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domingo, 30 de novembro de 2008

A curva, a estrada, o hoje, o amanhã...

Fernando Pessoa

Para além da curva da estrada
Talvez haja um poço, e talvez um castelo,
E talvez apenas a continuação da estrada.
Não sei nem pergunto.
Enquanto vou na estrada antes da curva
Só olho para a estrada antes da curva,
Porque não posso ver senão a estrada antes da curva.
De nada me serviria estar olhando para outro lado
E para aquilo que não vejo.
Importemo-nos apenas com o lugar onde estamos.
Há beleza bastante em estar aqui e não noutra parte qualquer.
Se há alguém para além da curva da estrada,
Esses que se preocupem com o que ha para além da curva da estrada.
Essa é que é a estrada para eles.
Se nós tivermos que chegar lá, quando lá chegarmos saberemos.
Por ora só sabemos que lá não estamos.
Aqui há só a estrada antes da curva, e antes da curva
Há a estrada sem curva nenhuma.
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Por hora eu sei quem eu sou HOJE e o que estou fazendo aqui, AGORA. Não sei se próximo ano vou ser desempregada, rica, feliz, casada, encalhada, dos cabelos lisos. Não, não sei. Tenho os meus planos, mas o resto é especulação. O que eu sei que estou aqui hoje e amanhã é apenas amanhã e só o fato de pensar assim tem diminuido a minha ansiedade sem limites.
*Obrigada pelos parabéns! Meu dia foi MARA, podem acreditar. Tive festa surpresa e muitas comemorações. Alguém aí lembra que eu eu contei ano passado que não gosto de comemorar aniversários, que é uma data triste? Pois é, esqueçam isso!

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Coisa de criança?

Acho que eu já cansei de repetir que minha memória não é boa e com minha infância não é tão diferente assim.
Porém, lembro de alguns momentos, em especial, e principalmente de idéias gerais de como foi essa tão doce época de minha vida.

Eu era uma menina tímida, como sou até hoje. Mas nem por isso eu deixava de brincar, correr, fazer amizades, me sujar, cantar e fazer birra.
As minhas brincadeiras prediletas eram aquelas que faziam suar, que me faziam correr, pular, me jogar no chão. Quando tinha um grupo de menininhas sentadas no chão brincando de bonecas, eu estava junto. Só que bastava aparecer um menino com uma bola debaixo do braço que eu trocava a brincadeira na mesma hora.

Apostar corrida era comigo mesma. Futebol com os vizinhos da minha avó? Na hora!
Pular elástico? Queimada? Câmbio? Sete pecados? Tica-trepa (isso hoje em dia tem outra conotação haha)? Vôlei? Esconde-esconde? Tudo isso era parte da menina quieta e levada que eu era, ambígua como sou até hoje.

Deu bobeira com Dominó do meu lado? Jogos que incentivavam a inteligência? Caneta e papel para escrever e desenhar?
Também era minha área.

Sim, meus caros, tive infância.
Era a melhor aluna da sala. Talvez a mais tímida e calada, mas também a que tinha mais amigos e a que não parava quieta.
Algumas fotos eu estava vestida igual a um menininho. Outras, como uma princesinha.

E essa era Candy: tímida e entrosada; feminina e masculina; obediente e birrenta; que gostava de brincar sentadinha e que jogava bola como ninguém.
E sabe o que é o mais gostoso de me lembrar disso?
É saber que esse tempo ajudou a moldar quem eu sou hoje.
Os defeitos e as qualidades.

Aqui dentro ainda vive uma criança que insiste em não querer crescer, pois sabe da importância de se ter uma alma jovem.
E por mais que amanhã, dia 26/11/08, eu faça 22 anos e envelheça a cada dia, continuo sendo uma criança que gosta de correr e jogar bola.

Obrigada, meu Deus, por mais uma velinha no meu bolo.


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Brincadeira proposta por Uma Menina

A brincadeira:

1. Colocar o link de quem convidou
2. Escrever um texto sobre lembranças da infância
3. Postar o selo do meme dentro do artigo
4. Se possível, colocar uma foto de quando era criança ou adolescente


Minha foto:

sábado, 22 de novembro de 2008

Camilinha voltou

Quem lembra de Camilinha que escreve a vida?
Pois bem, ela está de volta. Sua canetinha e seu pedaço de papel estão sempre por aí.
E como ela é aquela pessoa que escreve a vida, ela costuma pensar, pensar, pensar, filosofar, durante (quase) todo o tempo.
Certo dia ela se sentou no chão, com um jogo na mão e começou a montar um quebra-cabeça. Ela já havia tentado montá-lo diversas vezes, mas nunca conseguia juntar tudo. Sempre faltavam muitas peças.
Nesse dia, ela conseguiu ao menos juntar mais algumas. Não muitas, mas o suficiente pra começar a ver o desenho que o quebra-cabeça está proposto a mostrar.

