna tudo mais pesado. Chega um momento que a gente só aguenta porque ama e amamos porque nos aguenta. Ainda assim, eu não desisto de tentar. Não desisto de me arriscar em ajustar minhas idéias nas suas, ainda que eu saiba que são peças de encaixe diferentes. Não desisto de me sujeitar a te entender, de nos fazer entender, mesmo que eu saiba quanto uma convivência pode ser impossível. E eu não desisto. E espero que você também não.

Made a meal and threw it up on sunday,
I've gotta lot of things to learn,
Said I would and I'll be leaving one day,
Before my heart starts to burn (...)
Stand by me,
Nobody knows the way it's gonna be;
If you're leaving will you take me with you.

Oasis.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Cada ponto, um sentimento

Para alguém que eu não amo, você tem me incomodado bastante. Para um amor que nem nasceu, cresceu e se desenvolveu, isso me dói mais do que eu achei que fosse possível para um recém-chegado, para um invasor e ladrão de espaços no peito.
É tão estúpida essa nossa mania de sermos os donos da razão; você, aquele que calcula tudo meticulosamente e eu, aquela que nunca está satisfeita. Você, que não dá o braço a torcer e eu, que não hei de torcer o braço.
Uma chama, um véu e uma lua, palavras soltas e silêncio sem sentido algum e que jamais vão se encontrar em um mesmo fim de porquês. Flash de memórias de shoppings, sorvetes, ligações, brigas e instantes que, outrora tão definidos, hoje mudam depois de um filme, uma canção, um telefonema.
E se é tanto amor, porque foges assim? Porque não me ligas, escuta o meu perdão enquanto tenta dizer o seu e deixamos isso tudo para o depois, que já está tão lotado de outros 'depois' que se acumulam. E ainda acho isso absurdamente normal – por eu ter um gosto assim, sofrer por quem não sofre por mim.
Uma casa no meio do nada, uma canção sem rima, um céu cheio de estrelas, uma verdade de mentira, uma chuva sem trovões. Passam aves, passam dias, passam encantos e fantasias... Mas não passe o carinho em mim, a mão que afaga meu rosto, a voz que ecoa em meus ouvidos. Não passais a ventania de um junho descrente, que começa mais seco que meu coração.
Amor em caixas. Amor em poesias. Amor em cartas. Amor em contos. Amor em mentiras. Amor em palavras. Aonde foi que coloquei minha venda? Aonde foi que coloquei o verbo? Aonde foi que coloquei as verdades? Aonde foi que coloquei a vergonha?
Certo era o sonhador, que viveu sem perder a pose. Certo era você, que suportou até onde pôde. Errada sou eu, que amei sem querer. E não sabemos explicar se existe alguma razão.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Às vezes você pensa assim

Que, às vezes, é tão escuro. Tão deserto e sem rumo, um preto e branco que cega. Às vezes você acorda, mas preferia jamais ter que abrir os olhos, ou então às vezes você abre os olhos, mas não consegue enxergar. Às vezes você não quer enxergar. Às vezes o sorriso se consome, o beijo desaparece, a palavra de perde, a lágrima se sobressai. Às vezes o frio vem com o primeiro vento da manhã, ou então a luz que cega chega com os raios do sol. Às vezes você torce contra, às vezes a favor; às vezes tanto faz: você entrega na mão do destino, porque às vezes não você se importa ou se importa tanto que prefere nem se importar mais. Às vezes você desiste, mesmo que ache que esse 'às vezes' não chega – ou não passa. Às vezes você sonha, mesmo que esse sonho seja disfarçado ou uma quase realidade. Às vezes você queria se esvaziar de tantos 'às vezes' que lhe enchem a cabeça de momentos tão incertos quanto seu coração. E, bem às vezes, você não percebe que é só às vezes. Mas é só às vezes. E você só apreende o quanto é diferente o nunca ou o sempre quando finalmente – e às vezes – você consegue ser feliz. E então você se pergunta: porque só às vezes?


'às vezes nunca sei em que ponto acaba a frase,
você sempre soube - eu não sabia,
toda frase acaba num riso de auto-ironia;
você sempre soube - eu não sabia,
toda tarde acaba com melancolia' - Engenheiros do Havaii.

terça-feira, 19 de maio de 2009

Um pouco demais do de menos

De tudo ficou um pouco.
Do meu medo. Do teu asco.
Dos gritos gagos. Da rosa, ficou um pouco.

