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domingo, 14 de agosto de 2022

Robin Hood.


Imagem Google.

Uma lenda que fala de justiça e igualdade. Sem dúvida, o personagem medieval inglês de Robin Hood, dezenas de vezes adaptado para filmes, livros, quadrinhos, etc., dá forma a uma das mais belas histórias infantis.

Baseado em certos personagens reais e suas aventuras, como Ghino di Tacco, Hood era um príncipe entre ladrões. Um nobre caído em desgraça que compartilhava a justiça entre os pobres roubando dos ricos, sobretudo de João Sem-Terra, que se apropriou do trono inglês na ausência de seu irmão, o amado Ricardo Coração de Leão.

Contos de
fadas e heróis.

A popularidade de Robin Hood nasceu no século XV, embora os eventos históricos estivessem localizados no século XIII. Seja como for, pode ser um bom exemplo de justiça social, de lutar contra a tirania que pode ser exercida por certos setores com poder e de pessoas que relegam parte de seus interesses mais egoístas para ajudar os mais necessitados.

Qualquer uma dessas lendas curtas para crianças, adaptadas aos tempos atuais, podem ser bonitos cenários para a educação, o debate e, por que não, para diversão.

sexta-feira, 12 de agosto de 2022

O holandês voador.

 

As histórias costumam ser exemplos fantásticos para ensinar valores aos nossos filhos. As lendas curtas para crianças podem se tornar ferramentas maravilhosas para que, enquanto sonham e se imaginam protagonizando suas próprias histórias, elas se tornem pessoas melhores: mais responsáveis, independentes e empáticas.

Ao longo da história, a tradição da lenda oral passou de pais para filhos sem que as histórias contadas variem muito. É claro que algumas se adaptaram aos tempos, outras se suavizaram, como aconteceu com aquelas usadas ​​pela Disney em seus filmes, e muitas foram transformadas.

No entanto, todas elas guardam uma boa parte de seus elementos culturais e de sua finalidade pedagógica, que é a aprendizagem de valores, ideais, interesses, etc.

 

As melhores lendas curtas para crianças

Não devemos confundir a lenda com o mito ou a fábula. Em geral, a lenda é extraída de uma suposta realidade ancestral enraizada na história, mas misturada com o fantástico, o sobrenatural e o imaginário.

A fábula costuma ter como protagonista um animal. Além disso, oferece um ensinamento, uma moral. Uma lenda pode conter elementos da fábula e também do mito: embora contenha elementos sobrenaturais, narra eventos sociais que podem ter alguma verdade na origem, mas que tenham sido distorcidos ao longo dos anos, das gerações e pelo boca a boca.

O melhor exemplo é sempre ver a realidade. Por essa razão, a seguir, vamos conhecer uma série de lendas curtas que podem ser muito úteis para os pequeninos.

O holandês voador.

Dentro do mundo das lendas curtas, a do holandês voador chama a atenção. Ela remonta ao século XVII e conta a história do capitão Hendrik Van Der Decken, cujo navio com destino à Índia é atingido por uma tempestade superada graças à determinação do marinheiro, que foi capaz de desafiar a autoridade de Deus.

Por isso, a divindade o condenou a vagar sem destino pelo seu navio através dos oceanos do mundo. Desde então, o fantasma de seu barco aparece à noite com outras almas penadas, sendo sua visualização um mau presságio.

Muito além das interpretações religiosas, essa lenda é usada com crianças para aprender a respeitar a autoridade. Ou seja, é interessante que sejam elas mesmas, tenham personalidade e afirmem suas convicções, mas sempre respeitando seus pais, cuidadores, professores, tutores, colegas, etc.

domingo, 17 de outubro de 2021

A dança do arco-íris. Lenda indígena recontada por João Anzanello Carrascoza.

Há muito e muito tempo, vivia sobre uma planície de nuvens uma tribo muito feliz. Como não havia solo para plantar, só um emaranhado de fios branquinhos e fofos como algodão-doce, as pessoas se alimentavam da carne de aves abatidas com flechas, que faziam amarrando em feixe uma porção dos fios que formavam o chão. De vez em quando, o chão dava umas sacudidelas, a planície inteira corcoveava e diminuía de tamanho, como se alguém abocanhasse parte dela.

Certa vez, tentando alvejar uma ave, um caçador errou a pontaria e a flecha se cravou no chão. Ao arrancá-la, ele viu que se abrira uma fenda, através da qual pôde ver que lá embaixo havia outro mundo.

Espantado, o caçador tampou o buraco e foi embora. Não contou sua descoberta a ninguém.

Na manhã seguinte, voltou ao local da passagem, trançou uma longa corda com os fios do chão e desceu até o outro mundo. Foi parar no meio de uma aldeia onde uma linda índia lhe deu as boas-vindas, tão surpresa em vê-lo descer do céu quanto ele de encontrar criatura tão bela e amável. Conversaram longo tempo e o caçador soube que a região onde ele vivia era conhecida por ela e seu povo como “o mundo das nuvens”, formado pelas águas que evaporavam dos rios, lagos e oceanos da terra. As águas caíam de volta como uma cortina líquida, que eles chamavam de chuva. “Vai ver, é por isso que o chão lá de cima treme e encolhe”, ele pensou. Ao fim da tarde, o caçador despediu-se da moça, agarrou-se à corda e subiu de volta para casa. Dali em diante, todos os dias ele escapava para encontrar-se com a jovem. Ela descreveu para ele os animais ferozes que havia lá embaixo. Ele disse a ela que lá no alto as coisas materiais não tinham valor nenhum.

