Quem não gosta de texto depressivo e dramático eu aconselho a parar por aqui, ta?
A minha proposta era falar sobre o que me inspira e contar uma experiência excitante/estimulante que tive, mas não apenas contar e sim tentar fazer com que vocês sentissem junto.
O que aconteceu foi que eu não tive tempo de escrever e a criatividade motivada pelo momento inspirador vivido esvaiu-se. Logo após, senti uma forte dor (inclusive física) e pude facilmente perceber que ele tinha voltado; que durante todos esses meses que estive bem, ele apenas estava adormecido e não extinto. Ele já havia dado mostras de que esta voltando, eu é que não levei a sério.
Ele está na minha vida há tanto tempo que nem me recordo desde quando com exatidão, nem o que o fez bater na minha porta e eu aceitá-lo em meu pensamento.
O que eu tenho certeza é que ele está vivo e sádico, sedento de dor e sofrimento, procurando o que ele mais gosta: a escuridão. E é nessa escuridão que eu me encontro neste momento, sendo cada vez mais sugada para ele, para o meu buraco-negro interior. E ele vai sugando tudo o que vê por perto e, assim, já foram minhas forças para lutar e minhas esperanças de um dia me ver livre dele, assim como também já foram embora meus melhores sentimentos e hoje eu só vejo e sinto dor.
O que me dói também é perceber que eu não estou preparada para encará-lo, que ele ainda é infinitamente mais forte que eu; que eu não mulher suficiente para bater no peito e dizer olhando em seus olhos, com um sorriso desafiador: “Pode vir quente (por)que eu estou fervendo”.
Ele já é um pedaço de mim e me dói assumir isso. Eu falo e abaixo a cabeça porque não consigo encarar os olhares de decepção, espanto, incredulidade, dó e inquisição das pessoas. Dói, dói.
Nem na psicoterapia eu consegui falar abertamente dele, parece que eu e ele fizemos um pacto de silêncio. Foi lá na terapia que eu assumi, com muita vergonha, que eu ainda não sou párea para ele.
E o que as “férias de Internet” têm a ver com tudo isso? Por que deixar de lado o que eu tanto gosto e me faz bem? Depois de muito pensar no motivo, cheguei a conclusão que isso foi apenas um pedido desesperado de socorro. Largar a net é algo inexeqüível e se eu fiz isso (ou tentei), foi uma forma semi-inconsciente (ou semi-consciente) de dizer que algo muito ruim estava agarrado à mim, que eu deixei algo muito ruim agarrar-se à mim, e que eu precisava de ajuda.
Uma das minhas fugas foi não parar minhas atividades e estudos por nada, aliás, intensifiquei. Outra foi a farra e o álcool. Nenhuma opção é satisfatória, desnecessário dizer isso. Mas pelo menos serviu para eu não entrar em contato com ele, o terrível e temível buraco-negro.
E consegui fazer um pouco diferente dessa vez. Nas outras vezes eu resumia tudo em um dia de farra enorme, no qual eu bebia absurdamente, dançava, ficava e no final ainda ligava pra Shrek, que sempre me acolhia. Dessa vez fiz diferente por dois motivos: O primeiro foi porque, certa vez, Shrek me disse com um olhar de tristeza que eu só o procurava quando estava em crise, então, preferi nos poupar dessa vez; o segundo motivo é que no outro dia além de o vazio estar maior, ainda estava com um forte sentimento de culpa.
Neste momento, ele está indo embora. Sua presença foi devastadora... e já estou com medo de sua nova vinda. Enquanto ela não vem, eu volto aos poucos à minha vida ‘normal’, claro que não sem muitas marcas indeléveis.
"Guarda os pulsos pro final
saída de emergência (...)"
*Vou demorar um pouco a responder todos os comentários, mas eu apareço aos poucos.