(...) e sob tu mesmo e sob teus pés já duros,
e sob os gonzos da família e da classe,
fica sempre um pouco de tudo.
Às vezes um botão. Às vezes um rato.

Drummond, em 'Resíduos' - porque de tudo fica um pouco, mesmo que o pouco que fique não seja nem parecido o muito de antes.

E foi ontem de madrugada, sentada na ponta da minha cama e ouvindo música, que eu me senti pequena, tão mais miúda do que eu normalmente sou. Foi uma sensação de inutilidade tão grande e tão poderosa que eu cheguei a acreditar fielmente que eu não ia suportar ver o sol dessa manhã – ou porque não chegaria a essa manhã ou porque tanta luz vinda em minha direção acabaria por cegar-me (ou porque nessa bendita cidade não faz um sol digno há muito tempo).
Mas, a verdade, é que minha boçalidade me consumiu. Eu fiquei horas no espelho, olhando fundo nos meus olhos e tentando enxergar minha nova alma. Tão orgulhosa, eu estava; era a alma que eu sempre quis, livre de amarras e correntes. Era uma alma puramente minha – e, ainda que fosse de outro, continuaria sempre sendo mais dentro de mim do que fora. E, acima de tudo, era a alma que me restara depois de uma alma maior ter sido tantas vezes partida, dilacerada e evaporado diante de todas as coisas fatais que eu já passei.
O engraçado é que, no meu espelho, eu sempre via a mesma alma bonita, dia após dia... Até que me apresentaram outro espelho e eu percebi que bonitos, talvez, fossem apenas os meus olhos ou minha imaginação. Não sei; só parei e observei minha alma nova e brilhante lado a lado com minha negritude de outrora – a mesma negritude que me consumiu, me fez chorar as lágrimas da injustiça e depois me atirou ao fogo dos subjugados à animosidade. E, assim, ficou difícil voar, correr, andar ou respirar. Eu só conseguia observar minha alma límpida; queria tirá-la dali, para que não fosse contaminada, mas eu descobri que ela não é tão avulsa e alforriada de ligas e laços como eu pensei; queria tê-la pra mim, ela e nada mais, para mim e ninguém além. Mas quando que você poderá ter uma vida feita apenas de você e do seu presente?
E, saindo do meu 'eu' prático e olhando em volta, é simples de entender e difícil de aceitar: você pode até mudar quem você é, mas jamais mudarás as coisas que você fez. Não é o seu orgulho, sua teimosia e suas mentiras que você levar consigo durantes os anos; é apenas a consequência de tudo isso, que fica tatuada na sua forma mais intrínseca e particular. E, mesmo quando você troca de alma, a carcaça da antiga continua ali, presente, bem como todos os erros cometidos – talvez, para evitar que os faça novamente ou então para, simplesmente, continuar a plantar a semente do remorso e do pesar.
Eu tenho certeza que eu nunca vou me livrar dos meus fantasmas – o máximo que posso conseguir é deixar de ter medo deles, o que não é garantia de que eu possa deixar de assustar os outros sempre que minha carcaça de alma saltar-me aos olhos. Sim, eu aprendi muito, do jeito difícil e pelo caminho mais complicado que eu podia escolher e, definitivamente, eu tenho vergonha de ter errado e mais ainda de ter que assumir esses erros. Porém, é melhor se acostumar: você pode se livrar de amores, paixões, amigos e momentos, mas aquilo que fica na sua alma, seja ela a nova ou não... Isso lhe persegue pra sempre.

