Nos anos seguintes enquanto Anabela se dedicava de corpo e alma aos estudos, muitas coisas mudaram.
Matilde aceitou uma oferta para o Hospital de St. Mary em
Londres e emigrou numa noite fria de dezembro, e Paula e Diogo resolveram pôr
fim a um namoro de três anos, casando-se na Primavera seguinte.
Paula continuara no apartamento, após o casamento e inicialmente ela continuara com eles, mas apesar da grande relação de amizade que as duas mulheres tinham criado
entre si, Anabela, sentia-se inibida a conviver com os jovens recém-casados. Decidiu
deixar o apartamento ao casal e iniciou a procura de outro quarto.
Conseguiu-o em casa de Maria Rosa, uma colega da Universidade. A jovem vivia
com os pais, numa casa antiga, na Avenida do Brasil, tinha um quarto livre, que
tinha sido do irmão mais velho, que tinha emigrado para a Austrália. Segundo a jovem lhe
confessou, os pais faziam um grande sacrifício para lhe pagar os estudos, e
pensavam alugar o quarto, para ajudar a equilibrar as contas. Assim, Anabela
resolvia o seu problema, e ajudava os pais de Maria Rosa a aliviar as despesas.
Um ano depois, Paula fora mãe de uma linda bebé, e Anabela
que já fora a madrinha de casamento da amiga, foi convidada para madrinha da
bebé, estreitando cada vez mais a relação de amizade entre as duas.
Aos vinte e sete anos, Anabela terminou o seu Curso de Enfermagem
com excelentes notas, tal como já tinha terminado o Curso de Fisioterapeuta
quatro anos antes.
E foi precisamente no bar onde fora com outros finalistas
festejar o fim do Curso que ela conhecera Óscar.
Ele encontrava-se encostado ao balcão e era um homem bem
parecido, alto de cabelos e olhos escuros, e sorriso fácil.
Por momentos os olhos dos dois encontraram-se e o sorriso
dele abriu-se mais, enquanto inclinava levemente a cabeça como se estivesse
cumprimentando-a.
Anabela, virou a cara envergonhada. Ela não tinha
experiência de namoros. Aprendera da pior maneira aos dezassete anos, que uma
jovem órfã e sem dinheiro, não servia para namorar a sério. Fora o que lhe
dissera o namorado a quem pediu explicações quando ele a deixou depois de com promessas enganosas a ter levado para a cama. Desde aí, ela nunca mais tivera qualquer relação com o sexo oposto
a não ser a de uma amizade pura com o marido da Paula, ou com algum colega na
clínica enquanto lá trabalhou.
Apesar dos anos que já vivia na cidade, no fundo ela
continuava a ser a jovem simples da aldeia. Um dia lera em qualquer lado, que
se pode tirar uma pessoa da aldeia, mas não se pode tirar a aldeia da pessoa. E
ela sentia que era verdade.
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