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25.3.20

DIVIDA DE JOGO - PARTE XVI





Não saíram de casa nesse domingo. André sabia como levar uma mulher à loucura, e Eva procurava retribuir-lhe na mesma medida. Apesar de não ter grande experiência, era muito intuitiva. Alfredo, nunca fora um bom amante, sabia-o agora. Centrava-se no seu próprio prazer, e não se preocupava com a companheira. Com André era tudo tão diferente, tão intimo, tão partilhado, que era muito mais do que uma relação sexual. Era um amplexo de almas.
 Fizeram amor no quarto, na sala, no chuveiro. Fizeram as refeições entre beijos, sorrisos cúmplices, e por fim adormeceram abraçados no quarto dele.
Na manhã seguinte, ela levantou-se e foi para o seu quarto, tomar banho, e vestir-se para ir para o trabalho. Quando chegou à cozinha, André acabava de pôr as torradas e o sumo de laranja na mesa. Tomaram juntos, o pequeno-almoço e quando ela se preparava para sair, ele segurou-lhe o rosto entre as mãos e sussurrou-lhe emocionado:
-“Ti amo, cara ” Aconteça o que acontecer, nunca te esqueças disso.
Depois sem desviar o olhar dos olhos femininos, abraçou-a apertando-a contra o peito e pediu:
- Diz-mo. Diz-mo de novo, antes de saíres. Preciso de o ouvir.
Estava ansioso. Ela não entendia o que se passava, mas percebeu quanto era importante para ele, e disse-lho pondo em cada palavra todo o sentimento que lhe inundava o peito.
- Amo-te André. Amo-te de corpo e alma, como nunca amei ninguém.
Em resposta André beijou-a como se não houvesse amanhã e ela saiu para o trabalho, com uma esquisita sensação de perda e um aperto no peito, que não sabia explicar.
Mais tarde, na clínica, pensava em tudo o que vivera naquele domingo. Tinha sido um dia de sonho. André era um amante excecional. Com ele aprendeu, que não havia carícias proibidas, nem sentimentos de vergonha, entre duas pessoas que se amam. E adorava o jeito dele, de misturar palavras em italiano e português quando se emocionava.  
Deveria estar feliz. Mas a verdade é que não estava. Lembrava-se que dias antes, André parecia fugir dela. Porquê? Se a amava, como dissera e lhe demonstrara, porque fugia dela? E depois, a cena dessa manhã, fora muito esquisita. Era como se estivesse a despedir-se dela. Esperou ansiosa pela hora do almoço. Tinha tantas perguntas para lhe fazer.



Acabei de saber que o meu amigo Esteban Lob partiu no Domingo rumo ao reino celestial. Luz e Paz para si meu amigo. 
Estou muito triste. 

24.3.20

DIVIDA DE JOGO - PARTE XV







Naquele domingo, Eva levantou-se cedo, mas não saiu de casa. Estava decidida a ter uma conversa séria, com André. Tentava entender as razões da mudança de comportamento dele, mas não encontrava nenhuma. Estava desesperada. Ela já tinha visto um filme semelhante com Alfredo, e sabia como tinha acabado. Toda a segurança que julgara sentir naqueles três meses de sonho, se evaporara.
Tomou banho, vestiu uns calções brancos, e um top azul-claro. Apanhou o cabelo num rabo-de-cavalo, e calçou umas sandálias sem salto.
Eram dez horas, quando ele apareceu na cozinha. Vestia calças de ganga pretas e um polo vermelho justo, que punha em evidência a sua impressionante figura.
- Bom dia. Não saíste hoje? - perguntou
-Pois, parece que não. Dava-te jeito que tivesse saído? Porquê, André? O que foi que aconteceu entre nós? Pensei que éramos amigos. Que podia confiar em ti. E de repente parece que recuei no tempo. Estou a viver o mesmo pesadelo. Interrogo-me a cada momento, se vou acabar de novo, numa mesa de jogo.
Crispou-se o rosto masculino.
- Não te atrevas a comparar-me com o teu falecido marido, - disse com raiva, dando dois passos e agarrando-a pelos ombros.
- Não? Então explica-me a diferença, - desafiou-o.-  Porque a sensação que eu tenho, é que estás a agir exatamente como ele.
Largou-a. Deixou cair os braços ao longo do corpo, e virou-lhe as costas.
- Não posso. Não agora. Tens que confiar em mim, – disse com voz rouca.
- Deus é testemunha que o desejo de todo o coração, - disse encostando o rosto às costas dele, e passando-lhe os braços à volta do peito. Sentiu o tremor do corpo masculino, o retesar dos músculos e teve a certeza de que não lhe era indiferente. Então porque fugia dela? Eram os dois livres e adultos. E ela desejava-o.
De súbito, ele voltou-se, apertou-a contra si e beijou-a. Um beijo intenso, urgente e sôfrego, como se quisesse arrebatar-lhe a própria alma. As mãos masculinas, inquietas, percorriam-lhe o corpo, em suaves e precisas carícias, que acordavam e faziam vibrar o corpo feminino.
-Quero fazer amor contigo, “cara mia” – sussurrou-lhe enquanto lhe mordiscava o lóbulo da orelha, uma mão apertando-a contra si, a outra acariciando-lhe a pele sob o top.
- Sim, André, sim – gemeu ansiosa.
Então pegou-lhe ao colo e levou-a para o seu quarto.