Um dia, a jovem deu ao caçador um cristal que havia achado perto de uma cachoeira. E pediu para visitar o mundo dele. O rapaz a ajudou a subir pela corda. Mal tinham chegado lá nas alturas, descobriram que haviam sido seguidos pelos parentes dela, curiosos para ver como se vivia tão perto do céu.

Foram todos recebidos com uma grande festa, que selou a amizade entre as duas nações. A partir de então, começou um grande sobe-e-desce entre céu e terra. A corda não resistiu a tanto trânsito e se partiu. Uma larga escada foi então construída e o movimento se tornou ainda mais intenso. O povo lá de baixo, indo a toda a hora divertir-se nas nuvens, deixou de lavrar a terra e de cuidar do gado. Os habitantes lá de cima pararam de caçar pássaros e começaram a se apegar às coisas que as pessoas de baixo lhes levavam de presente ou que eles mesmos desciam para buscar.

Vendo a desarmonia instalar-se entre sua gente, o caçador destruiu a escada e fechou a passagem entre os dois mundos. Aos poucos, as coisas foram voltando ao normal, tanto na terra como nas nuvens. Mas a jovem índia, que ficara lá em cima com seu amado, tinha saudade de sua família e de seu mundo Sem poder vê-los, começou a ficar cada vez mais triste. Aborrecido, o caçador fazia tudo para alegrá-la. Só não concordava em reabrir a comunicação entre os dois mundos: o sobe-e-desce recomeçaria e a sobrevivência de todos estaria ameaçada.

Certa tarde, o caçador brincava com o cristal que ganhara da mulher. As nuvens começaram a sacudir sob seus pés, sinal de que lá embaixo estava chovendo. De repente, um raio de sol passou pelo cristal e se abriu num maravilhoso arco-íris que ligava o céu e a terra. Trocando o cristal de uma mão para outra, o rapaz viu que o arco-íris mudava de lugar.

– Iuupii! – gritou ele. – Descobri a solução para meus problemas!

Daquele dia em diante, quando aparecia o sol depois da chuva, sua jovem mulher escorregava pelo arco-íris abaixo e ia matar a saudade de sua gente. Se alguém lá de baixo se metia a querer visitar o mundo das nuvens, o caçador mudava a posição do cristal e o arco-íris saltava para outro lado. Até hoje, ele só permite a subida de sua amada. Que sempre volta, feliz, para seus braços.

Ilustração: Alarcão
Fonte:https://www.revistaprosaversoearte.com/3-contos-indigenas-para-mostrar-outra-visao-de-mundo-as-criancas/?fbclid=IwAR0WLK2cfTepoeIok62-4-3phUAqSmXZV5uX2OKgVU-HjohZX6Sp0txKMts

quarta-feira, 17 de julho de 2019

A LIÇÃO DO FOGO.



Um membro de um determinado grupo, ao qual prestava serviços regularmente, sem nenhum aviso deixou de participar de suas atividades. Após algumas semanas, o líder daquele grupo decidiu visitá-lo.
Era uma noite muito fria.
O líder encontrou o homem em casa sozinho, sentado diante da lareira, onde ardia um fogo brilhante e colhedor.
Adivinhando a razão da visita, o homem deu as boas-vindas ao líder, conduziu-o a uma grande cadeira perto da lareira e ficou quieto, esperando.
O líder acomodou-se confortavelmente no local indicado, mas não disse nada.
No silêncio sério que se formara, apenas contemplava a dança das chamas em torno das tochas de lenha, que ardiam.
Ao cabo de alguns minutos, o líder examinou as brasas que se formaram.
Cuidadosamente selecionou uma delas, a mais incandescente de todas, empurrando-a para o lado.
Voltou então a sentar-se, permanecendo silencioso e imóvel. O anfitrião prestava atenção a tudo, fascinado e quieto.
Aos poucos a chama da brasa solitária diminuía, até que houve um brilho momentâneo e seu fogo apagou-se de vez.
Em pouco tempo o que antes era uma festa de calor e luz, agora não passava de um negro, frio e morto pedaço de carvão recoberto de uma espessa camada de fuligem acinzentada.
Nenhuma palavra tinha sido dita desde o protocolar cumprimento inicial entre os dois amigos.
O líder, antes de se preparar para sair, manipulou novamente o carvão frio e inútil, colocando-o de volta no meio do fogo. Quase que imediatamente ele tornou a incandescer, alimentado pela luz e calor dos carvões ardentes em torno dele.
Quando o líder alcançou a porta para partir, seu anfitrião disse: 
-Obrigado. Por sua visita e pelo belíssimo sermão.
Estou voltando ao convívio do grupo.
Deus te abençoe!

Reflexão :

Aos membros vale lembrar que eles fazem parte da chama e que longe do grupo eles perdem todo o brilho.
Aos lideres vale lembrar que eles são responsáveis por manter acesa a chama de cada um e por promover a união entre todos os membros, para que o fogo seja realmente forte, eficaz e duradouro.

sábado, 13 de julho de 2019

A Lenda dos Ovos de Páscoa. Lenda com atividades.



