Hoje é dia de contar as espingardas para fazer frente à batalha que acontecerá, amanhã, no Parlamento inglês. Há uns tantos desertores do partido de May que deram a entender que vão votar em sentido contrário. Mas também pode haver, do outro lado da barricada, quem queira apostar no acordo conseguido por May. E eu acho que todo o bicho careta mete a sua colherada, tentando que as coisas saiam a seu contento. São os da esquerda, os da direito e os de lado nenhum, todos eles têm qualquer interesse, mesmo que jurem o contrário, e vão lutar por ele com unhas e dentes. Mesmo tendo que recorrer à última arma de todas, o Bluff.
Sim senhor, o bluff vai ter um papel importante na decisão a tomar amanhã. Imaginem a quantidade de gente que afirma que vai fazer uma coisa e que acabará por fazer, exactamente, o contrário. A isso chama-se camuflagem, esconder-se do inimigo para não ser detectado e poder apanhá-lo de surpresa. O problema é que os "brexiters" (adeptos da saída da UE) estão tanto do lado dos conservadores como dos trabalhistas. Só que não podem confessá-lo abertamente, pelas razões que se entendem.
A Comissão Europeia tem-se fartado de repetir que não há qualquer hipótese de renegociação do acordo já assinado, mas já há jornais que falam na hipótese de adiar a decisão até ao mês de Julho. Porquê, pergunto eu? Se não vai haver renegociação, para quê esperar? É uma pura perda de tempo. Será que até do lado de cá do Canal da Mancha se pensa em fazer bluff? Eu já acredito em tudo.
E se no fim de tudo a montanha parir um rato? Ou seja, se o Parlamento aprova o acordo e lá vão os britânicos para fora da União e lutar contra o descontentamento de muitos, incluindo irlandeses e escoceses que terão uma vida muito mais complicada a partir de 29 de Março. Aí ganha força o governo de May e pode acontecer que haja mais países a querer imitá-los. Ontem, já ouvi falar de um movimento chamado DEXIT, na Alemanha, onde há muita gente que prefere guiar-se pela sua própria cabeça, em vez de aturar as paranóias de Bruxelas.
Dois fenómenos contrastantes afectam o mundo globalizado na actualidade, o aquecimento global e o arrefecimento da economia e, infelizmente para nós, ambos nos empurram para o mesmo lado, ou seja, para o fundo. Bem diziam alguns, na mudança do ano, que 2019 não iria ser um ano bom. Tudo parece indicar que não estavam enganados!
