O prédio da Biblioteca Nacional de Pristina foi o que mais gostei de conhecer.
Eu sei que sou um pouco suspeita, porque admiro as formas da arquitetura brutalista. Este edifício, idealizado pelo arquiteto croata Andrija Mutnjaković, foi construído entre 1971 e 1982.
Alguns consideram-no o prédio mais feio do país, chegando mesmo a dizer que se assemelha a uma prisão.
Talvez eu precise de novos óculos, ou quem sabe de um novo cérebro, porque eu vejo ali um belo exemplo da escola brutalista. A criatividade do arquiteto é perceptível quando utiliza símbolos unificadores, numa época em que já existia tensão em torno da então província da ex-Iugoslávia, envolvendo albaneses e sérvios.
O cubo e a cúpula são elementos comuns dos estilos arquitetónicos otomano e bizantino, que definem a aparência da região. As cúpulas brancas assemelham-se ao chapéu típico daquela área, o que gerou reações por parte de políticos sérvios.




Todo o edifício é cercado por uma espécie de rede metálica em forma de treliça e talvez seja esse elemento que lhe confere a conotação de prisão. Não sei qual foi exatamente a intenção do arquiteto, mas penso que essa estrutura pode servir para proteger as janelas do sol e transmitir uma ideia de resguardo do conhecimento. Alguns veem nisso um conflito entre tradição e modernidade.
Fiquei encantada com o jogo de mosaicos no seu interior, que parece ser um elemento recorrente em outras obras deste arquiteto croata.




Ao entrar, do lado direito, há uma sala dedicada aos Estados Unidos. Aliás, há menções ao país e a alguns dos seus políticos em vários outros pontos da cidade.
Durante o período das Guerras da Iugoslávia, a biblioteca foi utilizada como abrigo para refugiados da Bósnia e da Croácia. A OTAN revelou que o Exército Iugoslavo havia usado o edifício como centro de comando, e muitos materiais e obras acabaram por ser destruídos.
A Biblioteca Nacional de Pristina é, para mim, mais do que um edifício controverso. É um retrato em concreto das tensões, das tentativas de união e das contradições dos Bálcãs. Entre cúpulas, treliças e mosaicos, encontrei um lugar onde a arquitetura também conta uma história — e talvez seja por isso que este tenha sido o prédio que mais gostei de conhecer no Kosovo.
Aqui segue um vídeo curto da biblioteca:
Vídeo no YouTuBe
Vídeo no TikTok
Agradeço sua leitura e visualização.
Até ao próximo post!
























