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domingo, 9 de março de 2014

Filme da semana: Hitchcock


  Época de Carnaval é ótima para atualizar os filmes. Dos vários que eu vi (estão lá no meu Tumblr) eu fiquei com vontade de escrever sobre Hitchcock, que conta sobre os bastidores da filmagem de Psicose:


   O cartaz já anuncia o que filme vai mostrar: A obsessão de Hitchcock em contar essa história e como ela não aconteceria sem a ajuda de sua esposa, Alma. O filme inicia com o lançamento de "Intriga Internacional" (ótimo filme por sinal) e mostrando como o diretor lidava com as críticas nem sempre positivas, chegando mesmo a indicar que era hora de se aposentar. Nesse momento ele passa a procurar uma nova história para filmar e entre todas que poderia fazer, ele acaba escolhendo o livro "Psycho" que contava sobre Ed Gein, um dos Serial Killers que mais inspirou filmes ("Silêncio dos Inocentes", por exemplo).
   Saio um pouco do filme para uma reflexão. Após Ressler (responsável pela unidade de ciências do comportamento do FBI) cunhar o termo Serial Killer na década de 70, esses assassinos tem cada vez mais projeção na mídia. É só pensar nos filmes de suspense e nas séries de TV mais assistidas, como Criminal Minds ou The Following, para entender que fascínio é esse que Hitchcock teve ao querer transpor para a tela uma história de assassinatos através do fictício Norman Bates. Eu tenho um livro que gosto muito, "Homens maus fazem o que homens bons sonham"; e acho que é um pouco disso, o que se passa na cabeça de um assassino? Como ele escolhe a vítima? Por que ele fez isso? Um outro exemplo de obsessão pelo assassino foi o autor Truman Capote, que quase surtou ao escrever "A sangue frio", num misto de admiração e asco ao descrever uma chacina ocorrida na década de 50.
 

   Para realizar o filme, Hitchcock precisou hipotecar sua casa, negociar com a censura da época, lidar com suas dificuldades matrimoniais e ainda, conter sua obsessão com suas atrizes loiras. Mostra também o rancor guardado por ele em relação a Vera Milles que abandonou a produção de "Um corpo que cai" ao descobrir que estava grávida. Numa cena de "Hitchcock", ela comenta que até a cor do cabelo ele quer decidir (ela era morena). Alfred e as loiras...Isso já é sabido e até meio mitificado, mas o filme mostra como ele lidava com tal admiração e como isso interferia em sua relação com Alma, um ponto fortíssimo da história, diga-se de passagem.
   As cenas da Helen Mirren e Anthony Hopkins são excelentes e passam bem a relação estabelecida entre o casal, entre o distanciamento, admiração e dependência de Hitchcock às palavras e orientações de Alma. Não me lembro de outro filme ter mostrado tão bem como ela organizava as ideias que ele tinha, e era isso, um gênio que precisou de orientações e assim conseguiu lançar um dos melhores filmes que eu já vi! Psicose é bom do inicio ao fim, da história, música e final!


   Essa montagem que eu encontrei na internet mostra a transformação de Hopkins em Hitchcock, eu achei muito bem feita. Alias, desde o inicio do filme ele referencia o diretor, seja parecendo um episódio do clássico seriado "Alfred Hitchcock Presents" ou mostrar a silhueta do diretor, ele consegue apresentar uma faceta ainda não apresentada nos cinemas dessa grande figura.
   Nossa, ficou comprido, mas esse é o último parágrafo! Assim como Hitchcock nunca ganhou um Oscar pelos seus filmes, este filme também foi esquecido pela Academia, apesar do bom roteiro, o elenco bem entrosado, o figurino bem feito e a maquiagem, como eu mostrei acima, ser muito realista. O filme só foi indicado nessa categoria e perdeu para "Os miseráveis". Bom filme, eu recomendo; deixo a ficha técnica e o trailer a seguir:
  • Hitchcock - Hitchcock (2012)
  • Direção - Sacha Gervasi
  • Roteiro - John McLaughlin
  • Elenco - Anthony Hopkins, Helen Mirren, Scarlett Johansen, Toni Collette, Jéssica Biel, James D'Arcy
  • Duração - 98 minutos
  • Gênero - Drama, Comédia

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Filme da semana: Piaf

   Fazia tempo que eu queria ver esse filme, mas sempre deixava para depois. Hoje eu me arrependo de ter demorado tanto tempo para assisti-lo. Ou melhor "Não, nada de nada... Não! Eu não lamento nada... Está pago, varrido, esquecido. Não me importa o passado!". Sim estou citando "Je ne regrette rien", grande hino de Edith Piaf.


