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quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Maria Rita Kehl: Dois pesos… II

Outra denúncia indignada que corre pela internet é a de que na cidade do interior do Piauí onde vivem os parentes da empregada de algum paulistano, todos os moradores vivem do dinheiro dos programas do governo. Se for verdade, é estarrecedor imaginar do que viviam antes disso. Passava-se fome, na certa, como no assustador Garapa, filme de José Padilha. Passava-se fome todos os dias. Continuam pobres as famílias abaixo da classe C que hoje recebem a bolsa, somada ao dinheirinho de alguma aposentadoria. Só que agora comem. Alguns já conseguem até produzir e vender para outros que também começaram a comprar o que comer. O economista Paul Singer informa que, nas cidades pequenas, essa pouca entrada de dinheiro tem um efeito surpreendente sobre a economia local. A Bolsa-Família, acreditem se quiserem, proporciona as condições de consumo capazes de gerar empregos. O voto da turma da “esmolinha” é político e revela consciência de classe recém-adquirida.
O Brasil mudou nesse ponto. Mas ao contrário do que pensam os indignados da internet, mudou para melhor. Se até pouco tempo alguns empregadores costumavam contratar, por menos de um salário mínimo, pessoas sem alternativa de trabalho e sem consciência de seus direitos, hoje não é tão fácil encontrar quem aceite trabalhar nessas condições. Vale mais tentar a vida a partir da Bolsa-Família, que apesar de modesta, reduziu de 12% para 4,8% a faixa de população em estado de pobreza extrema. Será que o leitor paulistano tem ideia de quanto é preciso ser pobre, para sair dessa faixa por uma diferença de R$ 200? Quando o Estado começa a garantir alguns direitos mínimos à população, esta se politiza e passa a exigir que eles sejam cumpridos. Um amigo chamou esse efeito de “acumulação primitiva de democracia”.
Mas parece que o voto dessa gente ainda desperta o argumento de que os brasileiros, como na inesquecível observação de Pelé, não estão preparados para votar. Nem todos, é claro. Depois do segundo turno de 2006, o sociólogo Hélio Jaguaribe escreveu que os 60% de brasileiros que votaram em Lula teriam levado em conta apenas seus próprios interesses, enquanto os outros 40% de supostos eleitores instruídos pensavam nos interesses do País. Jaguaribe só não explicou como foi possível que o Brasil, dirigido pela elite instruída que se preocupava com os interesses de todos, tenha chegado ao terceiro milênio contando com 60% de sua população tão inculta a ponto de seu voto ser desqualificado como pouco republicano.
Agora que os mais pobres conseguiram levantar a cabeça acima da linha da mendicância e da dependência das relações de favor que sempre caracterizaram as políticas locais pelo interior do País, dizem que votar em causa própria não vale. Quando, pela primeira vez, os sem-cidadania conquistaram direitos mínimos que desejam preservar pela via democrática, parte dos cidadãos que se consideram classe A vem a público desqualificar a seriedade de seus votos.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Veja que mentira

Do Blog do Miro:

Na sua penúltima edição antes da eleição de domingo, dia 3, a revista Veja voltou à carga contra o governo Lula, com o objetivo de fustigar a candidata Dilma Rousseff e dar uma desesperada e derradeira forcinha ao tucano José Serra. Pela quarta semana consecutiva, a capa do panfleto teve tons terroristas. Ela mostra a estrela do PT rasgando os artigos da Constituição que tratam da liberdade de imprensa. Abaixo da forte imagem, a manchete garrafal: “Liberdade sob ataque”.

Nas três edições anteriores, ela repetiu à exaustão, nos títulos e “reporcagens”, a palavra polvo, acusando a esquerda de envolver o poder público com seus tentáculos - mas não disse nada sobre os fartos recursos públicos que recebeu do governo tucano de São Paulo. A revista destacou o caso do vazamento de sigilos fiscais, numa matéria requentada de setembro de 2009, e fez alarde com as denúncias contra a ministra Erenice Guerra. Nenhuma palavra sobre a quebra do sigilo de 60 milhões de brasileiros, patrocinada pelas filhas de José Serra e o do especulador Daniel Dantas.


sexta-feira, 24 de setembro de 2010

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

As novas viúvas do neoliberalismo

publicado na Folha de São Paulo em 09.09.2010


A queda do Muro de Berlim ainda deixa sequelas em gente que se dizia comunista. Parece que os tijolos que separavam dois mundos continuam desabando e provocando desorientação mental, política e ideológica. Com as pesquisas apontando vantagem da candidata do PT, crescem o desespero e as tentativas de manipulação e distorção da realidade. Prática do período stalinista que encontra espaço na atual oposição brasileira, que reúne tucanos, demos e antigos esquerdistas.