Coelhinho da Páscoa, podes ajudar-me ?
Claro que ajudo, se puder…
Gostava de fazer uma prenda de Páscoa para dar aos meus pais!
E o que lhes queres oferecer ?
Pois… isso é que eu ainda não sei. Mas gostava de lhes oferecer uma coisa que eles gostassem muito…
Qual é a cor que eles preferem ?
O vermelho.
Então oferece-lhes alguma coisa vermelha ! Porque não?
Mas ovos vermelhos não existem !
Mas é claro que existem! A minha amiga põe todos os dias ! Vou pedir-lhe se me dá alguns para a tua prenda.
Que bom, os meus pais vão ficar contentes ! Mas eu ainda gostava de lhes oferecer mais alguma coisa…
E o que seria ?
Eles também gostam de cor-de-rosa.
Então oferece-lhes qualquer coisa cor-de-rosa ! Porque não?
Mas ovos rosas não existem!
Mas é claro que existem ! A minha amiga põe todos os dias ! Vou pedir-lhe se me dá alguns para a tua prenda.
Magnífico, então. Mas eu ainda gostava de lhes oferecer mais alguma coisa…
O que é que eles gostam mais, diz lá…
Também gostam de verde…
Então oferece-lhes ! Mas ovos verdes não existem!
Mas é claro que existem! A minha amiga põe todos os dias ! Vou pedir-lhe se me dá alguns para a tua prenda.
Mas eu ainda gostava de lhes oferecer mais alguma coisa…
De que cores gostam mais os teus pais ? Talvez de azul…
Então oferece-lhes também !
Os azuis não existem!
Mas é claro que existem! A minha amiga põe ovos azuis todos os dias ! Vou pedir-lhe se me dá alguns para a tua prenda.
Muito bem, agora acho que já tenho ovos de Páscoa de muitas cores. Os meus pais vão ficar contentes…
Que belo presente.
Agora só tens de arranjar onde colocar os ovos. Vou arranjar um cestinho para os pôr todos! Vês como conseguiste fazer uma bonita prenda? Parabéns!
Agradeço-te muito por me teres ajudado. Sem ti não seria possível conseguir uma prenda tão bonita.
Não precisas de agradecer, foi com muito prazer que te ajudei! Então adeus. Adeus e uma boa Páscoa para ti e para os teus pais…
E a menina partiu com o seu cestinho cheio de ovos de Páscoa de todas as cores em direção a sua casa.
Mas, pelo caminho, tropeçou num ramo de árvore e caiu. Os ovos caíram todos do cesto e espalharam-se por todo o lado.
A menina só conseguiu apanhar um ou dois de cada cor ! Mas, mesmo assim, dirigiu-se a casa para oferecer aos seus pais a sua cestinha de ovos de Páscoa, que tinha preparado com tanto carinho e com a ajuda do seu amigo Coelhinho da Páscoa.
Desde esse dia, pelos campos, pelas florestas, pelos jardins, ovos de Páscoa de todas as cores aparecem escondidos atrás das árvores, debaixo dos arbustos ou ao lado das flores.
São os ovos de chocolate que as crianças costumam encontrar quando brincam à caça dos ovos de Páscoa.
Agora se vocês os encontrarem, segurem-nos com cuidado para não os deixarem cair como aconteceu com a menina desta lenda!


Para colorir:






quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Maria Pamonha.

Lenda latino-americana.

Certo dia apareceu na porta da casa grande da fazenda uma menina suja e faminta. Nesse dia, deram-lhe de comer e de beber. E no dia seguinte também. E no outro, e no outro, e assim sucessivamente.
Sem que as pessoas da casa se dessem conta, a menina foi ficando, ficando, sempre calada e de canto em canto.
Uma tarde, os garotos da fazenda perguntaram-lhe como se chamava e ela respondeu com um fiozinho de voz:
— Maria.
E os garotos, às gargalhadas, fecharam-na numa roda e começaram a debochar dela:
— Maria, Maria Pamonha, Maria, Maria Pamonha…
Uma noite de lua cheia, o filho da patroa estava se arrumando para ir a um baile, quando Maria Pamonha apareceu no seu quarto:
— Me leva no baile? — pediu-lhe.
O jovem ficou duro de espanto.
— Quem você pensa que é para ir dançar comigo? — gritou. — Ponha-se no seu lugar! Ou quer levar uma cintada?
Quando o rapaz saiu para o baile, Maria Pamonha foi até o poço que havia no mato, banhou-se e perfumou-se com capim-cheiroso e alfazema. Voltou para casa, pôs um lindo vestido da filha da patroa e prendeu os cabelos.
Quando a jovem apareceu no baile, todos ficaram deslumbrados com a beleza da desconhecida. Os homens brigavam para dançar com ela, e o filho da patroa não tirava os olhos de cima da moça.
— De onde é você? — perguntou-lhe, por fim.
— Ah, eu venho de muito, muito longe. Venho da Cidade de Cintada — respondeu a garota. Mas o rapaz a olhava tão embasbacado que não percebeu nada.
Quando voltou para casa, o jovem não parava de falar para a mãe da beleza daquela garota desconhecida que ele vira no baile. Nos dias que se seguiram,
procurou-a por toda a fazenda e pelos povoados vizinhos, mas não conseguiu encontrá-la. E ficou muito triste.
Uma noite lua, dez dias depois, o jovem foi convidado para outro baile. Como da primeira vez, Maria Pamonha apareceu no seu quarto e disse-lhe com sua vozinha:
— Me leva no baile?
E o jovem voltou a gritar-lhe:
— Quem você pensa que é, para ir dançar comigo? Ponha-se no seu lugar!
Ou quer levar uma espetada?
Logo que o jovem saiu, Maria Pamonha correu para o poço, banhou-se, perfumou-se, pôs outro vestido da filha da patroa e prendeu os cabelos.
De novo, no baile, todos se deslumbraram com a beleza da jovem desconhecida.
O filho da patroa aproximou-se dela, suspirando, e perguntou-lhe:
— Diga-me uma coisa, de onde é você?
— Ah, ah, eu venho de muito, muito longe. Venho da Cidade de Espetada — respondeu a jovem. Mas ele nem se deu conta do que ela estava querendo lhe dizer, de tão apaixonado que estava.
Ao voltar para casa, não se cansava de elogiar a desconhecida do baile.
Nos dias que se seguiram, procurou-a por toda a fazenda e pelos povoados vizinhos, mas não conseguiu encontrá-la. E ficou mais triste ainda.
Uma noite de lua crescente, dez dias depois, o rapaz foi convidado para outro baile. Pela terceira vez, Maria Pamonha apareceu em seu quarto e disse-lhe com aquele fiozinho de voz:
— Me leva no baile?
E pela terceira vez ele gritou:
— Quem você pensa que é para ir dançar comigo? Ponha-se no seu lugar!
Ou quer levar uma sapatada?
Outra vez, Maria Pamonha vestiu-se maravilhosamente e apareceu no baile. E outra vez todos ficaram deslumbrados com sua beleza.
O jovem dançou com ela, murmurando-lhe palavras de amor e deu-lhe de presente um anel. Pela terceira vez, ele lhe perguntou:
— Diga-me uma coisa, de onde é você?
— Ah, ah, ah, eu venho de muito, muito longe. Venho da Cidade de Sapatada.
Mas como o rapaz estava quase louco de paixão, nem se deu conta do que queriam dizer aquelas palavras.
Ao voltar para casa, ele acordou todo mundo para contar como era bela a jovem desconhecida. No dia seguinte, procurou-a por toda a fazenda e pelos povoados vizinhos, sem conseguir encontrá-la.
Tão triste ele ficou que caiu doente. Não havia remédio que o curasse, nem reza que o fizesse recobrar as forças. Triste, triste, já estava a ponto de morrer.
Então Maria Pamonha pediu à patroa que a deixasse fazer um mingau para o doente. A patroa ficou furiosa.
— Então você acha que meu filho vai querer que você faça o mingau, menina?
Ele só gosta do mingau feito por sua mãe.
Mas Maria Pamonha ficou atrás da patroa e tanto insistiu que ela, cansada, acabou deixando.
Maria Pamonha preparou o mingau e, sem que ninguém visse, colocou o anel dentro dele.
Enquanto tomava o mingau, o jovem suspirava:
— Que delícia de mingau, mãe!
De repente, ao encontrar o anel, perguntou surpreso:
— Mãe, quem foi que fez este mingau?
— Foi Maria Pamonha. Mas por que você está me perguntando isso?
E antes mesmo que o jovem pudesse responder, Maria Pamonha apareceu no quarto, com um lindo vestido, limpa, perfumada e com os cabelos presos.