      O filme é emocionante do início ao fim. Eu conhecia apenas uma parte da história dessa cantora que é a alma e a voz de uma Paris não turística.  Piaf nasceu em meio a Primeira Guerra, com o pai nas trincheiras e sua mãe a deixando na rua. A história de abandono é repetida ao longo de sua vida, sofrida aliás, que marca a cantora tanto psicologicamente como biologicamente, se tornando uma mulher com saúde frágil.
   Nesse sentido preciso chamar a atenção para as atrizes que vivem a cantora na infância (Manon Chevallier e Pauline Burlet), quando ela foi abandonada pela mãe, pelo pai, teve cegueira temporária e conviveu num bordel em meio a clientes e outras histórias de sofrimento. Em uma cena forte, a cantora volta a viver com seu pai, e em meio à uma apresentação na rua, ele a chama de forma rude para apresentar "alguma coisa". Ela então canta o Hino Nacional Francês, fazendo o público conhecer sua voz e sua força. É através de sua música que ela encontra reconhecimento enquanto pessoa e como uma possibilidade de ressignificar suas histórias e seus amores.



   Nesse momento entra a figura da belíssima Marion Cotillard, uma atriz francesa pouco conhecida que conseguiu trazer a tona a vivência trágica de Piaf. Poderia listar várias cenas, mas iria atrapalhar um pouco quem ainda não assistiu. Mas acho tocante uma em especial, em que ela está sozinha na praia tricotando, olhando para o mar e concede uma curta entrevista, em que o trecho final é mais ou menos assim:

- Qual é a melhor lembrança de sua carreira?

Piaf: Cada vez que a cortina levanta.

- Se fosse dar um conselho a uma mulher, qual seria?

Piaf: Ame

- A uma jovem?

Piaf: Ame

- A uma criança?
Piaf: Ame.
 

   E é isso, uma tentativa de amar a tudo e à vida, da forma como ela lhe era concebida. E não estou falando só de seus escândalos amorosos para a época, como casar com um rapaz 20 anos mais novo, falo de um amor em estar com o outro, sendo que em sua maioria ela conseguiu fazer isso através de sua música.
   Foi uma vida curta (ela faleceu aos 47 anos), porém cheia, diria até lotada, de experiências que a levaram ao limite entre a vida e morte, sendo que no final, ela não se arrepende de nada.

                                  

    Marion ganhou o Oscar, o Globo de Ouro, o César... Sua performance é impecável: sua mudança postural, modulação da voz  e as cenas em que dubla Piaf. Sim, ela dubla, de uma forma em que própria Piaf participa assim de seu filme.
   Deixo a ficha técnica e o trailer:
  • Piaf: um hino ao amor - La Môme (França, 2007)
  • Direção e Roteiro: Olivier Dahan
  • Elenco: Marion Cotilliard, Sylvie Testud, Emmanuelle Seigerd, Gerard Depardieu, Jean-Pierre Martins
  • Gênero: Drama
  • Duração: 128 minutos



segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Livro: Almanaque da Música Pop no Cinema

   Anos atrás eu fui para Campinas e comprei esse livro na rodoviária. Bom, semana passada lá estava na rodoca e novamente comprei um livro sobre cinema, o Almanaque da Música Pop no Cinema.



   O livro foi escrito pelo jornalista Rodrigo Rodrigues, que já foi apresentador do Vitrine na Cultura. Paralelamente à vida televisiva ele nutre um amor por trilhas sonoras, tanto que possui uma banda chamada The Soundtrackers, que só toca trilha sonoras:
  
http://www.soundtrackers.com.br/

   E foi assim, fazendo pesquisa para a sua banda que o Rodrigo se deparou com várias histórias de bastidores e as produções de cinema. O foco acaba sendo a década de 80, período fértil de filmes com boas trilhas. Algumas curiosidades sobre quem iria cantar tal música, ou vocês sabiam que era para a Enya fazer a trilha sonora de Titanic? Falando agora nem faz sentido, mas durante a produção de um filme tudo pode mudar.


