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25.6.19

UM PRESENTE INESPERADO _ PARTE XXXII



Como todas as mulheres que estão prestes a conhecer os segredos do sexo pela primeira vez, Isabel, tremia de receio e de excitação. Pensou vagamente que Natália tinha razão. O que levava um casal para a cama era o desejo. O seu corpo reagia com intensidade às carícias do marido fazendo com que ela se arqueasse para se unir mais ao corpo masculino e desejasse ainda mais do que ele lhe dava.
Suavemente, como se o corpo dela fosse algo, simultaneamente precioso e sem peso, Ricardo voltou a pegar-lhe ao colo, e levou-a para o quarto.  Colocou-a na cama e voltou a beijá-la. Saboreando-a, e levando ao rubro o seu desejo, as suas mãos percorrendo-a, acariciando e despindo-a sem lhe dar tempo a reagir ou sequer a sentir-se envergonhada.
Todavia ela reagia sim. As suas mãos, ora o ajudavam na tarefa de se despir a si próprio, ora lhe acariciavam o peito, as costas a nuca. Parecia tanto ou mais desejosa de fazer amor, do que ele.
Finalmente, quando a excitação já era insustentável, os dois  tornaram-se fisicamente um só, na mais ancestral dança do planeta.
- Estás bem? -perguntou ele mais tarde, deitando-se de costas, o corpo ofegante e transpirado.
- Estou -respondeu ela deitando confiante a cabeça no peito dele, que estendeu o braço e aconchegou o seu corpo ao dela. 
 Nenhum dos dois disse mais nada. No silêncio que se seguiu, cada um  tentava analisar o sublime momento que tinham acabado de viver.
Para Ricardo, Isabel fora uma grata surpresa, um presente inesperado.
 Verificara que aquilo que ele julgava ser uma representação por parte dela, era apenas inocência, pois Isabel fora virgem até minutos atrás.
 Não que lho tivesse dito, todavia não era preciso que o fizesse, ele tinha experiência mais que suficiente, para que não desse por isso. Compreendia agora, a razão do comportamento dela, antes do casamento. O que ele julgara tratar-se de um jogo, era afinal timidez genuína, fruto da sua inocência. Todavia apesar disso, ela compensava a nítida falta de experiência com uma tal paixão, que o deixou empolgado. Isabel era uma mulher maravilhosa, o que fizera pela irmã e pela sobrinha, provavam-no sem sombra de dúvida. E Matilde era um encanto. No último mês, tivera ocasião de brincar com ela, acompanhara-a nas atividades diárias, como o banho ou o ir dormir, e um carinho muito grande, fora nascendo entre os dois. Amava a menina e sentia que ela também gostava dele.
Se ele confiasse nas mulheres, diria que tinha ganhado uma família. Mas podia ele confiar em Isabel? Agora que ela descobrira, os prazeres do sexo seria capaz de se contentar, com um casamento que não escolhera?Amar a menina era fácil. Amar Isabel era outra coisa. Ela dissera-lhe que acreditava no amor. E se um dia se apaixonasse por outro? O que seria dele se caísse na asneira de pôr de novo o seu coração em jogo? Aos vinte e poucos  anos, um homem leva vários anos para se recompor, e seguir em frente. Aos quarenta, a vida acaba ali. Ele ia fazer tudo, para terem um casamento feliz. Tudo, menos por o seu coração em jogo. Como dizia o seu pai. "À primeira quem quer cai, à segunda cai quem quer. " 
Enquanto Ricardo se perdia  nestas reflexões, Isabel corava só de pensar no que acabara de viver. Para ela, Ricardo fora tudo o que sempre sonhara que devia ser. Um homem maravilhoso, que soubera despertar toda a sensualidade, que ela nem sabia que tinha. Sentia o seu corpo lânguido, e os olhos fechavam-se com vontade de um sono retemperador. Mentalmente como numa prece, repetiu os votos de casamento.”Juro amar-te e respeitar-te, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, todos os dias da nossa vida”


Com este capítulo dou por terminada a primeira parte desta história. Amanhã começará a segunda parte. Vamos ver no que isto vai dar.