Só assim se explica o texto do ex-deputado Roberto Freire publicado nesta Folha (“Não ao “dedazo” de Lula”, 25/8), no qual abusa de uma retórica conservadora e incorpora o linguajar de parte da mídia e das cassandras que anunciam o fim da democracia no Brasil. Repete mantras da oposição, com a tentativa de colocar a eleição de Dilma como suposto risco à democracia, o “perigo” de instalação de “partido único” e a criação de “república sindical”. Isso relembra as bandeiras dos golpistas de 1964 e as vivandeiras de quartel. Ora, o processo de consolidação da democracia no Brasil relaciona-se com o papel da nova esquerda no Brasil e sua participação na construção do PT. Um partido surgido diante da incapacidade do PCB de criar uma perspectiva consistente de representação para os trabalhadores do Brasil.

Na origem, o PT se caracterizou pela adoção de métodos democráticos de organização, em contraposição ao velho e acomodado “peleguismo” e à burocracia sindical da qual o PCB era cliente. Com o PT, são três décadas de construção paulatina da democracia no Brasil, numa trajetória marcada por defesa dos direitos sociais, dos interesses nacionais, do desenvolvimento e da integração latino-americana. O tempo, os acertos táticos, a capacidade de elaboração e de articulação confirmaram a importância histórica do projeto do PT. No período, o PT refletiu e mudou, mas nunca mudou de lado, como mostram as conquistas do governo Lula.

O PT não é dono do movimento sindical, como diz o ex-comunista.

No país, há pelo menos seis centrais sindicais que disputam entre si a hegemonia do movimento. Nosso partido faz parte de um campo democrático e popular, com partidos de esquerda, do centro e até partes de legendas de direita, que, por sinal, foram acolhidas pela articulação política que ele defendia como aliado no Colégio Eleitoral que elegeu Tancredo. 

Quando tucanos falavam que teriam três décadas de poder, o articulista não se preocupou com o teor mexicanizado da proposta. Diferentemente da visão míope da oposição, o Brasil se consolida como emergente democracia, com distribuição de renda, melhorias sociais e fortalecimento das instituições. Atuam com independência o Ministério Público, o Poder Judiciário e a máquina de Estado. Tristemente, parcela de um partido que um dia propôs transformações sociais hoje se tornou coadjuvante da direita brasileira. Transformou-se o velho PCB em sigla de aluguel, que atende pelo nome de PPS e passou a viver de sinecuras na burocracia do governo tucano.

É um fim melancólico das novas e recentes viúvas do neoliberalismo, que, incapazes de apresentar um projeto para o Brasil, se dedicam ao ofício de caluniar e difamar um governo bem-sucedido, que tem o apoio de esmagadora maioria da população e um reconhecimento internacional unânime. Está na hora do surgimento de uma oposição democrática no Brasil conduzida por pessoas mais qualificadas.

FERNANDO FERRO, 59, engenheiro eletricista, deputado federal pelo PT-PE e candidato a novo mandato, é líder do partido na Câmara dos Deputados e vice-presidente da Comissão de Energia e Minas do Parlamento Latino-Americano (Parlatino).

Ora, ora

 Publicado na Folha de S.Paulo, sexta-feira, 20 de março de 1964

A disposição de São Paulo e dos brasileiros de todos os recantos da patria para defender a Constituição e os principios democraticos, dentro do mesmo espirito que ditou a Revolução de 32, originou ontem o maior movimento civico já observado em nosso Estado: a "Marcha da Familia com Deus, pela Liberdade". 

Com bandas de musica, bandeiras de todos os Estados, centenas de faixas e cartazes, numa cidade com ar festivo de feriado, a "Marcha" começou na praça da Republica e terminou na praça da Sé, que viveu um dos seus maiores dias. Meio milhão de homens, mulheres e jovens - sem preconceitos de cor, credo religioso ou posição social - foram mobilizados pelo acontecimento. Com "vivas" à democracia e à Constituição, mas vaiando os que consideram "traidores da patria", concentraram-se defronte da catedral e nas ruas proximas. 

