A mãe de Sara morrera muito jovem, e o pai, por
desgosto ou por falta de trabalho no seu próprio país, que lhe permitisse dar
uma vida digna à filha, emigrou para França, deixando a menina com a sua mãe.
A
jovem, fora então levada para casa da avó paterna, por quem fora criada e para
quem era a menina dos seus olhos. Mas o amor de uma velha avó, não é decerto o
suficiente para fazer uma criança feliz e formar uma personalidade forte e
segura, por muito grande que seja. Certo que materialmente nunca lhe faltou
nada, pois o pai mandava rigorosamente todos os meses, a maior parte do que ganhava, a fim de
que avó e neta não tivessem necessidades, mas a nível emocional faltou-lhe o
apoio seguro dos pais, e isso fez dela uma jovem tímida e insegura.
Essa terá sido a razão de não ter singrado na
carreira de modelo.
Curiosamente
essa mesma timidez e insegurança que a fragilizavam e a afastaram de uma
possível grande carreira, foram o catalisador que fizeram com que ele se tivesse
apaixonado por ela. Não por uma questão de domínio, mas porque ele, tinha desenvolvido
um grande sentido de proteção aos mais fracos, e sentia-se feliz amando-os e
protegendo-os. Era assim com os seus irmãos, foi assim com Sara.
Todavia
o casamento mudou por completo a jovem Sara. Gil não sabia se tinha sido o seu amor,
se a grande visibilidade, que o facto de ter casado com ele lhe trouxera, mas a verdade é que Sara
se transformara numa mulher arrogante e convencida, o que o desgostara e fizera
arrefecer a relação. Depois vieram as suas lesões, a decisão de se retirar, a
recusa em aceitar uma proposta para comentador desportivo na televisão, a decisão de ir
para a universidade, e de levar uma vida anónima de empresário em sociedade com
o seu irmão, fazendo da pequena loja de artigos desportivos, a maior do país, e
conseguindo a representação nacional de algumas marcas. Todavia a machadada
final no casamento, acontecera quando Gil descobrira que a mulher não engravidava, porque contrariamente aquilo que sempre lhe afirmara, andava a tomar a pílula. Ela
não queria ser mãe, para não estragar a figura, mas afirmava que o seu ginecologista
lhe dizia que estava tudo bem com ela, que nada a impedia de engravidar, passando-lhe a
ideia de que se isso não acontecia, a culpa era dele, que talvez fosse estéril.
Sentiu-se
traído e decidiu divorciar-se, mas nessa altura a avó dela morreu, e ele decidiu guardar essa decisão, para outra época menos dolorosa.
Para
compensar o fracasso do seu casamento, dedicou-se com mais afinco aos estudos.
Quando era criança, Gil tinha muitos sonhos. O principal, era poder estudar, ir para a Universidade, formar-se e dedicar-se à escrita. Ele tinha consciência que era um sonho irrealizável, pois era o mais velho dos três irmãos, o que se esperava dele, era que arranjasse um emprego e ajudasse a mãe a criar os irmãos. Para esquecer, Gil dedicava o tempo livre a jogar à bola e depressa o seu incrível talento foi notado pelo olheiro de um clube. As promessas de sucesso, fizeram-no desviar-se do seu sonho principal e dedicar-se de corpo e alma ao futebol, conseguindo apenas terminar o secundário.
Muitos anos mais tarde, com o fim da carreira e o afastamento dos relvados, podia enfim dedicar-se aos estudos e à escrita.
Sempre gostara de escrever, e decidiu escrever um livro que contava a história de vida de dez miúdos de uma rua nos arredores da cidade. Embora os nomes e a localidade fossem ficção era uma história autobiográfica, aqueles miúdos eram os seus amigos de infância. Ele conhecia as suas vidas de quase miséria, os sonhos de cada um, as lutas diárias, as desistências da escola, a violência doméstica, a entrega às drogas, o roubo e por fim a desistência da própria vida, como se conhecia a si mesmo. Dos dez apenas dois tiveram sucesso, ele e Raul Flores que graças ao seu enorme talento para a música, e ao interesse de um professor, conseguira uma bolsa de estudo e a entrada no Conservatório. E atualmente dirigia uma orquestra em Londres. Dos restantes, um suicidara-se com apenas dezasseis anos, outro estava preso, dois morreram com uma overdose, dois emigraram para França, um estava desaparecido há mais de dois anos, e o último, era o seu irmão Marco, apenas dois anos mais novo do que ele.
Quando era criança, Gil tinha muitos sonhos. O principal, era poder estudar, ir para a Universidade, formar-se e dedicar-se à escrita. Ele tinha consciência que era um sonho irrealizável, pois era o mais velho dos três irmãos, o que se esperava dele, era que arranjasse um emprego e ajudasse a mãe a criar os irmãos. Para esquecer, Gil dedicava o tempo livre a jogar à bola e depressa o seu incrível talento foi notado pelo olheiro de um clube. As promessas de sucesso, fizeram-no desviar-se do seu sonho principal e dedicar-se de corpo e alma ao futebol, conseguindo apenas terminar o secundário.
Muitos anos mais tarde, com o fim da carreira e o afastamento dos relvados, podia enfim dedicar-se aos estudos e à escrita.
Sempre gostara de escrever, e decidiu escrever um livro que contava a história de vida de dez miúdos de uma rua nos arredores da cidade. Embora os nomes e a localidade fossem ficção era uma história autobiográfica, aqueles miúdos eram os seus amigos de infância. Ele conhecia as suas vidas de quase miséria, os sonhos de cada um, as lutas diárias, as desistências da escola, a violência doméstica, a entrega às drogas, o roubo e por fim a desistência da própria vida, como se conhecia a si mesmo. Dos dez apenas dois tiveram sucesso, ele e Raul Flores que graças ao seu enorme talento para a música, e ao interesse de um professor, conseguira uma bolsa de estudo e a entrada no Conservatório. E atualmente dirigia uma orquestra em Londres. Dos restantes, um suicidara-se com apenas dezasseis anos, outro estava preso, dois morreram com uma overdose, dois emigraram para França, um estava desaparecido há mais de dois anos, e o último, era o seu irmão Marco, apenas dois anos mais novo do que ele.