Nele é explicado por que Camilinha gosta tanto de ler e escrever.
Ela conseguiu juntar as peças e ver que ela gosta sim dessas atividades, mas não é por puro acaso. Um dos motivos principais é que ela pode viver num mundo só seu, uma espécie de mundo paralelo no qual apenas ela tem acesso.
Ninguém, absolutamente ninguém pode entrar sem sua permissão.
Ela pode ser e fazer o que achar melhor, sozinha, sem interrupções.

Sim!
É isso!
É por isso que ela gosta de ler e escrever: ela cria o seu próprio mundo! E nele não há espaço para aquelas pessoas que repetem o tempo todo que seus sonhos não serão realizados, que jogam em sua cara que ela é dependente e submissa, que a magoam, que a fazem chorar até amanhecer com seu lindo rostinho inchado, para as pessoas que fazem questão de mostrar que são elas que mandam e Camilinha é apenas uma marionete que obedece.

Continuou juntando e percebeu que não é a toa que é considerada uma pessoa misteriosa. Ser uma pessoa assim faz com ela tenha sua vida, que não é dividida com qualquer um (poucos e bons, apenas), na qual as pessoas não têm livre acesso. Evita assim, palpites e dedos indicadores apontados, por exemplo.

Acabou seu tempo livre e as peças do quebra-cabeça ainda não estão todas montadas. Quem sabe outro dia ela não tenha tempo e sabedoria para montar mais algumas?

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Nostalgia

Para quem é novo no blog e não sabe, eu estou me formando esse ano em Psicologia. Meu estágio final é em Psicologia Clínica.
Bem, como já estamos no final do ano, temos que dar o fechamento com nossos clientes (as pessoas que atendemos em psicoterapia individual) e fazer o encerramento.
O que é isso?
Bem, é dizer para cada um de nossos clientes que o ano está acabando, que não vamos mais atendê-los, que caso eles queriam continuar em psicoterapia, será apenas próximo ano com outro estagiário.

Eu reclamo todos os dias quando vou atender. E não é por não gostar do que faço, muito pelo contrário! Encontrei-me totalmente nessa área. Reclamo porque ando cansada física e principalmente mentalmente.
Conheço meus limites e sei que preciso de férias.
Sei que é difícil para algumas pessoas entenderem o quanto os estudantes de psicologia se doam. Também sei que em todos os cursos os alunos costumam se doar (claro que há exceções), mas com psicologia as coisas são um pouco diferentes.
É preciso entrar em contato com seus pesadelos, traumas, medos, inseguranças, etc. O tempo todo somos confrontados com partes nossas que não queríamos ou não sabíamos ter. Isso dói, gente, como dói.
Só que um dia eu pretendo falar sobre isso melhor, o assunto de hoje não é esse.

O que eu quero falar é sobre esse sentimento de perda, de despedida.
È, é exatamente isso: estou me despedindo! Dos colegas, da faculdade, de muitas coisas. Mas hoje me doeu ter que me despedir de minha cliente.
A conheci no Plantão do ano passado e comecei a atender individual e sistematicamente em março de 2008. Criei vínculo com ela, gosto dela, vou sentir sua falta!
E essa despedida foi direto em uma ferida minha (por isso que falei sobre sermos confrontados o tempo todo): eu ter que me despedir sempre, sempre, sempre.
Sei que todos passam por isso, mas na minha vida isso tem sido muito freqüente.
Cara, dói escrever isso. Dói pensar nisso. Dói passar por isso.

Misturei mil assuntos num post só, ficou até confuso, mas acredito que isso tenha acontecido porque minha cabeça está igualmente confusa.
Mas saio desse estágio de cabeça erguida, com a sensação de que fiz meu trabalho e bem feito. Com essa cliente (a mais especial que eu tenho ou tinha...), percebo mudanças enormes nela, melhoras gigantescas e isso me dá orgulho!
Isso me faz feliz, sei que ajudei alguém, ajudei alguém a se ajudar. Vale a pena, essa é minha grande recompensa.

Vou, mas não sem lágrimas rolarem meu rosto...
Tomara que a próxima estagiária cuide tão bem da minha cliente quanto eu cuidei até hoje.

*Não tem como eu continuar atendendo-a porque ela não tem condições de pagar e não posso fazer gratuitamente porque não sei nem da onde vou tirar dinheiro para alugar uma sala...

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

O primeiro de muitos

Só porque hoje, 13/11/08, eu recebi o primeiro salário da minha vida.

domingo, 9 de novembro de 2008

Ainda vale a pena!

E no fim-de-semana passado...

Nesse fim-de-semana eu tinha algumas festas para ir, mas terminei indo à apenas uma, que foi simplesmente MARAVILHOSA!
Nando Reis é Nando Reis e dispensa explicações.