Informando: Tive uma consulta telefónica com a minha médica hoje, Segunda-feira por causa do que aconteceu na Sexta-feira. Ela está convencida que se tratou de uma vertigem provocada pelo não diretamente pela crise do refluxo tido durante a noite, mas pela má noite e falta de descanso que as dores me provocaram. 
Disse que o desequilíbrio, as coisas a andar à roda e o falta de força nas duas pernas, fazem crer tratar-se disso. Disse-me que ficaria preocupada, se a falta de força fosse só numa das pernas. De qualquer modo disse-me os sinais a que devia estar atenta, além de medir a Tensão Arterial diariamente, falta de força num dos lados, problemas de visão, náuseas, vómitos,  etc. Estou certa de que ela tem razão. 
Obrigado a todos pelo vosso cuidado.

10.5.19

UM HOMEM DIVIDIDO - PARTE XLVIII



A tensão acumulada durante aquelas duas semanas, a conversa com o pai e o irmão, a solidão dos seus quase trinta anos, tudo isso tinha fragilizado a jovem e a tinha feito chorar. Talvez fosse o seu relógio biológico que estivesse a dar sinais de envelhecimento. Ela não sabia. O que sabia é que sentia um aperto no peito e uma enorme vontade de chorar.
Ele não disse mais nada. Limitou-se a mantê-la apertada ao peito e aguardar que ela exteriorizasse toda a dor que a acompanhara durante tantos anos. Gradualmente os soluços foram diminuindo e finalmente cessaram. Por fim ela levantou o rosto para ele e murmurou.
-Desculpa, não sei o que me deu. Deves estar a pensar que sou doida.
Tentou levantar-se, mas ele segurou-a com firmeza.
- Não tenhas medo, nem vergonha dos teus sentimentos. Não pudemos viver uma vida inteira, carregando sentimentos que nos vão destruindo aos poucos, sejam eles desejos de vingança, frustração, ou carência afetiva. Descobri isso há pouco tempo.  
-Pensei que estavas zangado comigo. Não permitiste que me aproximasse de ti, nem sequer para me despedir, - queixou-se.
-E isso incomodou-te? Queres dizer que eu te importo um pouquinho?- perguntou ansioso.
Escondendo de novo o rosto no peito masculino ela confessou com uma única palavra.
-Sim
Ele levantou-lhe o queixo, e durante uns segundos procurou ler nos  olhos dela, a verdade daquela declaração. Depois a sua boca procurou a dela que se abriu para ele como o botão de rosa se abre para o raio de sol que a acaricia. O desejo tomou conta deles e o beijo inocente e tímido, tornou-se gradualmente mais intenso, exigente e possessivo, depois a sua boca percorreu-lhe o pescoço, a língua acariciando o lóbulo da orelha, as mãos infiltrando-se debaixo do top e recriando-se com o toque suave do corpo feminino, em carícias que a enlouqueciam, e a faziam soltar suaves gemidos de prazer.
 Trémula de paixão, Paula devolvia as carícias, as mãos acariciando-lhe a nuca, para descerem depois e se entregarem à tarefa de lhe desabotoar os botões da camisa, na ânsia de sentir sob as suas mãos, o calor do torso masculino. De súbito porém, ele parou e afastando-a um pouco disse com a voz enrouquecida pela paixão:
- Querida, estou louco de amor. Quero tanto fazer amor contigo, que me sinto enlouquecer de desejo. Porém se tu não o desejas, se queres parar, tem que ser agora. Mais um pouco e não vou ser capaz de me controlar.
Como resposta, ela levantou-se, pegou-lhe na mão e disse simplesmente:
-Vem
E de mão dada, guiou-o até ao seu quarto.  


