Legalizado o reconhecimento de paternidade da jovem por parte do pai, e averbado ao seu nome o apelido Noronha, e já com a construção da nova casa iniciada, Cláudio e Helena casaram na Igreja Matriz de Nelas no dia vinte e oito de Novembro do ano dois mil e quinze.
A seu lado, como padrinhos, a jovem tinha o tio Alberto, e a sua
grande amiga Paula Correia. Os padrinhos de Cláudio, eram o seu amigo Doutor Ricardo
Souto e a esposa Clara.
A pedido de Helena, a amiga viera logo no início da semana,
e ficara hospedada lá em casa. Para tratar de todos os pormenores antes do
casamento, a jovem sentia-se mais à-vontade, com Paula que era quase da sua
idade, do que com Carmo, que além de ser mais velha, era mãe do noivo.
A alegria e simpatia natural de jovem encantaram Cláudio
e os pais. Por seu lado Paula também estava encantada com a quinta e a nova
família da amiga.
Sandro chegara apenas na véspera com os pais de Paula, e
tinham ficado hospedados no Áqua Parque de Nelas, hotel onde se realizaria a
festa, vulgarmente conhecida por copo-de-água.
A cerimónia foi muito bonita, apesar do nervosismo da
noiva e da emoção do noivo, e dos pais. Nada que não seja vulgar em qualquer
casamento.
Depois da cerimónia os noivos viram-se submergidos num
mar de abraços e felicitações de familiares e demais convidados.
- Eu não te disse, que tivesses cuidado, não podias
andar por aí a atropelar pessoas, que um dia te metias em sarilhos, - disse o
padrinho rindo, enquanto abraçava o noivo.
- É um sarilho lindo, de que não quero livrar-me nunca,
-respondeu ele emocionado.
Depois de mais uma série de fotografias à saída da igreja, os
noivos e convidados lá entraram nos seus automóveis rumo ao hotel, para a
festa.
Atento, Jorge estava preocupado com a filha e a
determinada altura não se conteve.
-Que se passa querida? Vejo uma sombra de tristeza nos
teus olhos. Não me parece que estejas feliz como é natural numa noiva, - disse
inclinando-se e falando-lhe ao ouvido.
- Sinto falta da mãe. Gostava tanto que ela estivesse
comigo, neste dia.
- Dizem que Deus escreve direito por linhas tortas, e
neste caso penso que assim foi. Se a tua mãe fosse vida, continuarias a ignorar a minha existência, e este momento nunca teria acontecido. Pensa nisso, querida.
- Penso nisso o tempo todo, mas não consigo evitar a
saudade, nem deixar de me sentir triste.
-É natural filha, mas tenta esquecer pelo menos hoje. É o
teu dia, aquele que se recorda toda a vida. Quer-se feliz. Repara no ar
preocupado do teu marido. Já deve estar a pensar que te arrependeste.
A jovem olhou para Cláudio e o seu rosto abriu-se num
sorriso radioso, que sossegou o coração do homem.
