Projeto Fotográfico 6 On 6: Lombadas

O tema do Projeto Fotográfico 6 On 6 de março é Lombadas.
Com frequência, é para elas que o nosso olhar se dirige primeiro. Fico imaginando as escolhas de um editor ao definir cor, forma e tipografia — escolhas visuais que moldam a nossa primeira impressão, antes mesmo da leitura começar.

Uma boa alma passou por minha casa e, com seu senso de estética, organizou os livros das estantes da sala por cores.


Lombadas brancas
Sinto que pedem silêncio, como se guardassem histórias que preferem ser abertas com calma.

Lombadas pretas
Parecem-me mais sérias. Prometem densidade, mistério e algumas noites mal dormidas, se ficarem sobre a minha mesa de cabeceira.

Lombadas verdes
Gosto de estar em contato com a natureza, e elas fazem-me viajar sem sair do lugar. Cada lombada é um pedaço de paisagem. Junto às lombadas azuis, o cenário fica completo.

Lombadas amarelas
Parecem não ser levadas muito a sério, mas são justamente elas que costumam surpreender mais.


Lombadas de cor desgastada

Essas evocam o passado, outras vidas, sebos… Quantas mãos já terão tocado essas obras?


Lombadas artísticas
Há lombadas que são, por si só, pequenas obras de arte. O diferente se impõe na estante — ou seria o exótico? Gosto dessa presença artística.

Agradeço sua leitura. Até ao próximo post! 😉

Participam ainda deste projeto: Claudia Leonardi – Lunna Guedes – Mariana Gouveia – Obdulio Ortega – Roseli Pedroso

Projeto fotográfico 6 on 6: Road Trip Urbano

Para este 6 on 6 com o tema road trip urbano, a minha viagem acontece sem sair de Sint-Niklaas, Bélgica. A cidade é uma verdadeira galeria a céu aberto de arquitetura Art Déco, onde linhas geométricas e fachadas elegantes transformam um simples passeio urbano numa viagem ao início do século XX.

O primeiro exemplar é o Hotel De Spiegel (O Espelho). Bem no “coração” da cidade, surge com a sua clássica elegância numa fachada de três andares, com janelas e portas retangulares. No topo de cada pilar, um laço com guirlanda pendente é o único elemento decorativo da fachada austera.

Esta segunda foto traz dois belíssimos exemplares da cidade. À esquerda, uma casa dupla de 1930, de dois andares e três colunas. A forma da fachada e a cor branca cimentada contribuem para o equilíbrio visual. O toque final de elegância é dado pelo detalhe à volta da porta de entrada e pelas duas janelas em estrutura de sino, com grades na varanda.
Ao lado, um edifício de três a quatro andares, com telhado plano. Os elementos em pedra natural e o revestimento de mármore preto garantem uma harmonia que não escapa aos olhos. As janelas retangulares e a cor dos vitrais conferem um belo efeito decorativo à estrutura, animando a sua forma austera.

Sigo caminhando e encontro mais um exemplar: um edifício de aparência funcional, com largas janelas retangulares, e com destaque para a coluna à direita, onde um vitral de formas geométricas e detalhe em verde chama a atenção.






Quando encontrei esta porta, fiquei tão encantada que só ao chegar a casa percebi que tinha esquecido de fotografar o prédio inteiro. 













Este é um magnífico exemplo de Art Déco, com vários elementos retangulares de diferentes tamanhos e cores que animam a arquitetura. Tinha mesmo de ser uma escola!



O último exemplar desta road trip urbana apresenta, além dos elementos retangulares nas janelas, nos tijolos e nos vitrais, linhas oblíquas que eu não tinha observado nos exemplos anteriores. A porta é a cereja no bolo. Linda!



Nota: Programei este post para o dia 6 de Fevereiro. Eu levarei alguns dias para responder a possíveis comentários porque estarei em outra road trip. 😉 Se você ainda não sabe, pode também me encontrar no Instagram, YouTube e TikTok, sempre como O Miau do Leão.