O último capitulo sairá hoje ao meio-dia.

16.7.18

O DIREITO À VERDADE - XXXI




Pela primeira vez desde que se tinha tornado um adulto, Cláudio sentiu que o pai lhe estava a esconder alguma coisa.  Conhecia-o bem. Talvez fosse algum problema com o casal, ou quem sabe o médico dissera-lhe alguma coisa sobre a saúde da mulher que ele não lhe queria contar para não o preocupar. Porque com os negócios não era. Nunca tinham corrido tão bem como no ano anterior, e este ano, a menos que acontecesse uma catástrofe natural, como chuvas intensas ou queda de granizo, que naquela época e com as uvas quase na fase das vindimas seria realmente uma grave perda, o ano ia ser muito profícuo.  Porém o tempo estava bom e o prognóstico do IPMA para os próximos dez dias não podia ser melhor. Teria que telefonar ao seu amigo Doutor Ricardo Souto, para saber se havia alguma coisa de errado com a mãe.
Até ele chegaram as onze badaladas do sino da Igreja. Devia ir deitar-se, tinha muito trabalho no dia seguinte. Mas a noite estava quente, o céu estrelado, e não se ouvia outro ruído que não o cantar dos grilos na sua ária de sedução para atrair a fêmea. E as cigarras. Cláudio gostava de ficar ali em silêncio, a sós consigo mesmo e com os seus pensamentos mais íntimos, que ultimamente tinham um nome. Helena.
Porque teria a jovem fugido dele? Porque não lhe dera, nem dera a si própria a hipótese de se conhecerem melhor? Será que tinha alguém a quem não queria trair? Um namorado, um noivo?
Porque havia ela de ter aparecido na sua vida, se não tinha intenção de ficar? E porque raio ele não conseguia esquecê-la? Mal se abstraía do que estava a fazer e logo ela chegava, e se instalava nos seus pensamentos como dona e senhora.
À noite, sozinho no enorme leito de casal, parecia-lhe sentir o seu perfume, a doçura dos seus lábios. Começava a sentir o peso da solidão. Estava na altura de procurar uma companheira. O pior é que até conhecer Helena, não se interessara por nenhuma, e agora, só a jovem lhe interessava. Mas como encontrá-la? Não podia andar, como os arautos da idade média, de cidade em cidade, gritando o seu nome.
Levantou-se aborrecido consigo próprio. Desde quando, ele, Cláudio Guerreiro, pensava parvoíces, tais como andar de cidade em cidade a gritar o nome de uma mulher? O melhor que tinha a fazer era ir deitar-se e tentar dormir. De dia, com os imensos afazeres, é muito mais fácil esquecer. E talvez a recordação da jovem lhe desse tréguas.
Pouco depois dormia profundamente. Acordou sobressaltado com a sensação de que não estava sozinho. Abriu os olhos e ficou espantado ao ver Helena, envergando uma curta e sensual camisa de dormir. Estava de pé junto à cama e sorria para ele.
"Não é possível, estou a dormir, isto é um sonho,"- pensou enquanto esfregava os olhos, esperando que a visão desaparecesse, mas quando os abriu, ficou espantado ao ver a jovem não só não tinha desaparecido, como naquele momento, se deitava a seu lado.
- Que fazes aqui? – Perguntou estupefacto.
- Chamaste-me e eu vim, - respondeu-lhe num sussurro.
Ainda sem entender como era possível, ele estendeu os braços e ela aninhou-se neles. Começaram a beijar-se. Primeiro docemente, depois com toda a força da paixão que os possuía. Beijavam-se, e despiam-se mutuamente, mãos e bocas percorrendo os corpos em carícias loucas, até que não podendo mais protelar o momento. Cláudio entrou nela e os dois iniciaram a dança mais antiga da humanidade.
No momento sublime em que ela gritou o seu nome, acordou encharcado em suor, deitado sobre a almofada. Acendeu a luz. Quatro horas da madrugada. Sentou-se na cama e procurou os chinelos. Precisava com urgência de um duche. 



Gente estão cansados da história? É que está tudo a falar no final!... E a procissão ainda só está no adro. 


A quem pergunta pela minha saúde, estou a fazer fisioterapia e estou melhor, embora longe de estar bem.
Esta tarde, fui a uma consulta de oftalmologia, pois notei que estava a deixar de ver do olho direito e como a mãe tinha glaucoma e o irmão tem glaucoma e quando descobriu já estava cego da um olho e com apenas metade de visão no outro, fiquei assustada e fui logo de manhã marcar uma consulta.
Pois bem o farol direito está com uma catarata que já me está a roubar 50% da visão. Mas não há nenhum sinal de glaucoma.
Aconselhou a operação até ao fim do ano.