ouvir: In my place - Coldplay

sábado, 16 de maio de 2009

Juro que é verdade

Não vou mentir: nunca gostei muito de Drummond. Mas antes que eu ofenda de forma irremediável os meus queridos mineiros, me deixem esclarecer: nada pessoal com o tal poeta, cronista e contista, e que o pobre descanse em paz. O meu problema são as coisas que ele diz – ou melhor, as verdades dele que sempre me atingem, as mesmas verdades que eu tento varrer todo santo dia para debaixo do tapete. Todo seco e amargo, ele costuma me esfregar coisas na cara – umas, eu bem que precisava saber mesmo; outras, eu gostaria de esquecer e até poderia se não fosse alguns registros estupidamente bem escritos a ponto de serem impossíveis de não se ler.
Sei bem que não sou só eu – não que tem esse trauma de Drummond, mas que tem o trauma com a verdade. A maioria das pessoas foge da realidade com mais rapidez do que pode e é aí que todo mundo se enrola: você se perde – e se prende – em uma teia de histórias fantasiosas ou não, onde não consegue encontrar mais nem a si próprio. E é da pressa de correr da verdade que você acaba esbarrando em tantas outras coisas que, vai saber, se você tivesse ficado parado no seu canto, nunca teria encontrado; é nessa agonia de fugir que você se vê misturado a casos de falsidade, de desprezo e de mágoa. E, no final, só acumula mais verdades das quais desejaria fugir.
Dói, machuca e envergonha. Tem coisas que você poderia jurar que não estava em sã consciência quando fez; outras, você sabe que foi avisada que não deveria executar, mas mesmo assim deixou a teimosia te vencer. E você junta tudo isso na sua lista de fobias... A verdade de sentimentos, que são as que mais esmagam e apertam, que te põe contra a parede e te fazem escolher no momento se você deve deixar ir ou se deve abraçar de vez; as verdades de caráter, as de opções, as de coisas ditas pelas não ditas, as de vidas vividas e lotadas de mentiras, as de pessoas que só são verdades em sua forma.
E, como tudo na vida se perde, se encontra e, mais cedo ou mais tarde, se enfrenta, a única verdade unânime que existe é que a sua verdade sempre lhe descobre. Seja na esquina da rua, no bar da praça, no canto do quarto ou no leito de morte, um dia você se vê cara a cara com a verdade e percebe que, no fundo, esteve o tempo todo fugindo do lado certo de seus erros. Você afronta a verdade e, olhando fundo nos olhos dela, encontra os seus; e, se puder ler a alma da verdade, saberá que exatamente a mesma leitura que faria da sua. E só aí você percebe não esteve apenas fugindo da verdade... Esteve fugindo de si mesma.

'A porta da verdade estava aberta,
mas só deixava passar
meia pessoa de cada vez.

Assim não era possível atingir toda a verdade,
porque a meia pessoa que entrava
só trazia o perfil de meia verdade.
E sua segunda metade
voltava igualmente com meio perfil.
E os meios perfis não coincidiam.

Arrebentaram a porta. Derrubaram a porta.
Chegaram ao lugar luminoso
onde a verdade esplendia seus fogos.
Era dividida em metades
diferentes uma da outra.

Chegou-se a discutir qual a metade mais bela.
Nenhuma das duas era totalmente bela.
E carecia optar. Cada um optou conforme
seu capricho, sua ilusão, sua miopia'.

'Verdade', de Drummond – e, por enquanto, eu incrivelmente me encontro sem precisar fugir de mim ou de outra verdade qualquer.

terça-feira, 5 de maio de 2009

Apenas acredite

Não sei se por ingenuidade minha ou porque eu fui orientada a sempre apostar no melhor de todo mundo, mas a minha confiança não era algo muito difícil de se conseguir. Na verdade, eu era mais o tipo de pessoa capaz de desabafar com um desconhecido, sentada no banco da praça, e achar que todos os meus segredos estariam seguros. Fui sempre tão aberta, sempre tão transparente... Até que um dia eu finalmente me dei conta que isso me trazia mais tristezas que alegrias; era eu dando a minha fé e recebendo traições. Decepção.
Então, eu parei de acreditar. Quantos 'eu te amo' eu deixei sem resposta - não por falta de sentimento, mas por falta de coragem; quantos erros eu cometi por não aceitar quando me diziam que aquilo era o errado – e sim, eu poderia ter aprendido as mesmas lições sem ter feitos tantas besteiras. E pior: quantas pessoas eu machuquei por duvidar do óbvio e quantas vezes eu falhei por não ser capaz de apostar em mim mesma? Inúmeras. Mas nenhum desses motivos me parecia estímulo suficiente para que um pouquinho de crença voltasse à minha cabeça, que agora estava fechada, teimosa e mais orgulhosa do que nunca.
Isso, até exato mês passado, que foi quando eu tomei aquela dose de realidade que há muito tempo eu estava precisando (lê-se: achei alguém mais descrente que eu e vi no outro o mal que eu fazia a mim mesma). E aí que eu comecei a enxergar de fora para dentro, ao invés de dentro para fora; para a minha surpresa, eu descobri que não tinham sido poucas as pessoas a deixar de crer: ninguém mais à nossa volta acredita em amores, em conquistas e em sonhos. Agora, não é como se eu tivesse adquirido uma espécie de força inabalável, até porque eu tenho minhas recaídas e lá vou eu, afundando no meu poço de descrença, novamente; só que, dessa vez, eu felizmente iniciei uma nova fase da minha vida determinada a não desistir até está convencida que eu tentei de todas as formas (im)possíveis. Talvez eu apenas tenha aprendido que dúvidas não são sinônimos de inverdades e que orgulho é mais parecido com desamor do que eu pensava.
Eu ainda não sei se acredito – e muito menos se acreditam em mim. Mas eu sei que cada dia eu duvido menos, até que esse 'menos', uma hora, deixe de existir, em mim e em quantas mais pessoas eu puder convencer que, sim, vale a pena acreditar. Nós não precisamos nos matar, praticar masoquismo e nem passar noites em branco lamentando que nada dá certo; um dia, às vezes até sem saber como, a gente se depara sentada no mesmo velho banco de praça, só esperando que o próximo desconhecido se aproxime.