   O livro é uma delícia! Além de falar sobre o filme e a música, ele ainda conta com um quadrinho com as músicas da trilha sonora; é impossível ler e não começar a viajar nas músicas, no filme, no que você sentiu enquanto o via! Pra mim pelo menos foi intenso; precisei parar de ler, dar um tempo, ver um filme e depois voltar. Alias, vocês sabem como eu gosto de um filme né, é só olhar o meu tumblr e ter uma idéia. To aqui escrevendo o post e assistindo Top Gun, e é impressionante como a música no momento certo faz a cena ficar completamente diferente, ou alguém aí consegue imaginar Tom Cruise numa moto disputando com um caça sem estar tocando "Take my breath away" ao fundo?
   Espero que venha um segundo volume porque por mais que eu tenha gostado do livro eu senti falta de vários filmes, até porque ele abrange um período de 1956-2010 e muitos ficaram de fora. Mas estão lá as músicas do Elvis, Goonies, Dirty Dancing, Os embalos de sábado a noite, Tina... 
  • Título: Almanaque da Música Pop no Cinema, 216 páginas lotadas de fotos
  • Autor: Rodrigo Rodrigues.
  • Editora: Leya/ Lua de Papel - 2012
   Por fim deixo uma das minhas músicas favoritas de um filme que eu amo muito (as vezes sou romântica):


sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Quadrinhos melhor que livro: Persépolis

   Eu adoro ler quadrinhos. Muito mesmo. E leio até hoje. Tenho vários aqui em casa, de Conan, o Bárbaro até turma da Mônica. Vou postar mais sobre esses quadrinhos, eles são muito bons, mas hoje eu quero falar de Persépolis.
  O comprei já algum tempo e sempre o releio quando possível e nesta semana tive o prazer de rever as histórias de Marjane Satrapi, uma iraniana que vivenciou as mudanças culturais do início dos anos 80 em seu país, além de guerra, opressão religiosa e outras tantas histórias.


   Eu tenho essa edição completa, da Companhia das Letras, que originalmente foi publicada em 4 volumes. Aliás, e vou até me corrigir, é uma graphic novel e não quadrinhos. A história é autobiográfica e desenhada pela própria Marji, como ela mesma se chama ao longo da história. Aos 10 anos ela viu sua vida mudar, seu colégio, seus hábitos passaram a ser proibidos, o seu país não era mais por ela reconhecido. Familiares e amigos passam a sumir, e depois de algum tempo seus pais decidem mandá-la para a Áustria, uma vez que a vida no Irã estava cada vez mais restrita para uma garota que fora criada de uma forma tão liberal, aos olhos da Revolução é claro. Mais tarde ela volta para o Irã...
   Essa é a história, de uma garota em desenvolvimento que não se encontra em seu país de origem e sofre ao ser uma estrangeira na Europa. Várias histórias de sofrimento, confusão e dificuldades em formar sua identidade. Para onde fosse, ela não se sentia compreendida.
   Não vou contar tudo, mas preciso falar que o traço é rústico, e isso traz a beleza da história, proucos traços e muito conteúdo:

   Entenderam o que eu falei sobre o traçado?
   O título faz alusão à primeira capital do Império Persa, fonte de muito orgulho para Marjane (que atualmente vive em Paris), que aliás, já que aqui majoritariamente eu falo de moda, posso dizer que ela é muito estilosa:


   Eu gosto muito, é uma daquelas experiências em leitura que você para um pouco, imagina, ri, chora e sonha junto com a personagem. Eu, que gostei muito como vocês podem ver, recomendo o filme também, produzido e dirigido por ela e que ganhou muitos prêmios pelo mundo, mas perdeu o Oscar em 2008. Por fim, deixo os dados para quem quiser ter a sua edição e o trailer do filme:
  • Persépolis - 2007
  • Autora -  Marjane Satrapi
  • Tradução - Paulo Werneck
  • Companhia das Letras
  • 352 páginas

domingo, 3 de novembro de 2013

Filme da semana: As aventuras de Pi

   Faz tempo que eu não escrevo sobre um filme por aqui. E olha que eu tenho visto muitos...alguns bons, outros nem tanto, mas esse daqui me fez pensar sem parar durante a semana toda, tanto que resolvi voltar com o espaço do cinema por aqui. Alguém assistiu " As Aventuras de Pi"?



