Na
manhã seguinte, pouco passava das nove horas, quando Alcides chegou a casa do
Gil, onde Laura já o aguardava, pronta para irem à esquadra participar o
desaparecimento do irmão.
Depois
de o fazer, e tendo o advogado posto a hipótese de rapto, foi-lhes notificado que se iria iniciar uma
investigação, e o agente levou-os para outro gabinete, onde durante quase uma
hora, um investigador fez com que respondessem a inúmeras perguntas sobre os hábitos do
desaparecido, seus negócios, familiares e amigos. Ao saber que o desaparecido
tinha contratado segurança pessoal para acompanhar a filha e a ama, o
investigador quis saber se essa decisão tinha sido tomada por terem havido ameaças de rapto, se o desaparecido
tinha inimigos, e o advogado teve que informar que essa segurança se devia ao
temor que Gil tinha, de que o violento ex-marido de Inês , tentasse alguma
retaliação sobre a ama ou a bebé, e então foi-lhes pedido o nome completo do homem, bem como da ama.
Quando
terminaram foi-lhes dito que deveriam manter-se contactáveis e disponíveis para
quaisquer esclarecimentos adicionais que os investigadores achassem
necessários. E que por sua vez, eles deveriam informar imediatamente, se
houvesse algum contacto, ou se viessem a lembrar-se de algum facto que pudesse
ter relevância para a investigação. O investigador informou-os também de que deveriam
manter o desaparecimento em segredo, pois se realmente tivesse havido um rapto,
e os raptores soubessem que a polícia já estava a investigar, podiam ficar nervosos
e quem iria sofrer as consequências seria o próprio Gil.
-
Resta-me ainda informá-los, - acrescentou por fim o agente - que todos os anos
temos vários adultos, que por qualquer razão desaparecem, e quando os
encontramos pedem-nos para informar que estão bem, mas não querem que se saibam
onde estão.
-Tenho
a certeza de que não é o caso do meu irmão – afirmou Laura convicta, - ele é
muito apegado à filha bebé, que está prestes a fazer um ano, e mesmo quando em
negócios viaja para o estrangeiro, está sempre a telefonar para casa e a fazer
chamadas de vídeo para a ver.
Saíram
do posto da polícia, não sem antes Laura ter assinado a participação, perto das
onze horas.
Como
tinham combinado na véspera, Alcides dirigiu-se em seguida ao banco, e Laura
foi para a Fundação onde já a aguardavam alguns
doentes.
Durante
duas horas dedicou-se inteiramente às consultas, quase tudo estados gripais, e
felizmente nenhum muito grave. Como era quarta feira, era dia de dentista, de tarde o consultório estaria ocupado pelo seu colega Eduardo Mendes, pelo que depois
do almoço, não voltaria à Fundação.
Pegou
no telemóvel e telefonou ao irmão
-
Estou, Marco?
-
Sim. Há novidades?
- Não.
Vocês almoçam no restaurante do costume?
-
Sim, claro.
- Pede
mesa para quatro. Precisamos falar. Estamos aí em dez minutos.