'I will never be lonely, said I'm never gonna be, lonely (...)
Mr. Jones and me, we're gonna be big stars!'

Counting Crows

sábado, 18 de abril de 2009

É impossível

E desistir dessa vida,
covardia ou esperteza?
Eu que não ponho o meu pescoço à prova.
Entre arriscar, vencer e perder, eu preferi nem existir.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Medida de um tempo

E então isso é o fim? Bem menos melodramático do que eu imaginei, admito; previa choros e dialéticas, queria ouvir minha voz soar no eco da solidão, dizer que achei o céu era mais azul do que estava pintado. Queria ter berrado para que me vissem ali, submerso no mundo dos sonhos fantasmagóricos que enterraram virtudes, aquém de toda a história que advinha em faces. As mãos calejadas se erguem diante de meus olhos, mas já não posso segurá-las: empacotei sentimentos, todo um coração, e joguei-o fora. E foram-se dias felizes, planos de momentos cheios de nós. Não ergo meus olhos para não encontrar o triste destino dos que já não podem ver, cegos do orgulho de não pedir perdão, privados de ajuda e lotados de desprezo. Caminho em multidões; pessoas, assim como eu, felizes em seu mundo, incompletos no universo alheio. Pessoas cheias de si, feitas para amar e não serem amadas. Pessoas que são de épocas erradas, famílias trocadas; não pertencem a si, não são objeto do outro: estão por um andarilho de pedras, soltas ao vento que as carregue, esqueléticas, cheias de fome de alma. Então, talvez se descubra. Duas linhas podem ser paralelas, distintas ou coincidentes; eu posso me entregar, à brisa mais doce ou à ventania. E o acaso que me encontre, aonde quer que eu vá parar.

domingo, 12 de abril de 2009

Quando se vê o mundo azul

Ninguém pode entender, ver e ouvir além de mim.
O sol já não nasce e não se põe, o dia se conta de trás para frente. As lágrimas sobem ao rosto e infiltram nos olhos, o tempo corre, pesaroso, como o som do ar que deixa meus pulmões. O seu nome está gravado em minha mente seca de emoções; são sentimentos que não sentem, amores que machucam, prazeres que queimam. Tudo desvanece sob o peso de anos curtos, calendários limitados de horas tristes, que erguem meus ombros até não poder mais. Meus olhos se abrem em demasia, cada aroma se torna único, as amizades não existem.
Então você chega.
O sol se ilumina e escurece, belo, clareando sorrisos brilhantes em lagoas e encobrindo beijos sutis; os dias, esses nem se percebem, tamanha a felicidade que nem se conta. As lágrimas secam, o tempo passa economizando cada suspiro, como o grito de alívio de meus olhos ao encontrarem os seus. O seu nome gravado em meu coração carregado de batias fortes, vívidas como o amor que renasce, rejuvenesce, se ascende em palpitações. Tudo se constrói a cada instante que se olha ao lado e se encontra, no pegar de mãos que caminham juntas em um passar harmônico. Anos que passam constituídos de lembranças que se lembram, de festas que se comemoram, de comidas e bebidas que alimentam corpos cobertos de sonhos, erguendo mentes sublimes.
E uma hora os olhos se fecham, felizes, deixando o cheiro de saudade e as amizades realizadas, como alguém que viveu, chorou sem medo e nunca desistiu.
-
É necessário ver a pureza,
tanto nas cores como na tela em branco.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Deleite de (des)conversar