1.3.18

CARLOTA - FINAL








O problema é que António queria casar, e Carlota não o podia fazer, pois já era casada.
 E em Portugal naquela época, não havia divórcio. Porém quando um homem e uma mulher se amam de verdade, não há obstáculo, intransponível.
Depois de algumas saídas, em que ambos falaram das suas vidas, das más experiências, da dor porque cada um passou, e dos sonhos que ainda queriam viver, Carlota, pensou, que devia aproveitar a oportunidade que a vida lhe dava, e ser feliz. E decidiu ir viver com António. Foi um escândalo, pois naquela época dizia-se que viver amancebado, não era para os animais, não para os cristãos. Além das discussões com a irmã e o cunhado, choveram cartas do resto da família, dizendo a Carlota para ter juízo, era um escândalo, e um pecado. Afinal ela era casada, e tinha jurado fidelidade ao marido. Ela não se importou. Tinha-lhe sido fiel, durante anos, sem nem sequer saber por onde ele andava, e apesar de todo o sofrimento que ele lhe infligira, durante o pouco tempo de vida em comum. Pela primeira vez na vida estava apaixonada. Sentia que todo o seu corpo vibrava, quando António a beijava, sentia desejo das suas carícias, queria sentir-se amada. Embora aparentasse pouco mais de trinta, ela ia fazer em breve quarenta anos. Sabia o que sentia, e o que queria. E o que ela queria era ser feliz. Preocupava-se com a opinião do filho, e por isso apressara-se a mandar-lhe uma carta, dando conhecimento das suas intenções e pedindo a sua aprovação. Na volta, o filho escrevera, "seu coração seu mestre, minha mãe. Faça o que ele lhe ditar". E foi o que ela fez. Arrendaram uma casa nos Olivais e juntaram os trapinhos no início de Abril do ano da graça de mil novecentos e setenta e quatro.
Apesar dos seus sentimentos, e do desejo que a invadia, cada vez que António a beijava, Carlota temia a intimidade da primeira noite, não só pela violação que sofrera, mas também por que a vida amorosa com o marido, fora sempre uma penosa obrigação. Sabendo o que ela sofrera anteriormente, e homem experiente, António, pôs em prática todo o seu conhecimento do que deve ser uma noite de amor, fazendo com que Carlota, fosse relaxando, substituindo o medo, pelo desejo, até acordar a mulher adormecida que havia dentro dela, e fazer com que se entregasse por completo.
Nunca, nem nos seus sonhos mais loucos, ela pensara que se podia sentir e viver a intimidade daquela maneira.
Dias depois,o calendário assinalava o vinte e cinco de Abril, o país acordava com a revolução,  que mudaria o destino do povo português.
E com ela, não foi só o medo que se perdeu, nem a guerra que acabou. Com a revolução vieram novas ideias, as mentalidades como que se abriram. O povo começou a achar normal, situações, que até aí foram censuradas. A mulher ganhou uma nova dignidade, deixou de ser considerada uma propriedade do marido.
Carlota era agora uma mulher feliz. Deixara de trabalhar. António, gostava que ela se dedicasse apenas à casa, ele tinha um pé-de-meia, amealhado nos anos de emigração, alugara uma oficina e trabalhava por conta própria. Era um bom mecânico, não lhe faltava trabalho.
Entretanto Carlota soubera que havia campanhas de alfabetização, e resolveu aprender a ler. O filho voltou da Guiné, conheceu o companheiro da mãe, que o tratou com cordialidade, e lhe disse que haveria sempre  naquela casa,  um quarto e um lugar na mesa para ele. Mais, se quisesse aprender o ofício, haveria lugar para ele na oficina. João agradeceu, dizendo que tencionava seguir a carreira militar, e despediu-se pensando que a mãe tivera muita sorte em encontrar um homem bom como António.
Depois, novos políticos, novas leis, o divórcio chegou a Portugal, e Carlota pode enfim pôr um ponto final no seu casamento, e casar com António, embora só no registo. Mas no íntimo ela estava em paz, Acreditava que se Deus pusera o marido no seu caminho, queria que ela fosse feliz. E ela era-o. O resto não lhe interessava.



Fim


Elvira Carvalho



Nota: Amanhã vou sair. Num passeio de estudo que mostrarei como sempre no blogue de imagens. Por isso o final do conto entra hoje. Espero que gostem.