No sábado, eu fiquei em casa e aproveitei para fazer atividades que estavam pendentes, resultado de uma semana cheia de coisa e da preguiça.
Fui pregar o umbiguinho no tanque (não deixo que NINGUÉM lave minhas roupas. Coloco minhas luvas e encaro o desafio), arrumei o guarda-roupa e fiz mil atividades domésticas. A última delas foi cozinhar.

Enquanto eu estava na cozinha preparando, liguei o som e coloquei um CD de axé (a discussão de gosto musical fica pra outro dia).
Há um música que me chamou atenção, na verdade um trecho.

“Vamos deixar as janelas abertas,
Vamos voltar a falar de amor.
Vamos buscar as palavras certas...”

Essa música que eu conheço há milênios, nunca me chamou tanta atenção quanto nesse dia.
Quantas vezes você, eu, seu vizinho, seu papagaio, já fechamos as portas? Já fugimos, já dissemos que “não, eu não quero mais”, já falamos mal das pessoas, que elas não são mais como antigamente, que na época de sabe Deus quem as pessoas eram boas?
Quantas vezes, quantas?
Muitas.

E quando eu falo de amor, não estou falando daquele namorado que te traiu e você sofreu. Também falo dele. Mas estou querendo falar de amor de uma maneira geral.
Sabe aquela frase que sua mãe falou, que até hoje te machuca, que você passou uns dias sem querer falar com ela?
É disso que também estou falando.

Fechamos a janela quando evitamos, por qualquer que seja o motivo, amar. Seja qualquer ‘tipo’ de amor.
Não estou querendo recriminar e dizer que não é importante darmos um tempo, fecharmos para balanço e pensarmos na vida. Não, de jeito nenhum.
Em algum momento isso vai acontecer.
Só queria poder passar a alguém o que eu aprendi nos últimos tempos. Se apenas uma pessoa entender e sentir isso, eu já ficarei feliz.

Sim, ainda vale a pena ser uma pessoa boa, com um bom coração, com amor pra dar. Sim, vale a pena tentar de novo e de novo e de novo. Não, as pessoas não são iguais. Aquela desperdiçou o amor que você deu, outra não fará isso.

Pra quê solidão e amargura se podemos ter companhia e amor?

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Notícias

Querido Diário,
Faz tempo que não venho falar sobre os meus dias por aqui.
Eu sei que sou reclamona e ranzinza, adoro ficar sendo rabugenta por aí... dizem que isso é até engraçado em mim. Parece que hoje não estou para reclamações...
Deve ser porque está acontecendo tanta coisa positiva na minha vida, que tenho receio de alardear por aí e tudo começar a dar errado.

Como faz tempo que não compartilho com você os meus dias, resolvi fazer isso agora. Você merece, querido diário, você sempre está presente na minha vida.
A faculdade anda cansativa, mas tenho levado no bom humor. Tenho tentado fazer piada, sorrir mais com minhas amigas, afinal sei que esses cinco anos estão acabando e quero aproveitar cada momento. E não só isso, continuo estudando para ser uma profissional cada vez melhor.
No trabalho eu recebo pouco, muito pouco. Mas também trabalho pouco, muito pouco. O mais importante, pra mim, está sendo ter perspectivas com relação ao meu futuro profissional.

Em casa, não está nada perfeito, mas estou conseguindo também levar com tranqüilidade. Eles são meus pais e a família que eu tenho, podem não ser perfeitos, mas me amam e querem meu bem. Eu tenho plena certeza disso.

Com os amigos, tudo vai bem.
Diário, lembra das vezes que chorei por causa deles? Pois é, agora não tenho muito do que reclamar. Só o fato de que alguns amigos estarem indo embora da minha cidade. Mas a distância física está presente na minha vida desde sempre, eu consigo me adaptar.
Com o coração, sei que há muito o que ainda acontecer, mas não desisto, não entrego os pontos. Aliás, sei que está mais perto do que longe. Então me resta ter paciência e maturidade, o resto vem no seu devido tempo.

A saúde anda melhor ainda. Sem cólicas, sem muita alergia, anos sem ter asma, voltando a correr para cuidar do corpo e da saúde.
Por falar em cuidar do corpo, minha auto-estima está estupenda, estou feliz comigo mesma. Ah, quantas vezes reclamei porque era muito magra ou muito gorda; dos cabelos, quantas vezes não mudei a cor?; passei anos a fio querendo ser morena/mulata/negra, mas hoje acho minha cor de lagartixa de escritório, linda.... enfim, tudo indo bem.

Estou muito, muito, muito feliz! E às vezes essa felicidade toda me assusta.
Dizem que gato escaldado tem medo de água fria...

Mas, querido diário, queria pedir que você não contasse nada a ninguém, que ficasse como sempre: só entre nós dois.
Segredinho nosso, ta?
Vai que pessoas invejosas têm acesso a essas informações e minha vida começa a andar pra trás?! Não que eu acredite nisso, longe de mim... mas o seguro morreu de velho, né?

Até o próximo encontro, querido diário...