Então, de fato, o que seria recitar? Sentar em uma cama quente, olhar para o papel em branco e faltar-lhe palavras para tamanhos sentimentos? Ah, que grande trovador sou! Dos mais francos, dos mais bucólicos.
Se vou falar de amor, falo de amor. Isso, sem meia volta ou metáforas que escondem a pureza do amar por nada, amar singelo, amar sem precedências, sem consulta ao SPC ou exame de sangue. Falo de amor como ele é, como deixa de ser ou como fingi ser. De como ele destrói, de como habita nós, meros mortais que nascemos apenas para amar e morrer, senão sofrer de amor. E falo de amor como de fato se falam ao montes por aí: sem saber que se fala do sentir mais mutável de todos, cujo conceito, válido hoje, seria ultrapassado no amanhã mais recente.
Se vou falar de vida, falo de vida. Ensino a viver. Aliás, que fazes aqui, lendo e se deleitando em palavras afogadas no subjetivismo? Saia, comece a viver. E tenha a verdadeira leitura, a leitura da alma do que seria conjugar viver em todas suas pessoas, em todos os seus tempos. E se for para falar de vida, ora. Não perco o meu tempo falando sobre tal desafio, não me atrevo a desvendá-lo. Que charme haveria em mistérios tão indecifráveis se estes deixassem de ser mistérios indecifráveis?
Se vou falar de tristeza, falo de tristeza. Mas não procuro falar muito sobre isso, antes que acabe me consumindo e eu esqueça como se fala de amor e de vida, verdadeiramente. Se vou falar de amizade, falo de amizade, apesar desta ser algo mais raro de ser visto, portanto, algo mais raro de ser relatado com a mesma veracidade que todo o resto.
E, claro, se vou falar sobre o tal falar... Procuro mentir em um todo, porque todo o homem é feito, metade falsidade, metade sonhos. O aleive, ah, esse tem que sair. E os sonhos, esses ficam comigo, para não serem contaminados por amor, viver, amizade e muito menos pela tristeza. Afinal, sonhos que é sonho que se preze não sente nada que é de verdade, apenas idealiza de uma forma tão perfeita que, falando sem falar, recitar é impossível.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Tanto faz

Ultimamente ando tão capenga. Tão cheia mim, de nós, de outros. Tão cansada dessas situações diárias que nos enchem de dúvidas pesarosas, de ultimatos, de seqüências.
Nosso ar é tão pesado, o cheio de terra molhada queima meu nariz, o instante que ficou deveria ter passado com os demais. Nada tem um objetivo, um porquê, uma condição. A dúvidas se perderam, os amores se tornaram evasivos, as paixões se apagaram com a água gélida do esquecimento.
Estranho que seja assim. No instante que se descobriu, se perdeu; no momento em que mais se amou, se esqueceu; no ímpeto de salvar, deixou que morresse, triste, sozinho, antes ou depois, tanto faz. Os dias se arrastam... As tardes, antes cobertas de risos e saltos, hoje são partes de um momento estático, perdido no tempo da indiferença. As noites são sombrias, solitárias como o coração que acorda todas as manhãs, mais morto que vivo, mais relutante que audacioso.
Sou louca, talvez. Somos todos desequilibrados, perdidos no balanço de vidas incomuns, regidas por leviandades, um querer e não querer que nos deixa confusos, sem saber se o problema será a nossa chave que não entra na fechadura ou se no cadeado que quebrou com a força de nosso aperto, de nossas mãos descompassadas com o resto de nosso corpo. Perdeu o fogo, acabou o fôlego. A vermelhidão do céu domou o tal, o heróico.
Se quiser ir, vá. Nada me importa mais.

terça-feira, 24 de março de 2009

Foi bom, adeus

E é claro que eu sempre sentirei sua falta. Em nenhum momento julguei o que passamos como algo falso ou raso de sentimentos; foi tudo vivido, apesar das limitações, com toda a dedicação que eu pude oferecer - prova, mais uma vez, que amor às vezes é tão insuficiente que atrapalha. Tão pouco farei de ti uma simples lembrança, que guardada nas mentes frágeis dos homens, se apaga com tanta facilidade... És hoje e sempre será a maior parte que falta ao meu coração. Nunca te esquecerei, porque mesmo que nem os amores sejam duradoudos como achamos, o bem que fizeste a mim me fez uma nova pessoa; renasci mais forte e mais decidido e talvez, só por isso, possa sobreviver sem ti.