Agradeço sua leitura. Até ao próximo post! 😉

Participam ainda deste projeto: Claudia Leonardi – Lunna Guedes – Mariana Gouveia – Obdulio Ortega – Roseli Pedroso

Projeto fotográfico 6 on 6: 6 livros e uma xícara de chá

O primeiro 6 on 6 de 2026: 6 livros e uma xícara de chá. A Lunna fez-me iniciar o ano com protestos. :))
Entre mudanças de país e de casa, os livros físicos foram diminuindo, e a leitura passou quase toda para o formato digital. O estoque para temas que envolvem livros está a acabar. E ainda vem a xícara de chá… :)) Eu tenho muitas, mas não bebo o quanto deveria.

No último 6 on 6, tive dificuldade porque não sou capaz de fazer marcações nos livros. Agora, imaginem ter de me livrar de livros que nunca mais serão tocados, quanto mais lidos. Eles permanecem na estante com uma única finalidade: decorar. É a história de seis livros que trago para o projeto deste primeiro mês do ano.






Tenho esses dinossauros numa estante da sala. Seis exemplares da espécie Houaiss. Eu participava do Círculo de Leitores em Portugal e já não sabia mais o que escolher. Eles foram chegando, um após o outro. Tesla talvez dissesse que o abandono deles não é desprezo, mas evolução.



Ainda como participante do Círculo de Leitores, escolhi este livro. Não sei onde estava com a cabeça ao escolher O Paciente. Talvez tenha feito mentalmente aquela brincadeira de criança: 1, 2, 3…
Fui com a ideia de folheá-lo para relembrar a história, mas ao chegar à dedicatória: “ao meu fabuloso marido…”, perdi a vontade. Parafraseando a xícara: cuscuz é melhor do que este livro.



Deram-me este outro livro em Portugal e, provavelmente, quem o ofereceu conhecia a fama da obra, mas não me conhecia de facto. Na contracapa, cita nomes de filósofos conhecidos que teriam compreendido o tal “segredo”. Lá dentro, encontro a frase: “o processo criativo usado em O Segredo foi retirado do Novo Testamento da Bíblia”.
Não tenho paciência para textos que tentam converter o leitor. Mais uma vez: cuscuz continua a ser melhor.




E, por falar em paciência, não a tenho para o filme, quanto mais para o livro que o inspirou. A frase da xícara fica melhor aplicada à escritora. :))




Mais um da saga do Círculo de Leitores cuja utilidade é decorar. O livro é um romance de ficção médica que alerta para o perigo em se consumir alimentos contaminados. O hamburguer da história estava com E. Coli, mas o cuscuz da minha xícara está livre deste perigo.


Já não me lembrava deste último exemplar. Talvez, finalmente, leia algum artigo de pessoas muito mais sábias do que eu em história da matemática. A minha contribuição, na época, foi um artigo escrito em dupla: A influência de Pedro Nunes na navegação portuguesa, na época dos grandes descobrimentos.
Um momento da vida que deixei para trás. Larguei.
Vale dizer: cuscuz é melhor do que eu.

Agradeço sua leitura e até ao próximo post!
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Projeto fotográfico 6 on 6: Quote Literário

Último 6 on 6 de 2025.
O tema escolhido pela Lunna é Quote Literário — marcações feitas em livros já lidos.
Eu nunca faço marcas nos livros. Vejo-os como algo quase sagrado, que merece cuidado e respeito. E, se um dia os empresto, prefiro que sigam seu caminho sem as minhas interferências, sem as minhas escolhas já assinaladas.
Isso não significa que condene quem sublinha com lápis, caneta ou post-its. É apenas a minha maneira de estar no mundo e de me relacionar com a leitura.
Quando um trecho realmente me toca, não o marco na página: eu o guardo noutro lugar. Escrevo-o num arquivo online, de fácil acesso.
Neste 6 on 6 de dezembro, partilho alguns desses trechos.

“Tenho corrido em vão tantas cidades!
E só aqui recordo os beijos teus,
E só aqui eu sinto que são meus
Os sonhos que sonhei noutras idades!”(Charneca em Flor, de Florbela Espanca.)

