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18.3.18

A TRAIÇÃO - PARTE XXVI





A semana que se seguiu, foi de muita preocupação. Odete passava todo o tempo que o hospital permitia junto da mãe.
Os seus pais, sempre foram um casal muito unido, e o pai estava desesperado. Por isso, quando não estava no hospital, apoiava o pai. Chegava à noite emocionalmente destroçada. Se não fosse o apoio incondicional do marido, o seu carinho, ela não teria conseguido aguentar-se. Os dois estavam cada dia mais próximos, como se ela tivesse esquecido a traição que sofrera. E chegou finalmente o dia da cirurgia. Odete e o pai esperavam no hospital que a operação terminasse. Ela não parava de olhar o relógio. João tinha-lhes dito que a cirurgia demoraria entre quatro a cinco horas, havia quase seis horas que tinham levado a mãe e o marido não aparecia.
Finalmente João apareceu com um sorriso nos lábios, informando que tudo tinha corrido bem, a paciente já saíra do recobro, e fora levada para a UTI (unidade de terapia intensiva) onde ficaria durante quarenta e oito horas, permanentemente monitorizada. Durante esse tempo, eles não poderiam vê-la, apenas informarem-se acerca do seu estado na secretaria. Como médico, ele sim, poderia vê-la, e informá-los-ia, além de se manter em contato constante com o hospital, para saber como ela estava. De momento não podiam fazer mais nada, a não ser regressar a casa e esperar que tudo continuasse a correr bem. Se assim fosse, depois dessas quarenta e oito horas, ela seria transferida para o quarto e aí já podiam visitá-la. Emocionada Odete deu livre curso à sua alegria abraçando e beijando o marido.
Os três saíram então do hospital, para casa dos pais de Odete. Aí, enquanto o pai telefonava para os filhos, ela foi para a cozinha e começou a preparar o jantar. Mexia o refogado, quando o João nas suas costas, a abraçou pela cintura e a beijou no pescoço.
- Que fazes? – Perguntou quase sem voz
- Retribuo o abraço que me deste no hospital – murmurou ao seu ouvido.
- Por favor, o meu pai pode entrar.
- E então? Somos casados. O teu pai sabe que marido e mulher trocam carinhos.
- Mas tenho que preparar o jantar, - protestou.
- Não tenho fome de comida. A minha fome é outra, - murmurou mordiscando-lhe a orelha.
Corada e sentindo as pernas a tremer, ela soltou-se.
- Por favor, João. Deixa-me preparar o jantar, não sei se te lembras, mas nenhum de nós come há imensas horas. E se tu não tens fome, o mesmo não posso dizer eu e o pai.
- Pronto, pronto, rendo-me, - disse ele levantando as mãos num gesto cómico. - Vou para a sala.
Quando ele saiu, Odete encostou-se ao balcão. Cada dia lhe custava mais resistir às carícias do marido. Todo o seu corpo clamava por ele. Mas e a traição? Conseguiria ela algum dia esquecer que ele fora capaz de dormir com Inês, enganando-a duplamente porque lhe dissera que estava de plantão?



Esta história aproxima-se do fim. Mas pela primeira vez desde que venho escrevendo estas histórias eu fiz dois fins, e serão vocês a escolher o final. A história terminará no capitulo 28, ou seguirá para o outro final, tudo depende do vosso desejo. 

4.12.17

MARIA - PARTE VIII

RE-EDIÇÃO

A segunda gravidez


Os anos seguintes, foram sem dúvida, os mais felizes da vida de Maria. Era jovem,  amava intensamente o marido e sentia-se igualmente amada. Compraram casa, com recurso ao crédito é certo, mas não é assim que quase todos fazemos? Compraram carro, em segunda mão, que o dinheiro, que a madrinha do marido, lhes dera pelo casamento, não chegou para um carro novo. Maria tinha enfim a sua casa , não vivia com a mãe, sempre aturando as reprimendas,  nem tão pouco com a sogra, como acontecera com o primeiro casamento.
Sentia-se tão feliz, que nem "os carinhos" que a mãe dispensava ao genro, sempre que eles a visitavam lhe faziam mossa.
Elisa nunca fora uma mulher de demonstrar carinho,  de um afago. Mas com a doença, e a idade, o seu feitio seco acentuara-se. E a pouco e pouco, Maria ia espaçando as visitas à mãe.
Oito anos após o casamento, a cunhada de Maria ficou grávida, e simultaneamente a sua colega de trabalho também. A alegria das duas, o entusiasmo e o carinho, com que preparavam o enxoval dos bebés, foi-se a pouco e pouco entranhando-lhe no corpo e no espírito, e a sua vontade de ser mãe reapareceu, com tanta força que Maria não soube, ou não quis resistir-lhe. O marido feliz, apoiou  mas aconselhou irem primeiro ao médico, dado os antecedentes. Assim fizeram e Maria submeteu-se a todos os exames, que o médico de família e o seu ginecologista exigiram. A opinião dos médicos, era de que estava tudo bem e nada impedia Maria, de vir a ser mãe.
Quando seis meses mais tarde, Maria contou à mãe que estava grávida, a reação de Elisa foi muito pior do que ela imaginava.
Disse que a filha era uma irresponsável, que bem sabia que não podia ter filhos e que "o retornado lhe dera a volta à cabeça. "Só ele será responsável, pelo que acontecer, vai tornar-se num assassino."
Maria não se conteve. Gritou que a mãe estava doida e que nunca mais queria vê-la e saiu disposta a não voltar a casa da mãe.
Os meses passaram,  a gravidez decorria normalmente, a primeira ecografia mostrou uma menina, e o casal estava muito feliz.
Pouco antes dos sete meses, Maria sentiu-se mal e foi para o Hospital. Feitos os exames, descobriram que o bebé tinha desenvolvido uma hidrocefalia, não aguentou a pressão craniana e estava a morrer.
Foi feita uma cesariana de urgência, mas nada puderam fazer pelo bebé.
Primeiro Maria ficou em choque. Todos os seus sonhos, a esperança de vir a ser mãe, o desejo de dar ao marido o filho que ele nunca lhe pediu, mas que ela lhe queria dar, como complemento do seu amor, foram por água abaixo. E depois do choque inicial veio a depressão.
Na cabecinha doente de Maria,  uma ideia tornou-se obsessão. A sua mãe, fora a culpada pelo que lhe aconteceu. Fora praga da mãe, que nunca quisera que ela tivesse um filho. A relação amor-ódio que sempre tivera pela mãe, transformou-se num ódio feroz. Convenceu o marido a vender a casa e a comprar outra longe da mãe. E jurou que nunca mais ia ver a mãe.
Um dia a empregada doméstica da Elisa, chegou às oito da manhã como costume e estranhou ouvir a televisão da sala. Dirigiu-se lá, e encontrou Elisa sentada no sofá a dormir. Pelo menos era o que parecia. Dirigiu-se à cozinha preparou o pequeno-almoço e só quando foi dizer-lhe que estava pronto, é que se apercebeu de que Elisa estava morta.
Foi a sepultar num chuvoso dia de Dezembro. Sem a presença da filha, que ninguém sabia onde encontrar.


continua