Cristina fez fama de ótima jardineira em sua pequena cidade. Quem a via hoje chegava a pensar que tudo que ela conquistou caiu do céu... mal sabendo que ela suou e batalhou muito para chegar onde chegou e a que a cada dia ela matava um leão, não é assim que o ditado popular fala?
Apesar de cuidar de muitos jardins e plantas afins, havia três rosas que ela tratava com especial atenção.
Em alguns momentos ela dava mais atenção à uma, as vezes à outra e assim seus dias, meses e anos foram passando.
Talvez ela nem se desse conta de quanto tempo já havia transcorrido desde que ela se dedicou com tanto afinco à essas três rosas.
Sem saber por que, Cris passou a sentir uma obsessão por uma das rosas. Dormia e acordava pensando nela. Passava seus dias regando-a, cuidando, observando, acariciando e quando não podia estar perto da rosinha, sentia uma forte angústia.
Cris percebeu seu impulso, tentava agir com mais cautela; tinha plena consciência que, se continuasse assim, ela podia matar a pobre rosa.
Apesar de ser uma ótima jardineira, Cris não conseguia mais achar o limite do saudável com sua rosa, não sabia o momento de parar. Ficou com medo de aguar demais a plantinha e prejudicá-la, porém Cris não conseguia mais agir “mais ou menos”: ou ela cuidava excessivamente dessa rosa, ou não cuidava.
As outras duas rosinhas que ela tanto gostava, não chegaram a ficar esquecidas, no entanto Cris só cuidava por pura obrigação. Apenas por já ter anteriormente se comprometido a cuidar delas.
E outro pensamento egoísta passou pela sua cabeça:
“se minha rosa predileta murchar, eu ainda tenho mais
outras duas!”.
O resultado foi que a rosa dos olhos de Cris, murchou e murchou muito!
“Por que ela fez isso comigo? Cuidei tanto dela e ela ainda me deixa sofrer a vendo morrer?”, a jardineira fez-se de vítima, mesmo sabendo de sua participação no fracasso da rosa (ou seria seu próprio fracasso?).
Não, a rosa ainda não morreu... mas Cris resolveu deixar a rosa de lado. Não quer mais cuidar dela, quer apenas que a rosa volte a ser linda e vistosa como antes e não quer se dar ao trabalho de fazer mais nada. Quer apenas voltar a sentir o agradável cheiro que é exalado.
E quantas as outras duas rosas?
Uma delas está igualmente beirando o falecimento. Não recebeu água, nem luz e nem os nutrientes necessários durante um longo tempo.
Como sobreviver?
Já a terceira conseguiu, com muita resiliência, sobreviver.
E é nela que Cris resolver se apegar excessivamente.
Afinal, a jardineira não sabe ser mais ou menos.
“E se essas três ingratas rosas me abandonarem e eu ficar sozinha?”, pensou em comoção.
Balançou a cabeça como que para desanuviar a ideia.
“Nada é permanente neste mundo difícil, nem mesmo nossos problemas”. Charles Chaplin.
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Selinho LINDO recebido da Pequena:
Obrigada,
Jéssica!
(E desculpa pela demora...)