Sempre me emociono ao ler este trecho do soneto de Florbela Espanca. Évora (Portugal) ainda corre no meu sangue.




“Viajar é sempre um encontro: com pessoas, lugares, mas sobretudo consigo mesmo.”
(O Homem Duplicado, José Saramago)

Não podia faltar um quote do meu escritor preferido junto ao meu olhar sobre as minhas cidades do coração, Recife e Olinda (Brasil)






“Porque eu sou do tamanho do que vejo
E não, do tamanho da minha altura…
Nas cidades a vida é mais pequena
Que aqui na minha casa no cimo deste outeiro.
Na cidade as grandes casas fecham a vista à chave,
Escondem o horizonte,
Empurram o nosso olhar para longe de todo o céu,
Tornam-nos pequenos.”
(O Guardador de Rebanhos, Fernando Pessoa)

Mais um talento em língua portuguesa. Eu vou raramente à costa belga. Em uma dessas idas a inspiração revelou esta foto que penso combinar bem com o trecho do poema de Alberto Caeiro, heterônimo de Fernando Pessoa.

“Eu não tenho filosofia; tenho sentidos…
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar…
Amar é a eterna inocência,
E a única inocência é não pensar…”
(O Guardador de Rebanhos, Fernando Pessoa)

Eu tive muitos traumas com animais. Por isso, não demonstro muita afeição com eles. Um dia em férias na costa belga, num fim de ano, esse cãozinho vinha ter à porta. Eu sentia que ele gostava de mim, havia reciprocidade, mesmo sem nos tocar.

“… Florence nunca entendera. Quem sabe, pela mesma razão não fora capaz de entender que ele (Gregorius) não gostava de avião. Entrar num avião para, poucas horas depois, aterrissar num mundo completamente diferente, sem ter tido o tempo de absorver imagens ao longo do caminho – não, ele não gostava daquilo, aquilo o perturbava. Não pode dar certo, dissera para Florence. O que significa isto?, respondera ela, irritada. Ele não era capaz de explicar, …”. (Trem Noturno para Lisboa, Pascal Mercier).

Sinto o mesmo quando viajo de avião, por isso prefiro, sempre que possível, viajar de carro. Este trecho faz-me lembrar minha viagem a Hong Kong e Macau. Pensei ter desembarcado em outra vida.

“Há poucas coisas a que os seres humanos se dedicam mais do que a infelicidade.”
(Como Proust pode mudar a sua vida, Alain de Botton)

Ler este trecho é pensar em minhas fotos em Skiathos, Grécia. Eu estava com depressão e não aceitava. Hoje quase não me reconheço nas fotos. A doença refletiu nas minhas fotos, sinto isso.

Agradeço sua leitura e até ao próximo post! 😉

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Projeto fotográfico 6 on 6: Nossa Casa

Outubro chegou e, com ele, o dia do projeto fotográfico 6 on 6. É um mês que nunca me é fácil: traz o frio, os dias curtos e o vento. Curiosamente, o tema escolhido pela Lunna Guedes é o oposto dos meus sentimentos em relação a outubro: “Nossa Casa”.

Posso viajar por todo o mundo, conhecer novos lugares, encontrar pessoas e provar novos sabores, mas nada é mais acolhedor como retornar ao meu cantinho, minha casa. O lugar que reflete quem sou e que conta um pouco da minha história. Hoje eu vou abrir as portas da minha casa e mostrar um pouco do meu mundo.

No passado, tive a ideia de fazer um post sobre como é a recolha de lixo na Bélgica, mas nunca escrevi. Essa é a vista que tenho ao abrir a porta de casa. Praticidade. Aqueles caixas em aço são depósitos de lixo. Há para plásticos, papel e o resto do lixo. A colocação no lixo de papel é gratuita. Para o plástico e o resto do lixo usamos um pequeno cartão (badje) que consta um saldo em dinheiro e a bandeja para colocação do lixo abre-se. Atualizamos o saldo através de pagamentos via Internet. Regularização vem um caminhão com guindaste e recolhe o lixo que está no subterrâneo. O container de lixo proveniente de grama cortada e restos de comida são recolhidos seguindo um calendário. Para isso temos que colocar uma etiqueta comprada de acordo com o volume do container. Tudo funciona com uma precisão quase matemática, e, confesso, ainda me surpreendo cada vez que o caminhão com guindaste chega para “pescar” o lixo do subterrâneo.

