Pouco depois, toda a família se dirigiu à igreja, para a celebração da Paixão e Morte do Senhor e Adoração da Cruz. Quando criança e adolescente, Gonçalo e a irmã sempre acompanhavam os pais nessas cerimónias que em Braga a Semana Santa sempre se vive com muita intensidade.
Porém há muitos anos deixara de o fazer. Todavia na véspera acompanhara a família às cerimónias e quando estas terminaram, a filha quisera que ele fosse conhecer a maravilhosa e histórica vila de Alpedrinha, e Gonçalo convidara Helena a acompanhá-los. Ele sabia que haviam decisões a tomar e precisavam ter uma conversa séria sobre o futuro próximo.
Contudo era algo que não podia fazer na presença da filha e assim decidiu-se a apreciar a visita à vila que desconhecia. Encantou-se com o Palácio do Picadero, cuja construção datava do século XVIII, surpreendendo-se com o telhado de vidro numa construção de enormes blocos de granito.
Helena explicara-lhe que o maravilhoso edifício devia o seu nome ao pátio por onde atualmente se entra, que fora nos seus tempos iniciais quando os automóveis nem sequer ainda eram um sonho, o sitio onde se domavam os cavalos denominado como Picadero.
Acrescentara que embora na atualidade o palácio seja um espaço de cultura, fora em tempos pertença de vários donos que lhe deram as mais variadas utilizações desde um tribunal a um hospital e até uma tipografia de jornal.
E ali quase ao lado do palácio, o belíssimo chafariz de três bicas em granito, denominado chafariz D. João V, por ter sido mandado construir por este rei em 1714, era outra obra de arte que merecia as fotos que ele tirara para mostrar à irmã.
Encantou-se com a calçada romana e admirou a Igreja Matriz com os seus sete altares e o órgão de tubos. Helena conhecia em profundidade a história da vila, talvez por ser a localidade mais próxima da quinta dos seus pais e transmitira esse conhecimento à filha, ele deduziu, pelas interrupções e pequenos comentários que Matilde ia fazendo sobre o que iam vendo.
Mais tarde, acabaram lanchando num café local, e depois voltaram à quinta, onde Helena se apressou a ajudar a mãe na cozinha enquanto Matilde o arrastava para o seu quarto a fim de lhe mostrar o seu boletim de notas do segundo período.
O jantar decorreu animado, e pouco depois foram dormir pois o sábado seria um dia muito atarefado com os preparativos para o Domingo de Páscoa e a preparação para a Visita do Senhor que o padre faria à tarde. Ele dormira no quarto, que segundo Helena lhe dissera, era o quarto de Rita, a sua grande amiga e madrinha da filha, que ele ainda não conhecia.
De manhã, após o pequeno almoço, ele e Helena tiveram enfim um tempo a sós, para a tal conversa sobre o futuro.