Ali, oraram pelos destinos do país. E, através de diversas mensagens, dirigiram palavras de fé no Deus de todas as religiões e de confiança nos homens de boa-vontade. Mas, tambem de disposição para lutar, em todas as frentes, pelos principios que já exigiram o sangue dos paulistas para se firmarem.

(Do Blog de Luís Nassif)

domingo, 22 de agosto de 2010

Avesso do avesso

“Tentativa do tucano José Serra de se associar a Lula na propaganda eleitoral é mais um sinal da profunda crise vivida pela oposição”. A frase não é minha, mas do editorial da Folha deste domingo. Ferreira Gullar escreveu sobre as touradas, lembrando-se de João Cabral. O Globo traz como manchete: "Bandidos invadem hotel no Rio e fazem reféns". A Éporca tem como matéria principal a indicação das 100 melhores empresas para se trabalhar. A Folha, sorumbática, salienta que Lula prepara ofensiva em São Paulo. Desesperados, tentam manter a última trincheira.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Sabatina com Dilma - JN - 09/08/2010



A entrevista é comparável ao crime cometido pela Rede Globo, ao editar o famoso debate entre Collor e Lula em 1989. Golpistas, duros, inconformados com o sucesso do governo Lula, a imprensa brasileira tem um candidato. É o PIG e sua sujeira, agindo através das garras sujas desse casalzinho tão modelo das elites brasileiras. Dilma foi bem, muito bem. Diferente do debate da Band. Espero, ansiosamente, pelos números do Datafolha ...

sábado, 17 de julho de 2010

Sarkozy, SIP e imprensa brasileira

O presidente da SIP (Sociedade Interamericana de Imprensa), Alejandro Aguirre, critica Lula, afirmando que seu governo é antidemocrático, pois apoia a ideia de que haja um "controle cada vez maior na imprensa", aos moldes chavistas. No mínimo, o sr. Aguirre desconhece a atuação do PIG (partido da imprensa golpista) e a história recente do país. Para ficarmos em um só exemplo, lembremos da deplorável edição do debate entre Lula e Collor na Globo. O que diria o presidente da SIP sobre a relação de Sarko com a presse francesa? A edição do satírico Le Monte (acima) foi retirada das bancas pela justiça francesa. Só porque nela, Sarkozy é representado nu em uma cela, prestes a manter ato sexual com um homem. Imaginem, raros leitores, se fosse aqui, terra brasilis.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Eles adoram um golpe

Do Blog do Mello:


Assim como todo aniversário tem o tradicional soprar das velinhas, o parabéns pra você, o com quem será (tenho filha pequena e conheço da coisa), aniversário do Blog do Mello não estaria completo sem o vídeo em que o deputado Bolsonaro mostra como nossa mídia que se diz democrática, que chama Chávez de golpista e Fidel de torturador e ditador, se comportou em seguida ao golpe militar de 1964, que eles incentivaram e ajudaram a propagar.


Mas não posso deixar também de lamentar que nosso Congresso ainda acolha entre seus pares um deputado como esse. Há alguns anos publiquei aqui uma postagem criticando uma entrevista de Bolsonaro a Diego Salmen, no Terra Megazine, onde ele conseguiu novamente espaço para divulgar pérolas de seu (ahan) pensamento político. Ao repórter, ele afirmou:

O pessoal da esquerda todo diz que foi torturado, mas você não encontra ninguém com uma marquinha na pele.

Não é de se estranhar que o deputado faça semelhante declaração. Na coluna Painel, da Folha, de 13 de agosto de 2006 foi publicada a seguinte nota:

Barra pesada
. Cartazes expostos na entrada do gabinete do deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ): "Araguaia: quem procura osso é cachorro" e "Direitos humanos: o esterco da vagabundagem".

A explicação para o comportamento do deputado só pode ser uma. Como ele só se tornou oficial em 1977, portanto dois anos antes da anistia, perdeu a oportunidade de torturar, que alguns de seus colegas de farda tiveram durante a ditadura. Talvez tenha saudades do que não fez, e gostaria que aqueles velhos tempos voltassem para que pudesse dar vazão a seu instinto.