Quando eu tinha 18 anos e fui fazer o exame para carteira de motorista, encontrei um ex-vizinho da mesma idade ou quase, e ele disse algo sobre mim que nunca mais esqueci: “Quando éramos crianças, corríamos para rua e você corria para dentro de casa.” Eu reagi com uma boa gargalhada. O quintal sempre foi o meu lugar preferido. Era para lá que eu corria. Protegida dos olhares, em segurança, eu podia dar asas à criatividade infantil. Do meu quintal atual posso admirar viajantes em balão em fundo de céu quase sempre cinzento.



O meu bonsai salvou-me. Ele é uma parte da minha história, quando eu esqueci de mim. Eu já contei a história dele aqui no blog. Eu lia Bonsai, de Alejandro Zambra, sobre o fim de um amor. A dor de uma separação é enorme. Nunca se cura. O bonsai estava tão mal quanto eu. Faz quatro anos.  Pesquisei como recuperá-lo, e como me recuperar. Ambos estamos recuperados. Às vezes, ele fica com um galho perdendo folhas, e, às vezes, aquela dor vem à memória. Somos um só.



Bem, pela foto abaixo, e esta confirma, sou um pouco bagunceira. Gostei do que uma visita disse: “Aqui há vida!”. Hahaha Visitas assim são sempre bem-vindas. Essa gaveta reflete o meu gosto por cozinhar e descobrir novos sabores. Eu vou viajando e aprendendo. Um mundo de especiarias em uma gaveta.





Ah, uma coisa boa de outubro… Os meus simpáticos camaradas aparecem para alegrar o ambiente e fazer a segurança dos livros. À noite, descansam junto ao cacto sem espinhos. Uma decoração para não esquecer de onde venho. Neste momento olham para mim pacientemente enquanto escrevo este post sentada no sofá com o portátil ao colo.




E na janela, o pombo ou talvez um amante disfarçado.
De costas para mim, olhando o mundo lá fora — talvez planejando a próxima viagem, ou apenas fazendo pose para o “Miau do Leão”.
Afinal, até os pombos gostam de aparecer em blogs. Só ele (ou ela) viu o meu quarto. 😉

Agradeço sua leitura e até ao próximo post! 

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Projeto fotográfico 6 on 6: Fui por aí

Dia do post do projeto fotográfico 6 on 6 com o tema Fui por aí (viagens). Amei o tema escolhido pela Lunna Guedes. Esse tema sou eu. É certo que a minha relação com viagens mudou após ler A Arte de Viajar, de Alain de Botton, porque viajar é muito mais que ir de um lugar ao outro. Viajar é uma arte de percepção.
Normalmente, escolho para o projeto fotos que eu mesma tirei, mas para este post escolhi também fotos que eu pedi a alguém para tirar de brincadeiras que faço ao viajar. 
E queria o destino que neste 6 de Setembro eu estivesse justamente em viagem. E é de Heidelberg, na Alemanha, que escrevo.

Heidelberg é uma cidade muito agradável, bonita e alegre. Sinto-me à vontade. Percorrendo uma das margens do rio Neckar encontro uma imagem fofa. A street art na Alemanha deve ser imbatível.

 

 

 

 

 

 

Vou por aí em direção ao centro antigo. Incentivada pela curiosidade, encostei-me ao senhor que está a ler. Que surpresa! Era sobre mim.

 

 

 

 

 

 

 

 

Caminhando por seu agradável centro encontrei uma estante de livros na rua com cálices esperando por um bom vinho.

 

 

 

 

 

 

 

 

Enquanto todos queriam tirar uma foto com o macaco da ponte de Heidelberg e quis apreciar uma tomada de foto por outro ângulo. Não podia esquecer que sou de Gêmeos e Macaco no horóscopo chinês. Sem comentários.