E o rapaz sarou na hora. E casou-se com ela. E foram muito felizes.

Moral da história: 

não julgar pelas aparências, uma pessoa mal vestida pode ser linda, como uma pessoa quieta pode ser muito inteligente e educada. Citar outros exemplos e pedir exemplos.

terça-feira, 1 de novembro de 2016

NARCISO. Mitologia grega.

Autor: Caravaggio

Há muito tempo, na floresta, passeava Narciso, o filho do sagrado rio Kiphissos. Era lindo, porém, tinha um modo frio e egoísta de ser, era muito convencido de sua beleza e sabia que não havia no mundo ninguém mais bonito que ele.
Vaidoso, a todos dizia que seu coração jamais seria ferido pelas flechas de Eros, filho de Afrodite, pois não se apaixonava por ninguém.
As coisas foram assim até o dia em que a ninfa Eco o viu e imediatamente se apaixonou por ele.
Ela era linda, mas não falava, o máximo que conseguia era repetir as ultimas sílabas das palavras que ouvia.
Narciso, fingindo-se desentendido, perguntou:
— Quem está se escondendo aqui perto de mim?
—... de mim — repetiu a ninfa assustada.
— Vamos, apareça! — ordenou — Quero ver você!
—... ver você! — repetiu a mesma voz em tom alegre.
Assim, Eco aproximou-se do rapaz. Mas nem a beleza e nem o misterioso brilho nos olhos da ninfa conseguiram amolecer o coração de Narciso.
— Dê o fora! — gritou, de repente — Por acaso pensa que eu nasci para ser um da sua espécie? Sua tola!
— Tola! — repetiu Eco, fugindo de vergonha.
A deusa do amor não poderia deixar Narciso impune depois de fazer uma coisa daquelas. Resolveu, pois, que ele deveria ser castigado pelo mal que havia feito.
Um dia, quando estava passeando pela floresta, Narciso sentiu sede e quis tomar água.
Ao debruçar-se num lago, viu seu próprio rosto refletido na água. Foi naquele momento que Eros atirou uma flecha coração.
Sem saber que o reflexo era de seu próprio rosto, Narciso imediatamente se apaixonou pela imagem.
Quando se abaixou para beijá-la, seus lábios se encostaram na água e a imagem se desfez. A cada nova tentativa, Narciso ia ficando cada vez mais desapontado e recusando-se a sair de perto da lagoa. Passou dias e dias sem comer nem beber, ficando cada vez mais fraco.
Assim, acabou morrendo ali mesmo, com o rosto pálido voltado para as águas serenas do lago.
Esse foi o castigo do belo Narciso, cujo destino foi amar a si próprio.

Eco ficou chorando ao lado do corpo dele, até que a noite a envolveu. Ao despertar, Eco viu que Narciso não estava mais ali, mas em seu lugar havia uma bela flor perfumada. Hoje, ela é conhecida pelo nome de "narciso", a flor da noite.

Para ler a Lenda de Eco, clique AQUI

Alfabetização: Livro do aluno
Volume 2
©2000 Projeto Nordeste/Fundescola/Secretaria de Ensino Fundamental

Domínio Público


segunda-feira, 22 de agosto de 2016

As mil e uma noites. ALI BABÁ E OS QUARENTA LADRÕES.