Tenho certeza de que a maioria das Forças Armadas discorda das palavras do deputado, que se elege não por defender suas (ahan) idéias, mas melhores salários e mais verbas para Exército, Marinha e Aeronáutica – o que já está sendo feito pelo governo.

A tortura é uma ignomínia. No caso do deputado, à ignomínia soma-se o escárnio com os torturados e desaparecidos.

O que espera a Câmara dos Deputados para instaurar um processo da Comissão de Ética contra ele?

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Cracolândia e a Folha de São Paulo

Prezados moradores e vizinhos de Campos Elíseos,
Já não sem tempo, o editorial da Folha de S.Paulo de hoje retoma o assunto da cracolândia e o fechamento de cursos médios do Liceu Coração de Jesus!
Sem dúvida, a imprensa (talvez, melhor ainda, a mídia) teria uma importante função social ao denunciar e cobrar do Poder Público as ações que nós, meros moradores do bairro, e sem voz, há muito vimos cobrando e denunciando.
Esse editorial, no entanto, requentando tudo o que já sabemos à exaustão, parece mais uma resposta “oficial” dos políticos que estão à frente do Poder Público para, mais uma vez, nos pedir “paciência e resignação”. Seria uma forma de amenizar ou controlar nossa revolta para não expormos o que o próprio jornal deixa de fazer, ou seja, as vísceras desses governos municipal e estadual que passivamente entregam o problema à especulação imobiliária, como se prédios novos e envidraçados bastassem para resolver o problema (que, aliás, já não é mais de moradores de rua, pois as notícias já nos dão conta do grande envolvimento da classe média com o crack!).
Esse tom neutro e obsequioso do Editorial da FSP em relação àqueles “que governam” omite os nomes dos responsáveis (governadores, secretários, prefeitos e vereadores) e deixa de dizer a verdade: que o Poder Público (Estado e Município) não está interessado em resolver esse problema, pois não envolve efetivamente a Saúde, a Assistência Social (SMADS), a Secretaria do Trabalho, a de Habitação, o Ministério Público e todas as outras instâncias afins para enfrentamento desse grande desafio. No máximo, esses que hoje ocupam e de há muito vêm ocupando os mesmos lugares do Poder Público tentam nos enganar colocando na rua a polícia, que só faz espalhar o problema daqui para ali. E ainda com a empáfia de dizer que dessa vez o Poder Público está de fato atuando!
Observem que no texto do Editorial não há nenhum questionamento mais articulado em relação às ações desastradas do Poder Público até hoje, não há cobranças em relação ao envolvimento das áreas de Saúde, Habitação, Serviço Social, do Ministério Público etc., mas sim uma lamentável conivência com o “crime” das concessões urbanísticas transferidas à iniciativa privada que vai pisar na história do centro velho transformando tudo em shopping Center envidraçado (comprando a preço de cracolândia e vendendo a preço de Berrine). Para que, então, um Editorial desses, que diz o que o senso comum diz e quer ouvir?
Por essas e outras, é preciso que aprendamos a ler com cuidado essa nossa imprensa. Afinal, a serviço de quem está a Folha de S.Paulo?

Nelson Luis Barbosa

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Das solidariedades hipócritas

Não vejo maiores movimentações da "sociedade civil" ou da "imprensa" para se solidarizar com os maranhenses e piauienses, vítimas das enchentes, tal como vimos com insistência na telinha da Globo, meses atrás, a propósito da "tragédia de SC". O sensasionalismo e a hiprocrisia nos assolam, inundando nossa alma já azeda.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Chá de Jurubeba

Lula tem razão: ler jornal faz muito mal ao fígado. Ouvi com atenção o conselho, uma vez que já exijo bastante do querido figueiredo...

terça-feira, 22 de julho de 2008

A Mídia e os banqueiros

A partir do momento que a imprensa chama Daniel Dantas de "banqueiro desonesto", fica evidente que algo cheira muito mal. Sabe-se que a expressão "banqueiro honesto" é paradoxo, antítese, oxímoro.

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Contra a Mídia

O presidente do STF não gostou da "espetacularização das prisões". Segundo ele, seria com comedimento que a PF deveria agir na prisão de Nahas, Dantas e Pitta. Se possível, sem divulgação da imprensa. Tudo para não afetar a honra dos acusados. Seria muito melhor se o STF dissesse o que pode e o que não pode ser noticiado. Também seria interessante que se deixasse claro qual a ênfase conveniente a ser dada a cada assunto.