quinta-feira, abril 27, 2006

um jeito...

dá-te jeito a minha canção de ninar,
na tua madrugada de insónia ou paródia?

dá-te jeito também ouvir a voz que te chama 'menino'
e te diz que lhe fazes falta?

dá-te jeito fluir na corrente do meu sentimento
sem que te tornes caudal orgânico dele?

o jeito que mais gosto é 'aquele jeito de amar'!
todos os outros podem ficar na suspensa vontade de não navegar.
massa volátil em movimento ou calmaria,
sou vento que não passa ou que passando se funde organicamente com o que toca.
em ascensão ou descendente, crio correntes que combinam elos de diferentes ventos,
Suão, Alíseos, do coração ou do desânimo!, que engrossam o caudal e o ímpeto com que me dou.
do teu vento colhi o firmamento arquitectado na abóbada que rasga vãos desafiadores inscritos em cartas siderais que guiam a tua viagem pelas estrelas.
e inscrevi em mim a força tua
em perfil transmutado e consubstanciado na centelha de impossível que criaste em mim.

o vento que agora sou tem de ti aquilo que em mim sempre existiu, em silêncio,
esperando o eco que o tornasse vontade audível.

escuta este vento, tu, outro vento.

segunda-feira, abril 24, 2006

Do adiar dos pequenos gestos

no tecido dos dias dobados à força de punhos,
inscrevemos o pigmento de um passado no futuro presente.
ausentes nós em tessituras improváveis desenham o padrão do esquecimento
dos fios que os atam e firmam numa trama de fingimentos propositados.
urdindo no âmago da tela usada,
semeamos a traça que rói a obra ansiada
e adiamos o gesto final que a concluirá na continuidade.

quarta-feira, abril 19, 2006

se um Anjo aqui passasse
ver-me-ia triste, perdido em mim,no emaranhado de emoção que me não deixa vê-lo passar!
Anjo que passas...
detém-te e acerca-te deste que não quer ver o sinal claro do poente,
despedida breve que renasce em nascente fulgurante.
na aurora renova-se o brilho luminoso que o rasto de mil Anjos deixa a raiar no limite do olhar.
Anjo que passas...
afinal vais ao meu lado, a trilhar o caminho que faço,
desviando a sombra que as pedras impõem ao meu andar.
andar é preciso...
Magma
Ardente
Rasgando
Iridescentes
Ondas

sulcando distâncias
e arando fundos
semeias auroras em planícies de Castela
vibrando impressionisticamente o telurismo do momento.

em pose serena, fitas na distância a permanência do horizonte
Porto onde ancoras o teu olhar marejado de Douro.

Voltas-te desafiador dos contrafortes da tua certeza
e desces à planura inundada do húmus da tua humanidade
passeando-te entre os filhos da tua nação.
Alegremente.

[ao mjpc]