Fonte da imagem:https://pixabay.com/pt/cavalo-sombra-terra-homem-no-cavalo-935073/

Numa distante cidade do Oriente, vivia um homem bom e justo, chamado Ali Babá.
Ali Babá era muito pobre. Morava numa tenda, entre um vasto deserto e um grande oásis.
Para sustentar a mulher, Samira, e os quatro filhos, Ali Babá oferecia seus serviços às caravanas de mercadores
que passavam por ali. Estava sempre pronto para cuidar dos camelos, lavá-los, escová-los e dar-lhes água e alimento.
Os ricos comerciantes já conheciam Ali Babá e gostavam muito de seu serviço. Ele sempre cobrava o preço justo pelo trabalho, porém, muitas vezes, os mercadores davam-lhe mais, pois sabiam que ele vivia em dificuldades.
— Aqui estão dez moedas de prata para você, Ali Babá.
E obrigado por ter cuidado tão bem dos meus camelos.
— Mas, senhor, são só cinco moedas que costumo cobrar — respondia honestamente Ali Baba.
— Sim, eu sei, meu bom homem. Mas quero gratificá-lo.
— Obrigado, patrão, agradeço em nome dos meus filhos.
Samira, em casa, também trabalhava muito. Além de cuidar dos filhos e das tarefas do lar, remendava a tenda, que já era velha, e cuidava de uma horta, plantando tudo que podia, preocupada em economizar.
— Veja, Samira! Veja, minha mulher! Hoje os homens da caravana foram generosos. Deram-me dez moedas!
— Graças a Alá! Agora poderemos comprar uma túnica nova para Ben e outra para Ornar. Eles têm passado frio.
— Sim, Samira, amanhã mesmo vou fazer isso. A caravana vai embora ainda hoje, e até o mês que vem não terei mais trabalho...
Era difícil a vida de Ali Babá! As caravanas não eram constantes e havia épocas em que, devido às tempestades de areia no deserto, os mercadores levavam dois ou três meses para passar por ali.
Para que sua mulher e seus filhos não passassem necessidades, Ali Babá procurava fazer outros trabalhos. Com eles garantia pelo menos a compra de leite, pão, azeite e alguma carne.
Assim, quando não havia caravanas, Ali Babá entrava
numa floresta que fazia parte do oásis, entre o deserto e a cidade. Lá ele colhia tâmaras e damascos, colocava-os em cestos e depois ia vendê-los no grande bazar da cidade.
"Que bom! Hoje consegui apanhar meio cesto de frutas. Mas já é tarde. Não consigo mais enxergar. Amanhã mando meu filho Anuar ir vendê-las na cidade e volto aqui para pegar mais. Vou ver se encho dois cestos", pensou Ali Babá.
No dia seguinte, bem cedinho, lá se foi Ali Babá com seus cestos vazios, disposto a enchê-los de tâmaras e damascos.
Estava no alto de uma tamareira quando ouviu um rumoroso tropel de cavalos "Muito estranho, esse barulho de patas de cavalos", refletiu. "Sempre vejo passarem camelos por aqui". O ruído, cada vez mais forte, indicava que os cavaleiros estavam se aproximando.
Ali Babá continuava curioso. "Quem será que vem chegando? Parecem muitos... E para onde será que vão?
Entrar no deserto a cavalo é impossível! Esses animais não aguentariam o calor!".
Não demorou muito, Ali Babá avistou os cavaleiros.
Eram, de fato, muitos. Do alto da tamareira, o bom homem contou exatamente quarenta.
"Puxa! Eles parecem estar com pressa... E estão bem
carregados. Todos os cavalos levam arcas, cofres e sacos...
Devem ser mercadores da cidade. Bem, vou tratar do meu trabalho, pois o dia passa depressa."
Mais ou menos uma hora depois, os homens voltaram com seus cavalos ruidosos.
Ali Babá, que arrumava seus cestos, tratou de se esconder, com medo de que o vissem. Afinal, não conhecia aqueles homens, nem sabia exatamente o que faziam.
"Lá vão eles. Não são mesmo homens do deserto. Estão
voltando para o lado da cidade. O mais curioso é que já
descarregaram os cavalos. Onde terá ficado toda aquela
bagagem?"
Os cavaleiros logo sumiram por entre a mata, pois os cavalos, agora aliviados da carga, corriam muito mais.
O dia passou. Ali Babá, contente com seus cestos de frutas, foi para casa descansar.
— Pai, consegui vender todas as tâmaras no bazar. Pena que Ben, Ornar e Hassan não foram comigo. Teríamos nos
espalhado por lá, cada um com um cesto, e vendido as frutas mais depressa.
— Então, amanhã vão os quatro. Hoje eu trouxe muito
mais do que ontem. Vejam se conseguem vender tudo.
Enquanto forem ao bazar, irei outra vez para a floresta e
pegarei mais frutas.
— Está bem, papai.
Na manhã seguinte, lá se foi novamente Ali Babá. Que calor fazia! Ele nem se lembrava mais dos homens a cavalo que vira na véspera. Tanto se esquecera, que nem comentara o fato com Samira.
AU Babá começou logo a apanhar suas frutas. Por volta do meio-dia, já cansado, se sentou à sombra de uma palmeira, para comer o lanche.
De repente, ouviu ao longe o mesmo barulho da véspera. Apurou o ouvido e teve certeza: eram cavalos que se aproximavam. Seriam os mesmos homens do dia anterior?
Se fossem, estavam passando um pouco mais tarde.
Quando Ah Baba percebeu que o tropel estava próximo, subiu rapidamente na palmeira e constatou: eram os mesmos quarenta homens. Para onde iriam?
"Hoje vou atrás deles. Quero ver para onde vão. Não
devem ir muito longe daqui... Estão carregados outra vez."
Ali Babá teve sorte. Enquanto descia da palmeira para tomar a estrada e seguir o rastro dos cavalos, o chefe dos
cavaleiros resolveu parar, para os animais beberem água.
Quando Ali Babá chegou, os homens estavam começando a se levantar para continuar o caminho.
"Agora posso vê-los de perto?, pensou Ali Babá. “Que gente esquisita”... São tão mal-encarados... E todos armados com facas e cimitarras..."
— Vamos, vamos! Chega de folga! Temos de descarregar tudo isso que roubamos hoje e voltar logo para a cidade. Amanhã é outro dia! — disse o chefe.
"Por Alá! Eles são ladrões!" concluiu Ali Babá. "Que perigo! Se me descobrirem, certamente me matarão. Estão armados até os dentes! Mas, agora que já estou aqui, vou continuar atrás deles. Quero ver para onde vão."
Refeitos, os cavalos puseram-se a galopar, Ali Babá
teve de correr muito, para não perdê-los de vista. Conseguiu chegar ao lugar em que haviam parado e viu que somente o chefe descera do cavalo.
