Recentemente, vi um vídeo que viralizou de uma garotinha brasileira numa praia na Europa. Ela reclamava que as praias de lá eram “sem graça” porque não havia vendedores de guloseimas e bugigangas, como nas praias do Brasil.
Ela tem toda a razão! Em Portugal, ainda se vê algum ambulante vendendo bolas de berlim, mas em muitos outros países europeus, esse calor humano e comercial simplesmente não existe.
No entanto, acho que aquela menina se divertiria muito na praia onde eu estive, em Vlissingen, nos Países Baixos. Além da vista ampla do mar e do movimento constante de navios para o porto de Antuérpia, o local abriga uma obra fascinante do artista belga Raphael Opstaele.
O já falecido artista criava sua arte com a ideia de que o mundo era seu palco, utilizando materiais pouco convencionais em larga escala. Ele sonhava com um projeto ambicioso: construir uma série de órgãos de sopro ao longo de toda a costa atlântica, da África Ocidental até o Polo Norte. O projeto, batizado de Soundstream, começou na orla de Vlissingen em 1975, onde ele ergueu um órgão de sopro gigante. Este se tornou o único trecho do projeto que realmente saiu do papel. Seus 27 bambus, dispostos em uma formação específica, produzem um som contínuo. Dependendo da intensidade e da direção do vento, é possível até distinguir momentaneamente uma melodia etérea.
A história da obra é marcada por resistência. A versão original, feita com bambu camaronês, foi destruída por uma tempestade em menos de um ano. Reconstruída através de doações, foi novamente vandalizada em 1981, com muitos tubos cortados. Mais uma vez, a comunidade se uniu e a reergueu.
Estive lá e confesso: a melodia produzida é, por vezes, sinistra e até um pouco assustadora, mas é, sem dúvida, uma atração hipnótica e pouco conhecida. Uma experiência sensorial única, que vale muito mais que qualquer guloseima.


Abaixo está o short vídeo que fiz.
Agradeço sua leitura e até qo próximo post! 😉








