quinta-feira, 19 de março de 2009

Procura-se não se sabe o quê

Sabe que passei dias procurando? Em bar de esquina, em baixo de pedra, no mangue atrás da escola. Fui de porta em porta, nas lojas da cidade e até na casa do vizinho. E vi de tudo, olhe só: era gente chorando, num desespero sem fim, dizendo que a vida não prestava e que tudo era o que lhe faltava. Vi muitos piores que eu e outros tão melhores que meus olhos se encheram de inveja. Por fim, depois de andar em círculos em meu próprio pensamento, que de tão perdido já procurava até dentro de mim, percebi que o que buscava não se encontra andando de carro, todo à toa. É tão raro que não vai sair dando bobeira para que qualquer um -mesmo sem ter sofrido o que a maioria de nós sofreu - a agarre. E depois de sentar na calçada de casa e de muito queimar meus neurônios, entendi que quanto mais se anda, mais longe se está. E quando eu acho que consegui, que segui a estrada certa e estou quase lá, percebi que estive o tempo todo olhando o mapa de cabeça para baixo.
É... Coisas do destino, meu chapa. O tal é muito bacana, muito certeiro, mas quando cisma contigo, sinto muito, mas ou você ganha na Mega-Sena ou é vítima de enchente em São Paulo. Mas eu sei, e como eu sei, que um dia nessa vida ainda hei de encontrar o que tanto me falta; lhe darei um nome e agarrarei com tanta força que nunca mais vou me perder de mim mesma.

quarta-feira, 18 de março de 2009

(Re) Aprendendo a respirar

Ridícula essa minha mania de não viver, de acarretar objetivos, de pensar sempre em fazer depois. Essa não sou eu, não tem nada a ver com a minha essência de quem nunca se deixou abater, mesmo quando pensavam que eu tinha desistido. Eu sempre fui de surpreender, de sorrir quando o mundo achava que eu ia começar a chorar. Então, porque diabos eu me fechei na minha casca dura? Perdi a muito tempo a vontade de ver a realidade se transformar nas minhas mãos; perdi a alegria de me levantar todas as manhãs sorrindo simplesmente porque posso sorrir. E não, nada justifica: as perdas do que nunca tive, sonhar com vidas que não me pertencem, o momento de que nada me atrai... Meu Deus, em que estrada eu me perdi? Em qual de meus passos falhos eu deixei cair a minha determinação, o meu orgulho? Onde e porque eu desisti de tudo, larguei minhas conquistas e agora me afundei no meu maior estágio de tristeza; tristeza disfarçada, de quem a cada riso sente uma nova parte de ser coração ser quebrada em migalhas, pisada e jogada fora. Dói. Rasga. Desanima. Mas depois de tanta saudade, lágrimas e despedidas solitárias, descobri que preciso menos do que achava.
Um pouco de ar é suficiente, pra quem hoje já não tem mais nem um sorriso.

sexta-feira, 6 de março de 2009

Meu eu em você

E eu sei que saudade, tristeza e desânimo são só consequências. E que fingir que nada está acontecendo e pensar em outras coisas são válvulas de escape frágeis como a corda bamba em que me encontro. Pro que eu sinto, já inventaram nome. Hoje sei que sou outra, que encontrou sua parte idêntica e a perdeu, deixou-a fugir.
Você poderia voltar, amor, ainda que fosse para eu me sentir inteira uma única vez mais.
Eu te amo. Com todas as minhas forças, eu te amo. Pra sempre, eu tenho certeza. Mas algo me diz que eu vou ter que aprender a viver sem a metade da minha alma que se foi. Só não é pior que o esperar, o anseio do que vai, mas não volta. Cruzar os braços, fechar os olhos, existir: digno dos covardes.

