Maresia


Depois de uma noite inteira sonhando o mesmo sonho,
Pensei, enfim, ter acordado de mim.
Mas continuava aprisionado no sonho de alguém.
De quem? Isso eu não sei,
Pois temo que ainda não acordei
Desse imenso sonho sem fim...

O sonho é a nossa pequena realidade.
A vida, a nossa grande ilusão.
Para enfrentar à vida, requer boa dose de intuição,
Para sobreviver aos sonhos, muito mais do que intenção...

Encaro o mar como a grande metáfora do viver,
Da travessia que se faz, e da descoberta de Terra Nova,
Vida Nova mais adiante – maresia? -,
Entre calmarias e tormentas, nesse grande Mar Tenebroso,
Como chamavam os antigos...
Sobrevivemos aos próprios naufrágios...

Nada, nada, nada,
Dizia o solitário para si mesmo, imerso.
Nada, nada, nada,
Dizia o náufrago pra si mesmo,
Tentando sobreviver à maresia.

A grande ilha do conhecimento está no Mar de dentro,
No mar que se adentra, quando se passa
a sonhar de olhos bem abertos.
Despertos, somente aqueles que não sonham
Nem sondam aquilo que os rodeia.
Viver é enfrentar a maresia do tempo,
Com a rosa-dos-ventos na mão...
Não importa pra onde ir,
O que interessa é sentir a direção...

José Antonio Klaes Roig

Observação 1: Poema acima, de minha autoria, escrito em 04/03/2011 e protegido pela lei de direitos autorais.
Observação 2: Imagem acima, fotografia de minha autoria, capturada em 08/12/2010, em passeio com alunos e professores à Ilha dos Marinheiros, Rio Grande - RS - Brasil, nas margens da Lagoa do Rei.

Comentários

Janaina Martins disse…
Viver a vida sem emoções... sem sonhos, não faz menor sentido!!
Adorei teu poema...lindo de mais!
Oi, Jana. Brigadão amiga. xse poemas são de uma fase mais intimista, em que tenho trabalhado a sonoridade e o duplo sentido das palavras. A vida é pra ser vivida mesmo com emoção e razão na medida certa. Grato pela visita. abrs.