- Menina
Laura?
- Sim.
Aconteceu alguma coisa, Celeste? – perguntou ao reconhecer a voz da governanta
do seu irmão.
-
Não sabemos, menina. O senhor telefonou ontem, pouco depois das dez da noite, a perguntar
como estava a filha, disse que estava a caminho, mas até agora não apareceu,
nem voltou a ligar. Estamos muito preocupadas, tanto mais que a menina Mariana
se mostra muito nervosa esta manhã. Talvez estranhe a ausência do pai.
Laura
olhou o relógio. Faltava um quarto para o meio dia. Ficou preocupada. O seu
irmão não estaria tantas horas sem telefonar para casa.
-
Obrigada por ter ligado, Celeste. Vou ver se entro em contacto com ele. Com
esta tempestade, deve ter parado em algum hotel para dormir – disse sem grande convicção,
tentando acalmar as empregadas.
De seguida, marcou o número do telemóvel do
irmão, que tocou durante muito tempo, sem que ninguém atendesse.
“Acalma-te,
pode estar no banho, não ouvir o telemóvel” - murmurou para si mesma. Esperou cinco minutos e voltou a ligar com o mesmo
resultado. Cada vez mais nervosa, ligou
para a loja do seu irmão Marco. Foi Isabel, a cunhada quem atendeu a chamada.
-
Isabel, o Marco está aí? – perguntou. Preciso falar com ele.
-
Está no armazém. Espera um momento que vou chamá-lo.
Pouco
depois, Marco atendia a chamada.
-
Estou…
-Marco
sabes alguma coisa do Gil?
-Não
porquê? Aconteceu alguma coisa? – perguntou em sobressalto.
-A
verdade é que não sabemos. Sabias que ele ia estar ontem na Universidade do
Minho, não é verdade?
-
Sim, disse-me no domingo quando foi almoçar lá a casa.
- Recebi
um telefonema da Celeste muito preocupada. Ele telefonou ontem à noite,depois das dez horas, para saber como estava a Mariana e disse que estava a caminho. Não chegou, nem
voltou a dar notícias, e não atende o telefone. Estou em pânico.
-
Meu Deus, Estás em casa? Sim? Vou já para aí. Telefona ao Alcides, vê se ele
pode ajudar-nos.
Laura,
telefonou ao noivo, e contou-lhe o que se passava. Ele disse que estaria em sua
casa dentro de dez minutos, e ela desligou o telemóvel e deixou-se cair no sofá
em soluços. Tinha a certeza de que alguma coisa de muito grave tinha acontecido
ao irmão. Gil era o homem mais responsável que ela conhecera em toda a vida, adorava a filha e mesmo quando viajava
para o estrangeiro, estava sempre em contacto e fazia chamadas de vídeo para
ver e falar com a filha.
Minutos
depois a campainha tocava. Foi abrir. Era Marco. Abraçou-a
carinhosamente e entrou. Ela ia fechar a porta quando Alcides saiu do elevador.
Deu-lhe um beijo e entrou em casa. Cumprimentou o futuro cunhado e os três
dirigiram-se à sala.
Laura, repetiu palavra por palavra, o que Celeste lhe dissera. Enquanto a ouvia, Marco
marcava o número do irmão que chamou imenso tempo até ouvir a mensagem do
gravador. Uns minutos depois voltava a ligar e ouviu de imediato a gravação de
que o número não estava disponível. Repetiu a chamada e aconteceu o mesmo.