 

 

 

 

 

 

 

Essa combinação dá-me a coragem que vejo em crianças.  Fui lá e me sentei no trono da realeza persa.

 

 

 

 

 


 

 

O projeto fotográfico bem que podia mudar o nome só hoje 6 on 66 ou 666. Essa foto foi em Mons, na Bélgica. Eu entrei nesse sino ou algo assim. E os meus filhos que quando eram pequenos fugiam das palhaçadas que eu fazia, quando viram, resolveram tirar uma foto. O leitor deste post também vai rir?

 

 

 

Agradeço sua leitura e até ao próximo post! 

Participam ainda deste projeto: Claudia Leonardi – Lunna Guedes – Mariana Gouveia – Obdulio Ortega – Roseli Pedroso

Projeto fotográfico 6 on 6: 6 meses – 6 fotos

Chegou Agosto, e o dia do projeto fotográfico 6 on 6 com o tema: 6 meses – 6 fotos. A gosto da minha interpretação senti o tema como uma retrospectiva do melhor de cada mês do primeiro semestre de 2025. Confesso que não sou de reler o que escrevo, mas para fazer esse post tive que me superar.

Janeiro: O desafio fotográfico começou também pelos Melhores Momentos. Esta não foi a foto mais comentada, mas eu gosto muito dessa foto. A presença do Sol é muito importante para mim. Estou lendo o livro “Destrave Seu Cérebro”, de Faith Harper, e por coincidência, hoje peguei-me a ler este trecho: … “Se não puder fazer mais nada, tente pelo menos sair de casa, tomar um pouco de Sol. Mesmo que seja apenas para ficar sentado na varanda enquanto toma um café.” … Parece tão simples.


Fevereiro trouxe o tema Cult Coffee and Books. Foi quando citei o bem humorado Ariano Suassuna, um crítico do estrangeirismo da nossa língua. Para este post escolhi esta foto, porque foi um livro que me diverti muito ao ler. 


 

 

 

 

 

 

Março não houve um tema definido pela idealizadora do projeto, a Lunna Guedes. Mesmo assim optei por fazer um post, e um pouco a brincar com o tal estrangeirismo criticado por Suassuna dei o título de Without 6 on 6. Ao invés de seis fotos  eu trouxe seis vídeos de versões diferentes da música With or Without You do U2.

 

 

 

Abril veio com o tema Ao Cair da Tarde. Um mês que eu costumo tirar férias só poderia render muitas fotos especiais como esta em Wroclaw (Polônia). Sorte de amadores.


 

 

 


 

Maio trouxe o tema Caminhos Literários. No meu caminho de vida surgiu essa casinha de livros em Novi Pazar (Sérvia). Uma viagem surpreendente que rendeu imagens afetivas.

 

 


 

 

 

Junho veio com as Leituras de Outono como tema. Um post escrito no dia do meu aniversário. Escolhi a foto do livro de Nietzsche, que também rendeu um post sobre um interessante curta metragem, O Meu Amigo Nietzsche.

 

 

 

 

Esses seis primeiros meses do projeto fotográfico 6 on 6 registraram mais do que imagens, guardaram luz, livros, viagens e músicas.

Agradeço sua leitura e até ao próximo post! 

Participam ainda deste projeto: Claudia Leonardi – Lunna Guedes – Mariana Gouveia – Obdulio Ortega – Roseli Pedroso

Projeto fotográfico 6 on 6: Degraus

Chegou o dia 6 do mês, e com ele, o projeto fotográfico 6 on 6! O tema deste mês de julho é “degraus”. A princípio achei o tema tão difícil como subir uma longa e estreita escada helicoidal. Pensei em fugir, escapando por um elevador, mas sem antes dizer poucas e boas para a Lunna Guedes que tem cada ideia! :)) Eu já estava na cama quando soube do tema, após reclamar, respirei fundo, e adormeci. Quando acordei pensei: Que raio de tema criativo! Afinal, os degraus estão em todo lugar: nos prédios, nas ruas, nas montanhas, nos dias que passam,… na vida!. Às vezes são de concreto, outras vezes invisíveis. E foi pensando nisso que selecionei seis imagens que mostram escadas reais e imaginárias.





