O último utente acabara de sair. Diana foi até à porta e fechou-a.
A chuva continuava a cair, embora agora com menos intensidade. As duas jovens,
fecharam o computador e juntaram requisições e dinheiro numa pequena caixa que
o chefe haveria de recolher antes delas saírem. Anete olhou o relógio. Faltavam
cinco minutos para a saída.
- Continua a chover. E com este vento, vamos chegar a casa,
encharcadas. - Disse Diana.
Ouviu-se o sinal de mensagens no telemóvel de Anete.
“Vim buscar-te. Estou à porta. Salvador.”
Sorriu
- Ai meu Deus que sorriso feliz. Não me digas que chegou o teu
príncipe. Espero que tenha trocado o cavalo por um automóvel.
- Não sejas tonta, Diana. É apenas o Salvador.
- Sei. O cunhado da tua irmã. Já me contaste essa história. Mas a
julgar pelo teu sorriso, diria que não tem nada de “apenas”.
Nesse momento, o gerente chegou à receção.
Diana, vestiu o casaco que tinha nas costas da cadeira, pôs a mala
ao ombro. Anete fez o mesmo.
- Boa noite, meninas.Toca a sair, que a noite não está para demoras, - disse o
gerente, agarrando na caixa que estava em cima do balcão.
As duas jovens encaminharam-se para a porta, pegaram os guarda-chuvas
que aí se encontravam e abriram a porta.
- Até segunda. Bom fim-de-semana.
-Igualmente. – Respondeu-lhes o chefe, fechando a porta atrás delas.
As duas ficaram por momentos sob a placa de cimento que protegia a
porta da clínica. Salvador estava mesmo em frente à porta. Anete disse:
- Não saias daqui. Vou pedir ao Salvador para te levar à paragem.
Deu uma corrida, e meteu-se no carro
- Boa noite, - disse saudando-o com um breve beijo na face. –
Importas-te de levar a Diana até à paragem do autocarro?
- Claro que não.
Ela abriu a janela e fez sinal à jovem que imediatamente correu
para o carro e se introduziu nele pela porta de trás.
- Obrigada. Está um tempo horrível, - disse. A minha paragem é já ali à frente.
- Salvador, esta é Diana, a minha colega. Uma amiga que me tem
facilitado muito a vida, no emprego.
Salvador virou-se para trás e estendeu-lhe a mão com um sorriso
- Encantado. - Logo se voltou para a frente e pôs o veículo a
trabalhar. É melhor avançar. O trânsito está uma loucura.
Rodou devagar até que a uns cem metros, parou junto
à paragem.
- Obrigado Salvador. Até segunda, Anete. Bom fim-de-semana.
E sem esperar resposta, Diana saiu a correr para debaixo da
proteção da paragem.
- Mora longe a tua amiga?
- Odivelas. O que lhe vale é que tem a paragem do autocarro mesmo
à porta. – E mudando de assunto,- não te
esperava. Não disseste nada em toda a semana.
- Tive uma semana complicada. E tu?
- As minhas, há muito tempo, deixaram de ser complicadas. A grande
revolução na minha vida, foi mesmo a descoberta da minha verdadeira identidade.
- E o divórcio não? Perguntou sem desviar os olhos da estrada,
tentando não parecer interessado.
- Convido-te para jantar. Gostas de bifes com natas e cogumelos?
-Gosto de bifes de qualquer maneira, - disse enquanto pensava que
ela tinha uma habilidade especial em fugir do assunto, quando se tratava de
falar no divórcio.