   A história de Piscine Molitor Patel, o Pi, é contada por Ang Lee de uma forma bela, onírica com várias possibilidades de interpretação. Aliás, quando acabou o filme eu fui caçar algumas informações sobre ele e descobri que fazia tempo que Hollywood queria levar para as telonas a história do autor Yann Martel. Várias diretores, de várias nacionalidades (Índia, França, Espanha) quase iniciaram, mas coube a Ang Lee, o mesmo que me fez acreditar que guerreiros são capazes de voar entre bambus...
   Voltando para a história do filme. Pi é um adolescente que cresceu num zoológico particular numa região muito bonita na Índia e lá ele tem o primeiro encontro com Richard Parker, o tigre. Isso rende a sequência de abertura, muito bela, cheia de animais exóticos e livres, na medida que um zoológico permite.
   Sendo um adolescente, Pi tem um amor, tem sua escola e sua fé, o fio condutor dessa história a meu ver. Uma fé sem religião, uma fé na vida. E é ela que o mantêm quando seu pai falido resolve vender os animais que ainda havia no zoológico e mudar-se para o Canadá, mas sofrem um naufrágio no Oceano Índico. Como seus companheiros de naufrágio ele tem inicialmente um rato, uma zebra, um orangotango, uma hiena e Richard Parker. Depois, resta somente ele e Richard...


    Nesse momento para mim fica a sensação da tentativa de Pi para lidar com o luto, seja ele de deixar seu país de origem, quanto a perda de seus familiares. Em certo sentido, no momento em que ele perde sua caderneta companheira no meio da tempestade também o faz lidar com o vazio. O mar tão infinito e silencioso propicia esse mergulho em si mesmo, lidando com o seu possível fim também. E a fé? Como explicar o que aconteceu com sua vida? Seria o destino? Ou seria uma forma para aceitar e acreditar? Sim, essas foram as perguntas que me acompanharam durante a semana.
    Deixei para falar aqui no final, mas sem entregar como o filme termina, sobre o tigre. Eu me lembrei que numa entrevista Freud disse que nossos complexos são a fonte de nossa fraqueza; mas com freqüência são também a fonte de nossa força. O medo que ronda Pi o mantêm vivo para que possa se despedir de seus mortos, de sua vida e para poder enfim recomeçar. O filme é lindo, esteticamente perfeito, sendo indicado para vários prêmios no último Oscar, ganhando como melhor fotografia, melhor trilha sonora e melhores efeitos visuais; mas principalmente o de melhor diretor. Vamos aos créditos e depois ao trailer: 
  • As aventuras de Pi - Life of Pi (2012);
  • Duração - 127 minutos
  • Direção - Ang Lee
  • Elenco -  Suraj Sharma, Irrfan Khan, Tabu, Adil Hussain, Vibish Sivakumar e Gerard Depardieu.
  • Gênero - Drama, Aventura, Fantasia


sábado, 6 de julho de 2013

Para se divertir...Face for a day

   Faz pouco mais de um mês eu procurei uma imagem para usar numa aula e eu encontrei essa figura no Tumblr:


   Fiquei rindo e não conseguia parar de ver as outras fotos, é uma melhor que a outra! O Face for a Day saiu do Tumblr e ficou só com a página no Face:


   Para acessar a página é só clicar aqui.
   O criador da página, Tom Moschen, é publicitário e começou a brincadeira por puro tédio, e viu que fez sucesso. Sempre com bom humor, ou elementos surpresa, ou non sense, ou soluções criativas, consegue na hora fazer você se lembrar da imagem icônica representada.


   A qualidade das produções está cada vez melhor e o número de amigos ajudando também. E ele recebe pedidos via face! Quem tiver uma ideia é só passar. Não sei se eu tenho uma favorita, mas que fico rindo muito toda vez que eu vejo essa foto eu fico:


   Enquanto o Arthur era fofo (lembram do Arthur?) esse te prende pelas bobagens, altamente recomendado!

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Filme da semana: O grande ditador

   Essa semana eu assisti esse filme que eu amo, amo, amo e fazia muito tempo que não via. As vezes eu fico vendo blog falando do último filme sucesso da semana, mas de grandes clássicos, nem uma linha. Que filme do Chaplin alguém aqui já viu? Posso dizer que eu vi muitos, desde esquetes mudas, até esse que foi o primeiro 100% sonorizado. E ele tinha muito o que dizer.