As escadas são sempre inspiradoras e fotogênicas. Encontrei algumas escadas que fotografei em viagem. Escolhi esta foto que tirei em Stolberg, Alemanha. No alto da escadaria estava uma estrela amarela. Uma rua estreita, uma escada, uma estrela, céu azul e uma árvore vigiando. Perfeito!









Sou um pouco preguiçosa para subir escadas, sempre protesto. (Risos) Valeu a pena subir alguns vãos de escada para observar melhor esses jumentos, numa estrada albanesa.







Uma selfie para festejar. Não acredito que subi essa escadaria! Devo ter pensado:atravessei meio mundo para chegar aqui. É agora ou nunca! Ou lembrei que na mesma viagem já tinha feito a loucura de andar na selva de Hong Kong, onde também havia degraus naturais, então subir a escadaria das ruínas da Igreja de São Paulo, em Macau, era um aperitivo.



Mais uma foto na Albânia. Eu vi muitos peluches desgastados no exterior das casas. Sendo este da foto um dos maiores que vi, e logo numa escada! Acredita-se que eles afastem o mau-olhado, e a escada é um elemento de transição.







Pensei numa escada imaginária para chegar ao topo dessa bicicleta e pedalar pelas ruas da cidade de Carlos Magno, Aachen, Alemanha. Seria um espetáculo,… de queda e gritos, claro.

E termino este 6 on 6 bem acompanhada com Sir Walter Scott, em Edimburgo, Escócia. Entre nós havia degraus que não eram permitidos escalar. Ficamos assim. O que separa o observador da obra não é a escada, mas o silêncio que insistimos em guardar.

Agradeço sua leitura e até ao próximo post! 😉
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Projeto Fotográfico 6 on 6: Leituras de Outono

O Projeto  Fotográfico 6 on 6 de Junho não poderia ser mais especial, afinal hoje também é o meu aniversário. O tema  deste mês caiu como um presente no meu colo: Leituras de Outono. Eu adoroooo o Outono. Juro! Confesso! Ops, quando raramente uso o verbo “jurar” é sinal de que  estou a faltar com a verdade. :))) Eu gosto é de Verão! Vamos falar a verdade? Outono é aquela estação que tenta ser poética, mas no fundo é só um verão desbotado. Dias mais curtos, frio que não convence, e aquele vento que estraga o cabelo como se fosse um inimigo pessoal.
Os meus 5 companheiros de 6 on 6 estão no Sudeste do Brasil vivendo o Outono tupiniquim. Eu estou na Bélgica vivendo a Primavera.  O Outono é uma estação que, para mim, sempre existiu mais nos livros do que na realidade. Oxente, eu sou do Nordeste do Brasil! Lá a equação sazonal é simples, pois só há duas variantes: chuva ou sol.  O Outono só vim a conhecer quando passei a viver na Europa. Eu tenho que engolir: Ele é a desculpa perfeita para ficar debaixo do cobertor com um livro. E olha o destino, apesar de estarmos na Primavera, vivemos uns dias que mais parecem Outono, perfeito para as fotos do tema. Aqui estão 6 livros que até fazem o outono valer a pena.





Começo  com Fogo Morto, a obra de José Lins do Rego, um nordestino como eu. O cenário do livro é a decadência da produção de açúcar e a mudança do modelo econômico da regiáo.  No livro é possível ler  a tristeza da sua terra  e da sua gente.  Eu diria: Um livro outonal. 

Nietzsche me lembra o outono europeu: dias que se encurtam, ideias que se aprofundam. Em ‘Zaratustra’, ele fala do ‘cair como folhas’; e eu vejo nisso não um luto, mas a coragem de deixar ir o que já não serve. Apesar da maturidade na idade que se avança, isso é algo que ainda não aprendi, ou melhor dizendo, é ainda uma teimosia de criança. Apesar de eu não ter sido uma criança teimosa. :)) Como boa geminiana, eu gosto de conhecer novas pessoas, mas há pessoas que me feriram sem eu ter dado motivo. E eu gostaria que elas fossem como as folhas de Outono no meu pensamento.