Era uma clareira na floresta, no fundo da qual havia uma pedreira, não muito alta.
Os trinta e nove ladrões continuavam montados, dispostos em semicírculo, voltados de frente para a pedreira.
O chefe, em pé, segurando as rédeas do cavalo, ficou bem no meio. Com ar solene, deu uma ordem:
— Abre-te, Sésamo!
Ali Babá não conseguia entender o que estava acontecendo. Por que os ladrões estavam ali, num lugar deserto, onde não havia nada e ninguém? Por que ficavam dispostos daquela maneira? E que significado tinha aquela frase que o chefe falara?
Ele esperou apenas alguns segundos, para obter as respostas a todas essas perguntas. Logo depois da ordem dada pelo chefe, uma grande rocha da pedreira se moveu, abrindo a entrada de uma gruta. Os quarenta ladrões entraram em fila e, atrás do último, a pedreira se fechou.
"Não acredito no que estou vendo... Agora compreendo tudo! Eles devem guardar os objetos roubados dentro dessa gruta que se abre e se fecha. Por isso, ontem, os
cavalos voltaram descarregados. Vou ficar escondido atrás desta árvore. Eles terão de sair daí de dentro, pois acho que voltarão à cidade", decidiu Ali Babá.
E esperou, esperou, esperou, até que ouviu o barulho
da pedra se movendo.
"Ai vem eles!", agitou-se Ali Babá. "Já devem estar de saída. Vou prestar atenção para ver como fazem para fechar a entrada da gruta."
Os ladrões saíram em fila. Dessa vez, o último foi o chefe.
— Bem, já estão todos prontos? Então, vamos!
E, voltando-se para a grande pedra, falou:
— Fecha-te Sésamo!
A pedra rolou direitinho, fechando a entrada do esconderijo. Os ladrões pegaram a mesma picada e,
rapidamente, com seus cavalos a galope, desapareceram entre as árvores da floresta.
Ali Babá esperou assentar a poeira levantada pelos animais e saiu de trás da árvore.
"Agora, vou entrar lá. Direi as mesmas palavras do chefe dos ladrões. Sésamo deve ser o nome dessa pedreira.
Será que ela me obedecerá, ou será que só atende às ordens dele? Bem, vou experimentar. Vamos ver o que acontece!"
Colocando-se na mesma posição do ladrão, arriscou:
— Abre-te, Sésamo!
A grande pedra rolou, abrindo a entrada da gruta. Ali
Babá entrou imediatamente e ficou maravilhado com o tesouro que lá havia.
"Que beleza! Quanto ouro! Quantas pedras preciosas!
Quantas moedas! E pensar que há tanta gente pobre, passando necessidades, sem casa, sem roupa, sem comida. De quem será que eles roubam tanta riqueza? Deve ser das caravanas."
Ali Babá deu uma volta por dentro da gruta, que era iluminada por tochas.
Quando já estava de saída, lembrou-se de que tinha preso na cintura, o saquinho de pano, onde trouxera uns
pedaços de pão para o almoço.
E se eu levasse algumas dessas moedas de ouro em
meu saquinho? Acho que os ladrões nem perceberiam. Eles têm tanto... Mas isto seria um roubo. Eu seria um ladrão, roubando ladrões."
Depois, pensando na vida difícil da mulher e dos filhos,
encheu seu saquinho com pesadas moedas de ouro e foi
embora. Na saída, repetiu as palavras mágicas:
— Fecha-te, Sésamo!
Ali Babá voltou ao lugar onde estivera colhendo frutas, pegou os cestos e foi para casa. No caminho, pensava nas
moedas. Que iria fazer com elas?
Onde poderia guardá-las? Quando nada possuía, não tinha medo de ser roubado. Agora, de posse das moedas, já começava a temer os assaltantes.
"Acho que vou conversar com meu irmão Ali Mansur.
Ele é rico... Saberá me dizer o que posso fazer com as
moedas..."
Ali Mansur, o único irmão de Ali Babá, era um rico
comerciante de tapetes. Sua loja era a maior e a melhor da cidade.
Mas Ali Mansur era um homem mesquinho e ambicioso. Quanto mais tinha, mais queria. E nunca ajudava o pobre irmão, nem seus filhos.
Ali Babá chegou a casa, jantou e disse a Samira que ia visitar o irmão.
Ao ouvir a história da gruta que se abria Ali Mansur pensou que o irmão estivesse brincando. Depois, como Ali Babá insistisse, começou a achar que ele estava com febre.
Só acreditou em tudo aquilo quando o irmão lhe mostrou o saquinho com as moedas de ouro. Os olhos de Ali Mansur reluziam de cobiça, avaliando o peso de cada uma.
— Ali Babá, diga-me exatamente onde é esse lugar e o que se deve dizer para abrir e fechar a pedra. Amanhã vou até lá!
— Não, Mansur, não vá. É perigoso. Os ladrões podem
Aparecer a qualquer momento. Nunca mais ponho meus pés naquele lugar horrível. Já estou arrependido por ter tirado essas moedas. Dinheiro que não vem do trabalho não é honesto.
— Deixe de ser bobo Ali Babá. Se não quiser as moedas, deixe-as comigo. Sei muito bem como e onde usá-las.
Ali Babá foi para casa. Naquela noite nem conseguiu dormir, tamanha era sua preocupação.
— Que aconteceu Ali Babá? Por que está tão nervoso?
— perguntou Samira, percebendo a apreensão do marido.
O bom homem contou tudo à mulher, inclusive a
conversa que tivera com o irmão. Samira então lhe respondeu:
— Ora, meu marido, você não seria desonesto pegando
um pouquinho daquela fortuna. Ladrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão...
Na manhã seguinte, bem cedo, Ali Mansur saiu de sua
rica casa, com dez mulas e vinte cestos, e tomou o caminho da pedreira. Lá chegando, ordenou que a gruta se abrisse e entrou.
"Que maravilha! Vou encher os vinte cestos com joias, ouro, pedras e moedas. Amanhã virei buscar mais!"
Como Ali Mansur estava sozinho, demorou muito para
carregar as mulas. Demorou tanto, que os ladrões chegaram e...
— Fomos descobertos! A porta de Sésamo está aberta.
Saquem as espadas! — gritou o chefe dos ladrões.
E eles não perdoaram o ambicioso homem, que foi morto com vários golpes.
Os ladrões descarregaram seus cavalos, mas, como já era tarde, nem retiraram os cestos dos lombos das mulas de
Ali Mansur, trancando-as dentro da pedreira.
Quando anoiteceu, a cunhada de Ali Babá foi a casa dele.
Estava muito preocupada com o marido, que saíra cedo e ainda não voltara.
— Amanhã vou procurá-lo, Salima, não se preocupe — disse Ali Babá, pois já sabia para onde seu irmão tinha ido.
