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quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

CAPISTRANO

Do CEARÁ: cidades de A  a V (XXXVI)
2013: ano do 160º  aniversário de  Capistrano de Abreu.
NOTA INTRODUTÓRIA:
Venho seguindo, criteriosamente, em ordem  alfabética, as "cidades de A a V" do CEARÁ. No entanto, CAPISTRANO, "saiu" da ordem... por uma "questão de tempo": consegui concluir a matéria sobre CARIDADE, antes de CAPISTRANO, que agora vai publicada...Acontece que, antes de eu ser "historiadora", eu sou "arquivologistasta", (daí, essa explicação...).Entenda, caro(a) leitor(a)!
Estação Ferroviária de Riachão (depois Capistrano de Abreu
e por fim CAPISTRANO)  inaugurada 1890
Desativado, o prédio da antiga estação está preservado.
Antiga ponte de ferro, sobre o rio, próxima à estação ferroviária.
Panorâmica de Capistrano-Ceará-Nordeste-Brasil. A distância
entre Capistrano e Fortaleza é de 103 quilômetros.
Ao pé da serra, Capistrano. A Igreja Matriz, em destaque...
Igreja Matriz Nossa Senhora de Nazaré, padroeira de Capistrano
O povoado da região que hoje compreende o município cearense de CAPISTRANO, no Maciço de Baturité,remonta à época colonial, quando o Capitão Temóteo Ferreira Lima adquiriu uma sesmaria da coroa portuguesa. Seu filho, Daniel Ferreira Lima, tornou-se proprietário de terras no lugar chamado Ribeira do Riachão, depois simplesmente Riachão, construindo ali uma grande casa e outras ao redor para outros moradores que iam chegando, tendo sido construído bem próximo a Estação Ferroviária, que foi a primeira estação da linha Baturité-Crato. Á época, Riachão (depois Capistrano) pertencia ao município de Baturité.
Só tempos depois é que o povoado passou a ser conhecido Riachão da Lagoa Nova, mudando a denominação, oficialmente, para Capistrano de Abreu,em 1938, em homenagem ao historiador cearense, nascido em Maranguape. Em 22 de novembro de 1951, quando de sua emancipação, desvinculando-se de Baturité, passa a ser denominado CAPISTRANO
Estátua de CAPISTRANO DE ABREU, na praça de mesmo nome
em Maranguape- terra natal do historiador.
Homenagem filatélica pelo centenário de nascimento
 de Capistrano de Abreu. (Valor do selo: 5 cruzeiros!).
"O SOGRO DE DEUS"...
Desde eu criança, pelas mãos de meu pai, passei a me familiarizar com literatura, de vários gêneros, de várias nacionalidades...inclusive, claro, com a do Ceará. Dentre os cearenses, bem cedo conheci Capistrano de Abreu, tido como um dos maiores historiadores brasileiros. Quando morei no Rio de Janeiro, nas décadas de 1970, 80 e 90, tive mais acesso às grandes bibliotecas (distante ainda da internet). Há dias, pesquisando sobre o historiador conterrâneo, descobri uma interessante matéria no site Revista de História. com. br. , da Biblioteca Nacional. Já sabia que João Capistrano Honório de Abreu, saíra   de sua terra natal, estudara em Fortaleza, fora morar no Rio de Janeiro, fora professor de História do Colégio Pedro II,trabalhara na Biblioteca Nacional... enfim, conhecia bem a sua biografia e a sua obra. Sabia, também, que a sua filha primogênita, Honorina, tornara-se madre, no Convento das Carmelitas Descalças, no Rio de Janeiro, com o nome de Madre Maria José de Jesus( estando hoje o seu nome em processo de beatificação, pelo Vaticano: seria uma santa carioca...!).
Pois bem: o artigo de Virgínia A. Castro Buarque  - do livro Escrita Singular - Capistrano de Abreu e Madre Maria José) que li na Revista de História tem -como epígrafe - O sogro de Deus: "Trata da correspondência entre o historiador Capistrano de Abreu e a filha, que elucida sua negação do catolicismo e reflete o embate entre correntes do pensamento da época".
Prossegue: Foi com o soneto intitulado "A meu pai" que Honorina de Abreu, filha primogênita do historiador Capistrano de Abreu, ou, como era mais conhecida, madre Maria José de Jesus, monja da Ordem das Carmelitas Descalças, tentou consolar seu pai, debilitado pela doença, pouco antes de sua morte, ocorrida em 13 de agosto de 1927. A poesia também traduz um profundo desejo da madre: a conversão de Capistrano à fé católica, delicadamente sugerida nos versos:

Foste tu, caro Pai, que do seio do Eterno
Me arrancaste e trouxeste  a este mundo, a esta vida...
Quando eu desabrochei - qual flor recém-nascida -
O sol que me aqueceu foi teu amor tão terno.

Teu sangue é sangue meu...Trabalho paterno
Ganhou-me o pão com que cresci e fui nutrida.
Ah! Quanto te custei!...Quanta dor. Quanta lida!
Desde meu quente estio até teu frio inverno!

E agora, dá-me a mão...É vida. Vem comigo!
Vem que eu te levarei a Jesus, teu Amigo
Que te espera saudoso...Oh! dize-me que sim!

Foste meu pai e eu tua mãe serei agora...
Dar-te-ei a Eterna Luz de que deste a aurora,
Dar-te-ei por esta vida - a Vida que é sem fim..."
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No último parágrafo, assim diz a autora:
"(...)Capistrano não atendeu o pedido da filha, que chegou a enviar-lhe os mais eminentes jesuítas  da época como os padres Franca e Madureira, ao pressentir que sua agonia estava próxima. Capistrano morreria sem se converter ao catolicismo, mantendo assim, em seus derradeiros momentos, sua atitude coerente em relação às questões religiosas que adotara ao longo de sua vida. Esta posição ética seria esboçada em tons irônicos(mas não sarcástico), no relato deixado por Rodrigo Otávio Filho, ensaísta e poeta que, amigo de Capistrano, registrou a última conversa do historiador com o Dr. Felício dos Santos, médico, "católico praticante e íntimo [...] do rebelde livre pensador [...]" que insinuou o bem que lhe faria receber os Santos Sacramentos. Capistrano, com um sorriso, respondeu pensando em sua filha Honorina, esposa de Cristo: "Ora, Felício, seu sou mais amigo de Jesus do que você. Nós somos íntimos...Pois se ele é meu genro!".
Livro de autoria da historiadora Virgínia Albuquerque 
  de Castro Buarque, publicado pelo Museu do Ceará
 em parceria com a Secretaria de Cultura do 
Estado do  Ceará  -SECULT -
Fortaleza- 2003- 1ª edição. 153p.
 Honorina de Abreu- Madre Maria José
de Jesus (Rio de Janeiro 1882-1959).
NOTA FINAL:  Durante todo o seu tempo de claustro, Honorina nunca foi visitada pelo pai (ficara órfã de mãe aos 9 anos de idade).  Mantiveram correspondência, até o último suspiro do pai.  Madre Maria José de Jesus, foi Priora do Carmelo de Santa Tereza, no Rio de Janeiro, durante nove mandatos. Ela falava sete idiomas, inclusive o latim, tendo traduzido as obras completas de Santa Tereza D'Avila  e a Imitação de Cristo, a obra mais representativa do Cristianismo. Deixou obra poética e escreveu livros. 
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Fontes: Wikipédia; site da Prefeitura de Capistrano; site da Biblioteca Nacional.
Fotos: Wikipédia; google; Panoramio.
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Estarei de volta na próxima quinta-feira.Abraços!