   Um filme feito em 1940, falando sobre a ascensão de um ditador, opressão de judeus e  Segunda Guerra Mundial é extremamente moderno e audacioso para a época. Cheio de referências, como por exemplo a República tomada por Hynkel (Chaplin) se chamar Osterlich, que é Austria em alemão. Ou então o nome do outro grande ditador, Napoloni, uma mistura de Mussolini e Napoleão. 
   O roteiro é simples: durante a Primeira Guerra, um jovem cadete, após salvar um soldado sofre um acidente e passa 20 anos internado, sofrendo de amnésia. Esse é o estranhamento do filme, ele não compreende como uma pessoa como Hynkel ascende ao poder e como a população aceita e apoia tal conduta. 
   Entre momentos de muita doçura entre Chaplin e Paulette, sua esposa na época, e grande crítica social, há muitas cenas memoráveis da boa e velha comédia, lugar em que ele é o grande mestre. Cenas como o ditador brincando com o globo terrestre e o barbeiro trabalhando ao som de Brahms. É uma viagem para uma época triste, mas que poucos gênios puderam coordenar tais adversidades para construir uma obra de arte.
   Enfim, puderam perceber que sou fã, e opinião de fã é sempre passional. Aproveito para deixar aqui o link para o Tumblr que eu fiz: O que achei do filme!. Muitas vezes uma imagem vale mais que muitas palavras, e eu que vejo muitos filmes, não escrevo sobre todos, mas um gif pode ajudar muito. Aqui vai a ficha técnica:
  • O Grande Ditador - The Great Dictator (1940)
  • Direção - Charles Chaplin
  • Elenco - Charles Chaplin, Paulette Goddard, Jack Oakle, Billy Gilbert
  • Duração - 124 minutos 
  • Gênero -  Comédia dramática
   Dessa vez eu não coloquei o trailer do filme e sim o discurso mais bonito, e infelizmente é muito atual, que eu conheço da história do cinema:


"Hannah, está me ouvindo? Onde quer que esteja, olhe para cima! Olhe para cima, Hannah! As nuvens estão subindo, o Sol está abrindo caminho! Estamos fora das trevas, indo em direção à luz! Estamos indo para um novo mundo; um mundo mais feliz, onde os homens vencerão a ganância, o ódio e a brutalidade. Olhe, Hannah!"

sábado, 12 de janeiro de 2013

Filme da semana: Across the Universe

   Eu gosto tanto desse filme. Sou absolutamente passional para defendê-lo, uma vez que até o marido disse que o filme parece um episódio de Glee.


   Depois ele mudou de ideia. Eu sou muito, mas muito beatlemaníaca, dessas bem chatinhas que nem sabe dizer qual é a sua música favorita. Aproveitei que ia passar as férias em casa e revi com o maridão o Beatles Anthology, daí continuei na vibe e revi esse filme. A primeira cena é para fazer fãs se aconchegarem na cadeira e começar a listar as referências à banda:


   Adoro "Girl", e adoro que em seguida aparece o rosto Lucy no céu, sacaram? É uma idéia simples e muito bem executada. Um filme que usa as músicas dos Beatles para contar uma história de amor. Vale lembrar que o filme é de 2007 e o Glee ainda não existia.
   A história começa na Inglaterra, passando por vários pontos icônicos na história dos Beatles (as docas, Cavern Club), quando Jude decide ir aos Estados Unidos. Acho bacana o uso das músicas para contar de um momento delicado na história americana, com a Guerra do Vietnã  rolando, o Flower Power, o novo cenário musical com Hendrix. Enfim, é tudo muito bem encadeado, exceto pela personagem Prudence. Ela vai e volta na história, acho que só para que seja tocada a linda "Dear Prudence". A diretora é muito boa, adoro o seu trabalho em "Frida"; bem que ela podia ter dado um melhor destino para a Prudence, ou mesmo ela ter sido uma das personagens que passam pela história central. Vale acrescentar que a história é construída pelas vivências pessoais da diretora, que teve um irmão que foi ao Vietnã
   Poderia listar várias cenas aqui, mas queria ressaltar as letras das músicas dos Beatles. Acho que ainda estou influenciada pelo Anthology, mas é que cada uma das músicas conta uma história que se complementa com a seguinte, sem necessariamente estarem contando uma história. Os Beatles foram os inventores do videoclip, logo, contar histórias através de imagens era algo recorrente, embora o primeiro, "Rain", seja mais conceitual.
   Caso você não curta musical é bem possível que também não vá gostar desse filme. Ele mantêm aquela estrutura clássica de comédia romântica, mocinho conhece mocinha, eles ficam juntos, depois eles não podem ficar juntos porque alguém atrapalha e no fim, aqui tem um spoiller, eles ficam juntos... sim, estou contando o fim do filme, mas não conto como, nem quando, nem qual música é usada.
   Por fim, outro ponto bacana são as participações especiais; tem a Salma Hayek, o Joe Cocker e o querido Bono! É um filme bem gostoso, sem nada demais, só uma ótima idéia e uma trilha sonora fantástica. Vamos ver o trailer e os créditos:


  • Across the Universe - Across the Universe (2007)
  • Direção - Julie Taymor
  • Elenco - Evan Rachel Wood, Jim Sturgess, Joe Anderson, Dana Fuchs, Martin Luther, T.V. Carpio 
  • Gênero - Musical
  • Duração - 131 minutos

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Filme da semana: Um conto chinês

   Esse filme já havia sido indicado pra mim umas três vezes, até eu finalmente conseguir sentar e assistir. Humor leve, fácil e melancólico, como um bom filme argentino.