No dia seguinte, Ali Babá nem levou seus cestos para colher tâmaras e damascos. Foi diretamente procurar o irmão em Sésamo, pois Mansur nunca jogaria fora uma oportunidade para ficar mais rico.
— Abre-te Sésamo! — ordenou Ali Babá.
Dentro da pedreira, o bom homem chorou ao encontrar
o irmão morto, todo ensanguentado. Vendo as mulas
carregadas de riquezas, Ali Babá logo percebeu o que havia acontecido. Arrastou o corpo do irmão para fora, enterrou-o na floresta e voltou a Sésamo para pegar as mulas e entrega-las a Salima.
Estava começando a aliviá-las dos cestos cheios de
riquezas quando se lembrou das palavras de sua mulher:
"Ladrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão...".
"Sou tão pobre...", pensou. "Nem casa tenho. Meus filhos e minha mulher não têm roupas para se agasalhar. Há
dias em que não temos o que comer... Acho que Alá me
“perdoaria, se eu levasse apenas dois destes cestos que meu irmão encheu...”
Assim pensando, Ah Baba saiu de Sésamo com dez mulas, dezoito cestos vazios e dois cheios. À tarde, quando os ladrões voltaram à pedreira, perceberam tudo.
— Alguém mais conhece nosso segredo, companheiros!
— disse o chefe. — Estiveram aqui, levaram o homem morto, as mulas e ainda pegaram algumas das nossas joias e moedas.
Pois, a partir de hoje, fiquem de olho! Quero vingança! Logo vamos notar se alguém ficou rico de uma hora para outra. E muito fácil identificar os novos ricos...
Um mês depois, Ali Babá comprou uma casa na cidade, dois belos cavalos, pôs os filhos na escola e adquiriu móveis, roupas e utensílios novos. Em sua casa não faltava mais comida e, uma vez por semana, ele distribuía pão e leite para os pobres.
Um dos ladrões, encarregado de fiscalizar a vida dos moradores daquele lado da cidade, percebeu a generosidade de Ali Babá e perguntou a um vizinho:
— De onde veio esse homem tão bom?
— Ah, chama-se Ali Babá. Era um pobre coitado que cuidava dos camelos das caravanas e vendia frutas no bazar.
De repente, apareceu com moedas de ouro, colares de
esmeraldas e pulseiras de rubi. Ele vendeu as joias e comprou a casa, os cavalos, as roupas, tudo! Ninguém sabe onde arranjou tanta riqueza. Acho que ganhou de algum mercador, por ser muito honesto...
O ladrão correu para seu chefe e disse:
— Achei o homem! Chama-se Ali Babá! Agora o senhor poderá se vingar.
No dia seguinte, o chefe dos ladrões se disfarçou de
mercador preparou vinte mulas, cada uma carregando dois enormes jarros de barro, e foi bater na casa de Ali Babá.
— Boa tarde, meu bom homem. Sou um mercador de
azeite. Acabei de atravessar o deserto. Será que posso
descansar um pouco em sua casa com minhas mulas?
— Sim, entre, por favor — disse Ali Babá — Deixe as
mulas no pátio para tomarem água.
— Obrigado. Vou descarregá-las para que descansem até amanhã. Tenho de levar todo o azeite que está nestes
quarenta jarros até a cidade de Bagdá, que é bem longe daqui.
— Amanhã o senhor pensará nisso. Agora, venha.
Quero que tome um banho e jante com minha família, antes de dormir.
Ali Babá pediu para Samira preparar carne com azeitonas e salada com trigo para o visitante. Apresentou-lhe seus quatro filhos e ficaram conversando animadamente.
Na cozinha, Samira percebeu que não tinha mais azeite para temperar a salada.
— Anuar, venha cá! — chamou a mulher. — Vá comprar
azeite.
— Mas, mãe, agora é tarde. Já está tudo fechado.
— Por Alá! E o que vou fazer? Com que vou temperar a salada para o mercador?
— Ora, mãe, ele não está carregando azeite naqueles jarros enormes? Pois é muito fácil: desça até o pátio e pegue um pouquinho.
— Bem, não há outro jeito. E o que vou fazer.
Samira desceu até ao pátio de sua casa. As mulas já
estavam todas recolhidas ao estábulo. Os quarenta jarros
permaneciam no meio da área, iluminados por uma grande lua cheia.
Ao chegar perto de um deles, Samira ficou estupefata.
Uma voz, vinda de dentro do jarro, perguntou:
— Já está na hora de matarmos Ali Babá e sua família?
Samira não sabia o que fazer. Se se afastasse
bruscamente, poderia levantar suspeitas. Chegou então perto do outro jarro, esperando nova pergunta, mas nada!
Tudo ficou em silêncio. O segundo jarro estava mesmo cheio de azeite. Então, a conclusão de Samira foi rápida: ela sabia que os ladrões de Sésamo eram quarenta. Ora, em trinta e nove daqueles quarenta jarros enormes havia homens escondidos e apenas um deles continha azeite. E o visitante que estava dentro de sua casa era, sem dúvida, o chefe dos ladrões. Ele trouxera azeite num dos jarros porque, se alguém lhe pedisse, ele poderia provar que era um mercador.
Samira saiu de casa na mesma hora e foi chamar os guardas do palácio do sultão, que não ficava muito longe dali.
Depois, voltou depressa para casa, foi à cozinha e preparou um sonífero perfumado, à base de ervas do oásis.
Em seguida, desceu novamente ao pátio e despejou um pouco do sonífero em cada um dos trinta e nove jarros.
Quando terminou, viu que os guardas já haviam chegado. Mandou-os entrar e ficar aguardando do lado de fora da sala, onde Ali Babá conversava com o chefe dos ladrões.
Esperou mais alguns minutos e, ao ter certeza de que todos os ladrões dormiam profundamente dentro dos jarros, entrou na sala e disse:
— Ali Babá ! Tenha cuidado! Este homem é o chefe dos ladrões de Sésamo!
— Mas... mas — balbuciou o marido, incrédulo.
— Sim, sou eu! — disse o ladrão. E, tirando um punhal da cintura acrescentou:
— Agora, vocês vão morrer!
Nesse momento, os guardas entraram na sala, desarmaram e prenderam o homem.
Enquanto descia, já preso, o chefe dos ladrões viu todos os seus companheiros amarrados e amontoados no chão,
dormindo que dava gosto.
Ali Babá e Samira foram ao palácio do sultão e contaram toda a história de Sésamo, pedindo a ele que distribuísse aquela riqueza aos pobres da cidade.
O sultão concordou com o casal, mas fez questão dedar a Ali Babá um terço de tudo que havia dentro da pedreira.
Assim, graças à bondade de Ali Babá e à inteligência de Samira, nunca mais houve pobres naquela cidade.