quarta-feira, 4 de março de 2009

O amor é uma bosta

Minha nova teoria é simples: não ame. Definitivamente não compensa, não lhe traz atributos e existem formas mais suaves de aprender a não confiar inteiramente em ninguém. Os espertos que sabem do que eu estou falando. Vão em frente, levantam todo o dia e tomam seu café da manhã solitário, mas sem preocupações. Vão ao trabalho sem hora para voltar, sem o peso na consciência de encostar naquele bar de esquina depois do expediente. Não têm ninguém para dar satisfações e, por incrível que pareça, é mais maravilhoso ainda não ter de quem cobrar satisfações. Se você está triste, a culpa é só sua. Se quer gritar na tpm, o máximo que pode acontecer é o vizinho do apartamento da frente reclamar. Se quer cortar o cabelo, pintar as unhas de verde, não depilar as axilas, que se foda; é seu corpo, seu uso e você não precisa estar pronta às seis para receber o marido, que agora vai provar e criticar o jantar que você passou horas preparando. Dessa vez, eu estou pronta para abdicar do mal que sempre me perseguiu: dependência. Medo de solidão. E cá entre nós: sem você, a única coisa que vou deixar de ter é companhia para assistir um filme em casa. E para fazer companhia, até um cachorro, o bicho, serve. Adeus, babaca.

domingo, 1 de março de 2009

Aposentada, enfim

Mais do que jamais estive, hoje estou cansada. O motivo do dia é e não podia deixar de ser as oscilações dos meus batimentos cardíacos – ou o estancamento dos mesmos. Tanto, que me falta saco para falar disso. Me cansei de ir e vir com romances sem nexo, de esperar meu príncipe no cavalo branco – ou o vampiro no Volvo prata reluzente, outra barbaridade. Que seja, cansei de todas as formas. Fui consumida pelo êxtase que se foi, enjoou; me irritou ao ponto de me fazer gritar com a velhinha, com o cachorro, com a vizinha, com a televisão. Olho para dentro de meu peito e vejo – e sinto – a angústia, palpitante; mas é só isso: angústia. Nada do 'eu não vou sobreviver' de tempos atrás. O melodrama se foi, assim como as flores que não tive, as cartas mal escritas, os bilhetes de cinema amassados. Se foi, com o pouco de paciência que me restava para amar. Dois 'vivas' para quem um dia teve a coragem de dizer que nós nos bastamos. Nada de guardar luto por almas vivas, tão vivas capazes de matar, de ferir, a quem a elas se entregam, como eu fiz. Não me leve a mal, mas assim como as coisas estão, nem tenho muito que pensar: que se foda o 'a gente' que, por algum motivo estúpido, eu ainda teimava em manter respirando.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Para a dor que não sinto

Ah, nem é tão ruim assim. O máximo que pode estar acontecendo aqui sou eu me assistir afundar em mais um dos meus melodramas mexicanos, como sempre, dignos de filmes de final feliz e muito brigadeiro tarde da noite.
Eu tenho que admitir: já estive pior, então nem adianta tentar me fazer de coitadinha, principalmente para mim mesma. É... Já tentei me matar, já pensei em fugir de casa, perdi a conta de quantas vezes atingi a porta do meu quarto com objetos inúteis, tão frios quanto o meu coração foi se tornando. Agora, eu incorporei a dor ao meu dia-a-dia. E não me interessa se deixo transparecer no meu olhar o buraco da minha alma; o fato é que só assim consegui parar de viver nessa guerra interna que parecia não ter fim.
Parar de arrastar correntes, de visualizar calvários, de traçar causas da morte – e só esperar por isso tudo – me faz um bem danado; não causa o desânimo de quem desistiu, muito menos a ira de quem foi vencido. Traz a serenidade, a conformação de quem sentou no sofá da sala e virou espectadora de uma vida inventada.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Refluxo

Iludir-se é sentir um refluxo de vontades e esperanças não digeridas que remoem ao estômago como se fossem retornar à boca. E retornam; o corpo não foi feito para engolir mentiras fantasiadas de delírios do coração.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Acontece num bar