16.9.17

À MÉDIA LUZ - PARTE XIV





- Estou a ver. E porque mudou de ideias?
- O senhor Gabriel descobriu-me. Na academia de dança.
- À sim, essa parte já conheço. E então o que fez, além de ser a secretária do chefe?
- Eu, - voltou a olhar o rosto de Gabriel, como que pedindo desculpa. – Revirei as gavetas do escritório, e pesquisei as pastas.
- E…
- Nada, senhor.
- Sabe que me espanta a sua ingenuidade? Então pensa que se o Gabriel, tivesse feito o que pensou, ele deixaria as provas aqui à espera que alguém as viesse procurar?
Voltou-se para Gabriel.
- Já tinhas câmaras de vigilância na altura do desfalque?
- Já.
E tens todas as gravações guardadas, ou são apagadas ao fim de algum tempo?
-Creio que estejam todas guardadas, mas sinceramente não sei. É a empresa de segurança que trata disso. Mas já te digo. É só chamar o segurança de serviço.
- Quem mais podia ter acesso à conta da empresa, sem seres tu, e o teu sócio?
- Naquela altura, a firma não funcionava como agora. O contabilista e a secretária, tinha acesso à conta.
- A secretária? Tua ou do teu sócio? E o que foi feito dessa secretária?
-A Alice assessorava-nos aos dois. Era uma senhora de meia-idade, que estava na firma desde a sua fundação. Faleceu há dois anos. Ataque cardíaco.
Bateram à porta e o segurança entrou.
- Boas-tardes.
 - Boa-tarde, Francisco. Gostaria de saber o que fazem vocês às cassetes de video vigilância.
- Estão todas arquivadas por ano e mês, lá no depósito. Desde o início até às do mês passado.
- Obrigado. Pode retirar-se.
- Pensas que pode estar lá qualquer coisa que escapou aos investigadores? – Perguntou Gabriel.
- Não sei. Mas pode acontecer, se a data do desvio não coincidir com a data em que vocês deram por isso. Diz-me uma coisa, tens confiança no teu ex-sócio?
- Absoluta.
O inspetor, ficou por momentos pensativo. Depois disse olhando para Sandra.
- Estou disposto a ajudar. Vou ter que analisar as cassetes da video vigilância, desde o dia em que foi detetado o desvio até três meses antes. Espero que as tenhas todas amanhã à tarde. Passarei por aqui a recolhê-las. Peço que mantenham segredo absoluto sobre as nossas intenções, e não quero que ninguém saiba que a Sandra é filha do contabilista. Para todos os efeitos, tudo tem que continuar como até hoje. Entendido?
-Sim - disseram os dois em uníssono.
- Então creio que podemos ir. – Voltou-se para Gabriel. – Não te esqueças de ter as cassetes separadas para eu levar amanhã à tarde. Sandra, talvez tenha que ir visitar o seu pai. Ele está onde?
- Em Monsanto.
-Muito bem. Vamos?
E os três encaminharam-se para a saída, onde se despediram e partiram cada qual para seu lado.


10.9.17

À MÉDIA LUZ - PARTE V




Gabriel chegou à academia dez minutos antes do começo do espetáculo.
Encontrava-se acompanhado de um amigo, empresário como ele, e da esposa do amigo. Tinha recebido o convite na semana anterior, mas acabara por esquecê-lo, só voltando a recordá-lo, quando o amigo lhe telefonara. Na verdade se não fosse por se tratar de um espetáculo beneficente, não teria ido, não era apreciador daquele tipo de espetáculo, danças de salão, para ele, só como interveniente, e com uma bela mulher nos braços. Porém ali estava numa noite de sexta-feira, disposto a passar umas horas aborrecidas, em prol de uma boa causa. Pouco depois as luzes na sala, apagaram-se e um a um os seis pares foram entrando na pista. Recostado na cadeira, com os olhos semicerrados e uma posição indolente, Gabriel não parecia muito entusiasmado.
De súbito, alguma coisa lhe chamou a atenção. Endireitou-se e fixou o olhar no último par que acabara de entrar. Melhor, não no par, mas na bela figura feminina que envergava um lindo vestido vermelho. Havia qualquer coisa de familiar naquela mulher. Seria o cabelo preso no alto da cabeça, num coque embelezado por uma fita preta, adornada com uma rosa do mesmo tom do vestido?
Quando os pares se posicionaram nos seus lugares, o número seis ficou mais perto do local onde Gabriel se encontrava, e ele assombrado julgou reconhecer Sandra.
- Não pode ser, - murmurou.
Aquele “monumento” não podia ser o “estafermo” da Sandra. Ou seria? E como dançava, Santo Deus. Ele não conseguia desviar os olhos da bela figura feminina.
Após uma primeira apresentação, em que os seis pares dançaram a Valsa e o Foxtrot, os pares retiram-se e um apresentador fez uma breve explicação sobre a origem das danças de salão. Logo depois entraram dois pares que dançaram primeiro uma Polca e depois o Bolero.
Depois entraram outros dois pares e Gabriel disfarçou um gesto de enfado. Ele queria ver de novo a mulher de vermelho.
Depois de mais duas danças, desta vez a Salsa e o Chá Chá Chá, eis que voltam os últimos dois pares. Começam por dançar a Rumba, e Gabriel não desgrudava os olhos da figura feminina, que na pista se movimentava com graciosidade e agressividade, insistente e romântica, num jogo de sedução, que visava conquistar o parceiro, que é afinal o sentido da própria Rumba. A dança terminou sob um acalorado aplauso para logo de seguida se ouvirem os primeiros acordes dum Tango.
O Tango era a dança preferida de Gabriel, pelo papel dominante do homem na dança. Mas quando os pares se posicionaram na posição inicial do Tango, ele notou que a bailarina, arqueava ligeiramente o corpo, como que resistindo a deixar-se dominar.
Sorriu. Além de bela, tinha personalidade.