(Versão de Suely M. Brazão)

Livro do aluno volume II – Domínio Público. 

quarta-feira, 27 de julho de 2016

Lobisomem. Lenda Brasileira.

A lenda do lobisomem é europeia e conta que, da mulher que tiver sete filhas, o sétimo, se for menino, virá com a maldição da lua cheia, quando ele se transforma num animal semelhante a um grande lobo, mas que caminha nas patas traseiras e corre como um cão, tendo o corpo peludo. Quando ataca uma vítima, caso essa não morra, passa a transformar-se, também, em lobisomem. Volta ao normal ao cantar do galo, com as roupas rasgadas, o corpo cansado e gosto de sangue na boca.
Existe, no folclore, o termo licantropia, que designa a maldição que recai sobre um homem quando ele se transforma em lobisomem, visto que a metamorfose não pode ser controlada.

No Brasil, a lenda varia de acordo com a região e, certamente, chegou até nós através dos imigrantes europeus. Em algumas versões é idêntica à versão europeia, em outras, acredita-se que a sucessão de filhos deve ser do mesmo sexo para que a maldição recaia sobre o sétimo filho. Há a versão em que diz que casais com mais de seis filhos, o sétimo, se do sexo masculino, será lobisomem, se do sexo feminino, será bruxa. Outra diz que apenas o sétimo filho varão de um sétimo filho varão carrega a maldição. Quanto à transformação, também varia, sendo que umas dizem que a fera se transforma numa encruzilhada, outras que acontecem quando vê a lua cheia, e que deve procurar um cemitério antes do raiar do sol para voltar ao normal. Em algumas regiões, afirma-se que lobisomem tem preferência por atacar crianças não batizadas, daí a pressa dos pais pelo batismo.

ELITA DE MEDEIROS

A LENDA DO LOBISOMEM. - Domínio Público.