   Eu já falei aqui que eu adoro o Darín. Acho-o um excelente ator, e neste filme ele consegue demonstrar sua raiva, seu amor e adminaração somente pelos olhos, muito expressivos e cheios de melancolia, como eu disse lá em cima. Ele era a escolha certa para fazer Roberto, um persoagem perdido no tempo espaço, o filme é atual, mas tem momentos em que se tem certeza que a história se passa na década de 70.
    A história é baseada num fato real, uma vaca caiu do céu, e é legal ver o filme até a hora de subir os letreiros, em que a aparece a notícia real. E como a apropriação dessa notícia bizarra é o ponto central dessa história entre um solitário metódico e um chinês que surge na Argentina sem falar espanhol.
   Roberto é metódico, colecionador de histórias bizarras e muito sozinho. A dor é carregada o tempo todo, seja na sua loja de ferragens, no seu não relacionamento amoroso e principalmente em sua história. A ferida causada pela Guerra com as Malvinas é algo não dito pelos argentinos, é um orgulho ferido e engolido, guardado sob mecanismos obsessivos. Ops, ficando psicanalítica demais!
  Nisso surge Jun, o chinês que abre Roberto para a interação com o outro, para os absurdos da vida, que muitas vezes não precisa ter sentido ou valores certos.  É então apresentada a personagem Mari, uma moça apaixonada por Roberto, e ficamos na torcida para que dê certo, uma lufada de vida em meio a tantos parafusos. 
   Roberto pode parecer muito chato assim descrito, mas todos nós temos um parte em que ficamos bravos com injustiças (foi o que aproximou-o de Jun), nos comovemos ao ver uma cena dramática (Jun falando ao telefone com seus familiares) e ficamos quietos quando dói. 
   Filme muito bonito, ancorado em boas atuações, porque díalogos mesmo são poucos, mas as verdadeiras trocas não precisam somente de palavras, altamente recomendado. Ah, antes de colocar os créditos e o trailer do filme queria acrescentar que agora eu também estou no Filmow, uma rede social só para falar sobre filmes.
  • Um conto chinês - Un cuento chino (2011) 
  • Duração - 93 minutos
  • Diretor - Sebastián Borensztein
  • Elenco - Ricardo Darín, Muriel Santa Ana, Javier Pinto, Ignacio Huang 
  • Gênero - Comédia, melodramática, mas comédia

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Filme da semana: A pele que habito

   Eu queria ter visto esse filme antes. Esse foi o primeiro pensamento que eu tive assim que o filme acaba. Não sei porque não fui ao cinema, mas sei que eu queria ter visto antes. Conversei com algumas pessoas sobre o filme e sempre a mesma cara ou comentário de que ficou um tempo em silêncio antes de falar alguma coisa. Acho que chego até a descreve-lo como um filme de terror, não daqueles de muito sangue ou vampiros, mas de um terror moderno que atráves da ciência transforma o corpo de tal forma que o Dr. Frankstein teria alguma credibilidade.


   Nesse sentido o Dr Frankstein é o meu querido Antonio Banderas, que eu não acho bom ator, mas que nesse filme está muito bem. Ele é Roberto Ledgard, um famoso cirurgião plástico com uma vida cheia de desastres. Ao longo da história descobrimos que é viuvo e sua filha se suicidou. Não contarei mais spoilers, mas preciso falar sobre a pele sintética e perfeita que ele cria, a Gal. Ela possui esse nome em referência a sua esposa, mas eu me lembrei de Galatea, uma estátua feita por Pigmaleão em homenagem a Afrodite, afim de encontrar alguém a quem ele pudesse amar.  Acabou se apaixonando pela estátua, devido a sua beleza e, Afrodite, condoída pela dor de Pigmaleão, deu vida à estátua. Como não lembrar desse mito ao ver a cena de Roberto observando Vera, a sua nova criação:


   É uma história com muitas dores, muita violência. A chegada do tigre, tão fantasiosa possível e tão pulsional quanto a vida e a morte.  Nisso se aproxima de um filme de terror, tem história trágica, tem calabouço, tem sala com observação, tem cientista maluco, tem o serviçal que conhece toda a história... E o principal terror está por baixo da pele, há uma distância entre sentir o próprio corpo e o espírito, como se fossem entidades autônomas. Não há mocinha ou malvado na história, cada um está tentando conviver consigo mesmo nessa pele. Para habitar a própria pele de Roberto tem a dor, para Vera tem o medo. Preciso indicar que para mim é também uma história em que a castração é constante e perversa. A violência é explicita, tem fogo, tem arma de fogo, tem navalha e não como ameaça e sim utilizados.
    Almodóvar faz filmes lindos, outros engraçados e alguns como esse, incômodos. Lembro que assisti "Má Educação" e também fiquei assim, pensando no filme e no ser humano. Poderia enfocar a relação de Roberto e sua esposa, mas seria spoiler, poderia contar porque sua filha se matou, o que também seria spoiler, porém se você ainda não viu o filme é importante prestar muita atenção na festa de casamento e na trilha sonora das cenas que ali acontecem, nada é ao acaso para Almodóvar. O filme com cenas em flashback, comum na narrativa deste cineasta nos dá a pista de seu fim exatamente na cena em que está no cartaz que eu coloquei lá em cima. Como se fosse um sonho as história são contadas após um close no rosto dos atores.
   Por fim, a ambientação e a escolha das cores dos cenários são sempre perfeitos. Os quadros da casa de Roberto parecem recontar a própria história do filme com quiadros de pessoas sem rosto, muito vermelho sangue ou mesmo as esculturas de Vera de camadas de tecido, uma sobre a outra, feitas na verdade por Gaultier. 
   Adorei justamente porque ele é incômodo.

   Créditos e trailer:
  • A pele que habito -  La piel que habito (2011)
  • Direção - Pedro Almodovar
  • Elenco - Antonio Banderas, Elena Anaya, Marisa Paredes, Jan Cornet, Roberto Álamo, Eduard Fernández, José Luis Gómez
  • Gênero - Suspense, terror?
  • Duração - 131 minutos

domingo, 9 de dezembro de 2012

Vídeo interessante e emocionante

   Enquanto eu procurava o vídeo com a cena do Ryan Gosling para o post anterior eu achei um outro vídeo bem interesante. São 50 cenas de tocar o coração, todas retiradas de filmes, desde atuais até mais antigos.


   Eu sou completamente fascinada pelo cinema, acho que ele ajuda muito desde a pensar melhor até a expurgarmos sensações e emoções ainda não pensadas. As vezes a gente precisa ver alguém chorar pra conseguir identificar que está triste e que também pode chorar. Eu me acabo com a cena de Up. Nesse vídeo são algumas das 50 mais conhecidas, mas eu senti falta de Filadélfia, I'm Sam, Eu sou a Lenda...São tantas né?

Filme da semana: Amor a toda prova

   Uma comédia romântica com humor inteligente e certa carga dramática, além de Ryan Gosling sem camisa, é uma boa definição de "Crazy, stupid love", título original de Amor a toda prova:


   Se até o cartaz eles brincam com o título original, porque mudar para essa breguice de Amor a toda prova? O filme segue as receitas básicas para um filme água com açúcar, mas logo no começo quando Cal (Steven Carrel) se joga do carro em movimento quando sua esposa (Juliane Moore) lhe conta que havia o traído. Essa fuga e tudo que se desenrola depois me lembrou uma máxima psicanalítica "controle, triunfo e desprezo", quando a culpa e a perda não podem ser suportadas, as defesas maníacas entram em cena. O objeto, nesse caso a esposa, é tratado com controle, triunfo e desprezo. 
   Cal passa a frequentar um bar toda a noite até que Jacob (Ryan Gosling) cansado de ouvir as lamurias resolve ajuda-lo, atualizando-o no atual jogo da sedução, onde os homens são bem arrumados, se preocupam com sapatos e fazem diferentes drinks. As cenas no shopping são ótimas e realmente o Steven Carrel se torna um conquistador. E a psicanálise citada ali em cima?
   Bom, pensando no controle como uma forma de negar a dependência com a esposa, o triunfo ligado a onipotência do novo conquistador e o desprezo ligado a uma negação da culpa justificando todas as condutas anteriores. Poderia usar essas mesmas frases para descrever Jacob, mas aí trocaria a palavra esposa pela mãe e pronto.
   Aliás, poderia escrever muito sobre o Ryan, como eu adoro esse ator! ele é bailarino clássico também, o que explica a melhor cena do filme:


   Que mulher não gosta de Dirty Dancing? E do Ryan sem camisa? Não vou contar mais sobre o filme, tem ótimos personagens que foram devidamente explorados, como o filho adolescente apaixonado pela babá, a própria babá...enfim, um filme muito bom, mas com uma carinha despretensiosa e um título que poderia afastar muita gente. 
   Vamos aos créditos e depois ao trailer?
  • Amor a toda Prova - Crazy, Stupid, Love (2011)
  •  Direção - Glenn Ficarra, John Requa
  • Elenco - Steve Carell, Ryan Gosling, Julianne Moore, Emma Stone, Marisa Tomei, Kevin Bacon, Jonah Bobo,
  • Gênero - Comédia - Romance - Drama?
  • Duração - 118 minutos


domingo, 25 de novembro de 2012

Filme da semana: Eterno Amor

   Eu tenho assistido filmes bons! Vários, tipo 127 horas, Sem limites, Água para elefantes, Planeta dos Macacos: a origem...Outros nem tanto (Imortais foi o pior). Queria ter escrito sobre todos, mas sem tempo pra variar, só que esse filme mexeu demais comigo.


   O título em portugês é péssimo, mas o original também não é lá grandes coisas, porém muito mais poético, algo como um longo domingo de noivado. Depois de começar a assistir eu me lembrei de meus amigos da faculdade falando sobre esse filme (ele é de 2004) e dos vários prós e contras da história. Saldo final, eu amei!
   Os atores e o diretor são os mesmos de Amelie Poulain, que é um dos meus filmes favoritos, e o melhor, em nada lembra o Amelie! 


   Junet (o diretor) é famoso por gostar de escrever os roteiros de seus filmes, mas neste caso ele adaptou um livro com o mesmo nome, dez anos depois. A história  começa com alguns soldados desertores do exército francês caminhando para sua sentença. Todos acusados por se auto mutilar para serem dispensados. Só isso já é muito dramático. E a história vai e volta o tempo todo, sempre muito bem ilustrada. O forte de Junet é mostrar a fantasia ali na tela, narrada e escancarada. Uns não gostam, preferem imaginar, eu acho que cinema é isso, expor fantasias na tela.
   A partir daí segue-se uma história em que a Audrey Tatou mostra todo o seu talento. A personagem Mathilde passa a investigar o que acontece depois da sentença executada, afinal seu noivo estava entre os condenados, e principalmente, como e porque tal decisão ocorreu. Vários personagens são introduzidos, e dica, tentem se lembrar de todos, a história dessa investigação é cheia de detalhes que se encontram e se despedem. Aliás essa é uma palavra muito importante, despedida. Mathilde é órfã, e faz um ritual para poder se despedir dos pais. O noivo vai para a guerra, ela cria outro ritual para se assegurar que ele volta vivo. Ela dúvida que ele está morto, então cria jogos para que o destino lhe diga que ele não morreu. Sintomas condizentes com Transtorno Obsessivo-Compulsivo, mas não vou falar aqui de psicopatologia, porque o principal não era só o alívio da ansiedade, mas não entrar em contato com a dor da não despedida.
   O filme é lindo, o final idem, enquanto Amelie me traz vida de uma forma leve, a Mathilde me traz a vida com uma dureza e de forma muito cru, tal como deve ter sido nesse período pós-guerra. 


   É um filme com personagens femininas muito fortes. Acima estão outros dois exemplos, a Jodie Foster que faz o contraponto romântico e a Marion Cottiliard que faz o lado "Kill Bill", atrás de vingança. Elas estão lindas, dramáticas na medida certa e complementam a história da Mathilde... Recomendo mil vezes, espero que tenham ficado com vontade de assistir, segue abaixo os créditos:
  • Eterno Amor - Un long dimanche de fiançailles (2004)
  • Diretor - Jean-Pierre Junet
  • Elenco - Audrey Tautou, Gaspard Ulliel, Dominique Pinon, Clovis Cornillac, Jérôme Kircher, Chantal Neuwirth, Albert Dupontel, Marion Cottiliard, Jodie Foster
  • Gênero - Drama, Romance
  • Duração - 134 minutos