9.9.17

À MÉDIA LUZ - PARTE IV

Há seis meses que era a secretária de Gabriel Santana. Sabia da fama de predador sexual,  do patrão. Daí tivera a ideia de se apresentar o mais insignificante possível. Naqueles seis meses, já revistara aquelas gavetas dezenas de vezes, sem nunca ter encontrado nada que o pudesse incriminar. Sabia é claro, que qualquer prova estaria no cofre. Mas quem sabe, às vezes um esquecimento lhe deixasse ver qualquer coisa que a levasse a confirmar as suas suspeitas de homem sem escrúpulos, capaz de tudo nos negócios, mesmo que isso não tivesse nada a ver com o pai. Mas serviria pelo menos para saber que estava certa nas suas suspeitas. Mas não. Tudo certo, tudo legal. E ela sentia-se impotente, e tão cansada. Não sabia por quanto tempo mais aguentaria aquela pressão. E o pior, hoje é sexta-feira, há uma festa na academia de dança para angariação de fundos, todos vão ter que estar presentes, e ela sente-se devastada. No dia seguinte, irá visitar o pai, e é sempre muito doloroso, ver como ele se encontra. Olhou o relógio. Ele não voltou o resto do dia, por certo já não voltará, decerto encontrou algum rabo de saia. Não interessa, está na hora de saída, precisa ir.
Às vinte e duas horas tem que estar na academia, precisa tomar um banho relaxante e descansar um pouco.
Acabava de abrir a porta para sair, quando ele chegou:
- Onde é que vai? Venha ao meu gabinete!
Ficou furiosa.
- O meu horário de trabalho terminou há cinco minutos.
-Mas, preciso de si agora. Pegue o bloco e acompanhe-me.
Era arrogante e prepotente. Ela sentiu que o sangue lhe subia ao rosto.
-Desculpe senhor, mas terá que ficar para segunda-feira. Hoje não me posso atrasar.
Fitou-a furioso.
- Para quê tanta pressa? Decerto não é para nenhum encontro amoroso, - disse olhando-a depreciativo.
- O que faço nas minhas horas livres, só a mim me diz respeito. Boa -tarde.
Virou-lhe as costas.
- Se sair agora considere-se despedida! – Disse-lhe quando ela já atravessava a porta.
Voltou-se e pela primeira vez desde há seis meses, fitou-o bem nos olhos.
- Não creio que a lei me obrigue a trabalhar depois da hora de expediente, senhor. Mas podemos sempre recorrer ao tribunal de trabalho.
E saiu deixando-o perplexo e furioso.


6.6.17

JOGO PERIGOSO - PARTE XIX






Pagaram a conta, e saíram, mas em vez de se dirigirem ao carro, contornaram o restaurante e dirigiram-se à praia. Descalçaram-se. 
Ele passou-lhe um braço pelos ombros e caminharam em silêncio, afastando-se do recinto iluminado do restaurante. Estava a ser uma noite de sonho, para Daniela. De súbito recordou-se do seu casamento e da causa do seu divórcio. Estremeceu.
- Tens frio? -Perguntou ele solícito.
-Um pouco.
Tirou o casaco e colocou-lho sobre os ombros. Uma mão acariciou-lhe o rosto, outra apoiou-se nas suas costas atraindo-a com delicada firmeza para ele. Os olhos cinzentos, escurecidos pela paixão, buscaram os verdes que se mostravam inconscientes do abandono que refletiam.
Sem deixar de a fitar, a sua boca buscou a dela, com um gesto de autoridade, e ela soube que desejava acima de tudo submeter-se a esse doce domínio.
A língua dele, esfregou-se levemente contra a dela, numa dança erótica que acendeu todas as partes sensíveis do seu corpo, levando-a a acariciar-lhe os músculos das costas, enquanto se apertava contra o corpo masculino. Gemeu desiludida, quando ele a soltou, e lhe pegou na mão dizendo:
-Vamos embora. Se continuamos aqui, não conseguirei controlar-me.
Percorreram o caminho inverso em direção ao carro, sem pronunciarem uma palavra. Aí, David retirou a areia dos pés, limpando-os com as meias, calçou os sapatos nos pés nus, e depois de lançar um olhar à jovem que já tinha as sandálias calçadas, pôs o carro em marcha. Cada um absorto nos seus sentimentos, seguiram em silêncio até à casa da jovem.
- Queres entrar? – Perguntou ela saindo do carro
Mergulhou nela um olhar intenso.
- Queres que entre?
Voltou-lhe as costas, envergonhada
- Sim
Fê-la voltar-se, e beijou-a apaixonadamente.
-Importas-te de ir entrando? Volto já.
Dirigiu-se ao carro e arrancou velozmente. Sem saber o que pensar, a jovem entrou em casa. Acendeu a luz, largou a mala em cima de uma cadeira, e dirigiu-se à cozinha para fazer um chá.
A campainha tocou e ela foi abrir. Era David que voltava.