Uma foto do livro Ëvora Com Luz, de Jerónimo Heitor Coelho e Nuno Simões Dias.

Em Évora, o outono não é apenas uma estação. As folhas secas sussurram histórias antigas, sussurram a poesia de Florbela Espanca e a melancolia de Vergílio Ferreira. Este livro mata a saudade do meu quintal em Évora,  lembrar das únicas coisas boas desta época lá: a figueira e o diospiseiro que plantei.

O Outono é uma boa desculpa para a leitura e para jogar xadrez acompanhado de uma chávena de chá. Por isso, tenho nas estantes vários livros de xadrez. Este é especial porque foi um dos primeiros tratados impressos sobre xadrez. O autor vivia em Roma, fugido da Inquisição portuguesa. Nascido em Odemira.

Sapiens fala sobre as revoluções humanas (agrícola, científica, industrial) que transformaram o mundo, assim como o outono marca uma transição na natureza. Uma leitura essencial para entender a nossa civilização.

Para afastar a melancolia que me invade durante o Outono, além de fitoterápicos, agarro-me aos livros de culinária. Taí, algo que gosto do Outono, é o momento adequado para confeccionar Comfort food.

Outono ainda não é minha estação favorita, mas se ele vem com direito a livros, cobertores e desculpas para não sair de casa… até que dá para relevar.
Então é isso, pessoal: me desculpem os fãs do outono, mas calor, sol e praia são fundamentais. Dito isso, se eu realmente tenho que passar pelos meses de frio morno, que seja com esses livros na mão e um lado irônico para compensar. #TeamVerão  #OutonoÉSóUmMito.

Agradeço sua leitura e até ao próximo post!
Participam ainda deste projeto: Claudia Leonardi – Lunna Guedes – Mariana Gouveia – Obdulio Ortega –Roseli Pedroso

Projeto Fotográfico 6 on 6: Caminhos Literários

E chegou o dia de mais um Projeto Fotográfico 6 on 6, 6 fotos por 6 participantes. O tema para este 6 de Maio é Caminhos Literários.

Começando o meu caminho literário com os meus leitores…

Ir passear em algumas grandes cidades belgas como Antuérpia e Gent usando um carro está fora de questão para mim. É preciso muita paciência para enfrentar congestionamento e muita atenção para não levar multa por entrar em áreas restritas a automóveis com autorização para moradores e comerciantes. O melhor é ir de trem. A estação fica perto de casa. E foi para um desses passeios que ao virar a esquina encontrei um livro à espera de ser lido.

Para seguir por caminhos literários é preciso estar atento e olhar para todas as direções, não esquecendo de olhar para baixo e para cima. E foi olhando para cima, em Gouda, na Holanda, que segue o caminho literário do 6 on 6. Aqui a poesia (a casa branca) de um filho da cidade, Pieter Stroop van Renen, cuja meta é tornar Gouda como a Capital da Poesia da Holanda.

Em meus recentes posts continuo a escrever sobre uma longa road trip que fiz no verão passado. Estou escrevendo sobre a Sérvia. Foram 3 cidades que conheci: Novi Sad, Belgrado e Novi Pazar. Em Belgrado é possível seguir vários caminhos literários. Entre os 37 países que estive, Belgrado foi a capital que mais encontrei livrarias. Os temas eram diversos, mas História e Política parecem ser os preferidos dos Sérvios.

Seguindo para Novi Pazar, a cidade mais muçulmana da Sérvia, também mostrou que dá valor aos livros. Numa livraria encontrei à venda vários livros do brasileiro Paulo Coelho. Não muito longe da livraria, à volta de uma praça, estava esta “casinha” com livros.

Não muito longe da praça estava essa bela street art. Caminhos que levam a caminhos literários.

O meu caminho literário de hoje termina no Norte da Europa. Vou com vocês até a fria Riga, na Letônia, e entrar na Biblioteca Nacional, um bom local para aquecer o corpo e alimentar a alma de histórias.

Agradeço sua leitura e até ao próximo post!
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