--- Não tem nada para me dizer?
--- Tipo o quê, exatamente?
--- Ah, não sei, qualquer coisa que você tenha vontade.
--- Faz calor aqui.
--- Também sinto. Quê mais?
--- Quero voltar para casa.
--- Mas nós acabamos de chegar!
--- Sim, mas você tá estranha, não gosto disso.
--- Não tô estranha coisa nenhuma.
--- Então desembucha logo o que foi que aconteceu.
--- Bom, foi assim... Na verdade, eu falei com alguém ontem e me falaram que você tinha algo para dizer.
--- Quem te falou isso?
--- Não interessa.
--- Tá vendo como você tá estranha? Nunca falou assim comigo antes...
--- Eu não tô estranha, caramba! Só tô curiosa...
--- Curiosa para quê, meu Deus?
--- Para escutar o que você tem para me dizer.
--- Mas eu não tenho nada a dizer, porra! Será que você ainda não entendeu essa parte da conversa?
--- Você tem outra, não é?
--- Hum? Outra o quê? Conta no banco? Juro que ia lhe dar a senha...
--- Outra. Uma amante. Uma mulherzinha que você achou por aí. Você tá me traindo, não é?
--- Você fumou? Bebeu? Se drogou?
--- Claro que não!
--- E de onde tirou essa idéia, sua louca?
--- Tá vendo, até de louca já me chama! Admita, você tem outra sim... Já está tudo tão obvio, para quê esconder mais?
--- Esconder de quê, de quem?
--- Ah, então quer dizer que você vai esfregar na minha cara agora, é?
--- Esfregar o quê?! Onde?!
--- Em mim. Porque, ela tem mais peito? Ah, já sei, o bumbum dela é durinho. Vai, pode dizer, dói menos vindo de você do que se for alguma piadinha do pessoal do escritório...
--- Escritório...? Mas você nem trabalha!
--- Olha, nem mais sobre minha vida você sabe! Eu comecei a trabalhar! Hoje!
--- Mas você nem me contou... Queria que eu te contasse algo que eu nem sei...
--- Não sabe porque não queria me contar.
--- Mas você disse que falaram que eu ia te contar!
--- Está tudo acabado.
--- Onde?
--- Aqui. Chegou o fim para nós.
--- Nós?
--- É, seu besta, nós. Fique com a sua mulherzinha e seja feliz. Tchau, baby.

Ele continua a fitá-la, bestificando.
Ela caminha até o carro, põe a chave na ignição e começa a dirigir até o flat novo que comprou, onde o seu homenzinho a esperava.

domingo, 18 de janeiro de 2009

Testamento

Então, para mim tudo bem. Sinceramente, o que você muito provavelmente pensa de mim pouco me importa agora. Quando a morte chega, a escuridão lhe cega e você perde a noção de mundo, centrada no futuro que você não consegue mais ver.
Eu podia ter passado a noite acordada. Enquanto isso, acenderia um cigarro, tragava; tragava um cigarro, acendia um próximo. Podia escutar heavy metal até acha que os vizinhos iriam se incomodar o bastante para chamar a polícia, e eu seria presa junto àqueles marginais fedorentos. E quando fosse solta, eu poderia entrar em um bar de quinta categoria que ficaria na esquina, ficaria bêbada e acabaria saindo para um motel com um estranho que me pagou uma dose de alguma coisa que eu não iria me lembrar o que era.
Poderia fazer uma tatuagem e, no dia seguinte, fazer outra; na verdade, eu poderia encher o meu corpo de tatuagens. E piercing, se achasse necessário. Poderia deixar a escola e, porque não, a faculdade e então você teria uma filha desocupada em sua casa ou uma filha sem teto nas ruas da cidade. Eu poderia tentar roubar uma calcinha da loja de conveniências do shopping, poderia acabar amiga daqueles que você passou a vida me ensinando a evitar.
Poderia colocar um top e uma minissaia e sair à noite escondida para dançar em uma boate, não como visitante, mas como atração. Poderia cometer suicídio – e, afinal, não só posso como estou fazendo. Dramático, não? Mas, ao invés de cortar os pulsos no banheiro, eu poderia me jogar na frente de um carro na avenida principal ou pular do último andar do prédio mais alto que eu encontrasse. E, na verdade, eu poderia tantas coisas que nem eu mesma sei bem do que eu sou capaz.
E ainda assim, você não vê? Poderia fazer coisas que acabariam comigo em instantes e ainda assim você resolveu se preocupar exatamente com aquilo que me fazia feliz. Mas realmente, não faz diferença, não agora, porque a única coisa que eu poderia e queria, simultaneamente, me foi tirada. E apesar de que despertarei sem caminhos iluminados com chance de renovação, eu tenho o conforto de saber que ainda levo comigo três coisas que você, no auge dos seus 16 anos, jamais pensou em ter: sonhos, princípios e caráter.